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A fotógrafa Nair Benedicto apresenta imagens históricas e registros inéditos em sua nova exposição, 'Por Debaixo do Pano', a partir de 8 de novembro (abertura para convidados em 7 de novembro), na Casa da Imagem, em São Paulo. A mostra revela a “realidade falsamente camuflada e desnuda da nossa vida cotidiana”, segundo as palavras do curador Diógenes Moura, reunindo fotografias sobre tribos indígenas, manifestações populares, ditadura, desigualdades sociais, entre outros temas.

“Nada em Por debaixo do Pano vasa para limites exteriores. Um título que estatela diante de nós a realidade falsamente camuflada e desnuda da nossa vida cotidiana rachada ao meio, onde a mentira e as palavras dissimuladas precisam ser incendiadas em cada amanhecer”, elucida Diógenes Moura. “Essa exposição não é apenas fotografia: é também navalha na carne, a noite dos tempos, o corpo líquido, o músculo em chamas, um poema nascendo, o cinema transcendental, a garganta das coisas.”

Retratos do Brasil profundo estão presentes na mostra, como um bloco de maracatu só de mulheres fotografado na Zona da Mata pernambucana; um Grupo do Boi criado pelo Movimento Sem Terra; trabalhadores metalúrgicos; lideranças quilombolas; a série de retratos que ultrapassam a linha do tempo, como na imagem de Cartola, célebre compositor da Mangueira. “O que eu quero guardar é a mágica que se estabelece no encontro com essas pessoas. Estar diante do mundo e deixar que ele interfira no meu olhar. É essa sensação que provoca em mim o desejo de compartilhar o que vi e vivi”, revela a fotógrafa.

São Paulo, cidade natal de Nair, onde ela fundou em 1979 a agência F/4 de Fotojornalismo – uma das pioneiras do país, também está representada na exposição. “Sempre me emociono quando volto de algum lugar e chego a São Paulo. Seja de avião, de ônibus ou de carro. Gosto de me perder por aí”, afirma ela. “É triste ver os casarões desaparecem para dar lugar aos prédios – muitas vezes tão anônimos, tão sem personalidade. Atualmente, gosto de ver as pessoas se recolocando nos espaços públicos. A ida para a rua estimula o convívio, a interação.”

Perseguida pelos militares no período da ditadura, Nair faz uma alerta em defesa às liberdades individuais pelas quais muitos perderam a vida: “Vivi a agonia do golpe de 1964 e não esperava reviver. Mas cá estamos neste emaranhado de confusões. Dói ver que pessoas tenham coragem de defender nas ruas e nas redes sociais a volta da ditadura! É a perversidade sem limites! É o ser humano em momento mais abjeto.”

“Uma cena impregnada de cinza, paulistana entre fuligem e capitalismo, com quase nenhum reflexo do janelão vazado por onde se vê o lado de fora da rua invertido, os prédios de cabeça para baixo. A fotografia foi pensada para finalizar a série sobre a ditadura militar.”, explica Diógenes Moura sobre uma das últimas imagens registradas para a exposição. “Foi daquela forma, presa ao pau de arara que Nair Benedicto foi torturada, em 1969. Lá, sem nenhuma chance, ela enxergava o mundo ao redor virado ao contrário. Portanto, a série de imagens invertidas foi concebida para não esquecermos que cicatrizes não se transferem e que depois desse período de ‘guerra’ pelo qual passamos tivemos que espremer a liberdade para não sermos transformado em coisa pela sombra monstruosa dos que nos perseguiram durante vinte e um anos seguidos. Livre, Nair Benedicto escreveu sua história com as próprias mãos.”

Sobre Nair Benedicto

Nair Benedicto (São Paulo SP 1940). Fotógrafa. Formada em rádio e televisão pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, em 1972. Nesse ano, inicia carreira profissional na capital paulista, como realizadora de audiovisuais e fotógrafa freelancer do Jornal da Tarde. Em 1979, funda a Agência F4 de Fotojornalismo, com Juca Martins, Delfim Martins e Ricardo Malta. Além de colaborar com revistas nacionais e internacionais como Veja, IstoÉ, Marie Clair, Paris Match, Newsweek e Time, desenvolve ensaios sobre temas sociais e manifestações populares. Na década de 1980, dedica-se à realização de documentários audiovisuais e fotográficos sobre as condições de vida de crianças e mulheres na América Latina, e expõe esses seus trabalhos no Brasil e no exterior. Em 1991, com Stefania Bril, Marcos Santilli, Rubens Fernandes Júnior e Fausto Chermont e outros, cria o Núcleo dos Amigos da Fotografia - NAfoto, associação promotora do evento Mês Internacional de Fotografia de São Paulo. Paralelamente, funda a Agência N-Imagens, passa a organizar exposições e a ministrar cursos e palestras em diversos Estados do país. Entre suas premiações, destaca-se o 11º Prêmio Abril de Fotojornalismo, em 1985. É autora dos livros A Greve do ABC, 1980, A Questão do Menor, 1980, em parceria com Juca Martins, e As Melhores Fotos de Nair Benedicto, 1988, entre outros.

Serviço

Nair Benedicto: "Por Debaixo do Pano"
Curador: Diógenes Moura.
Abertura para convidados: 7 de novembro de 2015.
Período: de 8 de novembro a 7 de fevereiro.

Casa da Imagem
Rua Roberto Simonsen, 136-B.
Tel.: 11 3241.1081 - Ramal 103.
Horário de funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 17h.
Acesso para deficientesVisitas monitoradas: a partir de dezembro.
Entrada gratuita.
Estação Sé do Metrô.

Biba FonsecaVicente Negrão Assessoria.


O Museu da Imagem e do Som (M.I.S.) irá se transformar num castelo de filme de terror. Mas não num castelo qualquer. A partir deste sábado (31), quando comemora-se o Dia das Bruxas, o museu recebe a exposição "À Meia-Noite Levarei Sua Alma", que remonta o universo de Zé do Caixão.

Criado pelo ator e cineasta José Mojica Marins, o personagem, que teve sua primeira aparição em 1964 no filme homônimo à mostra, é um dos ícones do cinema brasileiro.

A exposição, baseada na filmografia de Zé do Caixão, reúne mais de 400 itens, entre fotografias, figurinos, trechos de filmes e objetos cênicos. Ela está dividida em duas partes: uma com o inventário (é necessário ter 16 anos para entrar) e outra que, de acordo com o curador e diretor do MIS André Sturm, pretende levar o público a uma experiência mais intensa (aqui, é preciso ter 18 anos para participar).

"Além de ter criado um personagem especial, Mojica criou um jeito de fazer cinema", diz Sturm.

Para a abertura, o museu preparou 14 horas de programação. "Só posso dizer que dia 31 é quando o fantasma do MIS circula por aqui. Preparamos todas essas atividades para que ele se acalme", brinca o curador.

O fim de semana também conta com uma série de eventos com temática de terror. Confira seleção a seguir e mais de 20 festas no roteiro de noite.

Programação M.I.S. (31/10)
No dia da abertura, a entrada para a mostra "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" e as atividades paralelas são gratuitas.

14h às 2h.
Comidas e drinques temáticos.

14h.
Bate-papo sobre a obra de José Mojica Marins e o personagem Zé do Caixão. Com: Marcelo Colaiacovo, Ivan Finotti (editor da "Ilustrada"), Paulo Sacramento e Liz Vamp.

14h.
Performance "Ode Ao Zé do Caixão" realizada na áera externa pelo Estúdio Xingu.

16h.
Palestra sobre produção de efeitos para cinema com Kapel Furman, diretor de efeitos do "Encarnação do Demônio", último filme do Zé do Caixão. Distribuição de senha 1h antes na recepção do museu.

18h.
O público participa de um concurso de fantasias que tem júri formado por Liz Vamp e equipe do museu. O ganhador recebe prêmio surpresa

19h.
Na área externa rola setlist organizado pela banda CÃO.

21h.
Mágicas macabras realizadas por Cleyton Heredya.

21h e 21h40.
Apresentação da performance "Uma Noite em um Sanatório Abandonado". Enquanto jovens passam a noite em um sanatório, acontece uma tragédia.

22h e 22h40.
A performance "Matilda, in memoriam" traz a história de duas amigas que possuíam laços de amizade estranhos e místicos.

23h45.
Surpresas inspiradas no universo de Zé do Caixão


Serviço

M.I.S. Av. Europa, 158, Jd. Europa, tel. 2117-4777.
Abertura: 31/10, às 12h.
Ter. a sáb.: 12h às 21h. 
Dom. e dia 2: 11h às 20h. 
Até 10/1/2016. 16 anos.
Ingr.: R$ 5 e R$ 10 (31/10 e ter.: grátis).

 


A 39a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece de 22 de outubro a 4 de novembro, realiza uma sessão especial na plateia externa do Auditório Ibirapuera no dia 31 de outubro, às 20h. Na ocasião, o público irá assistir à cópia restaurada do filme Meu Único Amor (My Best Girl, de Sam Taylor, lançado em 1927) com acompanhamento musical ao vivo da Orquestra Sinfônica Heliópolis, sob regência do maestro David Michael Frank.

Baseada em uma história da escritora americana Kathleen Norris, a comédia romântica traz a atriz e produtora Mary Pickford no papel de Maggie, uma jovem que se divide entre o trabalho em uma loja e os cuidados com a família. Quando conhece Joe (Charles “Buddy” Rodgers), novo funcionário de seu departamento, se apaixona sem saber que ele é, na verdade, filho do dono da loja. O rapaz começa a trabalhar por imposição do pai e é desafiado por ele a conseguir uma promoção na empresa por mérito – sem fazer uso do sobrenome – em troca de anunciar seu noivado com uma socialite.

A película, um dos maiores sucessos da carreira de Mary Pickford, foi a despedida da atriz do cinema mudo (do qual foi uma das principais estrelas) e, também, a primeira parceria dela com o diretor Sam Taylor, com quem faria a maior parte de seus filmes falados. Em 1999, a Fundação Mary Pickford pediu ao compositor americano David Michael Frank que criasse uma trilha sonora original para Meu Único Amor; a qual foi apresentada pela Orquestra de Câmera de Los Angeles. É essa nova leitura que será mostrada ao vivo pela Orquestra Sinfônica Heliópolis durante a exibição do filme no Auditório.

Fonte: Auditório Ibirapuera.


Em 2004, quando o papa Francisco era arcebispo de Buenos Aires, investiu contra uma exposição do artista argentino León Ferrari (1920-2013) no Centro Cultural Recoleta, conclamando a comunidade católica a rezar contra as collages heréticas da mostra. O arcebispo Bergoglio chegou mesmo a apelar para que a retrospectiva de seu conterrâneo fosse fechada. Quatro ameaças de bomba depois, o próprio Ferrari, temendo pela segurança dos funcionários do museu, determinou o encerramento da mostra.
 
Quem não a viu pode ver agora alguns trabalhos nela exibidos e que integram o acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp – Av. Paulista, 1.578). A exposição León Ferrari: Entre Ditaduras reúne 90 obras do artista, entre elas collages das séries Releitura da Bíblia e Para Hereges, com curadoria da museóloga Julieta González, diretora interina do Museu Jumex, na Cidade do México, e de Tomás Toledo, curador adjunto do Masp.

A exposição, é bom alertar, não é para católicos que se chocam com a liberdade de interpretação dos textos bíblicos por artistas contemporâneos, especialmente empiristas heréticos como Ferrari. Ele morou no Brasil entre 1976 e 1991, fugindo da sanguinária ditadura argentina, que sumiu com um de seus filhos. Em São Paulo, nos anos 1980, encontrou sua turma, artistas que faziam experiências com novos meios eletrônicos de reprodução, dando prosseguimento às pesquisas iniciadas na Argentina.
 
Entre as obras que integravam a retrospectiva argentina, a imagem mais polêmica era a de um Cristo crucificado num caça norte-americano carregado de bombas. O título da obra (produzida nos anos 1960, no auge da guerra do Vietnã) resumia o ponto de vista de Ferrari: A Civilização Ocidental e Cristã. Filho de um arquiteto construtor de igrejas, mas também herege, o artista argentino associava a força bélica e atômica ao poder absoluto de destruição, traçando uma correspondência analógica entre a ira bíblica divina e o genocídio praticado por dirigentes políticos. 
 
Muitas obras foram destruídas no Centro Cultural Recoleta depois do apelo do futuro papa aos católicos portenhos, que compareceram em peso à mostra – não para ver, mas destruir algumas obras. Em 2007, ao ganhar o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, o sarcástico Ferrari agradeceu ao papa. “Foi uma espécie de favor que me fez Bergoglio”, ironizou, mantendo até o fim da vida sua posição de confronto com a Igreja Católica. Ele plasmou em diversas séries a iconografia cristã dos grandes mestres pintores com imagens de bombas atômicas, fragmentos de gravuras eróticas orientais e referências da arte moderna, especialmente as séries picassianas que retratam orgias. 
 
As principais ideias heréticas de León Ferrari, lembra a curadora Julieta González, estão expressas no livro Palabras Ajenas, de 1967, misto de peça dramatúrgica com roteiro contra ditadores de toda espécie, no qual o autor se apropria de discursos alheios e monta uma collage literária explosiva, em que caudilhos do passado contracenam com os do presente. “Não é uma collage dadaísta, porque, na peça, a palavra é precisa, tem uma presença forte, dirigida, sem apelar ao nonsense”, observa a curadora Julieta González. É possível perceber essa exatidão na escolha dos trechos do Novo Testamento da série Releitura da Bíblia, em que imagens de santos pintadas por renascentistas convivem com o espectro das guerras e o inferno do Apocalipse.
 
Herético. Ferrari associa poder bélico ao religioso em série
Herético. Ferrari associa poder bélico ao religioso em série. Imagem: Divulgação.
 
Em 1998, Ferrari enviou uma petição ao papa João Paulo II em nome do Clube de Ímpios, Hereges, Apóstatas, Blasfemos, Ateus, Pagãos e Infiéis, solicitando simplesmente a abolição do inferno. A Santa Sé negou-se a aceitar a petição. Em 2001, não satisfeito com a resposta, Ferrari reiterou o pedido. O Vaticano ignorou a petição. O inferno continuaria existindo e ponto final. Em 2013, quando Bergoglio ascendeu ao trono e virou o papa Francisco, Ferrari brindou com uma taça de vinho branco e deu seu último suspiro. No ano passado, uma mensagem do papa deu a entender que o inferno é incompatível com o amor infinito de Deus. Reconciliados? Quem sabe. 
 
O certo é que, na exposição do Masp, o inferno continua a existir e fica na Terra desolada dos grandes massacres praticados em nome de ideologias e religiões. O museu conserva as 100 obras que Ferrari, segundo o curador Tomás Toledo, doou ao museu ao voltar à terra natal. “Curioso é que descobrimos na biblioteca seis matrizes de obras heliográficas que não estavam catalogadas, um trabalho de arqueologia no acervo que nos fez descobrir peças raras”, revela o curador. 
 
Elas estão expostas na segunda sala da mostra, que reúne trabalhos mais amenos que na primeira. Nem por isso fáceis. São signos gráficos que lidam com questões sociais. A figura dominante é a de um homenzinho reproduzido ad infinitum e que se integra a uma massa de sinais. Em outras reproduções dos anos 1980 (letraset fotocopiada em papel Fabriano), emerge um “código de sinais secretos” que se assemelham a hieróglifos e aos desenhos de Michaux. “A diferença é que Michaux lida com o inconsciente e os signos gráficos de Ferrari funcionam como parábolas políticas”, conclui a curadora da mostra.

Antônio Gonçalves Filho no Estadão.
 
 


O Seminário Internacional Cidades a Pé, pioneiro e inédito no Brasil trata de um tema urgente do mundo contemporâneo, a humanização das cidades, através da ótica das pessoas mais próximas das cidades, aqueles que a percorrem a a pé. Diversos casos do mundo terão a chance de se encontrar em São Paulo e gerar novas ideias e inspirações no desenvolvimento de cidades mais caminháveis.
 
Objetivos
 
Discutir e refletir sobre a importância do caminhas nas cidades, mostrando o panorama atual das cidades modernas que se desenvolveram de forma a facilitar o andar a pé e os seus efeitos positivos quanto as iniciativas, políticas públicas e estudos que já estão invertendo a lógica dos espaços urbanos ao promover cidades mais caminháveis.

Eixos temáticos
 
Entende-se que o andar a pé transborda a temática de planejamento urbano e deslocamento. Com o objetivo de contemplar sua complexidade e ao mesmo tempo discutir de forma prática para contribuir para o desenvolvimento das cidades, definiu-se o 4 eixos temáticos a seguir:

- Mobilidade a pé e saúde;
- Desenho urbano e políticas públicas para a mobilidade a pé;
- Cidades para todos;
- Cidade a pé.

As inscrições são feitas via plataforma EventBriteaqui! 
 
 


No fim dos anos 50, quando a moda ainda engatinhava no Brasil, o publicitário italiano radicado em São Paulo Livio Rangan – figura visionária, dono de uma criatividade inesgotável e com estampa digna de galã da Cinecittà – teve a ideia de orquestrar campanhas e desfiles grandiosos que mesclassem peças assinadas por estilistas nacionais, arte e cultura pop. Por trás do ambicioso projeto estava a Rhodia, empresa francesa que, em 1919, havia instalado por aqui uma fábrica de lança-perfumes – isso mesmo, o famoso Rodouro, que animou nossos Carnavais até a proibição do spray, em 1961.
 
Antevendo essas mudanças, a Rhodia entrou firme e forte na produção de fibras sintéticas em 1955. Para vendê-las no País tropical, referência mundial em algodão, traçou uma mega estratégia de marketing em parceria com Rangan, que durou pouco mais de uma década, encerrando-se em 1970. “Livio foi um grande diretor de arte, de teatro, um ótimo metteur en scène. Seu trabalho na Rhodia era um pretexto para mostrar o que realmente sabia fazer: arte no palco, em filmes, na fotografia”, avalia a ex-modelo e jornalista Zizi Carderari, casada com o publicitário de 1974 até 1984, quando ele morreu precocemente, aos 51 anos.
 
Mailú, Mila e Lilian com peças criadas por Alceu Penna para o desfile-show Rio 400 anos, em 1964 (Foto: Rhodia/ Divulgação)Mailú, Mila e Lilian com peças criadas por Alceu Penna para o desfile-show Rio 400 anos, em 1964 (Foto: Rhodia/ Divulgação)

Mailú, Mila e Lilian com peças criadas por Alceu Penna para o desfile-show Rio 400 anos, em 1964. Foto: Rhodia/ Divulgação.
 
O italiano passou a dirigir a publicidade da Rhodia e a idealizar editoriais para revistas ligadas à indústria têxtil, tendo como alvo os clientes dos fios da empresa. Numa era pré-semanas de moda, as peças eram lançadas na Feira Nacional da Indústria Têxtil, a Fenit, em desfiles-show que exibiam criações dos estilistas mais incensados da época, pioneiros da alta-costura made in Brazil, como Dener, Ugo Castellana, José Ronaldo, Guilherme Guimarães e Jorge Farré. As coleções eram desenvolvidas utilizando as matérias-primas mais modernas da Rhodia sob a coordenação do ilustrador mineiro Alceu Penna, autor do icônico figurino de Carmen Miranda e da série de crônicas de moda “Garotas do Alceu”, publicada na lendária revista O Cruzeiro e que influenciava os costumes das brasileiras de então.

Para acentuar o cunho cultural (e inédito) da empreitada, Livio – um workaholic que sonhava alto e dormia pouco – decidiu convidar artistas plásticos para desenhar as estampas das cem peças únicas apresentadas a cada coleção. A lista de colaboradores é extensa e ilustre: Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Milton Dacosta, Nelson Leirner, Ivan Serpa, Manabu Mabe, Alfredo Volpi, Willys de Castro. Parte das criações assinadas pelo grupo se perdeu ao longo do tempo (caso de peças de Ohtake, Iberê e Dacosta), mas 79 modelos com estampas de 28 artistas foram doados em1972 para o Museu de Arte de São Paulo, formando um conjunto batizado de Coleção Masp Rhodia. A boa notícia é que, a partir do dia 23 deste mês, todos os itens serão exibidos por lá na mostra Arte na Moda – a última vez que esse acervo esteve em sua íntegra às vistas do público no museu foi há 43 anos, na época de sua doação. 
 
Bastidores de um editorial de moda para a Rhodia, de 1960, com o fotógrafo Otto Stupakoff (ao fundo) (Foto: Rhodia/ Divulgação)Bastidores de um editorial de moda para a Rhodia, de 1960, com o fotógrafo Otto Stupakoff (ao fundo) (Foto: Rhodia/ Divulgação)

Bastidores de um editorial de moda para a Rhodia, de 1960, com o fotógrafo Otto Stupakoff (ao fundo). Foto: Rhodia / Divulgação.
 
Em clima de Tropicália meets Carnaby Street, os desfiles da Rhodia uniam moda e arte,mas não só isso: havia também música, dança e poesia. O ator Raul Cortez fazia as vezes de mestre de cerimônia, e o roteiro costumava ter assinaturas ilustres – nascia do humor de Millôr Fernandes ou da sensibilidade de Carlos Drummond de Andrade. Coreografias do americano Lennie Dale (que pouco depois, nos anos 70, fundaria o lendário grupo de dança andrógino Dzi Croquettes) eram embaladas por performances ao vivo de nomes em ascensão namúsica, como Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Rita Lee – linda à frente de sua banda naqueles tempos, Os Mutantes. Em meio às apresentações musicais, aconteciam os desfiles propriamente ditos, cujos castings eram atração à parte.

Este é apenas um trecho da matéria Revolução made in Brazil, leia o texto completo na edição de outubro da Vogue Brasil.
 
 
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