Com recorde de produção contemporânea, 14ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano chega a São Paulo - São Paulo São

Em sua 14ª edição, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo começa nesta quarta-feira (24) trazendo 148 filmes de 16 países. Além de um recorte da produção contemporânea da região, são feitas homenagens as cineastas Tata Amaral e Cláudia Priscilla, a atriz Léa Garcia e o ator chileno Patrício Contreras.

Homenagem

A atriz Lea Garcia, homenageada nesta edição do Festival, em cena de "Orfeu Negro" de Marcel Camus (1959). Foto: Divulgação.A atriz Lea Garcia, homenageada nesta edição do Festival, em cena de "Orfeu Negro" de Marcel Camus (1959). Foto: Divulgação."Lea Garcia é uma atriz importante, ligada a questões negras, principalmente. Ela trabalha desde os anos 1950 e, para minha surpresa, não é tanta gente que reconhece o nome dela", explica Francisco Cesar Filho sobre a importância de relembrar o nome da artista.

Serão exibidos cinco filmes com a atuação de Lea. Entre eles está Compasso de Espera, dirigido em 1973 por Antunes Filho, que morreu aos 89 anos em maio deste ano. Também poderão ser vistas produções marcantes como Ganga Zumba (1964), de Caca Diegues, e os mais recentes Filhas do Vento (2005), de Joel Zito Araújo, e Sudoeste (2012), de Eduardo Nunes.

Mostra Contemporânea

Da produção contemporânea, foram selecionados 21 longas-metragens que envolveram nove países para as realizações. Segundo a assistente da curadoria, Vicki Romano, pode ser vista na mostra como as parcerias entre os países da região ganharam força nos últimos anos.

Cenas do filme chileno 'Cuecas Rasgadas' de Arnaldo Valsecchi (2018). Foto: Divulgação.Cenas do filme chileno 'Cuecas Rasgadas' de Arnaldo Valsecchi (2018). Foto: Divulgação."Os países latino-americanos sempre precisavam ter um coprodutor europeu, geralmente. Muitos filmes da Argentina e do Chile eram coproduzidos com a Espanha, com a França e com a Alemanha. Hoje em dia, isso continua, mas também percebemos que exitem coproduções com países latino-americanos", destaca. Esse modelo, segundo Vicki, é fundamental para viabilizar algumas realizações.

'Eu, Impossível' de Patricia Ortega (Colômbia, Venezuela). Foto: Divulgação.'Eu, Impossível' de Patricia Ortega (Colômbia, Venezuela). Foto: Divulgação.

De acordo com ela, sem as parcerias, alguns países, como o Uruguai, não seriam capazes de fazer filmes com relevância. "E o Brasil, apesar da questão idiomática e dos recursos que estão sendo cortados, continua aparecendo como coprodutor para a produção e realização de filmes que estão emergindo na produção cinematográfica".

Responsável por trazer obras ainda não lançadas em terras nacionais e longas brasileiros em première mundial, a Sessão Contemporâneos exibe filmes de países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.

Cena de A Música das Esferas do cubano Marcel Beltrán (2018). Foto: Divulgação.Cena de A Música das Esferas do cubano Marcel Beltrán (2018). Foto: Divulgação.

Dentre estes, destacam-se o chileno Cuecas Rasgadas (Arnaldo Valsecchi), o argentino Eu Menina (Natural Arpajou), o cubano A Música das Esferas (Marcel Beltrán) — estes dois últimos diretores presentes no Festival —, o venezuelano Eu, Impossível (Patricia Ortega), e o uruguaio Pornô Para Iniciantes (Carlos Ameglio).

Diretoras

Fakir, dirigido por Helena Ignez e ainda inédito no Brasil, foi o grande escolhido como filme de abertura, no dia 24 de julho, quarta-feira, às 20h30.

'Fakir' de Helena Ignez. Imagem: Divulgação.'Fakir' de Helena Ignez. Imagem: Divulgação.O destaque, no entanto, é para as produções comandadas por mulheres. "Do total de filmes contemporâneos, temos quase metade dos filmes dirigidos por mulheres", enfatiza Vicki. Nesse recorte está Eu Menina, da argentina Natural Arpajou, um filme intimista que traz reflexões sobre o amadurecimento. Em uma parceria que envolve Brasil e Angola, Júnia Torres e Isabel Casimira dirigem o documentário A Rainha Nzinga Chegou.

O longa conta a história da monarca do reino Ndongo, que enfrentou os portugueses no século 17. A maior presença de diretoras é uma evolução fundamental para o cinema da região, na opinião de Francisco Cesar Filho. "A presença feminina na produção audiovisual engloba uma quantidade crescente de mulheres. Acrescenta, sem dúvida nenhuma, olhares novos, necessários, que o homem sozinho não consegue dar conta", comenta o curador.

Isabel Casimira assina, junto com Junia, a direção do documentário 'A Rainha Nzinga Chegou'. Imagem: Reprodução.Isabel Casimira assina, junto com Junia, a direção do documentário 'A Rainha Nzinga Chegou'. Imagem: Reprodução.

Assim como nesses quinze anos de festival, Francisco Cesar também vê um crescimento robusto da indústria cinematográfica do continente. "Hoje em dia já tem uma produção bem mais grandiosa em quantidade de países latino-americanos do que existia há 15 anos quando era Brasil, Argentina, México e pouca coisa mais", analisa.

Programação

As exibições acontecem de 24 a 31 de julho no Cine Sesc (zona oeste), no Memorial da América Latina (zona oeste), no Cine Olido (centro), no Centro Cultural São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade (centro) e na Sala Umuarama (Campinas).

A programação completa pode ser vista na página do festival.

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Fontes; Agência Brasil e Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.

 



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