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No mesmo dia (12/11) em que milhares de mulheres foram às ruas de São Paulo em protesto contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e seu projeto de lei 5069, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) abriu uma exposição sobre a luta pelos direitos femininos de um século atrás. Se hoje a batalha é pelo direito ao aborto legal no Brasil, há mais de cem anos as mulheres empunharam suas armas pelo direito ao voto na Inglaterra. “É uma feliz coincidência apresentar minha obra no momento em que essas discussões feministas estão em pauta por aqui”, disse à Tpm a artista brasileira Carla Zaccagnini, que mora em Malmö, na Suécia.

Pela primeira vez no Brasil, Carla apresenta sua instalação "Elementos de beleza: um jogo de chá nunca é apenas um jogo de chá", exibida na National Portrait Gallery, em Londres. Baseada no livro homônimo de 2012 da artista, a obra fala sobre as "sufragettes", mulheres que quebraram vitrines de lojas, janelas de residências de políticos e atacaram obras de arte na Inglaterra do início do século 20 – tudo em nome da luta pelo direito ao voto feminino. "Essas mulheres tinham maneiras muito afiadas e incisivas de se fazer ouvir. Literalmente, já que usavam facas em suas ações", conta a artista.

O ataque mais célebre ocorreu contra o quadro Vênus ao espelho, do pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), atingido por sete golpes de cutelo por Mary Richardson, em 1914. A ativista britânica definiu as marcas na "mulher mais bela da história da mitologia" como "hieroglifos" capazes de expressar sua luta "às gerações futuras".

A instalação no MASP traz uma parede com 23 molduras pintadas sobre uma superfície branca nas mesmas dimensões das originais – em alusão aos quadros atacados - e audioguias que falam sobre as condições das mulheres na época e conjecturas sobre o que as teria motivado a escolher tal quadro e não outro.  "Elementos de beleza é apresentada no MASP, cujo vão livre se tornou sinônimo de praça pública para todo tipo de manifestação, expondo contrastes e impasses políticos que, se podem ser considerados típicos das contradições do nosso tempo, também revelam que a luta das suffragettes por uma sociedade mais igualitária, iniciada há mais de cem anos, ainda não se realizou por completo", afirma o curador da exposição, Fernando Oliva. 

Mulheres sufragistas presas por atacarem obras de arte na InglaterraMulheres sufragistas presas por atacarem obras de arte na Inglaterra

Sufragistas detidas por atacarem museus e obras de arte. Departamento de Registro Criminal, 1914. National Portrait Gallery.

Tpm conversou com Carla antes da abertura da mostra. A seguir, trechos da conversa com a artista.

Qual era o perfil das suffragettes? Elas faziam parte de um grupo chamado WSPU (Women Social and Political Union), que era o braço mais radical dentro do movimento sufragista. Eram principalmente membros da classe média alta britânica.

Essas ações tiveram repercussão na época? Sim, saíam nos jornais e provocaram o fechamento de museus em Londres e Manchester, as duas cidades onde ocorreram os ataques. Em determinado momento, as mulheres foram proibidas de entrar nos museus a não ser que alguém – um homem – se responsabilizasse por elas.

Deu certo a ação das sufragistas? Em que ano as mulheres conquistaram o direito ao voto na Inglaterra? 
Em 1918, quando terminou a Primeira Guerra Mundial, elas conquistaram o direito ao voto parcial. Somente mulheres acima de 30 anos, que tinham propriedade em seu nome, podiam votar. Demorou mais dez anos para que todas as adultas inglesas conquistassem o direito ao voto, o que só ocorreu em 1928.

Como eram escolhidos os alvos dos ataques? 
Tem os mais evidentes, que são os retratos de mulheres nuas ou de homens poderosos, um contraponto da forma como mulheres e homens são representados na história da arte. Também foram atacadas obras que mostram mulheres em posições domésticas, de submissão, contra a qual elas lutavam.

Quais eram os outros alvos de ações das sufragistas? 
Os ataques às obras de arte ocorreram entre 1913 e 1914. Mas houve ações anteriores. Em 1908, as mulheres cunharam a frase: “Votes for women” (votos para mulheres) em moedas e as colocaram em circulação. Também jogaram ácido nas caixas de correio e atacaram vitrines de lojas na Oxford Street, a principal rua comercial de Londres. Elas tinham uma consciência muito clara do uso da performance e do espetáculo para chamar atenção à causa.

Elas ficavam muito tempo presas? 
A pena máxima era de seis meses de detenção. Mas muitas faziam greve de fome e eram alimentadas à força dentro das prisões. Quando estavam muito fracas, eram liberadas por questões de saúde e voltavam pras manifestações de rua. Depois eram presas de novo.

O filme Sufragette, com a Meryl Streep como protagonista, estreia nos cinemas no Brasil agora em dezembro e aborda esse mesmo tema. Você assistiu?
Ainda não.

Porque esse tema veio à tona agora? 
Talvez pela efeméride, pois em 2014 fez cem anos que essas ações aconteceram.

Como você vê os avanços nos direitos das mulheres nos últimos cem anos? 
Houve muitos, mas ainda temos muita luta pela frente. O direito ao aborto é fundamental. Mesmo na Suécia, onde eu vivo e essa questão já foi superada há décadas (a atual lei do aborto é de 1975), as mulheres ganham menos do que os homens. Ainda existe muita desigualdade.

Montagem da exposição da artista no Firstsite Lewis Garden em Colchester, na Inglaterra. Foto: divulgação.


Serviço

"Elementos de beleza: Um jogo de chá nunca é apenas um jogo de chá."

Até 14 de fevereiro de 2016
Local: Mezanino do 1º Subsolo
Endereço: Av. Paulista, 1578, São Paulo, SP
Horários: terça a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até 17h30); quinta-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$ 25,00 e R$ 12,00 (meia-entrada)
O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.

O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo, e às quintas-feiras, a partir das 17h. Classificação livre. Acessível a deficientes, ar-condicionado.

***
Texto: Lia Hama na Tpm. Informações e fotos: Masp e Firstsite Lewis Garden.


Patrícia Piccinini é uma artista australiana hiperrealista e chegou em São Paulo com ComCiência, sua exposição individual que alterna o fofo e o estranho.

O tema é simples: criaturas imaginárias que poderiam passar a existir devido as alterações genéticas que a modernidade tanto gosta de espalhar com suas guerras recheadas por armamentos químicos e nucleares, assim como com a indústria e seus alimentos geneticamente alterados. A exposição fica aberta ao público até o dia 4 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Já são vinte anos de trabalho, primeiramente impulsionado pelas promessas e decepções das pequisas médicas e da tecnologia, agora também pautado no medo do anormal num mundo em que tudo pode ser curado - uma preocupação quase coincidente com a do filósofo francês Georges Canguilhem, que dedicou parte de sua obra no estudo do normal e do anormal, junto com suas determinações sociais.

As obras da artista plástica apelam para o lado fofo e acolhedor das estranhas criaturas. Assim como os bichos diferentes já vistos na televisão (como Alf, ET ou o Yoda) não há muito o que temer no território dedicado à exposição individual de Piccinini, que usa fibra de vidro e silicone para aumentar a sensação de realidade em suas criações. "Eu amo a combinação de surpresa e encanto. Isso faz com que eu me sinta otimista sobre as pessoas e o mundo", diz Piccinini.

É recorrente dentre as iniciativas do CCBB trazer artistas com potencial de público, como em Picasso e a Modernidade Espanhola, em que organizou obras do mestre cubista, Dalí, Miró entre outros, e ficou aberta até junho deste ano. Desta vez, a intenção é fazer como a Pinacoteca, palco das experimentações de Ron Mueck, outro hiperrealista australiano de reconhecimento mundial.

Segundo Marcello Dantas, curador do ComCiência, "Patrícia aponta para um futuro não muito distante no qual teremos o poder de criar novos seres. Ela não oferece uma resposta ou uma moral, mas questiona até onde vamos".

Patrícia inclusive considera que suas criaturas fazem parte do destino imediato da humanidade, "vai se tornar uma realidade, quer eu goste ou não. Não exatamente o que eu imagino, claro, mas na China você já pode comprar como animal de estimação uma "miniatura" fofa de porco geneticamente modificada. Essas coisas já estão acontecendo, é só uma questão de o quê e quando", diz a artista.

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"Comforter" (2010), de Patricia Piccinini. Divulgação: ComCiência.

***

Confira a entrevista da artista ao Guia da Folha:

Guia - O que te levou a criar este universo? 
Patricia Piccinini - Trabalho com essas ideias há 20 anos. Primeiro me interessei pelas promessas e decepções de pesquisas médicas e da tecnologia. Como artista, temo pelo destino do estranho e do diferente num mundo onde podemos "curar" tudo.

Suas figuras são uma forma de investigar o humano?
Com certeza. Uma coisa que é muito claro na pesquisa genética é que todo organismo da Terra está mais estreitamente relacionado do que imaginamos. Eu não acredito na ideia de que os seres humanos são fundamentalmente diferentes dos outros animais.

Acredita que as esculturas são uma forma do ser humano repensar seus preconceitos? 
Sim. De alguma forma, vejo minhas criaturas como um símbolo das diferenças que encontramos enquanto pessoas na sociedade. Muitas vezes nós construímos outros seres humanos como "alienígenas" para justificar nossa xenofobia ou discriminação. Espero que o público se veja na estranheza de minhas criaturas, ou comece a ter simpatia por elas.

Você se lembra de alguma história de alguém que tenha visto suas exposições? 
O que eu geralmente ouço é das pessoas que inicialmente estavam muito perturbadas ou desconfortáveis com as esculturas, mas aprenderam a amá-las. Eu amo a combinação de surpresa e encanto. Isso faz com que eu me sinta otimista sobre as pessoas e o mundo.

Gostaria que esse mundo criado por você se tornasse real? 
Vai se tornar uma realidade, quer eu goste ou não. Não exatamente o que eu imagino, claro, mas na China você já pode comprar como animal de estimação uma "miniatura" fofa de porco geneticamente modificada. Essas coisas já estão acontecendo, é só uma questão de o quê e quando.

Serviço
CCBB - Rua Álvares Penteado, 112, região central.
Segunda e quarta a domingo: 9h às 21h.
Até 4/1/2016. Livre.
Na Rua Sto. Amaro, 272 c/ serviço de van grátis até o CCBB.
Grátis.

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Com informações Obvious e Guia da Folha de S.Paulo.

 


De 5 a 12 de novembro, a Unibes Cultural, em São Paulo, recebe a primeira edição do DOCSP, encontro internacional de documentário, com seminários, laboratórios e rodadas de negócios. E contará com a presença de palestrantes renomados, como o realizador brasileiro João Moreira Salles, o montador dinamarquês Niels Pagh Andersen e Anna Parker, gerente do maior mercado para documentários na Inglaterra.

DOCSP 2015 é um encontro internacional de documentário com atividades de capacitação, encontros de mercado e exibições. Um espaço para fomentar a reflexão sobre as novas narrativas do cinema documental e criar pontes com o mercado.

O evento teve origem no DOCMONTEVIDEO, Encontro Documental de Televisoras da América Latina, onde se realiza o PitchingForum mais importante do continente para projetos de documentário. O DocMontevideo é realizado desde 2009 na capital uruguaia.

O DOCSP 2015, em sua primeira edição, terá seminários, laboratórios e encontros de negócios. E contará com a presença de palestrantes renomados, como o realizador brasileiro João Moreira Salles, o montador dinamarquês Niels Pagh Andersen e Anna Parker, gerente do maior mercado para documentários na Inglaterra.

                       

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As atividades

Labs

Os Laboratórios do DOCSP 2015 são espaços criativos para trabalhar projetos de documentário em fase de desenvolvimento e pós-produção, junto aos tutores internacionais, com o objetivo de fortalecer as propostas narrativas e o acesso ao mercado (DocLab e RoughCutLab).

DocLab

O DocLab propõe um caminho de treinamento para 8 projetos de documentário em desenvolvimento ou work in progress. O objetivo é potencializar as possibilidades criativas e oferecer oportunidades para seu posicionamento no mercado internacional.

Rough Cut Lab 

É um laboratório voltado para montadores com o objetivo de discutir a construção narrativa no processo de montagem e o papel do editor na criação de um filme.

Rodadas de Negócios

Os projetos participantes dos LABS (DOC LAB e ROUGH CUT LAB) terão encontros de negócios com players do mercado como Canal Brasil, Canal Curta!, TV Brasil, TV Cultura, SESC TV, Cine Brasil, Arte1, Globonews, Vitrine Filmes, Elo Company, Espaço Filmes, WhenEastMeets West (IT), Sheffield Doc/Fest (UK), DOCMONTEVIDEO (UY), AG DOK (DL).

Dois projetos serão selecionados para participar dos mercados: DocCircuit do Festival Internacional de Documentários de Montreal (CA) e WhenEastMeet West mercado do Festival de Cinema de Trieste (IT).

 

A Mostra tem três filmes com entrada gratuita

Dia 9/11, 19h30 - 'O Ato de Matar' aborda o genocídio que exterminou 1 milhão de pessoas, por meio de relatos dos próprios algozes, como parte das memórias do golpe militar na Indonésia.

Dia 10/11, 19h30 - 'Ramin' fala sobre um notável lutador da Geórgia que, já idoso, enfrenta seu último desafio: entrar no trem e vasculhar um vilarejo isolado para tentar encontrar um antigo amor, que ele não vê há 50 anos.

Dia 11/11, 19h30 - 'O Peso do Silêncio' retrata memórias e desdobramentos do golpe militar na Indonésia, explorando o terrível legado em gerações posteriores, a partir da percepção de uma pessoa que nasceu dois anos após o irmão ter sido massacrado.

Para ver os trailers, acesse: http://www.docsp.com/exibicoes/

Após as exibições, Andersen e Stonys vão conversar com os espectadores.

DOCSP 2015 faz parte da agenda audiovisual da cidade de São Paulo, a “Novembro Audiovisual”.

Todas as atividades serão realizadas na UnibesCultural, Rua Oscar Freire 2500, em São Paulo.

Mais informações: www.docsp.com

 


Como recuperar os espaços públicos das cidades para o convívio de seus moradores, tornando as áreas urbanas menos hostis e mais saudáveis?  Esta e outras questões estarão no centro das discussões da primeira edição do Congresso Internacional de Paisagem Urbana, que será realizado nos dias 7 e 8 de dezembro de 2015, em São Paulo.

Para debater os vários enfoques desse tema foram convidados especialistas em urbanismo de metrópoles brasileiras, européias e latino-americanas. A ideia é trazer propostas de soluções urbanísticas encontradas por cidades brasileiras e de outros países que possam ser úteis aos gestores de municípios de todos os portes.  

Voltado para profissionais que atuam na área de urbanismo, arquitetura, mobilidade, habitação, ambiente e do setor governamental, entre outros, o Congresso está com as inscrições abertas, que podem ser feitas pelo site www.icoul.org. As vagas são limitadas.

O I Congresso Internacional de Paisagem Urbana foi idealizado pela arquiteta e urbanista Regina Monteiro, mentora da Lei Cidade Limpa em São Paulo e presidente da ONG Instituto das Cidades.

Com essa Lei, a maior metrópole do Brasil tornou-se referência mundial em ordenamento e regulamentação da paisagem urbana. No evento, Regina abordará a gestão da lei, desde a articulação entre os vários setores da sociedade para garantir a aprovação na Câmara Municipal, até sua implantação e fiscalização.

Palestrantes
 

Responsável pela campanha "Barcelona, posa't guapa" (Barcelona, ponha-se bela), que fez profundas transformações na paisagem da capital da Catalunha às vésperas da Olimpíada de 1992, o espanhol Ferran Ferrer Viana é um dos palestrantes do evento.

A campanha transformou Barcelona em ponto turístico e referência arquitetônica internacional. Foram reformuladas mais de 5 mil fachadas de imóveis. Viana foi gerente, de 1985 a 2001, do Instituto Municipal de Paisagem Urbana e Qualidade de Vida, que preparou a cidade para os Jogos Olímpicos de 1992.

A Espanha terá mais dois especialistas em paisagem urbana representados no Congresso. Santiago Uzal Jorro, professor nos programas de mestrado em Gestão das Cidades e de pós-graduação em Gestão e Ordenamento do Território na Universidade Aberta de Catalunha (UOC), e Teresa Sandoval, que integrou o Conselho Municipal de Barcelona (1995-1999), quando criou e presidiu o Instituto da Paisagem Urbana.

Cidades Limpas

ribeirao cidadelimpa okayribeirao cidadelimpa okayRibeirão Preto. Mudança de cenário com a Lei Cidade Limpa. Foto: Ricardo Palinkas.


Outro destaque é a arquiteta e urbanista Claudia Grangeiro, do Rio de Janeiro, que atua como assessora da Empresa Olímpica Municipal na preparação da cidade para a Rio 2016.

Dois defensores da implantação da Lei Cidade Limpa em seus municípios participarão do Congresso. Como vereador, Marcelo Palinkas presidiu comissão na Câmara Municipal, cujos estudos resultaram na formulação da "Lei Cidade Limpa", que está em vigor em Ribeirão Preto.

Fortaleza (CE) não teve a mesma sorte. Na Câmara Municipal, Deodato Ramalho foi autor do Projeto de Lei 15/2013 ("Lei Cidade Limpa" de Fortaleza), que chegou a ser aprovado por unanimidade, mas foi vetado pela administração municipal.

A experiência de Bogotá (Colômbia) será trazida por Diana Wiesner, fundadora e diretora da Fundación Cerros de Bogotá. Ganhadora de vários prêmios internacionais de arquitetura, Diana planejou mais de 245 hectares de espaço público.

Lima será representada pela arquiteta e urbanista Sara Madueño, que trabalha para a prefeitura da capital peruana no setor de Desenvolvimento Urbano.  O Congresso trará ainda o italiano Roberto Zancan, professor do Istituto Universitario di Architettura di Venezia, em Veneza, e da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Ferrara.

 

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Serviço
Evento: I Congresso Internacional de Paisagem Urbana.
Quando: 7 e 8 de dezembro de 2015.
Horário: abertura às 9h.
Local: Auditório Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2.233, São Paulo, SP.

Com informações de Rubens Linhares - RJL Comunicação.



A existência dos blogs de notícias, opiniões e enfoques literários na internet tem provado, mesmo a quem nem mesmo se dá ao trabalho de lê-los, uma grande verdade: a verdadeira informação, transparente e sem interesses financeiros e ideológicos travando o informante como ocorre nas áreas dos grandes jornais e redes de tevê, mudou-se para os blogs pessoais e independentes da internet. O jornalismo tradicional foi se tornando cada vez mais veículos em que, como diz Cynara Menezes, os jornalistas identificam-se com as dores do patrão, achando-se pertencentes também a uma elite. Com uma imprensa “dominada”, voltada para celebridades fúteis e para o ataque sistemático aos que não se identificam com seus ideais capitalistas e mercadológicos, natural que muitos jornalistas, como a própria Cynara, que trabalhou na Folha de São Paulo e nas revistas CartaCapital, Veja e VIP, entre outras publicações da grande mídia, tenham optado por vias mais livres para a transmissão fiel de seus pensamentos.

A prova é o livro Zen Socialismo (Os melhores posts do blog “Socialista Morena”), coletânea de publicações de Cynara que dispara tiros em várias direções numa verdadeira “metralhadora gieratória”, mas mantém como espinha dorsal um tributo essencial ao grande socialista e nacionalista brasileiro Darcy Ribeiro, que cunhou a expressão “socialismo moreno”. Como a sistemática difamação do socialismo tem se processado diariamente na grande imprensa e em posts das redes sociais da internet, confundindo-o com o totalitarismo, gerando um direitismo difuso que ataca até mesmo os mais jovens (para perplexidade dela, que vem de uma geração onde ser jovem era ser contestador de forma quase automática), Cynara faz em Zen Socialismo uma definição de si mesma como socialista convicta (nascida à leitura de um poema de Brecht na adolescência) e empreende um trabalho necessário de esclarecimento sobre os muitos socialismos que já existiram, a queda do Muro de Berlim, as safadezas da ideologia neoliberal ao decretar a morte da esquerda, estabelecendo até mesmo os “Doze Mandamentos do Esquerdista Moderno” e sendo a um só tempo divertida e séria ao esclarecer o comunismo aos “comunistofóbicos” e “dummies” (idiotas) com suas investidas desmistificadoras e bem-humoradas.

O livro (Geração Editorial, 238 páginas) é dividido em blocos temáticos que permitem à jornalista discorrer sobre ideologia e política com a máxima atualidade – assim, não nos admiramos de vê-la comparando o Papa Francisco a Pepe Mujica, mostrando o ranço direitista que se apossou de roqueiros como Lobão e Roger do Ultraje a Rigor, voltando a examinar figuras importantes e um tanto esquecidas da literatura brasileira como Alex Pollari e Carolina de Jesus, revelando facetas interessantes de historiadores e escritores esquerdistas como Eduardo Galeano, Eric Hobsbawn e José Saramago. Cynara fala de sua trajetória em tons confessionais, contando de sua decepção com o jornalismo da Folha de S. Paulo e da revista Veja e dizendo da importância que o livro “Ecce Homo”, de Nietzsche, teve num momento decisivo de sua vida.

Cynara também toca no ponto importante da formação de uma nova esquerda – em que acredita – num país que sofreu decepções com a derrocada do PT no Governo Federal nos últimos anos. Desnudando preconceitos com humor, ironia e uma disposição guerreira, não deixa que um só dos clichês anti-comunismo, amplamente ridículos e no entanto ferozmente defendidos, escape ao seu crivo desmistificador (aí incluindo até mesmo absurdos históricos da paranoia anti-comunista americana, como atribuir aos Beatles e ao futebol intenções sinistras de domínio soviético).

Zen Socialismo é, assim, um livre compêndio de verdades tratadas com coloquialismo culto, boa informação, fluência e um toque ameno, como os melhores blogs da internet – não à toa, seu blog é um dos mais famosos e compartilhados nas redes sociais. A informação é vital, mas é também vital que o informante saiba dialogar com seu público. Isso Cynara sabe com perícia, e nos prova a cada página.

 

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A autora

Cynara Menezes é jornalista com passagens por grandes veículos do jornalismo brasileiro como Folha, Estadão, Veja e VIP. Trabalhou nos últimos oito anos na revista Carta Capital e atua agora como editora do seu blog, financiado pelos leitores, e como colunista da revista Caros Amigos. Formada pela Facom – UFBA, é casada, tem dois filhos e reside em Brasília.

Serviço:
'Zen Socialismo'
Lançamento em São Paulo: dia 10 de novembro.
Livraria Cultura, Conjunto Nacional.
Avenida Paulista, 2.073.
Horário: 19h.


Fernanda Emediato, Geração Editorial.



A fotógrafa Nair Benedicto apresenta imagens históricas e registros inéditos em sua nova exposição, 'Por Debaixo do Pano', a partir de 8 de novembro (abertura para convidados em 7 de novembro), na Casa da Imagem, em São Paulo. A mostra revela a “realidade falsamente camuflada e desnuda da nossa vida cotidiana”, segundo as palavras do curador Diógenes Moura, reunindo fotografias sobre tribos indígenas, manifestações populares, ditadura, desigualdades sociais, entre outros temas.

“Nada em Por debaixo do Pano vasa para limites exteriores. Um título que estatela diante de nós a realidade falsamente camuflada e desnuda da nossa vida cotidiana rachada ao meio, onde a mentira e as palavras dissimuladas precisam ser incendiadas em cada amanhecer”, elucida Diógenes Moura. “Essa exposição não é apenas fotografia: é também navalha na carne, a noite dos tempos, o corpo líquido, o músculo em chamas, um poema nascendo, o cinema transcendental, a garganta das coisas.”

Retratos do Brasil profundo estão presentes na mostra, como um bloco de maracatu só de mulheres fotografado na Zona da Mata pernambucana; um Grupo do Boi criado pelo Movimento Sem Terra; trabalhadores metalúrgicos; lideranças quilombolas; a série de retratos que ultrapassam a linha do tempo, como na imagem de Cartola, célebre compositor da Mangueira. “O que eu quero guardar é a mágica que se estabelece no encontro com essas pessoas. Estar diante do mundo e deixar que ele interfira no meu olhar. É essa sensação que provoca em mim o desejo de compartilhar o que vi e vivi”, revela a fotógrafa.

São Paulo, cidade natal de Nair, onde ela fundou em 1979 a agência F/4 de Fotojornalismo – uma das pioneiras do país, também está representada na exposição. “Sempre me emociono quando volto de algum lugar e chego a São Paulo. Seja de avião, de ônibus ou de carro. Gosto de me perder por aí”, afirma ela. “É triste ver os casarões desaparecem para dar lugar aos prédios – muitas vezes tão anônimos, tão sem personalidade. Atualmente, gosto de ver as pessoas se recolocando nos espaços públicos. A ida para a rua estimula o convívio, a interação.”

Perseguida pelos militares no período da ditadura, Nair faz uma alerta em defesa às liberdades individuais pelas quais muitos perderam a vida: “Vivi a agonia do golpe de 1964 e não esperava reviver. Mas cá estamos neste emaranhado de confusões. Dói ver que pessoas tenham coragem de defender nas ruas e nas redes sociais a volta da ditadura! É a perversidade sem limites! É o ser humano em momento mais abjeto.”

“Uma cena impregnada de cinza, paulistana entre fuligem e capitalismo, com quase nenhum reflexo do janelão vazado por onde se vê o lado de fora da rua invertido, os prédios de cabeça para baixo. A fotografia foi pensada para finalizar a série sobre a ditadura militar.”, explica Diógenes Moura sobre uma das últimas imagens registradas para a exposição. “Foi daquela forma, presa ao pau de arara que Nair Benedicto foi torturada, em 1969. Lá, sem nenhuma chance, ela enxergava o mundo ao redor virado ao contrário. Portanto, a série de imagens invertidas foi concebida para não esquecermos que cicatrizes não se transferem e que depois desse período de ‘guerra’ pelo qual passamos tivemos que espremer a liberdade para não sermos transformado em coisa pela sombra monstruosa dos que nos perseguiram durante vinte e um anos seguidos. Livre, Nair Benedicto escreveu sua história com as próprias mãos.”

Sobre Nair Benedicto

Nair Benedicto (São Paulo SP 1940). Fotógrafa. Formada em rádio e televisão pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, em 1972. Nesse ano, inicia carreira profissional na capital paulista, como realizadora de audiovisuais e fotógrafa freelancer do Jornal da Tarde. Em 1979, funda a Agência F4 de Fotojornalismo, com Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta. Além de colaborar com revistas nacionais e internacionais como Veja, IstoÉ, Marie Clair, Paris Match, Newsweek e Time, desenvolve ensaios sobre temas sociais e manifestações populares. Na década de 1980, dedica-se à realização de documentários audiovisuais e fotográficos sobre as condições de vida de crianças e mulheres na América Latina, e expõe esses seus trabalhos no Brasil e no exterior. Em 1991, com Stefania Bril, Marcos Santilli, Rubens Fernandes Júnior e Fausto Chermont e outros, cria o Núcleo dos Amigos da Fotografia - NAfoto, associação promotora do evento Mês Internacional de Fotografia de São Paulo. Paralelamente, funda a Agência N-Imagens, passa a organizar exposições e a ministrar cursos e palestras em diversos Estados do país. Entre suas premiações, destaca-se o 11º Prêmio Abril de Fotojornalismo, em 1985. É autora dos livros A Greve do ABC, 1980, A Questão do Menor, 1980, em parceria com Juca Martins, e As Melhores Fotos de Nair Benedicto, 1988, entre outros.

Serviço

Nair Benedicto: "Por Debaixo do Pano"
Curador: Diógenes Moura.
Abertura para convidados: 7 de novembro de 2015.
Período: de 8 de novembro a 7 de fevereiro.

Casa da Imagem
Rua Roberto Simonsen, 136-B.
Tel.: 11 3241.1081 - Ramal 103.
Horário de funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 17h.
Acesso para deficientesVisitas monitoradas: a partir de dezembro.
Entrada gratuita.
Estação Sé do Metrô.

Biba FonsecaVicente Negrão Assessoria.

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