Europeus não querem cidades entupidas de carros nem a poluição pré-pandemia - São Paulo São

 Imagens do satélite Sentinel-5P do programa Copernicus mostram claramente uma queda na concentração de dióxido de nitrogênio na França, Itália e Espanha ao longo de março. Imagem: Reprodução. Imagens do satélite Sentinel-5P do programa Copernicus mostram claramente uma queda na concentração de dióxido de nitrogênio na França, Itália e Espanha ao longo de março. Imagem: Reprodução.

A pandemia de covid-19 e o confinamento a que obrigou tiveram um profundo impacto na mobilidade e na poluição de ar na Europa. Mas com o desconfinamento, os níveis de poluição e o trânsito de carros começam a aumentar, tal como já aconteceu na China, que está voltando aos níveis pré-pandemia. E o mesmo pode acontecer na Europa, se não forem tomadas medidas eficazes contra a poluição do ar proveniente do tráfego viário, ainda que se saiba que a poluição pode ter alavancado o número de mortes por coronavírus.

Uma sondagem revelada nesta última quinta-feira mostra que os cidadãos europeus não querem regressar às cidades entupidas de carros nem aos níveis de poluição do ar pré-pandemia. E para isso, uma grande maioria está disposta a fazer mudanças na mobilidade urbana, como abrir espaço público para formas mais limpas de transporte e proibir carros poluentes de entrar nos centros das cidades.

A cidade de Londres elaborou propostas para o fechamento de ruas de 12 ou 24 horas para carros no centro da cidade. Foto: Charlie Bibby / FT.A cidade de Londres elaborou propostas para o fechamento de ruas de 12 ou 24 horas para carros no centro da cidade. Foto: Charlie Bibby / FT.

Estas são as principais conclusões de uma grande sondagem feita em 21 das maiores cidades de seis países europeus (Espanha, França, Itália, Alemanha, Bélgica e Reino Unido) pela Aliança Europeia de Saúde Pública (EPHA) e a Federação Europeia de Transportes e Meio Ambiente (T&E), que agrupa organizações não-governamentais da área ambiental e dos transportes. A empresa internacional de sondagens YouGov entrevistou 7.545 adultos de várias faixas etárias, renda e gênero e as conclusões não deixam margem para dúvidas.

A pesquisa mostra que cerca de duas em cada três pessoas ouvidas (64%) não querem voltar aos níveis de poluição à pré-pandemia depois de experimentarem um bom ar limpo e um pouco mais (68%) apoiam medidas que impeçam os automóveis poluentes de entrar no centro das cidades. São ainda mais (74%) os que exigem proteção contra a poluição do ar, mesmo que isso signifique realocar o espaço público para andar a pé, de bicicleta e transportes públicos. E uma em cada cinco pessoas (21%) planeja pedalar mais, enquanto uma em cada três (35%) afirma que vai andar mais a pé após o confinamento.

A cidade de Milão anunciou plano ambicioso para reduzir o uso de carros após a pandemia. Foto: Stefano De Grandis/REX/Shutterstock. A cidade de Milão anunciou plano ambicioso para reduzir o uso de carros após a pandemia. Foto: Stefano De Grandis/REX/Shutterstock.

Entre as pessoas que usavam o transporte público antes do bloqueio, 54% afirmam que vão voltar usar este meio de transporte se forem tomadas medidas de higiene suficientes, sendo 27% os que voltarão a fazê-lo, independentemente do risco de contágio.

Os promotores da sondagem defendem que estas conclusões “devem servir de alerta para as autoridades municipais, que deveriam proibir carros particulares de combustão e determinar que as frotas públicas e privadas, como táxis, sejam de emissões zero até 2025”. “Modernizar e eletrificar a frota de ônibus pode oferecer uma oportunidade ao garantir que as pessoas se sintam seguras e confortáveis”, ao mesmo tempo que se combate a poluição.

As cidades escolhidas para esta sondagem foram aquelas onde o impacto do confinamento na poluição e mobilidade foi mais significativa: Barcelona e Madrid (Espanha), Roma e Milão (Itália), Paris, Marselha, Lille, Lion, Toulouse e Nice (França), Berlim, Hamburgo, Colónia, Frankfurt e Munique (Alemanha), as áreas metropolitanas de Londres e Machester, Birmingham, Leeds e Glasgow (Reino Unido) e Bruxelas (Bélgica).

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Fonte: Público. 



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