‘Dekmantel‘: o festival underground holandês chega a São Paulo

O line-up – ponto forte do Dekmantel aqui e lá fora – não deixa de lado a intensa movimentação eletrônica que vem acontecendo nos últimos anos em São Paulo, contando com artistas locais, como a dupla Selvagem, Marcio Vermelho (ODD), Cashu (Mamba Negra) e, claro, a crew do coletivo paulistano Gop Tun, que organiza a edição brasileira do evento.

Os ingressos para cada dia custam R$ 225 (para estudantes, idosos, professores da rede pública e quem doar um livro na entrada do evento). Para as festas à noite, que ocorrem na Fabriketa, os ingressos saem por R$ 90. O festival começa às 13h, nos dois dias.

A parceria entre a Gop Tun e o Dekmantel começou efetivamente em janeiro do ano passado, em um show case organizado em SP. “Eles amaram a festa e um mês depois já surgiram com a ideia de fazer uma edição do Dekmantel aqui”, diz Vitor Kurc, um dos DJs da Gop Tun. “Vieram a São Paulo checar algumas opções de locações e, na primeira visita ao Jockey, eles se encantaram com a arquitetura e o visual do lugar. Desde o início, a proposta era usar as construções do Jockey como cenografia elementar do festival e, como o público é bem menor que o desses grandes festivais que rolam por lá, não sentimos necessidade de grandes estruturas até para não interferir no charme do lugar”, explica. O festival deve receber cerca de 6 mil pessoas por dia.

Há muitas diferenças entre o Dekmantel Festival e outros eventos como o Lollapalooza e o Tomorrowland. A primeira é a escala do público (dez vezes menor no Dekmantel). A outra é o relacionamento mais ambicioso com a música underground, que norteia as ações do Dekmantel ao lado da ambientação característica. Esta é a primeira investida em grande escala do selo fora da Holanda.

É o mesmo que comparar uma grande rede de lanchonetes com uma hamburgueria que tem uma filial”, explica Kruc. “O Dekmantel é um evento de nicho. Quando você pensa no tipo de música que ele procura promover, é um festival de conhecedores para conhecedores que acaba divulgando a um público mais amplo uma gama enorme de novos artistas e ainda consegue desafiar seus seguidores mais fiéis.”

“O Brasil é um país completamente diferente de qualquer outro lugar em que sediamos eventos”, explica o time do Dekmantel ao Estado em um e-mail assinado por Melisa Cenik, “mas acreditamos que temos o equilíbrio, as pessoas e o timing para fazer acontecer por aqui.”

Techno. Gêneros da eletrônica são só o ponto de partida. Foto: Bart Heemskerk.

“Sempre fomos confiantes quanto ao público, já que é um line-up de sonhos para qualquer amante da música contemporânea”, diz Vitor Kruc – mesmo assim, muitos artistas são desconhecidos de grande parte do público brasileiro. Um dos headliners é o produtor norte-americano Nicolas Jaar – que em 2016 lançou Sirens, seu disco mais ambicioso até aqui, consagrado por diversas publicações, como a Pitchfork: um manifesto político enevoado por batidas eletrônicas que misturam tudo do jazz ao pós-punk. Jaar, de 27 anos, tem ascendência chilena: sua família saiu do país sul-americano quando Pinochet deu o golpe de Estado em 1973.

O time do Dekmantel ainda faz três outras recomendações: o veterano Jeff Mills (“o mago do techno Mills é sempre uma boa ideia”), o DJ Nobu (“um dos melhores artistas que o Japão nos ofereceu ultimamente” e o grupo brasileiro Azymuth, um da dezena de artistas nacionais escalados para tocar no festival.

Fundada em 2012 a partir de um grupo de discussão no Facebook, a Gop Tun organiza festas e também lança artistas pelo selo de mesmo nome. O grupo faz parte da cena paulistana atual, “coesa e bem diversa, congregando um monte de produtores, promoters, DJs, músicos e um público aberto as suas propostas”, nas palavras de Kurc. “Sem grandes pretensões, a música sempre foi o principal combustível para as coisas acontecerem até aqui.”

Serviço

Festival Dekmantel
– Jockey Club.
Av. Lineu de Paula Machado, 1.263; 2161-8300.
R$ 225,00 a R$ 450,00. Sáb. (4) e dom. (5), 12h.
– Fabriketa.
Rua do Bucolismo, 81. R$ 90,00. Sáb. (4) e dom. (5), 23h.

***
Por Guilherme Sobota no Estadão.

 

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