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O sociólogo Carlos Alberto Dória vai ministrar um curso sobre a culinária caipira e suas raízes na cozinha tupi-guarani.

"Como o milho, que foi domesticado há milênios na America do Norte, chegou ao sul e sudeste do Brasil no perído pré-colonial? Como se deu a cisão entre os “povos do milho” e os “povos da mandioca” na América do Sul? Quais os traços fundamentais da cultura guarani? Quais os tipos de fogo que eles utilizavam? Quais os usos culinários que os guarani faziam do milho e da mandioca? Como isso influenciou ou determinou o que é fundamental na culinária caipira? É para procurar responder a estas questões - experimentando, inclusive, fazer algumas preparações como os guarani faziam - que foi concebido o primeiro módulo do curso," diz Carlos Dória.
 
O primeiro módulo, que será realizado neste mês, terá um total de 12 horas divididas em quatro aulas sobre a cultura culinária guarani. Nos primeiros dois encontros, os alunos, a partir de registros arqueológicos e históricos, entrarão em contato com preparos derivados, principalmente, do milho e da mandioca.
 
Nas duas últimas aulas, as receitas serão levadas à cozinha, com a presença do cozinheiro Ivan Santinho Pinheiro, e haverá uma degustação avaliativa. O curso será realizado em uma casa residencial no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo. 
 
As primeiras aulas, nos dias 28 e 29 de janeiro, serão das 20h às 23h e as últimas, nos dias 30 e 31, das 9h às 12h. 

Ilustração de embalagens caipiras de origem guarani que será usada no curso de Carlos Alberto DóriaIlustração de embalagens caipiras de origem guarani que será usada no curso de Carlos Alberto Dória

Ilustração de embalagens caipiras de origem guarani que será usada no curso de Carlos Alberto Dória.
 
Serviço
Curso Culinária Caipira.
Módulo I.
Onde: Rua Aquiramum, 12, Alto de Pinheiros.
Quando: 28 e 29 de janeiro.
Quanto: R$ 650,00.
Horário: das 20h às 23h; 30 e 31 das 9 às 12h.
*Os interessados podem acessar a página do sociólogo no Facebook.

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Carlos Alberto Dória é bacharel em Ciências Sociais pela USP, com doutorado e pós-doutorado na Unicamp, tendo estudado o darwinismo no Brasil. Possui também vários livros publicados sobre sociologia da alimentação: Estrelas no céu da boca; A culinária materialista; Formação da culinária brasileira; e-BocaLivre.
 
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A cultura guarani é a base da formação do Brasil. Os guaranis estavam aqui bem antes de nós e suas contribuições perduram até hoje na culinaria, na lingua, na topografia e compreensão do território, e ainda numa série imensa de costumes dos brasileiros de modo geral.  Fonte: Ministério da Cultura – MinC. "A cultura guarani e nós."
 


Dois anos após a Semana de Arte Moderna, o escritor Mário de Andrade, a pintora Tarsila do Amaral e a dama da aristocracia cafeeira Olívia Guedes Penteado embarcavam em certa cidade mineira plenos de chapéus, calças e vestidos de linho para duelar com a curiosidade pública.

Um popular desejou saber se integravam o circo. Mário de Andrade se virou para Tarsila: “Os elefantes chegam logo?” Ao que ela respondeu: “Chegam logo, sim!” 

O bom humor ainda será entendido como marca modernista a superar a dos versos livres. Fundador das bases que orientam a preservação do patrimônio histórico e artístico, Mário relatou suas viagens em crônicas de jornal em parte para financiá-las.

Somadas às impressões escritas, constituem O Turista Aprendiz (Mário de Andrade, 464 págs., R$ 50. Vendas pelo site do Iphan, reeditado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em parceria com a USP e o IEB. Acrescido de DVD do documentário A Casa do Mário e de um disco com diários do fotógrafo, reúne descobertas posteriores à mineira.
 


Em 1927, com Olívia, sua sobrinha Margarida e Dulce, sobrinha de Tarsila, Mário navegou por três meses entre Rio de Janeiro e Iquitos, Peru. Em  1928, viu-se no Nordeste, onde conheceu Câmara Cascudo. Registrou cantorias, danças, religiosidade, documentação que se somaria ao conhecimento dos livros.

A poesia borboleteia pelo volume rico mesmo nos dias feitos de nadas. “Belém é a cidade principal da Polinésia. Mandaram vir uma imigração de malaios e no vão das mangueiras nasceu Belém do Pará.” Um dia, ao estranhar-se nesse mundo, Mário colocou o boné: “Olhei no espelho e era eu viajando. Fiquei fácil”.

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Rosane Pavam em Carta Capital. 


Houve um tempo em que livros para crianças se contentavam em rechear com reis, princesas e sapos o espaço entre o "era uma vez" e o "felizes para sempre". Mas isso parece estar ficando cada vez mais para trás.

Um dos novos exemplos é a editora Boitatá, criada no fim de 2015. Selo infantojuvenil da editora Boitempo, que se notabilizou na publicação de livros de história, política e economia, tendo como eixo principal o pensamento de esquerda, seus livros de estreia não trazem contos de fadas ou histórias de bruxas, mas falam sobre política e classes sociais para um público leitor que não tem muito mais do que oito anos de idade nas costas.

"Queremos despertar o questionamento na criança, fugir da história cuja personagem principal é uma princesa branca, loira, bonitinha, pronta para obedecer", diz Ivana Jinkings, diretora editorial da Boitempo.

Em 1995, ao criar a editora, cujo nome pegou emprestado de um poema de Carlos Drummond de Andrade e de uma antiga editora criada nos anos 1960 por seu pai, o dirigente comunista Raimundo Jinkings, Ivana se preocupou dialogar com a universidade e a academia, publicando pensadores brasileiros e traduzindo nome estrangeiros como Karl Marx.

Nada mais distante do universo infantil. Foi no aniversário de 20 anos da Boitempo, comemorado no ano passado, que Ivana decidiu tirar do papel o velho desejo de abrir um canal com as crianças.

A Boitempo, até então, não tinha a mesma estratégia de grandes editoras do país, que viram no livro infantojuvenil um atrativo para pais, escolas e, principalmente, para as compras do governo. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, o mercado editorial para crianças e adolescentes no Brasil foi responsável em 2014 por quase 12% de toda a produção de livros, colocando nas livrarias 57 milhões de exemplares.

Com a crise econômica e os cortes orçamentários em 2015, no entanto, as compras governamentais foram adiadas ou suspensas, o que deve afetar os números do ano. "A Boitempo é uma editora que dificilmente entra na lista de livros comprados pelo governo. Quando lançamos um selo infantil e temos a chance de entrar nela, as compras são suspensas (risos)."

Para compensar a crise econômica, a Boitatá busca ultrapassar a fronteiras dos filhos e alunos dos leitores da Boitempo, apostando que seus livros infantis sejam trabalhados em sala de aula. Para atrair ainda mais os professores, obras de ficção serão lançadas neste ano e há a estratégia de descolar a Boitatá da definição "de esquerda".

"É difícil dizer que um livro para crianças seja de esquerda. Queremos publicar um texto inteligente, que plante uma sementinha na cabeça do leitor, para que ele repense seu lugar no mundo. Nossos livros são para crianças inteligentes, e não para crianças de esquerda."

Os dois primeiros títulos, "A Ditadura É Assim" e "A Democracia Pode Ser Assim" já foram lançados. Os próximo, "O Que São Classes Sociais?" e "As Mulheres e os Homens", devem chegar às livrarias no final de fevereiro ou no começo de março. A editora já está trabalhando nos primeiros livros de ficção, que serão lançados ainda em 2016, além de numa coleção para adolescentes, prevista para 2017.

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Bruno Molinero na Folhinha.


O Memorial da América Latina, em parceria com o Museu Oscar Niemeyer (MON), abre para o público, a exposição de fotografias “União Soviética através da câmera”. A mostra, que reúne cerca de 200 imagens em preto e branco de seis importantes fotógrafos da União Soviética, fica em cartaz na Galeria Marta Traba até 15 de fevereiro, com entrada gratuita de terça a domingo, das 9h às 18h.

As fotografias são do período que vai de 1956 – ano em que Nikita Khruschev denuncia os crimes cometidos por Josef Stalin (morto em 1953) e as tropas soviéticas invadem a Hungria – a 1991, quando se configura a dissolução da União Soviética.

“É gratificante para o Memorial a oportunidade de compartilhar com o público em geral o registro iconográfico de um período tão marcante como foi o processo de transição geopolítica do bloco soviético, iniciada com a desestalinização promovida por Khruschev e chegando até a reforma de Gorbatchev, que culminaria com a dissolução da URSS”, afirma o cineasta e escritor João Batista de Andrade, presidente do Memorial da América Latina.

Foto 'After Church', de Antanas Sutkus, está em exposição no Memorial da América LatinaFoto 'After Church', de Antanas Sutkus, está em exposição no Memorial da América Latina

Foto: Antanas Sutkus / Divulgação.

Para retratar este ambiente, os curadores selecionaram obras de alguns dos mais importantes fotógrafos da URSS: Viktor Akhlomov, Yuri Krivonossov, Antanas Sutkus, Vladimir Lagrange, Leonid Lazarev e Vladimir Bogdanov. Os curadores explicam a linha da mostra: “Através do olhar de seis fotógrafos diferentes, a exposição propõe uma reflexão sobre a vida cotidiana deste ‘ país fantasma’, do Degelo de Khruschev à Perestroika de Gorbatchev, bem como o papel singular exercido pela fotografia na sociedade soviética pós-stalinista”.

Foto: Vladimir Lagrange / Divulgação.

 

Serviço

"A União Soviética através da câmera".

De 6 de janeiro a 15 de fevereiro de 2016.
Memorial da América Latina – Galeria Marta Traba - ao lado do Metrô Barra Funda.
Terça a domingo – das 9h às 18h.
Entrada gratuita.

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Fonte: Assessoria de Imprensa.

 


São 10 mil itens, que formam a maior coleção de uma companhia privada na América Latina. O acervo engloba obras de arte, documentos, objetos e livros, que retratam vários momentos da história do Brasil. Parte de tudo isso estará à disposição de crianças em São Paulo. 

Ao longo de todos os fins de semana de janeiro, o público pode viajar pela história no Espaço Olavo Setubal, no Itaú Cultural. O espaço, que existe desde 2014, receberá visitas guiadas e gratuitas para ver as 1.300 obras expostas, pertencentes às coleções Brasiliana e Numismática. Há obras de artistas como como Frans Post, Rugendas e Debret, além das primeiras edições de escritores como Machado de Assis e Castro Alves. 
 
Há ainda ilustrações de indígenas feitas pelos primeiros portugueses que desembarcaram em nossa costa na época do Descobrimento e outros objetos colecionados por Setubal (que viveu entre 1923 e 2008) desde 1969. 
 
Há seis diferentes possibilidades temáticas para conhecer o espaço: os visitantes podem saber mais sobre as aves brasileiras, conhecer cenários da paisagem do país, usar um mapa para colher pistas através dos elementos da coleção, brincar de jogo da memória com a história do Brasil ou explorar o desconhecido de forma investigativa, como se fossem navegadores europeus se lançando ao mar. 
 
Cada atividade apresenta um recorte diferente, e todas buscam interagir com o público e seus sentidos, trazendo propostas dinâmicas que vão além da mera observação das peças. As visitas são guiadas e, por meio de uma conversa, as crianças e suas famílias decidem qual caminho querem seguir no acervo. 

Serviço

Espaço Olavo Setubal.
Onde: Itaú Cultural - Av. Paulista, 149 - 4º e 5º andar.
Quando: até 31/1; sáb. e dom., das 16h às 17h.
Quanto: grátis.

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Fonte: Folhinha.
 

 
A partir do dia 25, a sala expositiva do terceiro andar do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de São Paulo será visitada como se fosse um “templo da arte moderna” – nela, apenas três pinturas do holandês Piet Mondrian, duas de 1921 e uma de 1937, apresentarão para o público brasileiro o auge do neoplasticismo desenvolvido pelo artista (e talvez elas estejam acompanhadas de um pouco de jazz ao fundo, uma paixão do pintor).

Já seria um grande fato a exibição, no País, dessas históricas composições feitas de linhas verticais e horizontais cruzadas e de blocos quadriláteros vermelhos, amarelos e azuis. Entretanto, as três telas, pertencentes ao Museu Municipal de Haia, na Holanda, integram um conjunto de cerca de 100 obras da mostra Mondrian e o Movimento De Stijl, que será apresentada até 4 de abril para o público paulistano e depois seguirá para Brasília, Belo Horizonte e Rio, onde encerrará sua itinerância em janeiro de 2017.
 
Para Piet Mondrian (1872-1944), o neoplasticismo era a expressão plástica do que considerava ser o “reconhecimento da emoção da beleza” – “cósmica”, escreveu em 1917, ela só poderia ser manifestada por meio de formas e cores “universais”. “O neoplasticismo não pode, portanto, manifestar-se como uma representação (natural) concreta, a qual sempre se refere mais ou menos ao individual”, definiu o holandês no ensaio publicado naquele ano na revista De Stijl (O Estilo), ligada ao movimento homônimo fundado por ele e pelo artista e arquiteto Theo van Doesburg (1883-1931).
 
“Mondrian tinha na cabeça o ideal de criar uma arte que faria algo para a humanidade”, diz Pieter Tjabbes, curador da exposição, ao lado de Benno Tempel, diretor do Museu Municipal de Haia, e Hans Janssen. A mostra, feita em parceria com a instituição museológica holandesa e a produtora Art Unlimited, da qual Tjabbes é sócio-diretor, tem caráter didático e apresentará não apenas todo o percurso do pintor holandês até o abstracionismo geométrico neoplasticista, como também os preceitos e as criações em diversos meios (fotografia, design, arquitetura e tipografia) de outros importantes artistas relacionados ao movimento De Stijl (pronuncia-se De Stél), entre eles, o arquiteto Gerrit Rietveld (1888-1964), autor da famosa cadeira de 1917/23 em vermelho, azul e com detalhes em amarelo, o designer Piet Zwart (1885-1977) e o pintor Bart van der Leck (1876- 1958).
 
Foram cinco anos de negociações para que o Museu Municipal de Haia emprestasse, por um ano, as obras de sua prestigiada coleção para a exposição brasileira. “Hoje, a coleção de Mondrian deles é imbatível, nenhum outro tem tanta variedade e quantidade”, conta Pieter Tjabbes. O curador e produtor refere-se, principalmente, ao fato de a instituição holandesa ter um acervo expressivo sobre o caminho do pintor holandês desde a arte acadêmica e tradicional até o abstracionismo neoplástico – isso ocorreu graças à aquisição, anos atrás, de peças do colecionador Sal Slijper, mecenas de Mondrian – o autorretrato do artista presente na mostra foi pintado em 1918 a pedido do amigo.
 
Pieter Tjabbes, curador da mostra 'Mondrian e o movimento De Stijl', no CCBB-SP

Pieter Tjabbes, curador da mostra 'Mondrian e o movimento De Stijl', no CCBB-SP. Foto: Hélvio Romero / Estadão.
 
Mondrian e o Movimento De Stijl é composta de dois eixos. O primeiro, dedicado ao pintor holandês e com cerca de 30 de suas criações, apresenta desde as composições figurativas do início de sua carreira, como a pintura de 1895/99, que representa uma fábrica de velas de cera à noite, até a neoplástica Composição de Linhas e Cor III, de 1937, que tem apenas um pequeno retângulo azul pintado entre retas cruzadas em preto sobre fundo branco. 
 
Desde o começo interessado na relação das formas, Mondrian vai clareando sua paleta de cores e seu percurso figurativo também revela algumas influências como o pontilhismo de Seurat. “Ele pensava em volumes e as cores tinham para ele um efeito seja de retração ou de avanço”, explica Pieter Tjabbes. Quase como uma aula, a mostra também toma a figura da árvore, um tema caro a Mondrian e que vai se tornando cada vez mais estilizada (tronco e galhos viram elementos horizontais e verticais), para explicar o caminho do artista até a abstração – ou sua “busca por uma imagem espiritual”, diz o curador. 
 
A árvore é também um símbolo de um percurso “idealista de fundo filosófico-religioso” do artista. “A teosofia é um fio condutor na vida de Mondrian”, afirma Tjabbes. A doutrina, que sintetiza as religiões do mundo, explica o curador, tem como princípio a ideia de que uma grande energia permeia tudo e todos os seres – Deus seria, portanto, uma unidade. 
 
O segundo eixo da exposição, dedicado ao De Stijl (1917-1931), é multidisciplinar, mas suas obras mostram o mesmo idealismo. “É um movimento utópico, eles queriam mudar o mundo, a vida das pessoas, envolver a humanidade”, explica o curador. 
 

'Trio', criação tipográfica de 1931 do designer Piet Zwart. Imagem: Gemeentemuseum, Dan Haag / Divulgação.
 
 
Mondrian e o Movimento de Stijl. 
CCBB-SP. Rua Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651.
4ª a 2ª, 9h/21h. Até 4/4. 
Abertura no dia 25/1.
Grátis.
 
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Camila Molina / O Estado de S.Paulo.