Dia da Consciência Negra: uma data para reflexão em mais de 1.000 cidades brasileiras

Em 2003, no dia 9 de Janeiro, a lei 10.639 incluiu o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar. A mesma lei torna obrigatório o ensino sobre diversas áreas da História e cultura Afro-Brasileira. São abordados temas como a luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, o negro na sociedade nacional, inserção do negro no mercado de trabalho, discriminação, identificação de etnias, entre outras coisas mais.

Imagem: Reprodução.

Em inglês, a tradução literal de Dia da Consciência Negra seria “Black Awareness Day”. No entanto, nos Estados Unidos e Canadá existe o “Black History Month” (Mês da História Negra), que é celebrado todos os anos em Fevereiro. Em 2011, a presidente Dilma Roussef sancionou a lei 12.519/2011, que criou a data, mas que não obriga que ela seja feriado. Isso significa que ser feriado ou não vai variar de cidade para cidade. O Dia da Consciência Negra é um feriado em mais de 1.000 cidades brasileiras, entre elas, São Paulo capital.

A história do Brasil e do mundo é cheia de exemplos de pessoas que fizeram a diferença e que contribuíram para um mundo mais igualitário. Elas deixaram sua marca na política, no ativismo, na música, no esporte, no cinema e na literatura. Entre elas está Nelson Mandela (1918-2013) um dos mais conhecidos representantes do Continente Africano, que foi um líder político e presidente da África do Sul entre 1994 e 1999.

Nelson Mandela em visita à Universidade de Brasília em 1991. Foto: Arquivo/Universidade.

Sendo reconhecido no calendário oficial de mais de mil municípios brasileiros, entre eles o da cidade de São Paulo, o Dia da Consciência Negra se tornou um momento para discutir a condição dos negros na sociedade atual e promoção da igualdade social. Conheça alguns exemplos notáveis, em nossa cidade, voltados para a causa igualitária e conscientização da sociedade.

1) Visite o Museu Afro Brasil

Museu Afro Brasil, que desde 2004 ocupa o Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega do Parque Ibirapuera, reúne mais de seis mil obras artísticas – esculturas, fotografias, gravuras e peças etnológicas – produzidas por artistas brasileiros e estrangeiros do século XVIII até hoje e que ajudam a contar a influência da história cultural dos negros, africanos e afro-brasileiros, a partir de temas como arte, escravidão e religião, entre outros temas.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) – que dá nome à biblioteca do Museu Afro Brasil. Foto: Divulgação.

Vinculado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo em 2009, o Museu oferece exposições temporárias e de longa duração, além de manter um auditório e uma biblioteca. 

2) Tradição afro no Bixiga

Conhecido como bairro dos italianos, nem todo mundo sabe que os primeiros moradores da região foram os quilombolas, ex-escravos que foram morar perto do Rio Saracura. A influência deixada por eles também podem ser percebidas na história e cultura do Bixiga.

Sob influência afro destaca-se a Casa de capoeira do Mestre Ananias. Foto: Divulgação.O Bixiga foi formado por descendentes dos quilombos, por imigrantes italianos recém-chegados ao Brasil e depois com a chegada dos nordestinos. O Bairro presenta uma diversidade incrível e isso se deve ao fato de ser um dos bairros mais boêmios e, ao mesmo tempo, mais religiosos da capital. Ainda hoje abriga diversos casarões históricos além de teatros, bares e restaurantes tradicionais. Sob a influência afro destacam-se a escola de samba Vai Vai, a Casa de capoeira do Mestre Ananias e a pastoral afro da Igreja da Nossa Senhora da Achiropita.

3) As comunidades quilombolas da região do Vale da Ribeira

Existem 35 comunidades quilombolas no Estado de São Paulo, sendo que a maioria fica na região do Vale do Ribeira, em municípios como Barra do Turvo, Eldorado e Iporanga. Outra parte está presente entre o litoral norte, a cidade de Itapeva e também na região de Sorocaba.

Sem abandonar tradições, comunidades quilombolas transformam relação com território no Vale do Ribeira. Foto: Divulgação.

É possível visitar algumas das comunidades remanescentes de quilombo na região do Vale da Ribeira. Que tal aproveitar o feriado para fazer isso e conhecer mais sobre esses grupos sociais? Consulte o site Quilombos do Ribeira.

4) Feira Preta 2019: a maior feira negra da América Latina

Há 17 anos, a Feira Preta celebra o Dia da Consciência Negra de uma forma diferente, levando ao público uma programação abrangente, gratuita e livre, com linguagens artísticas como música e teatro com foco no empreendedorismo. A maior feira negra da América Latina reúne criadores negros de diferentes setores: arte, moda, cosméticos, gastronomia, audiovisual, comunicação, entre outros.

PretaHub incentiva inventividade, criatividade e tendência do empreendedorismo negro no Brasil . Foto: Divulgação.

Criado em 2002, o projeto atua em prol da valorização da mão de obra artística negra e do empoderamento da cultura afro. Em seu 18º ano, o festival é também considerado a maior feira negra da América Latina, com conteúdos, produtos e serviços que representam o que há de mais inventivo e inovador na criatividade preta em diferentes segmentos.

5) Dados oficiais sobre a população negra no Brasil

Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos 
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania – População negra e indígena
Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial 

***
Da redação.

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