Exemplos - São Paulo São

São Paulo São Exemplos

Muitas cidades reconhecem a importância e o significado de seus antigos prédios ou construções que, pequenos ou grandes, resistem ao tempo para continuar a contar um pouco do passado daquele local, fazem reviver lembranças ou então suscitar a curiosidade de quem observa e procura saber mais sobre a história. Muitas outras não dão o mesmo valor para esses prédios e acabam cedendo o espaço a projetos imobiliários que buscam cada vez mais áreas para edifícios cada vez mais altos. Já outras apenas permitem que o tempo e a falta de preservação os derrubem. Um estímulo para mudar os dois últimos cenários pode estar nas revelações de estudos já realizados a respeito: cidades com edificações mais antigas e menores registram mais altas densidades, diversidade, maior número de pequenos negócios e atividades empreendedoras e mais habitações acessíveis.

A maior cidade do Michigan respira otimismo e dá sinais de que o pior ficou para trás. Mas políticos e investidores ainda têm muito por fazer.

Detroit é conhecida nos Estados Unidos como Motor City. Na realidade, à cidade já não resta muito da força produtiva. Em 40 fábricas de montagem de veículos e de componentes das marcas automobilísticas no estado do Michigan, apenas cinco ficam dentro dos limites da urbe. A Ford está sediada em Dearborn e a Chrysler em Auburn Hills. A área metropolitana de Detroit é o eixo da indústria automobilística, mas não a cidade.

Depois de mais de um século convivendo com carros, algumas cidades aos poucos compreendem que o automóvel não faz muito sentido no contexto urbano. Não apenas pela poluição ou pelas mortes no trânsito: em uma cidade, carros não são sequer uma maneira conveniente de locomoção.

Foto: Shutterstock.Foto: Shutterstock.O trânsito de Londres, hoje, flui mais vagarosamente do que se move um ciclista amador (ou do que uma carroça). As pessoas em Los Angeles perdem 90 horas por ano presas no tráfego. Um estudo realizado na Grã-Bretanha mostra que motoristas gastam 106 dias de suas vidas procurando por vagas.

Um número crescente de cidades tem se livrado dos carros em determinados bairros a partir de multas, redesenho de suas ruas, novos aplicativos, e, no caso de Milão, foram adotadas medidas como pagar os trabalhadores para que deixem seus veículos em casa e peguem o trem.

Como era de se esperar, as mudanças acontecem mais rapidamente nas capitais europeias projetadas centenas de anos antes que os carros fossem inventados. Nos subúrbios norte-americanos construídos conforme a lógica dos automóveis, o caminho para eliminá-los é obviamente mais desafiador (e algumas cidades “amantes” de carros, como Sydney, na Austrália, vão na contramão, tirando espaço dos pedestres em algumas ruas para dá-lo, cada vez mais, aos veículos).

Confira algumas cidades que estão trabalhando para banir os carros em alguns de seus bairros. Lembramos que elas são dotadas de um sistema de transporte público eficiente e vários modais para atender seus moradores e visitantes.

1. Madri, Espanha.

Foto: Gerard Julien / AFP / Getty Images.Foto: Gerard Julien / AFP / Getty Images.Madri já baniu grande parte do tráfego de automóveis de certas ruas e, neste mês, as car-free zone (zonas livres de carros, na tradução para o português) se expandirão ainda mais. Estendendo-se por mais de uma milha quadrada, tais áreas ainda permitirão que seus moradores dirijam, mas qualquer outra pessoa que nela adentrar será multada em mais de 100 dólares. Esse é mais um passo no plano de “pedestrizar” completamente o centro da cidade nos próximos cinco anos. Vinte e quatro das ruas mais movimentadas serão reprojetadas para pessoas, e não carros. Antes que o design das ruas seja modificado, carros serão desincentivados de outra maneira: agora, aqueles que poluem mais terão que pagar mais caro para estacionar.

2. Paris, França.

Foto: Prefeitura de Paris.Foto: Prefeitura de Paris.

No último ano, quando os níveis de poluição aumentaram em Paris, a cidade realizou um rodízio por um breve período de tempo. As taxas caíram cerca de 30% em algumas áreas, e agora o plano é começar a desincentivar permanentemente os carros. No centro da metrópole, as pessoas que não vivem em bairros próximos não poderão dirigir aos fins de semana, restrição que deve se estender aos dias comerciais.

Até 2022, a prefeita planeja dobrar o número de ciclovias na cidade, banir carros movidos a diesel e determinar que apenas veículos elétricos ou pouco poluidores circulem em algumas ruas movimentadas. A quantidade de motoristas já começou a cair por lá. Em 2001, 40% dos parisienses não possuíam carros; agora, esse número é de 60%.

3. Chengdu, China.

Foto: British Chamber of Commerce Southwest China.Foto: British Chamber of Commerce Southwest China.

Uma nova cidade satélite planejada no sudoeste da China poderia servir de modelo para um subúrbio moderno: suas ruas são planejadas para que qualquer local seja acessível em até 15 minutos de caminhada.

As plantas, projetadas pelos arquitetos Adrian Smith e Gordon Gill (residentes em Chigaco), não banirão completamente os carros, mas apenas metade das ruas poderão ser ocupadas por veículos motorizados. A ligação entre a cidade e a vizinha Chengdu será feita por meio de transporte público. Uma população de 80 mil pessoas é esperada por lá, e a maioria poderá caminhar até o trabalho nos bairros locais. O projeto foi pensado, originalmente, para estar pronto em 2020, mas pode sofrer um atraso – está suspenso por questões de zoneamento.

4. Hamburgo, Alemanha.
Foto: Shutterstock.Foto: Shutterstock.Embora Hamburgo não planeje banir os carros de sua região central, como tem sido noticiado por aí, a cidade tem se esforçado para facilitar a vida de quem não quer dirigir. A Rede Verde, que será construída entre os próximos 15 e 20 anos, unirá parques ao longo da cidade, tornando qualquer lugar acessível por meio de caminhadas ou trajetos de bicicleta. A Rede se estenderá sobre 40% da área total do município. Além disso, a rodovia A7, conhecida pela superlotação, também será coberta por parques – assim, bairros que dificilmente podem ser atravessados a pé ficarão mais convidativos.


5. Helsinki, Finlândia.

Foto: Riku Kettunen / Flickr.Foto: Riku Kettunen / Flickr.

Helsinki espera uma onda de novos moradores nas próximas décadas, mas quanto mais pessoas chegam, menos carros serão permitidos em suas ruas da cidade. Em um novo plano, ela será redesenhada para que seus subúrbios dependentes de carros sejam transformados em comunidades gentis a pedestres, ligadas à região central por transporte público de alta velocidade. A cidade também contará com novos serviços de mobilidade sob demanda para agilizar a vida sem automóveis. Um novo aplicativo, ainda em fase de testes, possibilitará que os cidadãos chamem instantaneamente uma bicicleta compartilhada, carro, táxi ou encontrem, ainda, a estação de trem ou ponto de ônibus mais próximos. Em uma década, espera-se que carros sejam totalmente desnecessários em Helsinki.

6. Milão, Itália.
Foto: Chris Yunker.Foto: Chris Yunker.A poluída cidade de Milão vem testando uma nova forma de manter os carros longe da região central. Quem deixar seus veículos em casa ganhará vouchers para utilizar o transporte público. Um aparelho conectado à internet, instalado no painel do automóvel, rastreia sua localização, para que ninguém trapaceie e dirija até o trabalho. A cada dia que alguém deixa o carro em casa, a prefeitura envia um voucher, sempre no mesmo valor, que pode ser usado como passagem no ônibus ou trem.

7. Copenhague, Dinamarca.
Foto: Spacedog.Foto: Spacedog.Há 40 anos, o trânsito de Copenhague era tão caótico como em qualquer grande metrópole. Hoje, mais da metade de sua população vai ao trabalho diariamente de bicicleta.

Copenhague começou a criar zonas exclusivas aos pedestres nos anos 60, no centro da cidade, e as car-free zones se espalharam nas décadas seguintes. O município tem, atualmente, mais de 400 km de ciclovias, e novas rodovias para bikes estão sendo construídas para alcançar os bairros periféricos. A cidade tem uma das menores taxas de propriedade de automóveis de toda a Europa.

Todos esses exemplos são a prova de que as cidades estão se transformando para ficarem mais humanas e que a forma como nos movemos por elas e vamos passar a ocupá-las mudará completamente nos próximos anos em benefício das pessoas. 

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Por Adele Peters, do Co.Exist (Inglês). Tradução de Anna Beatriz dos Anjos.

A União Europeia deu início, nesta terça, a uma guerra contra o desperdício de plástico como parte de um plano urgente para banir esse tipo de produto da Europa e garantir que cada embalagem no continente, seja reutilizável ou reciclável até 2030.

Após a decisão da China de proibir as importações de material importado reciclável, Bruxelas, a capital da União Europeia, anunciou uma estratégia para mudar a mentalidade na Europa, multando potenciais comportamentos prejudiciais, modernizando a produção e coleta de materiais plásticos e investindo 350 milhões de euros em pesquisa.

Falando ao The Guardian e a outros quatro jornais europeus, o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, disse que a prioridade de Bruxelas é eliminar "as embalagens que levam cinco segundos para produzir, você usa por cinco minutos e ela leva 500 anos para desaparecer".

Na opinião da UE, diz Timmermans, são itens descartáveis como canudos de beber, garrafas de coloridas que não degradam, copos para café, tampas de garrafinhas, mexedores, talheres e embalagens descartáveis.

O diplomata holandês disse ao The Guardian: "Se não fizermos nada sobre isso, em 50 anos teremos mais plástico do que peixe nos oceanos... Todos nós vemos as fotos, se você assistir o Blue Planet (da BBC), se você olhar as praias nos países asiáticos depois das tempestades“.

Uma massa de resíduos de plástico reciclável que flutuam na costa de Honduras no Caribe. Foto: Getty Images.Uma massa de resíduos de plástico reciclável que flutuam na costa de Honduras no Caribe. Foto: Getty Images."Se as crianças soubessem quais os efeitos de usar canudos descartáveis para tomar refrigerantes, ou qualquer outra coisa, elas poderiam reconsiderar e usar canudos de papel ou deixar de usá–los“.

"Nós vamos sufocar em plásticos se não fizermos nada sobre isso. Quantos milhões de canudinhos de plástico usamos todos os dias na Europa? Eu espero que as pessoas não usem canudos nunca mais. Eu expliquei isso para os meus filhos. E agora eles estão à procura de canudos de papel, ou não usam canudos para nada. É uma questão mudança de mentalidade".

Ele acrescentou: "Um dos desafios que enfrentamos é o de discutir algumas das opções para a cor das garrafas plásticas. Mas estou certo de que você pode entender que por ser uma cor diferente, não seja reciclado e que você não compre isso.“

Como parte de sua estratégia, a UE realizará uma avaliação de impacto sobre as diversas formas de taxar o uso de embalagens e reduzir o uso do plástico. Os documentos divulgados ainda não tem os detalhes sobre os modelos a serem adotados.

Na semana passada, o comissário do orçamento da UE, Günther Oettinger, afirmou que poderia ser uma maneira pela qual Bruxelas poderia preencher a dívida deixada pelo Reino Unido em seu orçamento.

"Vamos estudar isso", disse Timmermans. "Em um mundo perfeito, a renda deste imposto diminuirá e temos que fazer uma avaliação sobre o impacto para uma forma sustentável de receitas também para as finanças da UE. Eu acho que há muito apoio para isso. "

A UE quer que 55% de todos os plásticos sejam reciclados até 2030 e que os seus Estados Membros reduzam o uso de sacolas plásticas por pessoa, de 90 para 40 unidades até 2026.

Resíduos de plástico na costa do estuário do Rio Tâmisa em Kent. Foto: Dan Kitwood / Getty Images.Resíduos de plástico na costa do estuário do Rio Tâmisa em Kent. Foto: Dan Kitwood / Getty Images.Um adicional de 100 milhões de euros serão disponibilizados pela UE para pesquisa e melhoria do design das embalagens, durabilidade e reciclagem de produtos, há planos para banir a utilização dos microplásticos e os Estados Membros terão a obrigação de monitorar e reduzir a sua “ninhada marinha.“

A comissão disse que promoverá o acesso fácil à água potável da torneira nas ruas da Europa para reduzir a demanda por água engarrafada. O executivo da UE também propõe uma nova rotulagem mais clara para as embalagens de plástico e quer impedir a utilização de microplásticos em produtos cosméticos, de cuidados pessoais e de consumo, uma iniciativa que já foi tomada pelo governo do Reino Unido.

As instalações de recepção portuária nos países, vão procurar simplificar o gerenciamento de resíduos e garantir que não sejam despejados nos oceanos a partir de diretiva já publicada.

Todos os anos, os europeus geram 25 milhões de toneladas de resíduos plásticos, mas menos de 30% são coletados para reciclagem. Em todo o mundo, eles compõem 85% dos produtos despejados nos litorais.

"É urgente devido à mudança na posição chinesa. Não podemos exportar esses plásticos para a China. A reação instintiva é que teremos que queimar ou enterrá-lo aqui. Então vamos usar essa oportunidade para mostrar que podemos reciclá-los aqui. "

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Por Daniel Boffey de Bruxelas para o The Guardian.
(Inglês).