Lisboa, verde e linda

Nadar no Tejo é uma das metas incluídas no programa oficial da Lisboa Capital Verde Europeia 2020. Foto: Getty Images .

A programação oficial para o próximo ano foi anunciada na semana passada e considera metas ambiciosas na redução das emissões de poluente, no consumo de água, na reciclagem e em outras frentes. Um dos grandes objetivos, com o pacote de ações planejadas, é atingir a neutralidade carbônica até 2050, por exemplo. Para tanto, a cidade já dispõe de um orçamento de 60 milhões de euros, algo como quase 300 milhões de reais. Além dos macro objetivos, estão previstas atividades de conscientização, seminários, conferências, exposições temáticas e lúdicas que irão manter o tema da sustentabilidade em alta ao longo do ano e, com isso, sensibilizar não só os moradores de Lisboa, mas todos aqueles que de alguma forma podem ser agentes de mudança, incluindo os milhares de turistas que passam pela capital portuguesa. A agenda do ano inclui a Urban Future Global Conference 2020 (UFGC’20), de 1a 3 de abril; Planetiers World Gathering, entre 23 e 25 abril; ITS 2020 (Intelligent Transport Systems 2020), de 18 a 21 maio; a EU Green Week, com a conferência internacional “Let’s focus on biodiversity”, no dia 1 de junho; a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, de 2 a 6 junho e a EcoProcura 2020, em novembro

O pontapé inicial da programação anual vai ser dado no dia 11 de janeiro, em cerimônia que vai contar com a presença do secretário-geral da ONU, Antônio Guterres. Na mesma semana, o Oceanário de Lisboa abre uma exposição totalmente dedicada ao mar. Será a primeira de outras dez que irão ocupar museus e espaços da cidade, sempre em torno da temática da sustentabilidade. Ainda nestes primeiros dias de janeiro, serão plantadas 20 mil árvores em parques da cidade, em uma ação que pretende mobilizar a população como novos “jardineiros”de Lisboa. Espera-se que até 2021 a cidade tenha 100 mil novas árvores.

É a primeira vez que uma cidade do sul da Europa recebe o European Green Capital Award, da Comissão Européia. Foto: Pedro A. Pina.

O problema dos resíduos sólidos, aliás, é um dos que vai receber ainda mais atenção. Até 2030, a recolha de resíduos deverá passar dos atuais 28% para 50% e a taxa de reciclagem atingirá 60%, quase duplicando o índice atual de 34,4%. O município também colocou a meta de ter, em toda a cidade, a coleta seletiva porta-a-porta de bio resíduos.

A mobilidade é outra importante frente. E, claro, as bicicletas não podiam deixar de ser protagonistas nestes movimentos. Há uma série de projetos para as ciclovias, com o objetivo de tornar a cidade totalmente interligada pelas magrelas. Um deles, já orçado (27 milhões de euros) e acordado, irá aumentar em algumas dezenas de quilômetros a malha já existente entre 2020 e 2022. Há também um projeto para a criação de uma pista para as bikes saindo de Vila Franca de Xira, município da área metropolitana de Lisboa, até o Guincho, em Cascais, num total de 60 km, praticamente margeando o Tejo. Sensacional. Alguns trechos já existem e o desafio é unificar todo o percurso. Com a ajuda das bicicletas e das modalidades de transporte público, o município tem como meta reduzir as viagens de automóvel na cidade, passando de 57% para 33%. Também está no pacote da mobilidade a aquisição de novos ônibus mais “ecológicos”, a duplicação da frota dos bondes elétricos (aqueles que nos deixam encantados circulando pelas ruas estreitas de Lisboa) e da rede do metrô.

Lisboa tem como meta reduzir as viagens de automóvel na cidade, passando de 57% para 33%. Foto: Câmara Municipal de Cascais.

Estes dados são apenas alguns de um programa muito mais amplo, com metas arrojadas para o consumo de água e de energia elétrica, criação de áreas verdes, qualidade do ar, reciclagem, mobilidade. Toda a programação e os principais indicadores do programa já estão disponíveis no site www.lisboagreencapital2020.com. Quem vier passear por aqui no ano que vem, já sabe: inclua também os parques lindos de Lisboa na sua programação, o fantástico oceanário, pedale, caminhe e, claro, nada de jogar papel no chão…

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Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.

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