Pinacoteca recebe, pela primeira vez, obras da coleção do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro - São Paulo São

Pinturas históricas do MHN complementam acervo da Pina, segundo curadora. Foto: Daniel Teixeira / Estadão.Pinturas históricas do MHN complementam acervo da Pina, segundo curadora. Foto: Daniel Teixeira / Estadão.

O acervo do Museu Histórico Nacional, do Rio de Janeiro, tem mais de 280 mil peças. Cerca de três mil, apenas, porém estão em exposição permanente na instituição. A Pinacoteca de São Paulo, apresenta, de 6 de outubro de 2018 a 28 de janeiro de 2019, a exposição Coleções em Diálogo: Museu Histórico Nacional e Pinacoteca de São Paulo, no segundo andar da Pina Luz. 

A exposição tem como objetivo criar uma relação entre a mostra de longa duração do museu paulista com as obras vindas do colega fluminense. Coleções em Diálogo acontece nas quatro salas localizadas nos cantos do segundo andar da Pina, cujas entradas são unicamente por dentro do acervo.

"Nós fazemos o programa Coleções em Diálogo há alguns anos, se baseia na ideia de que nenhuma coleção é completa", afirma Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca. "Com as parcerias, você estabelece conexões, contrapõe e ressignifica seu acervo." Segundo Valéria, as exposições são oportunidade de o público de São Paulo apreciar acervos não tão acessíveis, como quando, em 2016, a Pina recebeu itens do Museu Paulista, que ficará fechado até 2022.

Obra do pintor Edoardo de Martino. Imagem: Reprodução / Divulgação.Obra do pintor Edoardo de Martino. Imagem: Reprodução / Divulgação.

Para o Museu Histórico Nacional, também é uma boa oportunidade de mostrar tesouros do seu acervo. "A maior parte das obras não está em exposição permanente, às vezes até mesmo por conta dos tamanhos, por falta de espaço", explica o diretor do MHN, Paulo Knauss. "É bom divulgarmos o nosso acervo."

Uma dessas obras grandes que estão expostas na Pinacoteca é uma pintura do italiano Edoardo De Martino que retrata uma das batalhas decisivas da Guerra do Paraguai, a do Riachuelo. Conhecido por seus trabalhos para a rainha Vitória na Inglaterra, De Martino foi contratado pelo império brasileiro, na época, para retratar a disputa com os paraguaios. O MHN possui diversas pinturas de batalhas navais, especialidade do italiano, e fez uma exposição no começo do ano. Foi o que chamou a atenção da Pinacoteca, que tem apenas um trabalho do pintor.

‘Dom Pedro I’, por Manoel de Araújo Porto-Alegre. Imagem: Reprodução / Divulgação.‘Dom Pedro I’, por Manoel de Araújo Porto-Alegre. Imagem: Reprodução / Divulgação.

"Pensei que seria incrível fazer uma exposição sobre ele na Pinacoteca", explica Valéria. "Começamos a conversar sobre uma colaboração e acabamos idealizando essa exposição." Por conta disso, uma das salas da mostra colaborativa é dedicada exclusivamente a De Martino, e junta a obra da Pinacoteca, Praia de Botafogo (1870), aos registros navais do Museu Histórico Nacional.

Pinturas históricas

Segundo Valéria, algumas obras do MHN preenchem uma lacuna no acervo. "A Pina nasce de uma divisão do Museu Paulista. O que era contemporâneo, na época, ficou conosco, e o histórico com eles." Entre as pinturas históricas, principalmente do período imperial, estão obras de Manoel de Araújo Porto-Alegre e João Baptista da Costa.

'Reminiscência do Morro do Castelo’, de João Baptista da Costa. Imagem: Reprodução / Divulgação.'Reminiscência do Morro do Castelo’, de João Baptista da Costa. Imagem: Reprodução / Divulgação.

Em outra sala, obras coloniais e trabalhos que continuam o legado de pinturas religiosas conversam com parte do acervo da Pinacoteca, que aborda a mesma época. Mas o maior destaque está numa mapoteca, que tem desenhos de José dos Reis Carvalho, aluno de Debret, que fez aquarelas de paisagens de seu Estado natal, o Ceará.

"São obras raras e de um artista brasileiro, que fez registros do Ceará, que quase não tem iconografia naquela época", diz Piccoli. Ali, há também o passaporte do pintor viajante alemão Johann Moritz Rugendas. Sua obra aparece também com a pintura imaginativa Descobrimento da América.

A quarta e última sala foi uma ideia de Paulo Knauss e faz uma ponte entre Rio de Janeiro e São Paulo, ao mostrar o desenvolvimento das cidades no início do século 20. Fica ao lado da parte da exposição permanente com obras de Almeida Júnior, que abordam o interior paulista, e de outros artistas que pintam a capital. Para a seção, foram selecionadas obras que registram momentos marcantes da história recente do Rio, como o desmonte do Morro do Castelo, em 1922. "O desmonte está relacionado à origem do Museu Histórico, inaugurado no centenário da independência", explica Knauss.

Obras do italiano Edoardo de Martino, do Museu Historico Nacional do Rio de Janeiro, expostas na Pinacoteca de Sao Paulo.  Foto: Daniel Teixeira / Estadão.Obras do italiano Edoardo de Martino, do Museu Historico Nacional do Rio de Janeiro, expostas na Pinacoteca de Sao Paulo. Foto: Daniel Teixeira / Estadão.

Para todos os núcleos, a escolha das obras foi feita em parceria entre as duas instituições. "Pedimos ajuda, eles têm um conhecimento do acervo que nós não temos", diz Pedro Nery, curador da Pina. "Queríamos mostrar a diversidade do nosso museu e buscar correlações com a Pina", afirma Knauss.

Num período posterior ao incêndio no Museu Nacional, Paulo acredita ser importante valorizar também o trabalho de outras instituições do Rio, como o MHN. "Nós tivemos uma tragédia, mas o País ainda tem museus com um trabalho estabelecido de proteção ao acervo. É importante mostrar que o Rio tem outras coleções históricas importantes."

Na exposição na Pinacoteca, o foco está em itens do Museu Histórico que lá, na sede, não têm tanto destaque, já que o acervo é também documental e mobiliário, armaria e outras peças de colecionismo. Por isso, a Pina optou por encerrar a mostra com um quadro do pátio do MHN. "É um convite", diz Nery.

Serviço

Coleções em Diálogo: Museu Histórico Nacional e Pinacoteca de São Paulo.
Curadoria de Valéria Piccoli e Paulo Knauss.
Abertura: 6 de outubro de 2018, sábado, às 11h.
Visitação: de 6 de outubro a 28 de janeiro de 2019.
De quarta a segunda, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h.
Pinacoteca: Praça da Luz 2, São Paulo, SP.
Ingressos: R$ 6,00 (entrada); R$ 3,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha).
Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento.
Aos sábados, a entrada da Pina é gratuita para todos.
A Pina Estação é gratuita todos os dias.

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Fonte: Pinacoteca.

 



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