Flores vivas, na calçada da casa dos mortos

Arranjos e buquês são procurados por todo tipo de público, não apenas pelos visitantes do cemitério. Para quem passa de ônibus, automóvel, a pé ou de motocicleta, é um presente ver as centenas de flores dispostas e prontas para serem admiradas ou compradas para embelezar túmulos, salas de visitas, recepções de consultórios, escritórios ou quaisquer outros espaços públicos ou privados que valorizem as belezas e os aromas tão diversos em cores quanto em características.

Com funcionamento garantido nas 24 horas de qualquer dia, as flores naturais são vistosas, realçam os ambientes e encantam as pessoas que as recebem. Se a aquisição de um buquê, de um arranjo ou de um vaso for salvação daquele presente para uma data especial esquecida, para homenagear um entre querido que deixou essa existência ou para emocionar alguém que acabou de ser conhecido; não importa o motivo. Lá tem opções que combinam com quaisquer situações.

O vendedor Donizete Alves Lopes, desde 1971 no local, diz que pessoas de toda a cidade vão até as bancas para comprar flores, principalmente porque algumas ficam abertas 24 horas. No domingo, muitas pessoas visitam o local para apreciar os arranjos. “Domingo a gente classifica a calçada como shopping center, porque todo mundo vem olhar, passear.”

Se as flores de plástico não morrem, as de verdade têm prazo de validade, e isso é muito bom porque permite renovação e mantêm as barraquinhas vivas. É provável que existam clientes fiéis, que frequentam o lugar semanalmente, os quais são reconhecidos pelos nomes e, principalmente, pelas preferências florais.

Talvez tenham os sistemáticos, que compram sempre a mesma flor, do mesmo vendedor, no mesmo dia da semana e para a mesma finalidade. Desconfio que a maioria seja de clientes esporádicos que param para olhar, se encantam, e se deixam fisgar pelas rosas, margaridas, gérberas e tantas outras espécies disponíveis.

Embora esses tempos atuais permitam adquirir flores on-line, a experiência de passear por cada uma das barracas da calçada da Av. Dr. Arnaldo, olhar com atenção as centenas de opções, conversar com os vendedores, esclarecer dúvidas, pechinchar e sair de lá feliz com a escolha é insubstituível. E como olhar não custa nada, se você está naqueles dias, passe por lá apenas para cumprimentar todo mundo, afinar os seus conhecimentos florais, e apreciar as variedades naturais. Faz bem para vista, para o humor e nutre a autoestima individual e coletiva. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

 

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