Ocupação Alceu Valença mergulha na dimensão temporal do cantor e múltiplo artista - São Paulo São

Alceu Valença é tantos em um: poeta da madrugada, diretor de cinema, regente do Carnaval e conhecedor de sussurros de anjos e sinos de catedrais. Foto: Antônio Melcop.Alceu Valença é tantos em um: poeta da madrugada, diretor de cinema, regente do Carnaval e conhecedor de sussurros de anjos e sinos de catedrais. Foto: Antônio Melcop.

O ano se encerra no Itaú Cultural embalado pelo universo de Alceu Valença – dos versos às rimas, do baião ao frevo, do circo ao cinema, perpassando toda a sua vida e obra.

A 48ª mostra da série Ocupação Itaú Cultural, que se desdobra em programação em diálogo com o tema e um hotsite do instituto, encerra 2019 dedicada ao múltiplo artista, cantor, compositor, instrumentista e advogado brasileiro, natural de São Bento do Una, agreste de Pernambuco. A exposição tem ferramentas de acessibilidade e tecnológicas e percorre o seu imenso acervo, permitindo um passeio por todos os seus mundos. 

Há ferramentas de acessibilidade e conteúdos digitais, entre QR Codes e uma experiência imersiva em realidade virtual em 360 graus narrada pelo próprio músico (veja mais abaixo). Ainda, no site itaucultural.org.br/ocupacao, o público encontra materiais inéditos, em textos e vídeos, desta e das demais ocupações.

Alceu e sua mãe em 1947. Foto: acervo familiar.Alceu e sua mãe em 1947. Foto: acervo familiar.

A pesquisa teve início no acervo da mãe do músico, Adelma Valença, morta em outubro de 2018 aos 104 anos. Ela foi um forte estímulo na carreira musical do filho. Foi quem lhe deu, por exemplo, o seu primeiro violão, a contragosto do marido que queria ver o filho diplomado doutor em direito. Quando a sua carreira começou a acontecer e depois deslanchou, ela passou a guardar tudo o que dizia respeito ao seu menino. São muitos os mundos que ele percorreu nestas cinco décadas de carreira, aos quais o público tem acesso na Ocupação dividida em seis eixos.

Entrada da Fazenda Rachão, onde nasceu Alceu, no agreste nordestino. Foto: André Seiti.Entrada da Fazenda Rachão, onde nasceu Alceu, no agreste nordestino. Foto: André Seiti.

Nascido na Fazenda Riachão, em São Bento do Una, no agreste pernambucano, o pequeno foi cravado pela cultura de sua terra natal – a feira da cidade, o circo, o cinema, a vaquejada, os aboiadores e violeiros. Suas primeiras influências vieram dos cantadores de feira, de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês. Eles são a base de sua personalidade musical. Valença subiu pela primeira vez ao palco aos seis anos para concorrer em um concurso de talentos mirins de sua cidade. Ficou em segundo lugar com a música Meu bem, de Capiba. Aos 26, em 1972, disparou na carreira com o disco de estreia gravado em parceria com Geraldo Azevedo. Até hoje gravou 31 deles.

Alceu jovem em seu quarto na fazenda Riachão. Foto: acervo familiar.Alceu jovem em seu quarto na fazenda Riachão. Foto: acervo familiar.

Alceu Valença chegou a cursar a Universidade Federal de Pernambuco e se formou advogado. Foi para Harvard, selecionado pela Associação Universitária Internacional graças à resposta que escreveu para “estabeleça a relação entre Cristianismo e Marxismo” – ela está estampada em um dos eixos da Ocupação.

O mundo deste pernambucano é como um caleidoscópio, onde, além da música cabem o cinema, o circo, a literatura, poesia, dramaturgia. Os seis eixos da Ocupação Alceu Valença pontuam todos eles, ao redor de uma representação do agreste no centro do espaço expositivo.

Alceu Valença no carnaval em Olinda em 2010. Foto: Antônio Melcop.Alceu Valença no carnaval em Olinda em 2010. Foto: Antônio Melcop.

Na Ocupação, o público é recebido em uma antessala onde se lê seu poema O Tempo, exposto também em braile. Na sequência, se entra em um espaço com baixa luminosidade, pontuado de estrelas, em uma referência à luneta de seu filme A luneta do tempo (2014) e à constelação da família. Em seguida, tem a projeção de A Noite do Espantalho, filme de Sérgio Ricardo onde ele fez papel principal e representou o Brasil no Oscar para o melhor filme estrangeiro, em 1975.

O segundo eixo percorre a sua obra, parcerias e estrada, em uma espécie de psicodelia. O terceiro segue por Olinda. Ouve-se o mar e se vê Alceu Valença fazer breves aparições na janela. Também tem audiovisuais, como um super 8 gravado por ele mesmo, uma obra imersiva em 360 graus, sobre a cidade, e a gravação de um trecho de show que o cantor fez em Pernambuco, quando percebeu a presença de Dom Helder Câmara na plateia, e lhe fez uma homenagem.

No set do filme "Luneta do Tempo" de 2014. Foto: Antônio Melcop.No set do filme "Luneta do Tempo" de 2014. Foto: Antônio Melcop.

Uma porta, na sequência, dá acesso ao eixo 4, o coração da mostra e representante do agreste. Tem paredes de barro, uma árvore feita de corda de sisal no centro, uma projeção de São Bento do Una atualmente, imagens de A Luneta do Tempo, referências circenses e um audiovisual em que o cantor pede chuva para o universo.

A passagem para o quinto eixo é feita entre uma lona de circo, lembrando que Valença queria trabalhar no picadeiro. A partir dali o público repassa toda a discografia do pernambucano e acessa a uma playlist criada pelo instituto com suas músicas para ouvir no Spotify. A saída pelo eixo 6 não poderia ser outra: referências ao Carnaval com uma paisagem sonora do HD pessoal do cantor construída por sons carnavalescos. Neste eixo também tem uma vitrola com 18 discos disponíveis para o público ouvir.

Serviço

Ocupação Alceu Valença
Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149.
Estação Brigadeiro do Metrô.
Telefone: 11. 2168-1777.
Visitação: de 14 de dezembro de 2019 a 2 de fevereiro de 2020.
De terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h (permanência até 20h30).
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h.
Piso térreo.
Classificação etária: livre.
Acesso para pessoas com deficiência.

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Com informações do Itaú Cultural.

 



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