Grupo Esparrama ocupa Minhocão com novo espetáculo - São Paulo São

'Minhoca na Cabeça' reflete sobre os medos que a cidade moderna causa em seus moradores. Peça será encenada aos domingos, de 14 deste mês a 26 de julho, às 10h e às 16h.

Uma menina está de mudança. Ela vem para uma cidade gigantesca, barulhenta e assustadora: multidões, prédios, engarrafamentos e violência fazem nascer uma minhoca em sua cabeça e ela fica com tanto medo que não quer mais sair de casa. É esta a história de Minhoca na Cabeça, o novo espetáculo que o grupo Esparrama encena semanalmente, entre o próximo domingo (14) e 26 de julho, em uma janela de frente para o elevado Costa e Silva, viaduto conhecido como Minhocão, na região central de São Paulo.

Desde novembro de 2013, a companhia vem se apresentando na janela do terceiro andar do edifício São Benedito, entre as alças de acesso do metrô Santa Cecília e a rua da Consolação. A primeira peça, Esparrama Pela Janela, foi vista por milhares de espectadores. A intenção da trupe é reforçar o movimento de transformação do Minhocão em local permanente de arte e cultura.

Desta vez, a história usa o humor para fazer com que as pessoas reflitam sobre os medos que a cidade moderna causa em seus moradores e as consequências sociais que eles ocasionam. São esses sentimentos ruins que alimentam a Minhoca na cabeça da Menina e fazem tudo parecer difícil.

Ela saiu de uma cidade pequena com muito espaço e veio para outra enorme onde, lhe parece, não cabe quase nada: nos bairros não cabem praças, as praças não têm espaço para árvores nem para crianças. A Menina só encontra espaço para seus sonhos e brincadeiras em sua própria cabeça. O problema é que ali também há lugar de sobra para o medo.

Mas nem tudo está perdido: ela terá o apoio de seus atrapalhados amigos Haroldo e Heraldo, que vão ajudá-la a descobrir novas e fantásticas formas de ver e navegar pela cidade. Mas, para isso, a personagem terá de enfrentar seus medos e decidir o que vai fazer com a Minhoca folgada.

“Quando propomos que o público venha até a frente da nossa janela, sente no asfalto e aprecie arte durante 45 minutos, nós estamos propondo um novo imaginário para a cidade, propondo novas relações com a rua, discutindo a noção de pertencimento e demostrando de forma prática que a arte sempre engloba uma dimensão política. Neste novo espetáculo quisemos tratar exatamente desta questão: o medo da cidade. A história fala de uma menina que tem vontade de ir para a rua, mas que ao mesmo tempo tem muito medo de enfrentá-la. No fim, ela descobre que nem todos os monstros que ela imaginou existem. Nós, enquanto população, precisamos reaprender o poder que tem a ocupação das ruas”, afirma Iarlei Rangel, diretor de Minhoca na Cabeça.

Se no primeiro espetáculo o grupo mostrava a realidade que invadia o apartamento de um morador do Minhocão, desta vez Esparrama extrapola os limites da janela e lança o olhar para a cidade. Esta inversão de perspectiva fará com que os atores ocupem – literalmente – o Minhocão e não apenas a janela que fica a poucos metros acima da altura do elevado.

Para Iarlei, levar arte para a rua provoca mudanças importantes para a construção de uma cidade melhor. “Parece que os últimos anos construíram uma noção de que a cidade não é lugar para estar, é lugar apenas para o trânsito, lugar de passagem. De várias formas nos incutiram que o lugar seguro para 'estar' é a nossa casa ou os locais privados, pelos quais temos de pagar de alguma forma (cinemas, shoppings etc.). A arte feita na rua nos devolve a noção de que a cidade é nossa e de que quanto mais a ocupamos mais ela fica segura e interessante”, declara o diretor.

Minhoca na Cabeça será encenada aos domingos, às 10h e às 16h, nos dias 14, 21 e 28 de junho e 5, 12, 19 e 26 de julho. Em caso de chuva, o espetáculo será cancelado. Mais sobre o Grupo na página dele no Facebook: https://goo.gl/PYOjPa

Xandra Stefanel, especial para RBA.