E viva a Comunidade Samba da Vela!

Ontem, dia 24, fui para rever os amigos e também por ser o dia exato em que, há três anos, faleceu o meu querido irmão e amigo, eterno presidente e co-fundador dessa instituição de bambas sambistas de São Paulo, José Alfredo Gonçalves de Miranda, o eterno Paquera.

Foi uma edição diferente, a primeira após a celebração dos 17 anos de vida ocorrida uma semana antes, e que reuniu mais de mil pessoas no salão do Esporte Clube Banespa; e também deu início à organização da festa de aniversário de 18 anos.

Em função da atmosfera comemorativa, o Grande Chapinha, maestro sensacional dessa comunidade maravilhosa, abriu espaço para manifestações dos participantes. Escolhi a de Max Lechner, um jovem francês que, prestes a retornar ao seu país, fez uma homenagem de gratidão à turma da Comunidade Samba da Vela.

Com o seu consentimento, reproduzo a seguir a versão em português traduzida por Ana Queiroz e, no final, o texto original na língua francesa. Por aqui, fico. Até a próxima.

“E, de repente, fez-se luz.

Uma única vela irradia de sua ardente chama um brilho de esperança. O samba já vai começar. As almas se agrupam; os espíritos se juntam. Cada nota, cada ritmo provoca sorriso e choro, júbilo e tristeza, alegria e dor, felicidade e melancolia. Riso, e lágrimas.

Batemos nas palmas das mãos, dançamos, os pés balançantes, e as vozes se misturam para formar um só e único canto.

E, já, um sopro de vento faz a chama vacilar. Quando a vela se apaga, a comunidade chora. Todavia jamais morre o fogo no coração do compositor.

Do mesmo modo que permanece esta certeza: amanhã, de novo, a vela cantará.”

“Et soudain, la lumière fut.

Une unique bougie répand de sa flamme ardente une lueur d’espoir. La samba va commencer. Les âmes convergent; les esprits s’unissent. Chaque note, chaque rythme entraîne sourire et pleurs, joie et tristesse, allégresse et douleur, bonheur et mélancolie. Rires, et larmes.

On bat la mesure de ses mains, on danse, les pieds se balançant, et les voix se mêlent pour former um seul et unique chant.

Et, déjá, um souffle de vent fait vaciller la flamme. Lorsque la bougie s’éteint, la communauté pleure.

Mais jamais ne meurt le feu dans le coeur du compositeur.

De même que demeure cette certitude: demain, à nouveau, la bougie chantera.”

***
Leno F. Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

 

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