Exposição 'Jardins do Tempo' propõe a reconfiguração de cemitérios para transformá-los em jardins botânicos - São Paulo São

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.

Apresentar ao público um projeto que prevê transformar 1,3 milhões de m² da área ocupada por quatro cemitérios da capital paulista em parques abertos para toda a população, com lagos e cultivo de espécies da flora brasileira. Em síntese, esta é a proposta da exposição “Jardins do Tempo”, do artista visual Pazé, que será aberta no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, no dia 17 de agosto.

A mostra, composta por múltiplas linguagens, reúne 110 trabalhos inéditos a partir de desenhos a lápis, croquis, nanquim, aquarelas, plantas e desenhos arquitetônicos, fotografias, além de um vídeo com cerca de 20 minutos duração, com imagens em 3D, em que os visitantes poderão ter uma ideia bem detalhada das propostas do projeto. “Jardins do Tempo” ocupará o subsolo do CCBB SP até o dia 28 de outubro, com entrada gratuita.

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.

Com curadoria de Magnólia Costa, a exposição é o resultado de oito anos de trabalho, após uma densa pesquisa estética realizada por Pazé, que teve como objeto quatro cemitérios paulistanos: Araçá, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Formosa e São Pedro (Vila Alpina), com áreas somadas equivalentes a 120 quadras e superior à do Parque do Ibirapuera. 

Transformação

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.A proposta artística de “Jardins do Tempo” é centrada no fomento ao debate acerca dos usos e funções de espaços públicos. Desta maneira, Pazé demonstra como transformar cemitérios em jardins botânicos, envolvendo baixo investimento financeiro, alto ganho ambiental e nenhum prejuízo da função original. O artista inspirou-se nas características do Jardim Botânico de São Paulo, elegendo determinados elementos, como o lago, que aparece inserido nas quatro propostas.

Cada projeto traz condições semelhantes de implantação com edifícios, construções e jardins organizados em módulos que se repetem e se reorganizam em função das dimensões e qualidades de cada uma das quatro áreas escolhidas.

“A finalidade dos módulos, além de comporem parte do todo proposto, é comparativa. Tanto para as construções como para as árvores e lagos que podem ser implantados”, explica Pazé.

O artista visual ressalta que os projetos propõem duas áreas distintas no mesmo terreno: uma para a implantação do cemitério vertical e jardins; outra, mais ampla, destinada ao parque. Ambas com acessos separados.

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.

 “Os cemitérios verticais, designados como Quadras, acomodariam os sepultamentos em pavimentos ou andares, diminuindo a área necessária para alojá-los. Estas edificações foram projetadas com altura inferior à de uma árvore tropical ou sub-tropical adulta de grande porte, minimizando o impacto visual destas construções no entorno ajardinado”, detalha o artista. 

Já as áreas previstas para os parques seriam centralizadas na ideia do jardim botânico, contendo também espaços e equipamentos de convívio e lazer, com área para alimentação, salas de aula e quadras esportivas, além da adequação do terreno para acessibilidade plena.

Biodiversidade

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.

A estruturação em jardins botânicos propiciaria à população ter contato com a imensa biodiversidade de espécies vegetais brasileiras. “Seriam inseridas espécies de plantas nativas utilizadas na alimentação e na farmacopeia brasileiras. As áreas comportariam bancos de espécies alimentícias e medicinais, apontando também para o potencial das atuais e futuras pesquisas das propriedades curativas e medicinais da flora brasileira”, acrescenta Pazé. 

As imagens da flora previstas no projeto, com espécies arbóreas em extinção, poderão ser apreciadas por meio de aquarelas produzidas pelo artista.

Impacto ambiental

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.

Os lagos, inseridos nestes jardins, se prestariam não só ao paisagismo. “Um sistema de captação de águas das chuvas, que abrangeria toda a área, bem como suas edificações e áreas do entorno, tornariam estes espaços grandes receptáculos de captação de águas pluviais, um sistema capilar em que os lagos funcionariam como reservatórios que alimentariam estações de tratamento para a produção de água potável”, detalha Pazé. Ele acrescenta ainda que “este sistema auxiliaria as áreas do entorno aos projetos em momentos de déficit hídrico”.

Por sua vez, as edificações seriam construídas como edifícios verdes, com suas coberturas providas de placas fotovoltaicas, tornando estes locais também centros de captação de energia renovável. 

Projeto artístico

Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.Imagem: Pazé / CCBB Divulgação.

A curadora da exposição, Magnólia Costa, pondera que os “cemitérios são a expressão cultural primeira e essencial de todos os povos. A palavra ‘cultura’, classificada gramaticalmente como substantivo derivado do particípio passado de “colo”, significa ao mesmo tempo o culto aos antepassados e o campo arado do qual se extraem continuamente víveres que possibilitam a existência de um povo”. 

Ela acrescenta ainda que ‘“Jardins do Tempo’ consiste num projeto artístico enraizado no conceito de cultura. Nele, os cemitérios são abordados a partir de três funções distintas (sepultamento, parque botânico e área de lazer), três formas de expressão (plástica, paisagística e pedagógica) e três dimensões temporais (passado, presente e futuro). O projeto artístico apoia-se, assim, sobre os três alicerces da civilização: ação, produção e memória’”.

Por fim, Pazé completa, enfatizando que “a exposição convida o visitante a conhecer o potencial de uma semente plantada em um lugar onde o contato com a riqueza da vida é um incentivo ao cultivo da paz. No jardim, o ciclo da vida se apresenta em todas as etapas, favorecendo a lembrança do passado e a projeção do futuro. Jardim é lugar de participar da cultura”. 

Comparativo

Abaixo comparativo entre as áreas dos parques propostos na exposição e as áreas públicas verdes em outras cidades.

Vista aérea do Cemitério do Araçá, na região central de São Paulo. Foto: CCBB Divulgação.Vista aérea do Cemitério do Araçá, na região central de São Paulo. Foto: CCBB Divulgação.

Washington Square Park (1871) Nova York 39.500 m².
Jardim Botânico de Lisboa (1878) Lisboa 40.000 m.
Parc Monceau (1779) Paris 82.500 m².
The Buttery Park (1855) Nova York 100.000 m² .
Parque proposto no Araçá  112.700 m².                                              

Oosterpark (1891) Amsterdam 120.000 m².
Parc André Citroen (1992) Paris 140.000 m².
Parc de Diagonal Mar (2002) Barcelona 143.000 m².
Jardim de Luxemburgo (1612) Paris 224.500 m².
St. James Park (1603) Londres 230.000 m².
Parque proposto na Vila Nova Cachoeirinha 247.280 m².
Parque proposto no São Pedro (Vila Alpina) 346.000 m².

VolksPark Friedrichshain (1848) Berlin 520.000 m².
Jd Botânico do Rio de Janeiro (1808) Rio de Janeiro 540.000 m².
Parque proposto em Vila Formosa 600.900 m².

Serviço

Exposição Jardins do Tempo.
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo - Subsolo.
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo.
Próximo à estação São Bento do Metrô.
De: 17 de agosto a 28 de outubro.
Horários: Todos os dias, das 9h às 21h, exceto às terças.
Entrada gratuita.
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652.

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Com informações Sylvio Novelli - Assessoria em Comunicação. Edição: São Paulo São.



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