‘Donas’ de Higienópolis são tema de tour pelo centro de São Paulo

Parte dessa história é resgatada pelo coletivo Pisa: cidade + pesquisa, que reúne pesquisadores, estudantes, arquitetos, historiadores. A primeira série de atividades foi encerrada com a realização de três passeios sobre as “fundadoras” de Higienópolis, Santa Cecília e Vila Buarque: Veridiana da Silva Prado, Maria Angélica de Sousa Queirós e Maria Antônia da Silva Ramos.

Roteiro

O tour, feito em parceria com o Sesc Consolação, é dividido em três passeios, cada um focado em uma das “donas”. Para a coordenadora do “Três Donas”, a pesquisadora Karoline Barros, a classe social foi um dos motivos que garantiu a permanência do nome dessas mulheres nas três vias.

“Muitos nomes de ruas e avenidas mudaram ao longo do tempo, de mulheres especialmente. Mas a importância dessas mulheres acabou resguardando o nome delas nas vias”, diz. “O sobrenome era muito ligado ao marido. E elas conseguiram de uma maneira ou de outra cuidar dos negócios”, diz.

O passeio liga cada uma das mulheres à área em que mais se destacaram (educação, empreendedorismo e artes e vida social). No caso de Maria Antônia da Silva Ramos, seu maior legado é ter vendido por um valor baixo parte do terreno de sua chácara à Escola Americana, em 1879, primeira instituição de educação mista de São Paulo (com meninos e meninas) – que, desde o início, aceitava estudantes negros. A Escola Americana deu origem ao Instituto Presbiteriano Mackenzie.

O roteiro seguinte é focado na mais famosa das três donas: Veridiana da Silva Prado, que se destacou pelos eventos artísticos e sociais que realizava e pelo fato de ter se separado em um período muito anterior à legalização do divórcio. O palacete em que ela viveu era o grande espaço de reunião da elite intelectual e, atualmente, é sede do Iate Clube.

Por fim, o trajeto de Maria Angélica está focado nos dois perfis da via – que tem propriedades de maior dimensão (e mais abastadas) no trecho abaixo do Parque Buenos Aires, e um comércio mais variado na outra metade da avenida. O motivo, segundo Pedro Beresin, que estudou a via em sua dissertação de mestrado, é que a proximidade com o Cemitério da Consolação e o antigo Hospital de Isolamento (hoje Hospital Emílio Ribas) afastava as elites por questões sanitárias e de status – atraindo a classe média e também operários.

Enquanto a nova edição do “Três Donas” não ocorre, o Pisa realiza o “Pisaço pelo Centro” no próximo sábado, com saída às 9 horas do Sesc 24 de Maio. O passeio é gratuito e não é preciso fazer inscrição. Há também a ideia de reunir o conteúdo do tour das “três donas” em livro.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,donas-de-higienopolis-sao-tema-de-tour-pelo-centro-de-sao-paulo,70002260380

***
Por Priscila Mengue no Estadão.

Tags

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on linkedin
Share on email
No data was found

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Categorias

Cadastre-se e receba nossa newsletter com notícias sobre o mundo das cidades e as cidades do mundo.

O São Paulo São é uma plataforma multimídia dedicada a promover a conexão dos moradores de São Paulo com a cidade, e estimular o envolvimento e a ação dos cidadãos com as questões urbanas que impactam o dia a dia de todos.