Ocupação mostra a trajetória de Rino Levi, um dos pioneiros da arquitetura moderna em São Paulo - São Paulo São

Rino Levi foi o primeiro brasileiro a fundar um escritório focado no campo arquitetônico.Foto: Acervo familiar.Rino Levi foi o primeiro brasileiro a fundar um escritório focado no campo arquitetônico.Foto: Acervo familiar.

Em 1926, quando o brasileiro, filho de italianos, Rino Levi (1901-1965) chegou em São Paulo, depois de estudar na Escola Superior de Arquitetura de Roma, a cidade crescia atabalhoadamente. Coube a este arquiteto e urbanista harmonizar e integrar arquitetura, artes e natureza e atuar diretamente na metropolização paulistana. Tem a sua marca, a verticalização do centro com atividades de serviço, comércio, lazer e cultura e a expansão horizontal formatada por bairros residenciais. Devem-se a ele, ainda, a diversificação e a especialização das atividades econômicas e profissionais em torno da arquitetura. A sua trajetória, em suma, se confunde com a história e a cultura da cidade que ajudou a construir. Este percurso pode ser conferido na Ocupação Rino Levi, no Itaú Cultural, de 29 de fevereiro a 12 de abril.

A 49ª exposição da série Ocupação tem concepção e realização do próprio instituto, que divide a curadoria com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP). Esta mostra integra a série de ações do Itaú Cultural voltadas para figuras fundamentais da arquitetura brasileira, que já contou com outras de Gregori Warchavchik, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas, Flávio Império, Oscar Niemeyer e Sergio Rodrigues.

A Ocupação

Projeto Cine Palácio Ufa. Imagem: Acervo FAU / USP. Projeto Cine Palácio Ufa. Imagem: Acervo FAU / USP.

Entre croquis, maquetes, recortes de jornais, fotografias, vídeos inéditos e projetos desenhados por ele, mas nunca construídos, a exposição traça um amplo panorama do trajeto de Levi. Só para citar algumas obras dele que nunca saíram do papel, tem a do Viaduto do Chá – imaginado totalmente diferente do que os transeuntes do centro da cidade se acostumaram a ver. Também vale citar uma maquete do que seria Brasília, hoje, caso o arquiteto não tivesse perdido para Oscar Niemeyer no concurso de 1957, quando se elegeu o plano urbano da então futura capital do país. 

Situada no Piso Térreo, a Ocupação Rino Levi se desdobra em cinco eixos.

Fachada do Cine Palácio Ufa. Foto: Acervo FAU / USP.Fachada do Cine Palácio Ufa. Foto: Acervo FAU / USP.

No primeiro, ele é apresentado com todas as suas credenciais: um arquiteto e urbanista que se destacou pela variedade e qualidade de projetos que marcam a paisagem urbana de São Paulo. 

No eixo Morar Moderno, encontram-se os projetos de Levi em diferentes escalas, privilegiando a flexibilidade dos espaços e a integração entre arte, design e paisagismo. 

Metrópole Vertical, mais um núcleo da mostra, mergulha nas experimentações do arquiteto homenageado com novas disposições nas plantas dos apartamentos e escritórios, assim como a abertura das janelas e dos balcões para a paisagem urbana.

Interior do Cine Palácio Ufa. Foto: Acervo FAU / USP.Interior do Cine Palácio Ufa. Foto: Acervo FAU / USP.

Na sequência, Cidade Nova apresenta ao público a arquitetura de Levi integrada ao urbanismo, transportando para os projetos o conceito de alma brasileira, em que vegetação e belezas naturais garantiriam vivacidade e cores únicas no mundo.

Por fim, em Metrópole Cultural encontram-se seus projetos – realizados ou não – voltados para novos modos de lazer de massa. Entre eles, o Teatro Cultura Artística, que se destaca na paisagem pelo gigantesco painel de Di Cavalcanti em sua fachada. 

Rino Levi

Rino Levi, tornou a arquitetura e o urbanismo disciplinas indissociáveis. Ele foi também professor e representante de classe profissional, Foto: Gregori Warchavchik.Foto: Gregori Warchavchik.construindo uma ampla rede de relações no Brasil e no exterior. Em seu escritório, um dos primeiros a serem construídos no país com esse fim, além do contato com clientes, colaboradores, fornecedores e editores de revistas, passaram dezenas de estagiários que difundiram seu modo de trabalhar e sua arquitetura.

Na FAU/USP, onde foi professor de 1957 a 1960, participou da reestruturação do curso, criou importantes parcerias de trabalho e conviveu com centenas de alunos, cujos trabalhos buscou divulgar. No Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo (IAB/SP), como sócio e presidente (1954-1955), estabeleceu contatos com os principais profissionais de seu ramo em todo o mundo e participou ativamente de órgãos de classe internacionais comprometidos com o fomento e a difusão da profissão, como a União internacional de Arquitetos (UIA).

Esta rede de relações que ele teceu ao longo de sua vida – interrompida precocemente aos 63 anos, quando acompanhava Burle Marx, seu amigo e colaborador nos projetos paisagísticos, em uma expedição botânica no interior da Bahia –, também se encontra na exposição em sua homenagem.

Seminário e livro

Em sinergia com a Ocupação Rino Levi, o Itaú Cultural realiza nos dias 2 e 3 de março (segunda-feira e terça-feira), o seminário Móvel, Casa e Cidade: Arquitetura e Modernização, em parceria com a FAU-USP. No primeiro dia, das 19h às 22h, é realizado no instituto o lançamento, pela Romano Guerra Editora, de Rino Levi, Arquitetura e Cidade. Trata-se da segunda edição do livro monográfico sobre Levi e primeira publicação da editora. Lançado originalmente em 2001 e esgotado há mais de 10 anos, a obra retorna com apoio da coletividade, que viabilizou a nova publicação via patrocínio coletivo. Neste dia, às 19h, é realizada uma mesa redonda formada pelos professores e arquitetos Renato Anelli, Abilio Guerra, Nelson Kon, Barbara Levi, Antonio Carlos Sant’Anna e Paulo Bruna.

Centro Cívico Santo André. Foto: Nelson Kon.Centro Cívico Santo André. Foto: Nelson Kon.

Filmes e ações educativas

Em diálogo com esta Ocupação, o Itaú Cultural produziu uma publicação e um hotsite e preparou uma mostra online de filmes clássicos que retratam a cidade naquele tempo. Os longas-metragens subirão no site do instituto (www.itaucultural.org.br), de 2 a 12 de abril. São os seguintes: São Paulo, Sinfonia da Metrópole, de Adalberto Kemeny e Rodolfo Lustig (1929), São Paulo, Sociedade Anônima, de Luís Sérgio Person (1965), Os cinemas estão fechando, de Abrão Berman, (1980) e Quando as luzes das marquises se apagam, de Renato Brandão (2018).

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Com informações Conteúdo Comunicação.



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