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Aberta para convidados na última quarta-feira (6), a SP-Arte chegou mostrando a que veio: promover o cenário de arte moderna e contemporânea e seus artistas. Cheia de novidades este ano - as obras especialmente comissionadas para a Feira no Open Plan, performers escolhidos em seleção pública e o novíssimo setor Design –, a Feira começa a ganhar atenção internacional já no primeiro dia. 

E na quinta (7), com abertura para o público, a SP-Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo deu início no Pavilhão da Bienal, do Ibirapuera, à sua 12ª edição - o evento é a maior feira de arte da América Latina.

"A SP-Arte é uma forma de reforçar a arte brasileira, além de alavancar o mercado e colocar as galerias em contato com potenciais colecionadores", diz a galerista Marilia Razuk. Sua galeria é parte dos cerca de 120 participantes, nacionais e estrangeiros, que colocam em exibição e à venda obras de seus artistas.

Tamanha a importância da feira, sua data de realização costuma concentrar um grande número de aberturas de exposições na cidade. Olhares aquecidos, hora de desbravar a SP-Arte: tem estreia de um setor de design, espaço de performance, bate-papos e outras atrações.

São pelo menos nove dias de imersão no mundo das artes.

Obra de Elizabeth Jobim na Galeria Raquel Arnaud. Foto: divulgação.

SP-Arte
Pavilhão da Bienal - pq. Ibirapuera - av. Pedro Álvares Cabral, portão 3.
Tel. 3259-6866.
Quinta a sábado: 13h às 21h. Domingo: 11h às 19h. Até 10/4.
Ingressos: R$ 40.

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Com informações do Guia da Folha e SP-Arte.

 


No Jesuíno Brilhante a comida é servida "como se come lá". Lá em Patu, no sertão do Rio Grande do Norte, de onde vieram as receitas e os cozinheiros. 

Comida com muito leite e muita carne, "uma cozinha de fazenda, de subsistência, como era a dos meus avós, que produziam leite", conta o jornalista Rodrigo Levino, à frente do restaurante que abriu as portas nesta segunda-feira (4), em Pinheiros, sem pretensão nenhuma, quase como um lugar de estar. 
 

O jornalista Rodrigo Levino, que prepara receitas ensinadas por sua mãe. Foto: Luiza Fecarotta / Folhapress.
 
Da inquietude de não encontrar por aqui comida de sua terra e da vontade de trazer a família para perto, nasceu o projeto do restaurante. 
"A cozinha nordestina que existe em São Paulo é cearense e pernambucana, por causa da migração. Aquele feijão não é nosso", diz Levino. "O arroz de leite, a paçoca, a carne de sol são muito diferentes." 

No cardápio diminuto – mas que deve crescer, pois há 30 receitas na gaveta –, brilha a carne de sol.  Preparada naquele sobrado por João Batista Rodrigues, pai de Rodrigo, a peça de coxão-mole passa 12 horas em sal refinado, é congelada ("para recuperar a água perdida, por isso é suculenta"), descongelada e então cozida. 

 

A carne de sol na nata (desfiada e cozida em creme de leite fresco), servida com cuscuz e saladinha de tomate (R$ 20). 
Foto: Luiza Fecarotta / Folhapress.
 
 
Na paçoca, servida como tira-gosto, é refogada com manteiga de garrafa e cebola-roxa e então recebe a farinha de mandioca e o coentro (R$ 7). 

Também é abre-alas a porção de bolinhos de arroz de leite, de casquinha crocante e recheio cremoso, feitos com arrozvermelho cozido em água e leite, nata fresca, queijo de coalho, cebola-roxa, cebolinha e pimenta (R$ 12, seis unidades). 

São três as opções de prato principal: carne de sol na nata (desfiada e cozida em creme de leite fresco), servida com cuscuz de milho e vinagrete de tomate (R$ 20), carne de sol na chapa, com arroz-vermelho cozido com nata e queijo de coalho e feijão de corda (R$ 25), e o cozido do dia, com arroz branco e feijão de corda (R$ 18). 

Muitos dos ingredientes vão ser trazidos "de lá": o queijo, a manteiga, o arroz-vermelho. Doces, como a burra preta (pão de melado de cana com especiarias à semelhança de um pão de mel), nem existem aqui, diz Levino. 

Na casa, ela é servida com nata fresca e mel de engenho (R$ 10). O pequenino restaurante, em que pedidos são marcados em comandas pagas no caixa, funciona apenas no almoço. Em breve, terá tapiocas, "café passado" e sanduíche, ao longo da tarde.

Serviço
Jesuíno Brilhante
Onde: Rua Arruda Alvim, 180, Pinheiros. 
Quando: de seg. a sáb., das 12h às 15h.

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Magê Flores no Caderno Comida da Folha de S.Paulo.



Depois de oito anos, o governo do estado retira o evento do calendário da Secretaria de Cultura e moradores se apropriam do evento, mudam seu direcionamento, a data de realização e o seu subtítulo O Festival da Mantiqueira - Diálogos da Mantiqueira, realizado em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, durante oito anos, foi retirado do calendário da Secretaria de Estado da Cultura este ano.
 
Mas a comunidade de São Francisco Xavier decidiu se apropriar do evento e realizá-lo com a colaboração da população local. O encontro foi rebatizado e recebeu o nome de 'Festival da Mantiqueira - Literatura em Foco – São Francisco Xavier'.
 
O evento, que acontecia todo mês de abril, desde 2008, será realizado, neste ano, entre os dias 17 e 19 de junho. O trabalho voluntário dos moradores, inclusive dos que têm segunda residência no distrito, mais as ONGs Orbe SFX e Atus de São Francisco Xavier, tem como objetivo a regionalização do festival.
 
A ideia é manter a qualidade dos convidados, porém privilegiando os estudantes do distrito, com atividades que envolverão os seus educadores. Segundo o presidente da comissão executiva do festival, Auro Lúcio Silva, o evento continuará como sempre a receber autores, professores, editores e visitantes, mas agora começa um novo ciclo.
 
“Vai abrir-se para autores regionais, novos autores e, principalmente, aos alunos das escolas do distrito. Nas edições anteriores não havia participação das escolas locais. A partir deste novo formato, haverá discussão com professores, cursos de redação para alunos e elaboração de trabalhos que serão expostos durante o festival. Os alunos irão construir, artesanalmente, seus livros, com apoio da Biblioteca Solidária”, afirmou Auro Lúcio Silva.
 
Autores de visibilidade nacional e regional estão sendo convidados pela comissão executiva do Festival da Mantiqueira - Literatura em Foco – São Francisco Xavier para mostrar os seus trabalhos e participarem de rodadas de debates nos três dias de encontro. Artistas locais também estão sendo convidados para shows e espetáculos.
 
A Prefeitura de São José dos Campos já manifestou seu apoio e deve disponibilizar recursos e infraestrutura das secretarias correspondentes para a realização do evento, que está previsto na lei 8.132, de 9 de junho de 2010, que destaca que o festival deve “valorizar a produção literária nacional e local, bem como a formação de leitores e escritores na região; proporcionar reuniões com autores, educadores e artistas que se destacam pela excelência de sua produção literária; e, sobretudo, destacar e incentivar jovens talentos através de um concurso de redações com temas alusivos ao evento e/ou regionais”.

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Informações para imprensa: Neusa Spaulucci: (11) 9 96415148.
 
 

 

O CaosArte, festival gratuito com multilinguagens artísticas promovido pela Multitude – coletivo de artistas independentes, comunicadores e produtores culturais -, chega à 3ª edição entre os dias 9 e 11 de abril, das 12h às 22h, no Memorial da América Latina. O evento exibe 110 obras sobre o tema “A Cidade Dança” de artistas brasileiros numa programação para todas as idades, inclusas exposições, shows, festas, intervenções, atividades infantis, feira de pequenos produtores e refugiados, entre outros.

Com o objetivo de provocar e expor a criação e cocriação de diversas linguagens artísticas e a reflexão acerca do caos da cidade e a sua relação com a arte e cultura, o festival, que nesta edição ganha apresentação do Programa de Ação Cultural (ProAC; modalidade edital), integra processos colaborativos presenciais e virtuais. Das redes para as ruas, a primeira etapa começou de uma chamada criativa realizada durante todo o mês de março por meio da plataforma de crowdsourcing ItsNOON; ou seja, foi realizada uma convocatória sobre o tema “A Cidade Dança” e artistas e criativos de todo o Brasil enviaram suas obras, intervenções, propostas e projetos. A seleção e remuneração foram feitas pela própria plataforma.  Entre as obras, estão vídeoartes, fotografias, artes plásticas, ilustrações, artes digitais, gifs, textos, intervenções e performances artísticas.

“Queremos colocar em discussão a influência mútua que a cidade e a cultura exercem uma sobre a outra. Cada passo que damos pelas ruas, alguns atravessados, outros corridos ou mais lentos, na realidade, é um convite da cidade para entrarmos no ritmo. Se considerarmos essa atmosférica artística, poética e até mesmo política, isso mais parece uma dança”, comenta Carol Gutierrez, responsável pela gestão e ativação de redes digitais do festival.

Um resumo da chamada criativa será publicado em formato de fanzine, especialmente desenvolvido pelo selo Mongaru, idealizado pelo facilitador gráfico Vitor Massao e pela atriz Isabella Martino.

Já a segunda etapa é a saída do ambiente virtual para o presencial, com três dias do Festival CaosArte, que apresenta os resultados da chamada criativa. As atrações em comum dos três dias são: a Exposição Multidão, composta por 25 artes impressas e outras 75 exibidas em telas de LCD, intervenções de artistas e performers de São Paulo; feira gastronômica (comida caipira, comidas diversas e síria); e feira de empreenderores (compre de quem faz), com um espaço especialmente dedicado aos refugiados de São Paulo – em parceria com a Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado).

A exposição Multidão contará ainda com a participação de trabalhos dos artistas independentes de Birmingham (UK), em parceira com o intercambio cultural do Festival Brum Spirit. Os artistas urbanos Hoakser, Jungo Arts, Break Mission, Pablo Rider e G-Corp apresentarão ilustrações, fotografias, vídeo documentários, dentre outros.  As obras poderão ser conferidas na tenda de exposição.

No primeiro dia, 9, sábado, a programação integra a contação de “História dos Orixás” com o grupo infantil Girasonhos;  oficina de bonecos “Monstros Caóticos”, de Marcia Brito; o espetáculo infantil “13 Gotas”, que educa sobre a importância da preservação da água, do coletivo BuZum!; o Bike Kids, que levará as crianças para uma passeio pela cidade; apresentação musical do Maracatu Bloco de Pedra; homenagem ao sambista Geraldo Pereira pelo grupo Glória ao Samba; intervenção de dança com a artista Claudia Mello; show de Lei Di Dai, que canta a melhor seleção ragga e dancehall; e a Festa Calefação Tropicaos.

Já no dia 10, domingo, haverá os shows das bandas Cabaré Três Vinténs, que faz jazz cheio de energia; e Bagunço, que mistura circo, jazz e música brasileira; peça teatral “Era uma vez um Rei” com o grupo Pombas Urbanas; apresentação do grupo Ilú Obá de Min; e festa Pilantragi, com o DJ Rodrigo Bento, que propõe uma viagem pela música brasileira, com samba, rap, maracatu e rock.

No terceiro e último dia, 11, segunda-feira, a programação diurna fica por conta da Maternativa, com rodas de conversa, festa de reis e oficinas voltadas para mães e filhos. O encerramento dos três de CaosArte contará com a performance “Pachamama”, projeto de instalação com tecnologia arduino da artista multimídia Aieda Freitas; e  Festa Odara, também de música brasileira, mas com sons da nova geração.

A programação está distribuída em quatro espaços: uma tenda, que abrigará a exposição; uma área dedicada ao recebimento das intervenções presenciais; outra para as festas, onde obras serão projetadas e/ou remixadas; e os locais das feiras.

Serviço
Festival CaosArte: a cidade dança, Memorial da América Latina.
Programação: https://goo.gl/RivAUt
9, 10 e 11 de abril de 2016, de sábado à segunda-feira, das 12h às 21h.
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda, São Paulo - SP.
Entrada Gratuita (sujeito a lotação do espaço).
Faixa etária: livre.
Estacionamento: Portões 4, 8 e 15; R$10 a primeira hora + R$5 a hora adicional.

Sobre o Multitude

Criada em 2013, a Multitude reúne artistas independentes, comunicadores e produtores culturais, que desde 2009 buscam levar a experiência multisensorial para as ruas, eventos, empresas e festivais. 

Articula a plataforma Multidão (multidao.co) que será lançada em breve - rede que potencializa novos modelos econômicos, a partir da cultura, colaboração, compartilhamento e fluxo financeiro.

Facebook: fb.com/coletivomultitude

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Informações Leandro Matulja, Leticia Zioni e Larissa Marques da Agência Lema: agencialema.com.br 


A “Casa de Tolerância” da Companhia do Miolo será reaberta a partir do dia 3 de abril. Um antigo prostíbulo doméstico, localizado no Bairro da Penha, mais uma vez se transforma em cenário de um espetáculo teatral, que surpreende ao levar o público para vagar por uma casa cheia de mistérios. A Companhia do Miolo, que possui um trabalho emblemático no teatro de rua, com espetáculos como “Relampião” e “O Burguês Fidalgo”, abre as portas de sua sede novamente e reestreia o espetáculo “Casa de Tolerância” como resultado de uma intensa pesquisa com o bairro.

Criado na atual sede da Companhia do Miolo, uma casa onde antes funcionava um prostíbulo doméstico, o espetáculo é fruto de uma pesquisa do grupo que deu ênfase a CASA como elemento de uma poética necessária e urgente, a fim de tratar de um tema espinhoso e recorrente: a violência contra a mulher e contra a tudo aquilo que se levanta como força no feminino.

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Com direção de Patrícia Gifford, a montagem explora questões das violências sofridas ao corpo da mulher e as intolerâncias e discriminações a tudo que seja ligado ao feminino.  De forma itinerante, as atrizes convidam o público para uma travessia pelos cômodos da casa, fazendo uma fricção entre realidade e representação. Na trama, são realizadas ações de um cotidiano doméstico, que ganham outras dimensões quando colocadas em contato com narrativas sobre a memória do lugar, além de outras narrativas como a possibilidade de que alguns corpos podem ter sido enterrados ou emparedados neste local.

Através das histórias locais, o grupo encontrou outras inúmeras histórias, violentas e terríveis, como a questão do feminicídio em Cidade Juarez, no México, onde matar mulheres tornara-se uma prática recorrente. Em Cidade Juarez, estima-se que desde 1993, cinco mil mulheres foram mortas ou estão desaparecidas, apenas pelo fato de serem mulheres, e até hoje não há nenhum condenado.

Historicamente convivemos com a violência contra esses corpos femininos: mulheres, transgêneros, performers e tantos outros que ousaram exaltar o feminino. É neste sentido, que o espetáculo por meio de narrativas reais/ficcionais, busca em uma travessia por esta CASA, dar lugar a potência de vida desses corpos silenciados. Desde a exploração sexual infanto-juvenil, ao extermínio por motivações transfóbicas, os corpos à margem, vão sendo lembrados e exaltados por suas presenças insistentes pela VIDA.

Neste trabalho, o grupo convida o público para saborear uma galinhada, mote que dará vida a histórias de mulheres exploradas, violentadas e desaparecidas. A CASA, testemunha viva no bairro, devolve ao público uma arqueologia museológica, um memorial de tantas vozes silenciadas nesta condição do feminino.

Em 2015 o grupo adentrou os prostíbulos domésticos da Penha, visando iluminar a relação entre casa-teatro e vizinhança e durante o processo de criação, realizou almoços, apresentações e bate-papos com as mulheres da vizinhança. “A história da CASA, relativa à prostituição, é completamente velada! Os rastros se ocultam no bairro e na rua, nos quais ninguém quer tocar. Portanto, desvelar essas memórias, também nos torna cúmplices da vida local e nos permite de algum modo, pertencer àquele lugar. Além das apresentações, durante a temporada abriremos a CASA para atividades que visam ampliar e aprofundar o sentido de vínculo.” – explica Renata Lemes, integrante da Companhia do Miolo.


O espetáculo “Casa de Tolerância” nasceu do desejo de pesquisar a história desta casa, que desde agosto de 2011, funciona como a sede da Companhia do Miolo. Neste sobrado discreto, funcionava um prostíbulo doméstico, em um local predominantemente residencial, produzindo assim um espaço de “exceção”. Suas histórias e memórias estão intrinsecamente ligadas às experiências do bairro, quer seja revelando seus paradoxos, quer seja afirmando a existência de um mundo particular, sob os olhares curiosos de uma vizinhança pouco afeita àquelas antigas personagens.

Neste espetáculo feito só por mulheres, o grupo investe em uma narrativa que traga à tona a questão da condição feminina na contemporaneidade. O grupo convida o público para uma conversa rara, porém necessária, entre vizinhos, sobre temas olhados apenas pela superfície ou calados sob outras formas de submissão.  Com o pretexto de convidar as pessoas para um almoço/mutirão de reforma da sede, as três atrizes da companhia recebem o público ao som de Lindomar Castilho. Em meio a tijolos, picaretas, comida e bebida, aos poucos, os acontecimentos da casa vão revelando o real intuito do convite.

Aos olhos do espectador a Casa é aos poucos revelada, e seu intrigante mistério desvelado: há ali uma mulher emparedada, um corpo ocultado, como de tantos e tantas. É preciso parar de remendar a casa, juntar as partes, cantar e velar tantas mortes sem túmulos.

A Companhia do Miolo reabre a sua sede e convida o público para desvendar os mistérios de sua “Casa de Tolerância”. Para participar, é necessário reservar os ingressos antecipadamente, pois apenas quinze pessoas participam de cada apresentação. 

Serviço
Temporada: de 2 de abril à 1.o de maio - Sábados e Domingos - Horário: 17h.
*Nos dias 16 e 17 de abril não haverá apresentação.
* No caso de chuva, o espetáculo não acontece.
Ingressos gratuitos - Capacidade: 15 pessoas Classificação: 14 anos - Duração: 120 minutos.
Os ingressos deverão ser reservados através do telefone 11- 3871-0871.
Local: Sede da Companhia do Miolo - Rua Dr Ismael Dias, 111 – Penha – São Paulo - 03631-010.

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Informações de Luciana Gandelini - Assessora de Imprensa. Fotos: Alexandre Krug / Divulgação.

 


“Faça você mesmo”, traduzido do inglês Do it Yourself, foi um dos grandes lemas do movimento punk, que surgiu em meados dos anos 1970 nos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo ocidental nos anos seguintes. Foi também o lema que conduziu, em novembro de 1982, a organização do festival O Começo do Fim do Mundo, realizado no recém-inaugurado Sesc Pompeia com a presença de 20 bandas de punk rock de São Paulo e do ABC paulista. Se o Sesc ainda não possuía o equipamento de som necessário, alguns amplificadores, microfones e caixas de som resolveram a situação; se os membros de algumas bandas nem tinham seus próprios  instrumentos, pegaram emprestado de outras; se não havia espaço para divulgação na mídia, alguns cartazes, flyers e o boca a boca cumpriram o papel. Difícil seria imaginar que, apesar do improviso – ou talvez por isso mesmo –, o evento se tornaria um marco na história da música nacional, com grande repercussão inclusive no exterior.

Dos primórdios: registros do festival de 1982, que reuniu 20 bandas e marcou a história da música nacional. Fotos: Vitão (Punks da Morte)Dos primórdios: registros do festival de 1982, que reuniu 20 bandas e marcou a história da música nacional. Fotos: Vitão (Punks da Morte)

Dos primórdios: registros do festival de 1982, que reuniu 20 bandas e marcou a história da música nacional. Fotos: Vitão (Punks da Morte).

A ideia partiu do escritor e dramaturgo Antônio Bivar, importante agitador da contracultura brasileira, que percebeu a força que o movimento punk ganhara entre jovens de origem proletária da região metropolitana de São Paulo. Ainda sob o regime militar, em tempos de crise econômica e desesperança no futuro, os jovens punks flertavam com o anarquismo e questionavam o sistema como um todo – governo, polícia, mídia, burguesia, etc. Por isso mesmo, a própria aceitação do Sesc (Serviço Social do Comércio, ligado ao empresariado) em realizar o evento foi uma surpresa vista com desconfiança por algumas bandas, acostumadas a tocar em “buracos” e festas sem nenhuma estrutura ou vínculo oficial. Mas o novo espaço projetado por Lina Bo Bardi de fato se mostrava aberto a novas propostas e surgia ali uma oportunidade para o punk mostrar sua cara para um público mais amplo. Segundo Bivar, deu certo: “Acho que o festival colocou, espontaneamente, o punk na história do Brasil”.

Era uma oportunidade, também, para tentar unificar um movimento fortemente rachado pela rivalidade entre bandas e gangues do ABC contra as de São Paulo. Após uma preparação cautelosa, que envolveu a aceitação de uma trégua entre grupos rivais, O Começo do Fim do Mundo aconteceu, com casa lotada, em dois dias no espaço externo do Sesc. Além dos  shows – de Inocentes, Ratos de Porão, Cólera, Negligentes, Olho Seco, Desertores e muitas outras –, exposições e barracas montadas para a divulgação de material punk (discos, fitas, fotos e fanzines) ocuparam a antiga fábrica da Pompeia. “Foi um festival mágico, que a gente conseguiu fazer em momento de crise do movimento, quando estava tendo várias tretas com as gangues. E a gente conseguiu juntar todos.  Tudo que tinha de produção punk a gente juntou nesses dias. Porque basicamente só tinha 20 bandas, e foram as 20 que tocaram”, conta Ariel Invasor, ex-membro de Restos de Nada e Inocentes, hoje do Invasores de Cérebros. 

Ao contrário do que muitos temiam, o evento aconteceu com poucas brigas que, de algum modo, também faziam parte do espetáculo maior. “A postura toda tinha um tanto de teatro. Eu, como dramaturgo, vi o festival um pouco como um grande espetáculo espontâneo”, conta Bivar. E ele completa: “Os punks não gostam muito que eu fale isso, mas eu acho que uma das grandes coisas do punk, para além da revolta contra o sistema e tal, é um grande humor. Tem uma verve humorada que me fascinou”. 

Mas se os jovens não arranjaram tanta confusão, não se pode dizer o mesmo da Polícia Militar, que, sem motivo aparente, invadiu o Sesc para expulsar e prender os punks, levando embora inclusive a fita em que era gravado o evento em vídeo. O material foi resgatado por Bivar na delegacia, ainda no mesmo dia, e possibilitou, mais de 30 anos depois, a realização do documentário O Fim do Mundo, Enfim – de mesmo nome do show comemorativo realizado no Sesc Pompeia em 2012 com cinco das bandas presentes em 1982 e outras convidadas.

Documentário e filmagem do novo show, que novamente lotou a antiga fábrica da Pompeia, saem agora em DVD pelo Selo Sesc. Porque, como dizem por aí, o punk não morreu: “O punk não acabou. Ele continua contestando, continua com uma ideologia viva, do ‘faça você mesmo’, de que não precisa ter uma grande gravadora atrás nem a mídia em cima”, diz o jornalista Ricardo Cachorrão Flávio em cena do filme. “O movimento sobrevive, está indo, andando pelos esgotos, mas está vivo. Seja no Sesc Pompeia, seja num buraco qualquer na periferia, ainda existe punk.”

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Marcos Grinspum Ferraz na Revista Brasileiros.