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Em funcionamento até hoje, o Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939, acompanhou o processo embrionário da moderna fotografia brasileira e revelou pioneiros da foto abstrata no Brasil, como Geraldo de Barros (1923-1989) e Thomas Farkas (1924-2011), dois nomes históricos da mesma geração de German Lorca, ainda ativo, aos 93 anos. No ano passado, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) recebeu do clube, em regime de comodato, 275 fotos, todas exibidas em salões promovidos pela instituição e publicadas em revistas especializadas. Elas estão reunidas na exposição Foto Cine Clube Bandeirante: do Arquivo à Rede, que o museu abre nesta quinta, 26, às 20 horas, para convidados (e nesta sexta para o público), com curadoria de Rosângela Rennó, curadora adjunta de fotografia da instituição.

A mostra ganhou ainda quatro outras fotos doadas por particulares. No total são, portanto, 279 fotos de 85 artistas, todos integrantes do Bandeirante, alguns conhecidos, como um dos seus fundadores, o advogado Eduardo Salvatore (1914-2006), que presidiu o clube de 1943 a 1990, e outros hoje lembrados apenas por especialistas na área. Entre os primeiros, cabe destacar a presença do alemão Fredi Kleeman (1927-1974), também ator do TBC que deixou registros fotográficos de montagens históricas da companhia teatral, Gaspar Gasparian, José Oiticica Filho, José Yalenti, Madalena Schwartz, Raul Eitelberg, Roberto Yoshida, Rubens Teixeira Scavone, Takashi Kumagai e Valêncio de Barros, além dos nomes citados no primeiro parágrafo.

                                                                                                 Fotografia de German Lorca, 'Chuva na Janela'/ Comodato Foto Cine Clube Bandeirante.

Como se vê pela lista, a exposição tem desde adeptos do pictorialismo, que caracterizou a primeira fase do fotoclubismo no Brasil – Valêncio de Barros, entre eles – até os primeiros modernistas que, estimulados pela evolução da arquitetura, o desenvolvimento econômico e o intercâmbio com artistas trazidos pela Bienal de São Paulo no começo dos anos 1950, introduziram a foto abstrata no Bandeirante. “A ideia da exposição não foi criar uma hierarquia entre eles, mas reconstituir um salão da época”, explica a curadora. Até por ter sido um celeiro de fotógrafos experimentais, a predominância, na mostra, é da fotografia abstrata, que explora, como os construtivistas, a relação com as formas geométricas da arquitetura e o contraste entre luz e sombras.

A curadora decidiu usar na mostra um sistema modular de painéis criados na década de 1940 pela arquiteta Lina Bo Bardi, autora do projeto do Masp, para reforçar o conceito de arquivo. “Não faria sentido usar molduras individuais, pois os salões do clube exibiam as fotos de maneira simples”, justifica. Mas, como algumas dessas cópias circularam muito por salões nacionais e estrangeiros, o estado de uma ou outra é precário. “Assim, agrupamos os painéis lado a lado, com uma pequena inclinação, e usamos uma lâmina de vidro para a proteção das obras.” 
 
Há na mostra fotos mais recentes – a exposição vai até a década de 1980 – e coloridas, caso de Raul Eitelberg, que chamou a atenção da curadora por suas montagens, que recorrem a uma mise-en-scène antinaturalista. “Suas fotos parecem tableaux vivants, têm algo relacionado à nouvelle vague”, analisa. Outro que nadou contra a corrente da geometria, segundo a curadora, foi Roberto Yoshida, autor de fotomontagens surrealistas em table top.

Na linha dos bandeirantes abstratos e arquitetônicos ela destaca Ivo Ferreira dos Santos, que transforma imagens de vergalhões em formas geométricas distorcidas. Até mesmo o Bandeirante, na passagem dos anos 1940 para 1950, teve dificuldades para aceitar experiências radicais como as dele, de Geraldo de Barros e Thomas Farkas. Mas o tempo se encarregou de legitimar seus esforços.

Serviço
Foto Cine Clube Bandeirante: do arquivo à rede.
 
Masp. Avenida Paulista, 1.578, 3149-5959.
3ª a dom., 10 h/18 h; 5ª, 10h/ 20h. R$ 25 (3ª grátis).
Até 20/3. Abertura quinta-feira (26), 20 h, para convidados.

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Antonio Gonçalves Filho / O Estado de S.Paulo.


Um casarão dos anos 40, há uma década inativo, foi o cenário escolhido para que mais de 20 profissionais de design e decoração de São Paulo imprimissem em cada ambiente sua perspectiva sobre a sustentabilidade nos dias de hoje.

O resultado deste trabalho pode ser conferido na primeira edição da Mostra Viver São Paulo, realizada até o dia 31 de janeiro, no número 263 da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. Os ambientes estarão abertos ao público para visitação de terça à domingo das 12h às 20h.

Com curadoria da designer de interiores Isabela Augusto de Lima e Paulo Coutinho, ambientalista com experiência em projetos na Amazônia e atualmente consultor em sustentabilidade, a Mostra apresenta ambientes criativos que inspiram mudanças na decoração dos lares e incentivam a prática de um padrão de consumo menos agressivo à natureza.

Paulo Alves, Juliana Vasconcellos e Daniela Colnaghi, entre outros nomes do mercado, provam como a reutilização de pisos, revestimentos e móveis podem fazer parte de um projeto sofisticado, prático e, ao mesmo tempo, leve para o planeta, com a diminuição de resíduos, transporte e novos materiais.

​​Compõem ainda o leque de alternativas expostas na Mostra, tecnologias diferenciadas e elegantes para captação de água de chuva, técnicas que permitem reduzir o desperdício de materiais ou melhorar a eficiência energética das residências, utilização de paredes verdes e um sistema próprio para gerir todos os resíduos sólidos produzidos durante o evento.

Novo paradigma

A Mostra se destaca quando à aplicação da sustentabilidade no mercado de design e arquitetura. Para Isabela e Paulo, há uma necessidade em refletir sobre um novo paradigma da decoração atual, aliando não apenas o útil e o belo, mas também o sustentável.

“A sustentabilidade ainda está muito associada a materiais recicláveis, móveis rústicos e não funcionais. “É claro que tudo isso faz parte deste movimento ambiental que vem crescendo nos últimos anos, mas queremos mostrar que o sustentável pode estar ligado ao belo porque na natureza é assim. Não existe uma dicotomia entre beleza e funcionalidade, está tudo integrado. E também não adianta falar de sustentabilidade se não a praticarmos dentro de casa”, ressalta Isabela.

Na visão de Paulo Coutinho, o movimento de mudança é muito amplo e de responsabilidade de todas as esferas da sociedade, incluindo consumidores, indústria, governo e terceiro setor. “Sabemos que muitas tecnologias para uma moradia sustentável, como as placas fotovoltaicas, ainda são um investimento inacessível para grande parte da população, que carece de políticas públicas para incentivar o uso. Por isso, nossa parceria com os arquitetos e designers, que são agentes transformadores na medida em que eles impactam tanto os consumidores, ao orientá-los a adquirir produtos sustentáveis ou a aproveitar elementos já existentes no ambiente, quanto a indústria, ao questionar, por exemplo, a procedência da madeira que o fabricante está usando em seus móveis”, explica.

Longo prazo

Diferente de outras mostras da cidade, a Viver São Paulo nasceu com a missão de apresentar ambientes que buscam ser um bom negócio ao mesmo tempo em que são cheios de charme e que reduzem o impacto da ação humana sobre o planeta. “Somos um grupo grande, de mais de 20 profissionais com vivências e backgrounds diversos e que tem um interesse difuso pela sustentabilidade. Mas o que temos a nosso favor é que todos, de alguma forma, se mostram dispostos a se associar à sustentabilidade. E é justamente esse ponto em comum que queremos ressaltar”, diz Isabela.

Isabela e Paulo frisam que a Mostra é um projeto de longo prazo. “Além de profissionais e indústrias, nos preocupamos com as futuras gerações. O planeta não vai acabar, o que pode acabar é o ser humano. E isso é uma preocupação central que nos leva ao consumo consciente. A sustentabilidade é um processo de crescimento da consciência humana e da consolidação de novas práticas que nos colocam ao lado da natureza. Assim, esperamos que as novas edições da Mostra já revelem um avanço de tudo que for apresentado aqui”, destaca Coutinho.

Serviço
Evento: Mostra Viver São Paulo
Quando: até 31 de janeiro de 2016
Horários: de terça à domingo, das 12h às 20h
Endereço: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 263, São Paulo.
Entrada: Inteira R$ 20,00 / Meia R$ 10,00

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Redação: EcoD.


O fotógrafo francês Edmond Fortier (1862-1928) viveu a maior parte da vida em Dakar, no Senegal. Ele produziu cerca de 4000 imagens da África do Oeste no início do século XX. Uma seleção dessas fotografias estará em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, entre 25 de novembro de 2015 e 24 de janeiro de 2016, na maior exposição dedicada ao fotógrafo já realizada, 'Edmond Fortier - Viagem a Timbuktu'. Na noite de abertura da mostra haverá o lançamento do livro homônimo (Editora Literart), da historiadora Daniela Moreau, cuja pesquisa deu origem à exposição.

A obra fotográfica de Edmond Fortier, de qualidade excepcional, ainda é pouco conhecida na Europa e na África. Uma historiadora brasileira, especializada no estudo da África (Daniela é consultora do programa “Sem Fronteiras” da Globonews, para o qual deu diversas entrevistas) realizou um trabalho pioneiro: reuniu toda a obra de Fortier, que agora pode ser conhecida pelo público.

'Viagem a Timbuktu' concentra-se em um recorte notável da produção de Fortier, reunindo 200 fotografias da viagem de mais de cinco mil quilômetros que ele realizou pelo interior do continente africano no ano de 1906, em uma época em que a imposição dos regimes coloniais na África ainda era relativamente recente. O ponto culminante do trajeto foi a cidade histórica de Timbuktu, porta do Saara (na região Norte do atual Mali), à época considerada misteriosa e impenetrável pelos europeus. “Ele foi um dos primeiros profissionais a fotografar a cidade, após a ocupação francesa em 1894. Djenné, nas margens do rio Bani, a cidade mais antiga de toda a África subsaariana, também foi objeto de seus registros. As imagens conhecidas desse itinerário são testemunho único da época", salienta Daniela.

Edmond Fortier começou a trabalhar como fotógrafo no Senegal no fim do século XIX, fazendo retratos da elite africana e dos colonos europeus. Era o tempo das cartes-de-visite, uma moda que marcou época, inclusive no Brasil. Fazer retratos para cartes-de-visite era o ganha-pão de milhares de fotógrafos ao redor do mundo.

No início do século XX, a febre do momento mudou e passou a ser os cartões-postais. Milhões de cartões-postais com fotografias de todos os lugares do globo eram impressos a cada ano. Circulavam como correspondência e eram colecionados em álbuns pelas famílias.

Foi esse novo filão no mercado das fotografias – os chamados cartões-postais ilustrados – o que permitiu o sustento de Edmond Fortier por quase três décadas. Ele publicava todos os anos novas séries de cartões-postais e vendia-os aos turistas (já que na época todos os navios que ligavam a Europa à América do Sul faziam escala em Dakar) e aos colonos europeus em sua pequena loja junto ao porto da cidade. Apesar do seu sucesso comercial, as fotografias de Edmond Fortier acabaram por ficar esquecidas já que os negativos nunca foram encontrados.

Hoje, mais de 100 anos após terem sido registradas, essas imagens da África do Oeste constituem um verdadeiro patrimônio cultural a ser resgatado e conhecido. Os cartões-postais retratam o cotidiano da vida de pessoas comuns, as paisagens e festas populares. Fortier documentou o que logo em seguida desapareceria para sempre, como as ruínas da antiga mesquita de Djenné, e o que estava em seus momentos iniciais, como os modernos aspectos urbanos de Bamako e de Conakry, capitais do Mali e da Guiné. Suas fotografias tiveram um importante papel na construção do imaginário sobre o “outro” africano.

Ele produziu, entre outros gêneros, inúmeros retratos de moças africanas com os seios nus, o que representava o exótico e agradava os fregueses europeus. As transformações intensas e violentas marcados pela penetração e pela presença cada vez maior do colonizador europeu na África do Oeste também foram captadas pelas lentes de Edmond Fortier.

"Fortier não era militar, missionário ou exportador, ocupações de grande parte dos europeus presentes no Senegal no início do século XX. Ele era um estrangeiro que optou por viver na África como fotógrafo. E os cartões postais criados e vendidos por ele eram seu trabalho. Viajante infatigável percorreu, entre 1900 e 1912, uma grande extensão do Oeste africano, visitando 100 localidade de sete países hoje conhecidos como Senegal, Guiné Conakry, Mauritânia, Mali, Costa do Marfim, Benim e Nigéria", revela Daniela Moreau, autora do livro.

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Informações extras 

O livro conta com o prefácio do historiador baiano Paulo Fernando de Moraes Farias, que será homenageado em simpósio na Inglaterra 

Como Santo de casa não faz milagre, um dos mais importantes historiadores brasileiros, Paulo Fernando de Moraes Farias, será homenageado por ocasião dos seus 80 anos não aqui, no Brasil, mas em um Simpósio na Universidade de Birmingham, na Inglaterra. Os maiores nomes entre os africanistas de todo o mundo estarão presentes, como o malinês Mamadou Diawara, o norte-americano Paul Lovejoy e o francês François-Xavier Fauvelle. A obra fundamental de Paulo Farias, Arabic Medieval Inscriptions from the Republic of Mali, publicada pela Oxford University Press para a British Academy, ainda não foi traduzida para o português. O livro Edmond Fortier - Viagem a Timbuktufoi prefaciado por Paulo, e Daniela apresentará um artigo sobre Fortier no simpósio em sua homenagem.

Fortier na British Library

Está atualmente em cartaz em Londres, na British Library, a mostra 'West Africa: Word, Symbol, Song'. A curadora, Marion Wallace, incluiu na exposição diversas fotografias de Edmond Fortier, que foram cedidas por Daniela Moreau.

Sobre Daniela Moreau

Daniela Moreau é historiadora (USP) e mestre em Ciência Política (UNICAMP). Desde 1995 tem feito viagens de pesquisa no continente africano, principalmente na região do Sahel. Vive e trabalha em São Paulo, onde fundou e coordenou por dez anos a Casa das Áfricas. Atualmente, dirige o Acervo África, programa que disponibiliza para pesquisa uma coleção de mais de 1.500 peças da cultura material africana.

Serviço

Livro - 'Edmond Fortier - Viagem a Timbuktu'.
Autora: Daniela Moreau.
Editora: Literart.
À venda em todas as grandes livrarias do Brasil.
Lançamento: 25 de novembro, às 20h (convidados).
Onde: Instituto Tomie Ohtake.

Exposição 'Edmond Fortier - Viagem a Timbuktu'.
Aberta ao público: de 26 de novembro a  24 de janeiro de 2016.
De terça a domingo, das 11h às 20h.
Onde: Instituto Tomie Ohtake.
Rua Coropés, 88, São Paulo, SP.

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Eliana Castro / Vicente Negrão Assessoria.

 


As filmagens começaram em 1995, ano em que eu chegava ao mundo. Vinte anos se passaram, o Brasil foi penta campeão, um metalúrgico se tornou presidente do Brasil, nos Estados Unidos as torres gêmeas caíram e foi eleito o primeiro presidente negro da história daquele país, eu entrei na faculdade e, finalmente agora, o filme Chatô, o Rei do Brasil chega às telas de cinema.

Baseado no best-seller homônimo de Fernando de Morais, a ficção dirigida por Guilherme Fontes conta a história de Assis Chateaubriand (1892-1968), personagem icônico na história da mídia no Brasil. O elenco conta com Marco Ricca, Paulo Betti, Leandra Leal, Letícia Sabatella, entre outros.

As diversas faces desse personagem foram vivenciadas por um homem ambicioso, que sai da Paraíba em busca de trabalho em um jornal em São Paulo. O espírito machista e mulherengo de Chatô é retratado ao longo da trama, em meio ao relato de todas as suas relações com mulheres. Sua índole revanchista e ganancioso é evidente em suas conversas com Getúlio Vargas (1882-1954), que é interpretado por Paulo Betti, e nas relações estabelecidas com seus clientes e funcionários.

A determinação de Chatô o tornou um dos maiores empresários do Brasil e o responsável pela evolução das mídias no País. Fundador dos Diários Associados, empresa  que dominava o rádio, os jornais impressos e a televisão, Chateaubriand comandava as informações de acordo com sua vontade e seus interesses.

Ainda que o filme tenha sido filmado há duas décadas, carrega um debate relevante e atual, que estimula o expectador a uma reflexão sobre o atual momento dos meios de comunicação no Brasil. A postura de Chatô, adotada ao longo do filme, comprova como a publicidade e o dinheiro podem influenciar na manipulação da informação veiculada pelos grandes veículos de comunicação.

Na pré-estreia do filme em São Paulo, o diretor Guilherme Fontes disse à Brasileiros que espera boa recepção do público: “A expectativa é a melhor possível, eu estou muito inquieto, acho que vai ser uma loucura. As críticas foram sensacionais, de cada 10, 9,5 foram boas. Acho que o prognóstico está muito bom”.

Fernando Morais, autor do livro que inspirou o filme, também está muito empolgado com a estreia. No discurso de abertura, disse que “o filme pode ser comparado a um vinho que está curando em um barril há vinte anos e agora está no ponto de ser degustado”.

O longa é importante no cenário do cinema nacional. Em uma mescla entre comédia, ficção e documental, a obra ressuscita o cinema tropicalista, criticando indiretamente o atual modelo do cinema do País e consegue, desse modo, expressar a complexidade do personagem no contexto de sua época, aproximando-o fortemente do cenário atual.

Guilherme Fontes nas filmagens de Chatô Foto: José LucenaGuilherme Fontes nas filmagens de Chatô Foto: José Lucena

Guilherme Fontes nas filmagens no Rio de Janeiro em 2003. Foto: José Lucena.

Polêmica

Durante todo o processo de produção do filme, Fontes foi acusado de sonegação e má administração dos recursos conseguidos e, inclusive, foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU)  a devolver parte da verba destinada ao trabalho. Nos créditos do filme, o diretor diz ter sido vítima de censura e agradece aos amigos que ficaram ao seu lado durante o árduo processo.

Assista o trailer de "Chatô, o Rei do Brasil".

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André Sampaio na Brasileiros.

 

"A mulher da periferia aparece na televisão, no jornal, quando acontece alguma fatalidade referente a ela. Só nas páginas policiais”.

A frase acima não vem de uma pesquisa de opinião, tampouco de um estudo acadêmico. Ela faz parte do olhar sensível de Rosana Alves de Castro , mulher negra e moradora do Jardim Romano, zona leste de São Paulo, e uma das mais de 100 mulheres envolvidas no projeto “Desconstruindo Estereótipos: eu, mulher da periferia na mídia”, desenvolvido pelo coletivo Nós, mulheres da periferia, de junho a outubro de 2015.

Como resultado desses meses de trabalho, neste sábado (21/11) acontece a abertura da exposição QUEM SOMOS [POR NÓS], no Centro Cultural da Juventude, na Vila Nova Cachoeirinha.

A exposição será um convite para adentrar ao mundo das mulheres dos bairros periféricos a partir de suas próprias perspectivas. Com fotografias, autorretratos e registro audiovisual daquelas que fizeram parte do processo. O objetivo é fortalecer a representatividade e o protagonismo feminino, contemplando a intersecção entre classe, raça e gênero, já que as mulheres negras foram maioria nas oficinas.

De Perus (zona norte) ao Campo Limpo (zona sul); do Capão Redondo (zona sul) ao Jardim Romano (zona leste); de Guaianazes (zona leste) à Jova Rural (zona norte), foram muitas as narrativas, mostrando como a diversidade da mulher que mora nas bordas da cidade extrapola as paredes cristalizadas pela chamada “grande mídia”.

A mulher da periferia na mídia

Quando falamos de periferia na mídia, é importante compreender que este termo traz, em si, relações de conflito entre os grupos sociais. Historicamente, São Paulo se constituiu destinando aos mais pobres os espaços mais distantes do centro da cidade. Essa distância, no entanto, não é apenas geográfica, ela é também simbólica, o que reforça a relação entre dominantes e dominados no espaço social e, assim, no midiático.

Se a mulher, geralmente, é tratada pela mídia de forma limitada, seja nas novelas, comerciais ou imprensa, este problema se multiplica quando se trata da mulher que vive nas bordas da cidade. Uma pesquisa realizada pela É nois | Inteligência Jovem, em parceria com os institutos Vladimir Herzog e Patrícia Galvão, com mais de 2.300 mulheres de 14 a 24 anos, das classes C, D e E, divulgada em junho deste ano, mostra que 86% das mulheres entrevistadas afirmaram não se sentirem representadas na mídia.

“Quando acontece alguma coisa com algumas mulheres importantes fica aquela mídia toda. Se é uma pobre coitada, ali mesmo acabou, ficou por ali mesmo. Devia ser vista com igualdade. A rica, a pobre, a preta, a branca, é tudo mulher”, aponta Rosana Alves Castro, participante das oficinas na zona leste.

A mídia, sendo criada, estruturada e administrada pelos grupos dominantes, colabora, intencionalmente ou não, para a construção de imagens e estereótipos relacionados à periferia. Na tentativa de comunicar para as “massas” uma mensagem padronizada, a mídia cria representações, tipos, perfis do que é considerado como comum e recorrente no que se refere aos bairros periféricos.

Exemplo disso é o que narra uma das participantes das oficinas, Adriana Cristina de Araujo Fernandes Costa, da zona sul, quando uma TV procurou a ONG que faz parte para uma entrevista. “Uma emissora esteve aqui, mas queriam sensacionalismo. Eles não queriam mostrar o trabalho que a gente faz paro o bem. Eles não mostraram nossa oficina, não mostraram fazendo nossas coisinhas, nossas aulas, não mostrou nosso trabalho. Só mostrou a violência doméstica. Acho que teria que mostrar os dois lados”.

Além da mídia estar nas mãos dos grupos dominantes, ela também é produzida majoritariamente por homens e poucas são as fontes femininas que são ouvidas. Os comerciais de TV (principal e mais disponível veículo entre o público feminino residente na periferia) trazem um padrão de beleza que não condiz com a realidade brasileira, formada a partir da multiplicidade de origens e uma forte descendência africana e indígena.

Em relação à mulher negra, especificamente, a mídia, com base nas condições que são ainda resquícios do período escravocrata no Brasil, reproduz situações, tipos, personagens que a colocam em uma das últimas posições do estrato social, como descreve Manoela Gonçalves, fundadora da Casa das Crioulas, em Perus, um dos espaços onde as oficinas aconteceram.

“Ser mulher da periferia, uma mulher negra, é sempre estar armada, com uma voz extremamente firme, se impondo para ser respeitada. Eu quero ter uma voz mais doce calma, mas o homem não escuta. A sociedade não nos escuta com uma voz calma. A sociedade escuta nosso grito e depois nos chama de louca, barraqueira. Então, ser mulher negra pra mim é isso, a gente tem que estar sempre lá no afrontamento”.

Novelas: a vida que não é nossa

A maioria das novelas trazem como núcleo central a vida da classe média e classe média alta, divulgando um modelo de vida que em nada tem a ver com aquele vivenciado nas periferias do país, e, de forma específica, nas da cidade de São Paulo.

Para Manoela, essas narrativas romantizam as relações das mulheres da periferia. “O choro, o drama, as relações. Na novela não se ensina como ser natural. É muito romance para pouca vida real”, aponta.

E mesmo quando a dramaturgia televisiva traz a favela ou as bordas da cidade para o centro do debate, isso aparece sempre de forma caricatural. A figura do traficante, do sequestrador e da prostituta vendem um retrato infiel e exclusivo da periferia e, principalmente, da gama de mulheres que a compõe.

Para Renata Ribeiro, também de Perus, muito do que ela assiste nas novelas “são mentiras”. “Se eu fosse construir uma mulher da periferia para a novela, seria minha mãe, ela veio para cá, comprou a própria casa. Virou professora, passou na faculdade. Vai comprar suas coisas, seu carro, viaja quando quer. Uma mulher batalhadora. Isso, para mim, seria uma mulher da periferia”, exemplifica.

No noticiário, a periferia aparece, na maioria das vezes, como o espaço da violência e medo. Os casos de abuso sexual e violência doméstica, porém, aparecem com maior frequência, mas apenas nos programas sensacionalistas.

Nos de entretenimento, principalmente aqueles veiculados no período da tarde, o espaço destinado à mulher é sempre supérfluo ou, mais uma vez, sensacionalista. A mãe que procura o filho perdido; a moça que quer emagrecer, a culinária ou as fofocas sobre a novela.

Na mídia impressa, o corpo magro e o cabelo liso tomam as capas das revistas. A moda serve apenas a um padrão de mulher. As receitas de emagrecimento ou de vida saudável dão o tom às narrativas desses periódicos. As mais populares, trazem informações sobre o signo e simpatias ao amor.

Nós queremos aumentar as nossas vozes

Os direitos de nossas mulheres são todos os dias violados, suas dores não são respeitadas, seja quando são parte do ciclo da violência doméstica, seja quando morrem seus filhos, os maridos. Esses programas abusam da fragilidade social e econômica de nossas mulheres para escancarar sua dor como se escancara uma mercadoria.

Assim, a exposição QUEM SOMOS [POR NÓS] vem em um caminho contrário. Nas fotos e quadros, criados por elas próprias por meio dos debates realizados durante as oficinas, é possível notar uma variedade de elementos, que vão desde a rua onde vivem até as plantas de seu quintal. Nas fotos, uma fotografou a outra, evidenciando aquilo que gostariam que houvesse nas revistas, desconstruindo a sexualização sempre presente de seus corpos. São detalhes, são as mãos que simbolizam o trabalho diário, os cabelos que as deixam vaidosas, o batom que não esquecem de passar, os olhos como signo de coragem, o sorriso que, mesmo em meio a tantas dificuldades, ainda floreia em seus rostos.

É dizer que não queremos mais as lentes sempre embaçadas do outro, que, lá de cima, imagina tudo que vê, mas tem medo de molhar os pés no chão da periferia. A grande mídia não sabe um terço sobre nós. E a exposição vai a fundo nas vivências dessas mulheres, humanizando o discurso e mostrando como somos diversas.

Esperamos por todas e todos no próximo dia 21 de novembro, às 15h, no Centro Cultural da Juventude (zona norte de São Paulo).

 

 

Serviço 
Exposição 'QUEM SOMOS [POR NÓS]' 
Abertura: 21/11, sábado, 15h. 
Visitação: de 21/11 a 17/12, de terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h. 
Local: CCJ - Centro Cultural da Juventude. 
Endereço: Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 — Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo — SP

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Por Nós, mulheres da periferia, para os Jornalistas Livres.


A exposição AquiÁfrica reúne 13 artistas contemporâneos vindos da Costa do Marfim, Mauritânia, Camarões, Congo, Angola, Senegal, Burkina Faso, Nigéria, Zimbabwe, Benin, Republica Democrática do Congo e Gana. Eles abordam em suas obras, questões-chaves para o povo africano, como os problemas de imigração, a xenofobia, o consumo desenfreado, as tradições culturais e os sistemas de poder vigentes em seu continente.

“A arte contemporânea africana suscita uma questão de identidade. Se a arte tradicional continua fortemente ancorada no mundo e no ser africano, a nova arte se desenvolve favorecendo uma identidade social compartilhada. Os artistas africanos buscam inspiração tanto nas tradições do continente quanto na realidade urbana de uma África em mutação. Definir a arte africana hoje é definir a própria África”, diz a curadora Adelina von Fürstenberg, - que recebeu em Maio de 2015, Leão de Ouro pela curadoria do Pavilhão Nacional da Armênia na 56ª Bienal de Veneza.

Entre os artistas participantes, dois vieram no Brasil para produzir as obras que exibirão em “AquiAfrica”: o senegalês Omar Ba, que em suas pinturas revela um mundo colorido, fantástico e às vezes caótico, construindo uma narrativa crítica em torno da política africana, e o camaronense Barthélémy Toguo, que desenvolve instalações por meio de um processo de acumulação, com temas inspirados em suas viagens e na divisão entre ocidente e não-ocidente.Na seleção está Frédéric Bruly Bouabré, da Costa do Marfim, considerado um dos mais originais artistas africanos após ter sido descoberto na exposição “Les Magiciens de la Terre”, no Centre Georges Pompidou, em Paris, em 1989, a mesma que revelou o pintor conguês Chéri Samba, que também integra a mostra. O cineasta Abderrahmane Sissako, da Mauritânia, com dois filmes já exibidos no Festival de Cannes (“Esperando a Felicidade” e “Timbuktu”) é outro destaque de “AquiÁfrica”. 

Conheça os artistas e um pouco das obras da exposição:

Abderrahmane Sissako (filme)
Nasceu em 1961, na Mauritânia. É diretor de cinema e produtor, vive e trabalha na França e é um dos poucos cineastas da África Subsaariana a conquistar influência internacional. Em 2014, seu filme “Timbuktu” foi selecionado para concorrer a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Participou mais duas vezes do Festival de Cannes, em 2002, com o filme “Heremakono” (Esperando a Felicidade), e em 2007 com o “Bamako”.
Filme: “N’Dimagou” (Dignité), 2008, Curta-metragem, cor, som 3’15”. Segmento do longa-metragem “Stories on Human Rights” - Produzido por ART for The World, Genebra e SESC, São Paulo

Barthélémy Toguo (instalação)
Nascido em 1967, em Camarões, vive e trabalha em Paris. Trabalha com escultura, pintura, vídeo, fotografia e performance, utilizando como referência em seu trabalho a divisão entre o Ocidente e o Não-Ocidente, e a crise imigratória. Em 2012, participou da Trienal de Paris e da Bienal de Havana. 
Instalação: “Estrada para o exílio”, 2015. Será produzida no Sesc Belenzinho, com madeira, tecido, garrafas pet e sacolas plásticas.

Chéri Samba (pintura)
Um dos artistas africanos contemporâneos mais famosos, Chéri nasceu em 1956, no Congo. Hoje, vive e trabalha na França e no Congo. Sua obra está presente nas coleções do Centre Georges Pompidou, em Paris, e do Museu de Arte Moderna de Nova York. Em 2007, participou da Bienal de Veneza. Suas pinturas quase sempre incluem um texto em francês e lingala (idioma falado no noroeste do Congo), comentando sobre a vida na África e no mundo moderno. 
Pinturas: “O segredo do peixinho que cresceu”, 2002 (acrílico e glitter sobre tela), “O comum dos políticos”, 2003 (acrílico e glitter sobre tela), e “O mundo que vomita”, 2004 (acrílico sobre tela).

Edson Chagas (fotografia)
Nasceu em Angola, em 1977, onde vive e trabalha. O artista usa a fotografia como um processo que investiga a vida cotidiana e também utiliza as imagens para fazer uma crítica ao consumismo. Em 2003, o pavilhão de Angola foi premiado na Bienal de Veneza com o Leão de Ouro de melhor participação nacional e Chagas foi o principal artista com a instalação de fotos “Luanda, Cidade Enciclopédia”. 
Fotos: “Oikonomos”, 2011, série de fotografias, impressão cromogenica sobre papel fotográfico.

Frédéric Bruly Bouabré (desenho)
Frédéric Bruly Bouabré (Costa do Marfim, 1919-2014) foi um dos artistas mais originais e inovadores da África. Descoberto na exposição Les Magiciens de la Terre, no Centre Georges Pompidou de Paris, em 1989, ficou conhecido no mundo todo. Seu trabalho tem sido exibido em diversas instituições internacionais. Participou da Bienal de Veneza de 2013 e da exposição Post-Picasso: Reacciones Contemporaneas, no Museu Picasso em Barcelona. 
Desenho: 30 desenhos da série “Rio-Brésil/Africa”, 2010 (grafite e lápis colorido).

Idrissa Ouedraogo (filme)
Nasceu em 1954, em Burkina Faso, onde vive e trabalha. Graduou-se no Instituto de Estudos Cinematográficos Avançados (IDEHEC) de Paris, em 1985. Seu primeiro longa, “The Choice”, foi lançado em 1986. Ganhou o prêmio da crítica no Festival de Cannes de 1989, com o filme “Yaaba”. Em 1990, “Tilai” foi o vencedor do prêmio do grande júri de Cannes. 
Filme: “A longa caminhada do camaleão, 2010, Curta-metragem, cor, som 6'30' 
Segmento do longa-metragem THEN AND NOW Beyond Borders and differences Produzido por ART for The World,Genebra e SESC, São Paulo.J.D.’

Okhai Ojeikere (fotografia)
Nascido em 1930, na Nigéria, onde morreu em 2014. Suas fotos são dedicadas à cultura nigeriana. A série mais notável é a dos penteados esculturais e cotidianos das nigerianas, composta por cerca de 100 fotos. Seu trabalho está presente em várias instituições, como a Tate de Londres, a Fondation Cartier de Paris e o Guggenheim de Bilbao.
Fotos: 6 fotos da série “Penteados”, de 1974 a 2008.

Kudzanai Chiurai (fotografia)
Nascido em 1981, no Zimbabwe, vive e trabalha na África do Sul. Sua obra circula pela street art, cultura jovem e grafite. Explora temas como exílio, xenofobia, refugiados e as máscaras performáticas dos líderes africanos. As fotos da exposição são da série “O Parlamento”, retratando personagens fictícios de um gabinete de governo imaginário. É uma paródia das representações midiáticas de masculinidade e poder político.
Fotos: 5 fotos da série “O Parlamento”, 2009.

Leonce Raphael Agbodjelou (fotografia)
Nascido em 1965 em Benin, onde vive e trabalha na capital Porto Novo. Suas fotografias mostram a vida das ruas, seus amigos, familiares e clientes e as combinações incríveis dos tecidos, que criam gradações entre o fundo, o primeiro plano, a pessoa e suas roupas.
Fotos: 3 fotos da série “Vodou”, 2011.

Omar Ba (pintura)
Nascido no Senegal, em 1977, vive e trabalha na Suíça. As pinturas do artista representam o mundo de maneira fantástica e até caótica, virando do avesso a percepção da realidade. Com imagens muito pessoais, funde metáforas intimas e símbolos ancestrais, refletindo sua crença que toda forma de vida humana, animal e vegetal, possui alma. O simbolismo do pintor constrói uma narrativa em torno de temas políticos, que criticam os sistemas de poder encontrados na África.
Pintura: 3 obras: “Conquistador”, 2013, tinta a óleo, guache, lápis sobre papel fotográfico e fotografia de Marc Asekhame; “O Muro”, instalação 2015, escultura, foto; e “Afrique Now”, 2015, óleo, acrílico e crayon sobre papel.

Rigobert Nimi (escultura)
Nascido na República Democrática do Congo, em 1965, onde vive e trabalha. Sua obra é feita com materiais reciclados como detritos industriais, plásticos, chapas de metal, alumínio e componentes elétricos que encontra no caos de Kinshasa, onde reside. Desde 2000, ele produz uma série de complexas naves espaciais e robôs, inspirados em desenhos animados e filmes de ficção científica. A concepção, o método e a precisão técnica são a marca da execução dessas obras monumentais que levam mais de 15 meses para serem executadas.
Escultura: “Vênus”, 2001, ferro, aço, alumínio, cobre, plástico e componentes elétricos.

Romuald Hazoumè (escultura)
Nascido em 1962, em Porto Novo, Benin, onde mora e trabalha, criando obras lúdicas e politizadas. Produz esculturas, pinturas e fotografias, mas é mais conhecido por suas máscaras, série feita com galões de plástico descartados e outros materiais. Estes galões são usados com frequência em Benin para transportar arroz até a fronteira com a Nigéria. Seu trabalho tem sido exibido em museus como o Georges Pompidou em Paris, o Victoria & Albert em Londres e o Guggenheim de Bilbao.
Esculturas: 26 esculturas, de 1995 a 2007, técnica mista.

Samuel Kané Kwei (escultura)
Nascido em 1954 em Teshie, Gana, onde vive e trabalha. Aprendeu com o pai a decorar caixões, refletindo a vida do falecido. Seu pai esculpiu um caixão em formato de cebola para um produtor deste vegetal e de uma Mercedes Benz para um proprietário de frota de táxi, por exemplo. Samuel continuou a produzir caixões nestes formatos e também criou esculturas que refletem aspectos atuais da cultura popular e da vida cotidiana. Ele cria ainda esculturas não destinadas ao uso funerário.
Esculturas: “Caixão de cebola”, 1993, esmalte sobre madeira. “Caixão Mercedes”, 1993, esmalte sobre madeira, vidro, metal e tecido. “Tênis de corrida”, 1993, esmalte sobre madeira, vidro, metal e tecido.

Serviço

Visitação: 19 de novembro a 28 de fevereiro.
De terça a sábado das 13h às 21h e domingo das 11h às 19h.
Sesc Belenzinho - Rua Padre Adelino, 1000| 11 2076-9000.


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Fonte: SESC SP.

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