Mato! Mato? O desmatamento da Amazônia nos dípticos de Rogério Assis e Ciro Girard - São Paulo São

Os contrastes em dípticos do novo livro do fotógrafo Rogério Assis e do designer gráfico Ciro Girard (Editora OlhaVê) se complementam e se entrelaçam como os galhos das árvores nesta grande colcha de retalhos da paisagem amazônica. A paisagem surge ora degradada, ora exuberante, ora calma e muitas vezes o frenético ritmo do desmatamento e da mudança climática nos causa um susto. Uma dúvida: “Mato?”

Tica Minani, coordenadora da campanha do Greenpeace na Amazônia, escreve no release para a divulgação do livro:

Mato

É mata, é brisa, é sol, é árvore, é rio, é formiga, inseto, areia, calor, água fresca, folhas, samaúma, açaí, peixe, onça, jacaré, macaco, lua, coruja, sapo, voadeira, nuvem, chuva, rede, revoada de pássaros, mandioca, banana, fogueira, magia, gente, risos... 

No mato tem tudo isso. E mais: tem uma riqueza exuberante que sustenta uma teia de vida valiosa e diversa, de muitas formas, muitas cores, capaz de provocar medo, mistério e maravilhamento... É na natureza que eu me sinto mais perto do Sagrado.

Mato?

Essa mesma riqueza exuberante, que abunda no mato, nos rios, nas árvores, nos minérios e em tantos outros recursos naturais, que é motivo de orgulho para a maioria dos brasileiros, também desperta outros sentimentos menos nobres que a magia e a conexão com o Sagrado. Seduzidos pela ganância e protegidos pela santíssima trindade da economia-progresso-desenvolvimento, muitos olham para o mato e vêem outro tipo de riqueza – uma riqueza para poucos, que alimenta um sistema injusto e desigual. Uma riqueza que esgota os rios e a terra, que cavuca minérios, que corta as árvores, que expulsa as gentes e silencia os risos... 

Mato!

Com uma obra visualmente rica e estimulante, o fotógrafo, Rogério Assis e o designer, Ciro Girard, nos brindam com uma provocação igualmente reveladora: vida e morte, beleza e destruição, maravilhamento e medo separados por uma tênue linha. Em cada lado, uma escolha. E uma consequência. Em um momento de grave inversão nos valores da sociedade brasileira, seria assim tão absurdamente difícil saber qual lado escolher?

Árvores e queimadas

Cada fotograma de Rogério Assis é uma interrogação. Um susto, um sobressalto. Pelo ar, pela água, por terra, percorreu as matas, registrando esse período de mudanças, de forte pressão que a região vem sofrendo. Principalmente do primeiro setor.

“Agro é f…”,  Rogério, que com o ativismo que perpassa por suas lentes, contamina no bom sentido o leitor. É poético e panfletário, mas não vejo isso como algo negativo, mas sim como um pedido de socorro, um grito. E como precisamos gritar por ela. A Amazônia está morrendo, o ser humano ao matá-la, suicida-se.

Nisso a estratégia usada pelo designer gráfico é muito feliz. Quando coloca lado a lado, umas perguntas: Se floresta, ou plantação? Se estrada, ou rio? Se queimada ou árvores? Se seca ou cheia? Se chuva ou seca? Se sustentável ou criminosa? Se vivo ou morro.

O fotógrafo

Rogério de Assis é paraense, radicado em São Paulo há 30 anos. Tem passagens pela imprensa de veículos nacionais e internacionais. Foi um dos fundadores da agência Foto Site e em 2008, criou a Editora Mandioca, que publicou por dois anos a Revista Pororoca, 100% dedicada a temas relacionados à Amazônia. Desde então, vem desenvolvendo projetos editoriais em colaboração com outras editoras, com destaque para o livro “D. Brazi – Cozinha Tradicional Amazônica”, em parceria com a Editora BEI, e o livro” Zo’é”, em parceria com a editora Terceiro Nome.

Vencedor do edital de cultura e meio ambiente do Banco da Amazônia em 2014, desenvolveu o projeto Esse Rio É Minha Rua, sobre o cotidiano da comunidade ribeirinha Boa Esperança. Atualmente, integra o conselho curador da DOC Galeria em São Paulo e ministra workshops sobre fotografia documental, além de colaborar com as ONGs Greenpeace e Instituto Socioambiental (ISA).

Serviço

O que: Lançamento do livro “Mato?”, de Rogério Assis e Ciro Girard
Quando: 25/04/2018, às 19h.
Onde: Bar do Beco - Rua Aspicuelta, 17 - Vila Madalena.
Livro MATO? - 116 paginas, capa dura, impressão offset em papel alto alvura 150g, tiragem de 500 exemplares.
Valor: R$ 90,00.
Após o lançamento, o livro será vendido no site http://loja.olhave.com.br/

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Da redação, com informações Editora OlhaVê e Amazônia Real. Fotos: Rogério Assis.