Fim da praia ‘normal’?

Mas não é só o vai e vem que ganha regras. Para entrar é preciso passar álcool gel nas mãos (será que é para garantir castelos de areia limpos e desinfectados?). Depois que entra, a praia passa a ser um mundo novo. Se vai armar guarda-sol ou coisa parecida, precisa estar a três metros de distância do vizinho, por exemplo. E a recomendação é de não ter mais de cinco pessoas por barraca ou guarda-sol. Futebolzinho na areia? não rola mais. O máximo é o frescobol. Para uma simples caminhada também será preciso se organizar. Deverão ser criados corredores de circulação, obrigando as pessoas a manterem a devida distância umas das outras. Os caminhos pré-definidos serão especialmente importantes para os vendedores ambulantes, que também devem usar máscaras e viseiras. Como aqui só se vende bolinhas de Berlim nas areias (algo como o nosso “sonho”, com muito recheio), o drama não é tão grande. Fico imaginando o engarrafamento que teríamos se fosse como nas praias brasileiras: mate, biscoito, camarão, sorvete, pulseirinhas, canga, sanduíche natural, empada, pastel, repentistas…

Algumas praias vão ganhar um semáforo virtual para definir a taxa de ocupação em tempo real. Foto: Smart City Sensor / Divulgação.

Para quem vai de carro, o controle será mais rigoroso com o estacionamento. Só vale em áreas delimitadas formalmente. Aquela tradicional paradinha numa vaguinha que parece ótima subindo na calçada vai dar multa ou apreensão do carro. As autocaravanas, trailers e reboques vão ter ainda mais restrições no quesito estacionamento.

Bares e restaurantes de praia devem seguir as orientações gerais para este tipo de serviço e estabelecimento, mas espera-se que sejam feitas ao menos quatro limpezas diárias. Em alguns casos, será preciso fazer ajustes na configuração dos espaços, garantindo que as pessoas mantenham a distância. Nós já estivemos sentados de frente para o mar neste novo “normal” e sentimos na pele o que é tomar um chopp nos dias de hoje. Só entramos, e de máscara no rosto, se houver mesa livre e guiados pelo garçom. Mãos higienizadas na entrada e a possibilidade de ficar sem máscara na mesa (ufa! Como daria pra tomar um chopp de máscara?). Deu vontade de dar aquela passadinha no banheiro pós-chopp? Coloca a máscara de novo! Cardápio? Aponta o celular para o QR Code que está na mesa e acessa o cardápio digital. Nada de cardápio físico, possível foco de vírus. Sabe aquele “rabo de peixe” no balcão do Frevo ou a cerveja gelada com pastel de camarão na mureta em frente ao Bar Urca? Se fosse aqui em Portugal, ia ter que esperar algum tempo pra matar as saudades.
Fora o vento, o lixo de alguns e o mar meio geladinho, as praias realmente não são mais “normais”. Foto: Reuters.

Essa é a nossa praia “normal” por aqui. Vai dar tudo certo, sem conflitos ou sem necessitar de ajustes? Provavelmente não. Mas é o que precisa ser feito para esse mundo novo. Já há críticas, claro, e pontos não muito explicados, como os cuidados e procedimentos para quem está no mar, por exemplo. Vale a mesma regra de distanciamento? E para pegar jacaré, tem regras? Rodízio de ondas? Crianças brincando na areia é perigoso? E a turma que insiste em levar cachorro pra praia?  Enfim, quem viver, verá! O governo português já alertou que não dá pra ter fiscais e policiais em todas as praias, contando com o bom senso e o respeito das pessoas. Mas deixou clara uma mensagem: se as regras de convivência deste novo “normal” não forem cumpridas, fecha-se a praia…

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Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.

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