Mostra 'Geraldo de Barros – imaginário, construção e memória' revela as mil e uma fases da obra do múltiplo artista - São Paulo São

 A exposição percorre a sua carreira, entre as décadas de 1940 e 1990, e assinala os contextos e influências nos quais ela se desenvolveu na gravura, fotografia, pintura concretista e pop, mobiliário e arte gráfica. Foto: ICI / Divulgação. A exposição percorre a sua carreira, entre as décadas de 1940 e 1990, e assinala os contextos e influências nos quais ela se desenvolveu na gravura, fotografia, pintura concretista e pop, mobiliário e arte gráfica. Foto: ICI / Divulgação.

De 11 de agosto (quarta-feira) a 7 de novembro, o Itaú Cultural expõe mais de 400 itens da obra e vida do artista que dá nome à exposição Geraldo de Barros – imaginário, construção e memória. É a primeira vez que uma mostra apresenta o conjunto de sua obra, sem recortes específicos. Do fabuloso à abstração formal, passando por métodos e princípios construtivos entre analogias e cruzamentos de fases e técnicas, ela acompanha a criação e produção do artista em cinco décadas de trabalho. Uma linha temporal desvenda o processo criativo e coerente de uma vida de trabalho, cruzando as obras e materiais do ateliê com o arquivo pessoal do artista, entre fotos de família, cartas, citações e objetos.

A curadoria compartilhada de Lorenzo Mammi e Michel Favre é complementar, mas separa-se nos diferentes andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. Para eles, no conjunto, Geraldo de Barros – imaginário, construção e memória, permite ao visitante fazer uma leitura imersiva sobre a vida e obra deste artista, possibilitando compreender a coerência entre todas as fases em que atuou:  gravura, fotografia, pintura concretista e pop, mobiliário, arte gráfica.  

Rico material de arquivo permeia a mostra e oferece ampla visão da atuação do artista. Foto: ICI / Divulgação.Rico material de arquivo permeia a mostra e oferece ampla visão da atuação do artista. Foto: ICI / Divulgação.Os mais de 400 itens apresentados nesta mostra, a tornam a mais extensa sobre ele já exibida. Eles vão de obras em suportes variados e móveis a dezenas de documentos e material inédito de seu arquivo pessoal. Traz, ainda, quadros pouco vistos como Arizona – arte pop de mais de quase três metros por um e meio, feito em esmalte sobre offset a cores e papel colado sobre aglomerado, de 1975 – e Minister II, em esmalte e colagem sobre aglomerado, produzida no mesmo ano. Eles estão entre os trabalhos que o artista costumava oferecer de presente, bastando o interlocutor dizer que gostou, e dos quais se perdeu o rastro de muitos.

“Esta é uma exposição em que tentamos juntar a coerência das várias fases de Geraldo e mostrar como tem vida própria”, conta Mammi. “Vai das primeiras gravuras inspiradas em Paul Klee, as fotografias, as obras concretas e pop até as Sobras. Fios condutores vão mostrando que ele é mais complexo do que apenas um artista concreto ou um fotógrafo. Ele é completo, tem uma visão ampla e original”, conclui.

Geraldo de Barros transitou com naturalidade e originalidade entre fotos, quadros, cartazes, mesas e cadeiras e criou uma obra diversa e coerente. Imagem: Acervo Pessoal.Geraldo de Barros transitou com naturalidade e originalidade entre fotos, quadros, cartazes, mesas e cadeiras e criou uma obra diversa e coerente. Imagem: Acervo Pessoal.

Os mais de 400 itens apresentados nesta mostra, a tornam a mais extensa sobre ele já exibida. Imagem: ICI / Divulgação.Os mais de 400 itens apresentados nesta mostra, a tornam a mais extensa sobre ele já exibida. Imagem: ICI / Divulgação.

“A obra de Geraldo de Barros tem um vocabulário em que percebemos que com poucas letras, ele consegue contar muitas histórias”, observa Favre, que além de curador da mostra, cuida do rico arquivo do sogro, conservado em Genebra, na Suíça, ao lado da artista Fabiana de Barros, filha de Geraldo e sua mulher.

Nascido em Chavantes, no interior de São Paulo em 1923, muito jovem Geraldo de Barros mudou-se com a família para a capital, onde morreria em 1998. Começou a trabalhar aos 14 anos para sustentar os seus estudos e rapidamente seu faro se apurou para a pintura. A partir de 1945, passou a estudar desenho com Clóvis Graciano (1907-1988), Colette Pujol (1913-1999) e  Yoshiya Takaoka (1909-1978). Nunca mais parou. Geraldo tornou-se fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Criou coletivos, como o Grupo Rex e Ruptura. Expoente da fotografia experimental, integrou o Foto Clube Bandeirantes (FCCB), principal núcleo da fotografia moderna brasileira. A sua trajetória perpassa várias formas de expressão visual e reivindica o papel social da arte.

Os itens expostos vão de obras em suportes variados e móveis a dezenas de documentos e material inédito de seu arquivo pessoal. Imagem: ICI / Divulgação.Os itens expostos vão de obras em suportes variados e móveis a dezenas de documentos e material inédito de seu arquivo pessoal. Imagem: ICI / Divulgação.Ainda, pode se ver imagens do artista, pertencentes ao acervo do Itaú Cultural e presentes na mostra on-line do Google Arts & Culture Fotografia Modernista Brasileira, realizada com um recorte desta coleção da instituição.

‍Serviço

Geraldo de Barros – Imaginário, construção e memória

De 11 de agosto a 7 de novembro
Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô.
Funcionamento: terças-feiras a domingo, das 12h às 18h, mediante agendamento via Sympla pelo link sympla.com.br/agendamentoic 
Abertura de agenda: todas as segundas-feiras, a partir das 9h, seguindo por toda a semana, com o agendamento sujeito à lotação dos grupos.
Caso o visitante queira ver uma segunda mostra no mesmo dia, deve verificar a possibilidade de novo agendamento.
Permanência do público: 50 minutos em cada exposição.
Ingressos: gratuitos
Informações: pelo telefone 11. 2168.1777. 

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Com informações do Itaú Cultural.





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