Morre Ângelo Leuzzi o rei da noite paulistana dos 80 e 90 que era um ‘dandy’, segundo Bebete Indarte

Ângelo não resistiu a um infarto fulminante. Aos 64 anos, deixa os filhos Kali e Lucca. Ele será cremado nesta quinta-feira às 20h. Devido à pandemia do novo coronavírus, não haverá funeral.

Bebete Indarte, sua amiga e também clubber nos anos 80 escreveu um texto de despedida em sua página no Facebook que reproduzimos a seguir com exclusividade.

“Ainda chocada que o Ângelo Leuzzi se foi. Jamais esquecerei o quanto fui admirada por ele, eu que não era “nada”, comecei a acreditar quando ele falava que eu era importante na noite de São Paulo, eu não tinha tempo para essas coisas, tinha que trabalhar. Ele que era, daquele jeito playboy dele, os carros, alto, maior presença em todos os lugares por onde passava… No início com a loira Claudia Liz.

Era um visionário, apaixonado por música, inovação, a cara de São Paulo, da noite, das luzes, da magia, entretenimento à todos. Lembro que quando ia produzir o espetáculo “Cantando pelos Cotovelos”  e o samba de drags, ele foi o primeiro a me procurar e queria fazer a estreia no Columbia, e estaria eu como uma vedete me apresentando lá, me garantia o palco, as instalações, a mala direta deles, unida à minha…. Mas o projeto não foi pra frente, infelizmente eu era muito ocupada com outros, tive que optar.

Ângelo Leuzzi e Cláudia Liz no traço de Paulo Caruso nos anos 90. Imagem: Instagram / Reprodução.

O que dizer mais, dele? Do Rose Bombom, de uma época onde ele foi a âncora de tudo isso que acontece hoje (antes da pandemia) proporcionar prazer, comida da boa, vida social à todos de São Paulo com muito elan, em ambientes lindos, um excelente profissional, amante da música e da arte de ser DJ, sem pretensão? Vida cultural em efervescência, essa é a São Paulo que conheci.

O que movia uma cidade desse porte, sem ser aquilo que muitos estão acostumados hoje em suas megalomanias de lucro pela cerveja e aglomerações, eventos que ficarão obsoletos com com o Covid-19, ele foi pioneiro sim, tinha que ser algo novo, inusitado. 

Ângelo Leuzzi na cabine de som do Rose Bom Bom na décaada de 1980. Foto: Divulgação.

Ângelo era um dandy… Pois ele sabia que as coisas, os negócios precisavam de alma, de qualidade, de fazer a diferença em cada coração. Uns 10, 12 anos atrás ele entrou em contato comigo, estava interessado na minha volta, disse que o Brasil estava bombando… E que queria abrir uma outra casa, e queria uma parceria eu disse pra ele que eu não podia voltar, por causa da minha nova vida, de mãe. Mas lembro que passei dias pensando naquele convite, naquele sonho, do Columbia, do trio “dance arte music” que me vinha à mente.

Naquele lugar que tinha sido uma padaria, quando estava de mudança para a Europa o BASE estava no papel, no Lov-E eu já estava aqui, e outros projetos dele, não lembro o nome.

Uma grande perda, mas ao mesmo tempo, quem o conheceu, quem trabalhou com ele, quem se divertiu, viveu. Uma lástima que politicamente estávamos divididos… Mesmo assim, em nome do passado, nunca o deletei, por respeito às suas ações, mais do que palavras em tempos de Imagem: Facebook. “redes sociais”, e mais do que nunca, percebo é isso o que querem, nos dividir, enfraquecer, e tirar nossa força nossa liberdade, e nossa expressão, nossos projetos culturais, nossa criatividade, nossa música e amor à vida..

Não vão conseguir e a vida do Ângelo esteve por aqui para provar. Obrigada querido! Descanse em paz.”

***
Brasileira de Porto Alegre, Bebete Indarte mora em Leiden, Holanda. É a primeira clubber que todos os clubbers brasileiros tiveram. Comandou a boate Massivo e foi dona do Latino nos anos 1990.

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