Mostra em São Paulo lança luz sobre a vida e o legado do jornalista Vladimir Herzog - São Paulo São

 

Fotografias, reportagens e depoimentos recriam a vida de Herzog, hoje considerado personagem icônico da narrativa historiográfica do Brasil e de sua construção democrática. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.Fotografias, reportagens e depoimentos recriam a vida de Herzog, hoje considerado personagem icônico da narrativa historiográfica do Brasil e de sua construção democrática. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.

Jornalista atuante entre as décadas de 1960 e 1970, Vladimir Herzog (1937-1975) viveu movido pela curiosidade, pela atenção crítica às estruturas sociais e pelo amor às artes, em especial o cinema – campo que desponta como seu provável projeto de futuro.

Mas quem era, afinal, Herzog? Qual a sua importância para o jornalismo brasileiro? Qual o sabor dos seus textos? Como era visto por familiares e amigos? O que pensava e escrevia sobre cinema? Como seriam os filmes que nunca chegou a produzir?

Essas perguntas sugerem a reordenação de uma história que ficou conhecida de trás para a frente: a partir da morte precoce, que repercute até hoje como registro da redemocratização política do Brasil.

Nascido em junho de 1937, na Iugoslávia, em Osijek (hoje Croácia), Vladimir – nome que adota ao naturalizar-se brasileiro – foi morto aos 38 anos, em 1975, pela ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.Nascido em junho de 1937, na Iugoslávia, em Osijek (hoje Croácia), Vladimir – nome que adota ao naturalizar-se brasileiro – foi morto aos 38 anos, em 1975, pela ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.

Em 1975, a versão oficial dos militares comunicava o suposto suicídio de Vladimir Herzog nas dependências do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo. A partir de então, família e amigos iniciaram uma luta para provar que o inquérito policial militar (IPM nº 1.173-75) sobre sua morte era forjado. Em 2018, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA) anunciou a condenação internacional do Estado brasileiro pela omissão na apuração do assassinato.

A 46ª edição do programa Ocupação inverte essa narrativa, lançando luz sobre a vida e a produção intelectual de Vlado – nome de nascimento que ele, imigrante iugoslavo, preteriu por um que soasse comum no Brasil. Peças desse quebra-cabeça são reunidas para nos aproximar do jornalista, do editor, do fotógrafo, do desbravador do audiovisual e do amigo.

Vladimir Herzog e Fernando Pacheco Jordão, na BBC de Londres, em 1966. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.Vladimir Herzog e Fernando Pacheco Jordão, na BBC de Londres, em 1966. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.

A mostra, que tem curadoria do Itaú Cultural e do Instituto Vladimir Herzog, estabelece um percurso em que o pai de família amoroso, o jornalista dedicado e o aspirante a cineasta aparece em fotos, filmes, cartas, reportagens, depoimentos e elementos audiovisuais. O Caso Herzog, como ficou conhecido o episódio de sua morte nos porões da ditadura , também ganha destaque a partir da exposição de documentos como as suas duas certidões de óbito: uma que traz “suicídio” como causa da morte e outra, emitida anos mais tarde, com “sufocamento por asfixia mecânica” como razão do óbito.

Fuga do antissemitismo

Ivo Herzog sobre o pai, Vladimir Herzog: 'Ele era uma pessoa, um pai de família, também tinha suas imperfeições'. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.Ivo Herzog sobre o pai, Vladimir Herzog: 'Ele era uma pessoa, um pai de família, também tinha suas imperfeições'. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.

Nascido em 27 de junho de 1937, em Osijek, na Iugoslávia (atual Croácia), Vlado (nome de batismo, adaptado depois para Vladimir) Herzog chegou a São Paulo com a sua família aos 10 anos para escapar do antissemitismo na Europa. Ele se naturalizou brasileiro, formou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), tornou-se jornalista, editor, professor e se casou com Clarice, com quem teve os filhos Ivo e André.

Apaixonado pelo cinema, Herzog tinha em seu currículo o documentário “Marimbás” (1960), feito como trabalho de conclusão de um curso, e se preparava para seu primeiro grande projeto, outro filme, sobre Canudos e Antônio Conselheiro. A mostra exibe os roteiros dos dois trabalhos.

Colaborador da Cinemateca Brasileira, o jornalista teve papel importante no evento Caravanas Farkas, série de documentários de curta e média-metragem com teor humanista, idealizada e coordenada pelo fotógrafo Thomaz Farkas, nos anos 1960. E, quando foi morto, em 1975, Herzog trabalhava na pesquisa e elaboração do roteiro de um filme sobre Antônio Conselheiro e o conflito de Canudos, na Bahia.

Herzog tinha em seu currículo o documentário “Marimbás” (1960), feito como trabalho de conclusão de um curso. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.Herzog tinha em seu currículo o documentário “Marimbás” (1960), feito como trabalho de conclusão de um curso. Foto: Acervo Instituto Vladimir Herzog/Divulgação.

— Clarice, viúva do Vlado, disse que o marido estava pronto para ser cineasta quando morreu — diz Claudiney Ferreira, gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura do Itaú Cultural. — Naquele momento, além de um novo projeto jornalístico para a TV Cultura, ele trabalhava na pesquisa e elaboração do roteiro do novo filme.

Em parceria com o Instituto Vladimir Herzog, a mostra oferece ainda uma publicação impressa – dedicada exclusivamente à relação entre Vlado e a sétima arte.

Serviço

Ocupação Vladimir Herzog
Itaú Cultural.
Endereço: Avenida Paulista 149 (estação Brigadeiro do metrô).
Visitação: até domingo, 20 de outubro de 2019.
Terça a sexta, 9h às 20h (permanência até as 20h30).
Sábado, domingo e feriado das 11h às 20h.
Piso -2.
Entrada gratuita.
Livre para todos os públicos - exceto a seção Caso Herzog, indicada para maiores de 12 anos.

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Da Redação com informações do Itaú Cultural.



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