Festival AVXLab vai mostrar e discutir as novas experiências da arte audiovisual contemporânea - São Paulo São

Programação gratuita reúne tecnologia, performances, sons e artes visuais para ressignificar as noções de espaço e lugar; festival acontece de 23 a 30 de abril. "Onde você ancora seus silêncios" de Charlene Bicalho. Foto: Divulgação / AVXLab..Programação gratuita reúne tecnologia, performances, sons e artes visuais para ressignificar as noções de espaço e lugar; festival acontece de 23 a 30 de abril. "Onde você ancora seus silêncios" de Charlene Bicalho. Foto: Divulgação / AVXLab..

Com foco na produção da arte audiovisual contemporânea, o Festival AVXLab 2021 apresenta um conjunto de shows, performances e exposições de arte, acompanhado de debates e seminários, que aprofundam o pensamento em torno dos formatos alternativos de cinema. Com programação gratuita, o evento ocorre em modo online de 23 a 30 de abril.

Desde 2016, o AVXLab fomenta a pesquisa e a experimentação do cinema expandido, apresentando novas vivências, formas e sensações ao público a partir de expressões de arte que se utilizam de recursos audiovisuais e da tecnologia para criação de experiências e ambientes de características múltiplas de interatividade e “imersividade” e/ou formatos híbridos que vão muito além da tela de cinema ou TV. Ao longo das dificuldades da pandemia, o AVXLab se firmou como uma referência sobre a reflexão da produção audiovisual nas redes, organizando encontros, performances e debates.

É a partir das experimentações realizadas durante o isolamento que nasce o tema desta edição: lugar in>comum, questionando o que é o lugar de encontro a partir do momento em que nossa sociabilidade torna-se cada vez mais mediada por dispositivos. O desafio envolvido neste tema é redesenhar as noções de “comum” e “comunidade” para que caibam na atual realidade das relações, dos espaços e presenças.

Performance da obra “://backup Cápsula do Tempo” da pesquisadora Denise Agassi. Foto: Divulgação / AVXLab.Performance da obra “://backup Cápsula do Tempo” da pesquisadora Denise Agassi. Foto: Divulgação / AVXLab.

Com curadoria do pesquisador e gestor cultural Demétrio Portugal e do artista e pesquisador em novas mídias Lucas Bambozzi, a programação do festival aborda novas fronteiras da construção narrativa, das experiências imersivas e do diálogo da arte com o audiovisual contemporâneo. O evento considera que as expansões do audiovisual em outros formatos e telas, tornam-se cada vez mais relevantes num período de isolamento,  num momento em que grande parte da produção cultural se depara com uma demanda de adaptação, com novas tecnologias tornando-se parte da vida comum. Nesse sentido, o AVXLab 2021 entra como parte de uma discussão importante para novas descobertas dentro das técnicas audiovisuais, criando novos espaços e possibilidades de interação.

Durante cinco dias (programação de abertura na sexta, 23/4; terça, quarta, quinta e programação de encerramento na sexta, 30/4) o AVXLab apresenta ao público uma programação estruturada em quatro eixos curatoriais -- performances, seminário, exposição e entrevistas --, que se entrelaçam numa programação diversificada que abarca apresentações audiovisuais, intervenção urbana, ação na web e jam ao vivo.

Performances

"Craca Solta o Verbo". Foto: Divulgação / AVXLab."Craca Solta o Verbo". Foto: Divulgação / AVXLab.Dentro da programação de abertura do festival na sexta, dia 23/04, as artistas Bianca Turner e Sandra-X organizam o projeto “Afluências”, inspirado pelas águas e rios subterrâneos, com apresentação da performance ao vivo “Aquífera” e participação de outras três artistas - Anahí Asa, Charlene Bicalho e Marion Hesser.

Na quarta, dia 28, o artista Dudu Tsuda usa oito mochilas em uma intervenção sonora, que remete à recuperação do Japão pela ligação com a natureza após dez anos do grande terremoto do leste, que ocasionou a catástrofe nuclear de Fukushima. No dia seguinte, quinta-feira, 29, a performance do artista Felipe Julián, Craca, reflete sobre a dualidade espaço físico x espaço virtualizado. Finalizando a programação deste eixo curatorial, uma jam envolvendo artistas como os Coletivo Coletores (projeções), o grupo Embolex (live AV) e outros convidados apresentam intervenções simultâneas em vários espaços da cidade, no dia 30/04, às 20h. Os locais serão conhecidos pelo público apenas no momento da apresentação, que poderá ser conferida de maneira híbrida: presencial e virtualmente.

Seminário

Projeto Afluências das artistas Bianca Turner e Sandra-X. Foto: Divulgação / AVXLab.Projeto Afluências das artistas Bianca Turner e Sandra-X. Foto: Divulgação / AVXLab.

Aguçada pelo contexto de pandemia, a reflexão sobre o conceito de lugar e a vivência de espaços comunitários permeia os três debates que integram o seminário do festival, na terça (27), quarta (28) e quinta, sempre das 15h às 18h. 

Lugar de fluxo é tema do primeiro encontro, em que os participantes contam com a mediação de Demétrio Portugal, no pensar sobre as experiências audiovisuais em ambientes de telepresença, os fluxos de sinal mediados pelas redes, os paradigmas do 5G, e também refletem sobre os efeitos colaterais, como os excessos do online, as informações que escapam do controle, os dados que vazam, as informações que se dispersam. A rede como lugar do “estar junto”, a Net arte, o cinema online, a vida em rede, o tempo nas telas, a exaustão, os fins do sono, são assuntos que serão explorados no encontro Lugar Inventado com mediação da pesquisadora Christine Mello. 

Coordenada por Lucas Bambozzi, a última mesa debate o Lugar Contingenciado, sobre o lugar tornado espaço desabitado, que considera a realidade de uso do espaço físico diante de novas restrições de convívio social, e paralelamente a necessidade de manter estes espaços vivos e ativos.  Neste encontro serão abordadas as ações da Ocupa 9 de Julho durante a pandemia, bem como ações na Cidade Tiradentes feitas pelo coletivo Ali Leste.

Exposição

"O que se passa" de Anahí Asa. Foto: Divulgação / AVXLab."O que se passa" de Anahí Asa. Foto: Divulgação / AVXLab.

Quarto e último eixo, as entrevistas do AVXLab 2021 são transmitidas sempre no mesmo horário (terça, quarta, quinta e sexta, às 20h)  buscam tratar de imagens e de projeções de futuro reais ou imaginadas. Um dos temas abordados é o “Corpo tecnológico”, em uma conversa com a artista Malka que aponta o corpo transvestigenere como disparador de uma mutação na imagem que temos da sociedade e que, com ajuda da tecnologia, coloca a orientação da estrutura do corpo nas mãos de quem o habita, em confronto com convenções da sociedade, do estado e do modelo econômico hegemônico. 

A imagem sideral, o  afrofuturismo e peri-futurismo também serão temas debatidos, a partir de uma entrevista o DJ e ator-MC Eugênio Lima, buscando vislumbres de futuro com visões e valores diferentes dos dominantes, numa perspectiva potencialmente transformadora. O último tema das entrevistas, “A imagem da natureza/ natureza da imagem” enfoca a visão dos povos originários e questiona a dicotomia existente entre “homem” e natureza, o que guiou a humanidade ao antropoceno (era dos humanos) e desestabilizou os ecossistemas, o que pode nos ajudar a pensar sobre a extensão e gravidade da pandemia.

Serviço

Festival AVXLab 2021
De 23 a 30 de abril; programação completa disponível no site: http://avxlab.org 
Classificação indicativa: Livre.
Grátis.

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Com informações da Agência Lema.



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