Intermodalidade é a solução

Conexão para estação de metrô no aeroporto de Madrid. Foto: Madrid Traveller.

Por Chantal Brissac.

Você já pensou como é se locomover em uma cidade em que todos os transportes estão integrados, para facilitar a vida dos cidadãos?

Você chega de bicicleta à estação de metrô e estaciona a magrela em um bicicletário para seguir viagem ou, melhor ainda, leva-a consigo no vagão. No ônibus a mesma coisa, pode embarcar com a bicicleta. Se estiver em um aeroporto, retornando de viagem, encontra nos trilhos uma forma rápida, segura e sustentável de voltar para a casa. Nem pensar em ficar na interminável fila do táxi ou dos apps e seguir por uma estrada congestionada e lenta depois.

Os ciclistas de Curitiba podem embarcar com a bicicleta em ônibus. Foto: Maurilio Cheli/SMCS.

Nas nações europeias e em vários outros países, os aeroportos nunca são segregados das cidades. O transporte aéreo é sempre conectado aos modais ferroviários. Pelo menos 40% da população que transita nos aeroportos acessa diretamente trens e metrôs. Como no Brasil nós estamos na rota contrária, precisamos integrar outros modais para que a mobilidade seja mais fluida, rápida e inteligente. Afinal, toda a rede de transporte urbano sobre trilhos para passageiros do país equivale ao metrô disponível apenas na cidade de Nova York.

Ônibus marítimo em Copenhague | Foto: Matthias Schalk.

As hidrovias também são essenciais em países como Dinamarca, Holanda, França, Alemanha e Noruega, não só para o transporte de cargas como o de passageiros. Na Dinamarca, cujo território se espalha entre diferentes ilhas e uma área de península, o sistema rodoviário integrado com o marítimo é dos mais utilizados por moradores e visitantes.

Bicicleta deve ser integrada aos modais coletivos

Assim, é urgente que existam bicicletários seguros em todas as estações de trem e metrô e em vários outros locais públicos, para que as pessoas percam menos tempo no trânsito e vivam melhor. “A bicicleta deve ser vista como um sistema de transporte legítimo, objeto de políticas públicas e com soluções para integração com demais opções. É impossível pensar a bicicleta nas grandes cidades sem pensar a intermodalidade”, afirma Gabriela Binatti, da rede Transporte Ativo.

Fotos: Petra Appelhof /  Ector Hoogstad Architecten.

Em Utrecht, a pouco mais de 50 km de Amsterdã, capital da Holanda, um estacionamento de bicicletas na Estação Ferroviária Central tem três andares e oferece mais de 10 mil vagas para os ciclistas. Mais da metade dos usuários de trem chegam de bike à estação.

Historicamente, os holandeses sempre foram ciclistas fervorosos. Esse entusiasmo está crescendo ainda mais, à medida que o ciclismo está sendo descoberto como um ingrediente-chave na cidade sustentável. Novos modelos de bicicletas, como a introdução da chamada e-bike, estão ajudando a ampliar essa mudança no transporte de massa. Cada vez mais centros de transporte público serão complementados com comodidades amigáveis para os ciclistas, à medida que um número crescente de pessoas começa a privilegiar a combinação de ciclismo e transporte público ao invés do uso do carro.

Com planejamento da intermodalidade, as cidades tornam-se mais inteligentes e saudáveis para as pessoas, que não precisam gastar horas e horas de seu tempo para se locomover diariamente. Mas serão necessários iniciativa, esforço e integridade do poder público para pensar no coletivo e não apenas em interesses e ganhos pessoais.

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Chantal Brissac
Chantal Brissac, jornalista e publicitária, fundadora do Pro Coletivo (https://www.procoletivo.com.br/), é autora de livros sobre comportamento, saúde, bem-estar e carreira.

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