Mobilidade ativa: uma forma saudável e sustentável de se locomover pela cidade

Por muito tempo as cidades passaram a ser pensadas para os veículos motorizados e não para os pedestres o que passou a ser contestado nos últimos anos. Foto: Getty Images.

Mobilidade ativa é o ato de se mover usando a energia do próprio corpo. Essa ação está na sociedade desde os princípios da humanidade, exercendo seu papel antes mesmo dos carros serem o centro das atenções. Desde o ciclismo até mesmo a caminhada diária, toda a atividade de locomoção que acontece por meio de energia humana faz parte da mobilidade ativa.

Para falar sobre mobilidade ativa, é necessário pensar primeiro na cultura do carro na qual estamos inseridos e o que ela diz sobre nós mesmos. O automóvel surge como um produto que moldou parte do pensamento da sociedade ocidental e a forma como planejamos a urbanidade. Por muito tempo as cidades passaram a ser pensadas para os veículos motorizados e não para os pedestres, fato que passou a ser ainda mais contestado nos últimos anos.

A mobilidade ativa na cidade

Em algumas regiões as calçadas são pequenas, apresentam falhas, não são acessíveis e também podem ter buracos. Foto: iStock.

Apesar do carro configurar um meio de transporte seguro durante a pandemia, ele não é acessível à maioria da população e valorizar o uso dele é esquecer a poluição do ar e sonora, as ruas engarrafadas e diversos outros fatores que diminuem a qualidade de vida dos cidadãos e do espaço urbano. Reduzir a primazia dos automóveis particulares envolve gerar opções às pessoas de se locomoverem até seus destinos de forma ativa, a pé, de bicicleta, ou por outros modos não motorizados. E, para isso, é importante ter claro que diversas soluções são possíveis para transformar a cidade – e isto vai muito além de criar apenas ciclovias ou rever a situação das calçadas, que em muitos lugares são negligenciadas.

Quais os benefícios da mobilidade ativa?

Paulistanos em atividade no Parque do Ibirapuera. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

Os benefícios da mobilidade ativa são vários, e eles podem se apresentar tanto na saúde humana quanto na saúde do planeta. A adoção de uma rotina de caminhadas ou de ciclismo pode melhorar a vida das pessoas significativamente. Por isso, é tão importante que a mobilidade ativa seja estimulada.

Benefícios físicos e mentais

  • Ajuda a manter um peso saudável e perder gordura corporal
  • Prevenir várias condições, incluindo doenças cardíacas, AVC, tensão arterial elevada, câncer e diabetes tipo 2
  • Melhora a aptidão cardiovascular
  • Fortalece os seus ossos e músculos
  • Melhora a resistência muscular
  • Aumenta os níveis de energia
  • Melhora o seu estado de espírito, cognição, memória e sono
  • Reforça o sistema imunitário
  • Reduz o estresse e tensão
  • Aumenta a resistência, força e aptidão aeróbica;
  • Melhora a postura e coordenação
  • Reduz a ansiedade e a depressão.

Benefícios ambientais

O novo Parque Municipal Augusta “Prefeito Bruno Covas” no centro da capital paulista. Foto: SECOM / PMSP.

Ao escolher ir a uma localidade andando ou por um transporte não motorizado, o indivíduo está optando pela mobilidade ativa. Essa decisão faz toda a diferença quando se trata da questão ambiental no transporte. 

Mais carros nas ruas significam mais emissões, poluição, congestionamentos, sinistros e mortes no trânsito. Em São Paulo, por exemplo, os carros ocupam 88% das vias públicas e transportam somente 30% das pessoas. Para transportar um passageiro, um carro emite cerca de 4 vezes mais poluentes locais e 2 vezes mais poluentes de efeito estufa do que um ônibus.

Com uma cidade estruturada para atender as demandas da mobilidade ativa dos indivíduos, as pessoas se sentiriam cada vez mais seguras na prática. O aumento da adesão dessa atividade pode ter um grande impacto positivo se tratando das políticas mundiais contra a mudança climática.

Como implementar a mobilidade ativa nas cidades?

Criação de ciclovias

Ciclovia às margens do Rio Pinheiros entre as estações Vila Olímpia e Cidade Universitária da CPTM. Foto: José Luis da Conceição/Governo SP.

Estudos vêm demonstrando as vantagens da criação de ciclovias como forma de investir em mobilidade ativa, estimulando o uso de bicicletas como opção de transporte, o que reduz o número de veículos no tráfego congestionado, além de não contribuir para a poluição.

As ciclovias encorajam o uso das bicicletas como meio de transporte, o que reduz o número de veículos no trânsito pesado e uso de combustíveis. O fato de existir a ciclovia exige que os motoristas reconheçam que os ciclistas também usam as ruas, com o mesmo direito que qualquer cidadão.

A ciclovia oferece segurança para o ciclista. As ciclovias contribuem para reduzir os acidentes que envolvem carros, motos e bicicletas, demarcando uma faixa especial para os ciclistas.

Melhora no espaço do pedestre

Conforto, continuidade e segurança são determinantes para a qualidade de uma calçada. Calçadas bem planejadas são contínuas – não terminam abruptamente no meio da quadra ou nos cruzamentos – e dispõem de espaço para que os pedestres possam caminhar, descansar, fazer compras, comer, conviver e socializar. A largura recomendada é de 1,5m a 1,8m pelo menos para áreas de baixo volume de circulação e de 2,5m para áreas de alto volume. 

Aumento do tempo do semáforo

A disputa da mobilidade a pé com meios motorizados de transporte, já deveria ser coisa do passado. Foto: Getty Images.

O aumento do tempo do semáforo é benéfico principalmente para indivíduos com dificuldade na locomoção, como idosos, crianças, cadeirantes e outras pessoas com deficiência. Em alguns semáforos o tempo oferecido para o pedestre atravessar é tão curto, que é quase impossível alguém com essas dificuldades se locomover pela região.

Investimento na acessibilidade urbana

Um ponto muito importante para a mobilidade ativa é a acessibilidade. Uma pessoa com deficiência encontra obstáculos diariamente ao tentar se locomover pela cidade. Pode ser por causa de uma rua sem rampa ou uma calçada sem acesso para deficientes visuais, que elas encontrarão dificuldades exercendo a sua mobilidade ativa. 

A criação de um ambiente abrangente para pessoas com deficiência, PCDs, é um dos passos para a inclusão dessas pessoas no dia a dia de uma cidade. 

Criação de espaços de lazer 

Jan Gehl, arquiteto e urbanista dinamarquês, sublinha a importância de uma transformação gradual no desenvolvimento urbano, com o objetivo de fazer mudanças que sejam sustentáveis, no sentido de dar tempo às pessoas de se ajustarem às mudanças físicas da cidade.

Ao integrar os parques na vida cultural dos bairros, ao atribuir responsabilidades de manutenção às pessoas, ao permitir-lhes criar novos programas e, em alguns casos, até permitir que eles desenhem partes do parque, verifica-se uma renovação da área e seu entorno e mudanças positivas no comportamento da comunidade, muitas vezes em lugares que se acreditava ser impossível.

Qual o cenário da mobilidade ativa no Brasil?

Amsterdam, capital holandesa,  é uma referência do ciclismo urbano em todo o mundo. Foto: Paul Lefred.

No Brasil, cerca de 13 mil ciclistas morreram nos últimos 10 anos, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares e do Sistema de Informação de Mortalidade. Já quando se fala de pedestres, eles são quase 19% das mortes no trânsito no país todo. Esses dados mostram como a estrutura urbana está despreparada para a proteção da mobilidade ativa.

Apesar do número de mudanças nesse cenário ter crescido, em relação ao passado, as coisas ainda estão bem lentas. Nos últimos anos o número somado de ciclovias em todas as capitais do país aumentou em 133%. O que ainda é considerado um número baixo se comparado com países como a Holanda, onde em Amsterdam, sua capital de 800 mil habitantes, há cerca de 500 km de ciclovias. 

Além de melhorar o trânsito, deixar menos veículos em circulação, a mobilidade ativa também reduz a emissão de poluentes e gases responsáveis pelo efeito estufa. Incentivar a mobilidade ativa visa também a diminuir a quantidade de meios de transporte que emitem gases poluentes do meio ambiente. O desenvolvimento sustentável favorece a saúde humana, enfim, favorece as características ambientais que, por sua vez, favorecem as características do indivíduo.

***
Com informações do eCycle e Arch Daily. Edição, São Paulo São.

 

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