Nasce em Londres uma galeria para Banksy e em Paris um museu de arte urbana

Tudo isto porque abriu na capital inglesa um espaço expositivo que mostrará em permanência obras da sua autoria. Situa-se no bairro de Dalston, trata-se da galeria Hang-Up e o espaço foi baptizado de “Banksy Bunker”. A galeria estará aberta seis dias por semana, de terça-feira a domingo, e mostrará continuamente os mais diferentes trabalhos do artista, incluindo peças em tela ou esculturas. Todas as peças que ali forem apresentadas serão colocadas à venda para o público em geral.

O director da galeria, Ben Cotton, justificou a aposta declarando que actualmente não existe nenhum lugar que tenha em permanência apenas obras do enigmático artista. O espaço irá hospedar obras do início da sua carreira até ao presente. Estas novidades acontecem numa altura em que a sua aura está em alta, depois do sucesso o ano passado da operação Dismaland ou dos contínuos rumores sobre a sua possível identidade.

Na rua e na galeria

Também em Paris a arte urbana tem agora um espaço permanente com a inauguração do Arte 42 – Museu de Arte Urbana, onde poderão ser vistas cerca de 150 obras de artistas como Banksy, Futura 2000, JR, Invader, Okuda ou do português Alexandre Farto (VHILS). As obras pertencem à colecção particular de Nicolas Laugero-Lasserre, que as cedeu.

O primeiro museu de arte urbana de Paris funciona de terça-feira a sábado, com a particularidade de acontecer apenas no modelo de visita guiada gratuita. O lugar fica na inovadora escola de informática 42, situada no 17º bairro de Paris (96 Boulevard Bessières, 75017) e mais do que um lugar isolado e dedicado exclusivamente às obras, o invulgar espaço museológico é a própria escola pela qual estão espalhadas as obras.

Todas estas iniciativas acontecem numa altura em que as opiniões se dividem acerca da arte urbana. Existe quem sustente que perde a sua força e sentido se retirada do contexto da rua. Há quem argumente que as qualidades estéticas e interpeladoras se mantêm mesmo quando inseridas num espaço expositivo. E quem sustenha que o conflito não existe verdadeiramente a partir do momento em que muitos dos artistas em questão concebem peças exclusivamente para espaços expositivos, ao mesmo tempo que também criam intervenções urbanas específicas.

Recorde-se que em Lisboa existe uma galeria – a Underdogs – que se tem vindo a dedicar em exclusivo a este tipo de dinâmica, mostrando artistas que concebem peças propositadamente para galeria, sendo depois convidados também a conceber intervenções no espaço citadino. Até 5 de Novembro, na Underdogs, é possível ver uma exposição do espanhol Okuda, que também se encontra representado no novo espaço expositivo de Paris.

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Vítor Belanciano no Público.

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