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Ir à padaria pela manhã e pedir um café e um pão na chapa pode ser uma atitude desafiadora. Tomar todos os dias o tradicional café da manhã brasileiro, em um momento em que as coisas estão cada vez mais caras, é um ato capaz de deixar muita balança – e não é aquela balança que a gente tem no banheiro de casa - em déficit no final do mês.

O ato de questionar o preço do cafezinho em São Paulo fez com que Carol Gutierrez, Francele Cocco, Lucas Pretti e Maurício Alcântara se associassem para pensar em um novo formato de negócio: Um lugar onde você paga o quanto achar que deve pagar pelo que consome. Assim funciona o Preto Café, uma associação sem fins lucrativos para que “as pessoas reflitam sobre o quanto custa o que elas consomem”, segundo Maurício Alcântara.

O Preto Café foi inspirado no Curto Café, a versão carioca do negócio. Instalado em um coworking no bairro de Pinheiros, o Preto Café tem quase tudo o que um café convencional tem: mesas, cadeiras, decoração descolada. Mas a lousa na parede com a descrição de custos como aluguel, luz, impostos e, claro, o café, e as xícaras sem jogo – todas foram doadas, por isso, não há uma padronização das louças – dão uma pista de que ali funciona algo diferente.

Não há um cardápio. No balcão, algumas quiches, bolos e outros quitutes. Não há garçons. Quem toca o negócio são os próprios sócios. Não existe caixa. Para pagar, é preciso deixar o dinheiro dentro de um pequeno aquário de vidro, ou passar seu cartão na máquina que fica ao lado. E você deixa ali o quanto quiser. “Pagar o quanto quiser é uma provocação sobre o custo de vida em São Paulo”, diz Maurício.

A professora de história Fátima Mazarão partiu do mesmo princípio que o Preto Café para abrir a Ecozinha, em Curitiba. Também instalada em um coworking, ela e o namorado, Luciano Vaini, realizam almoços semanais, onde as pessoas pagam o quanto querem pela refeição. “Os custos são abertos e as pessoas contribuem com margem nesses custos”, conta Fátima. “Não é o preço da comida, é a ideia de valor de refeição, tudo o que fazemos é natural, artesanal e orgânico. E é preciso fazer reserva antecipada, para que não tenha desperdício de comida”.

No cardápio desta semana, lasanha de berinjela com abobrinha e queijo tofupiry (uma derivação do queijo Catupiry, só que feito de tofu, queijo a base de soja), arroz com nozes, mix de folhas, salada de lentilha e mousse de chocolate com base de abacate, já que a comida é vegana. Segundo Fátima, em média, cada pessoa deixa entre 18 e 20 reais. “Esse valor cobre os custos, paga os insumos e já nos permite ter um caixa”, diz.

O Instituto Chão, em São Paulo, trabalha um pouco com a mesma lógica do deixe o quanto quiser. Criado com a ideia inicial de ser um espaço de convivência, o local foi inaugurado em maio, mas logo mudou de direção. “Quando abrimos, as pessoas vinham até aqui procurar alimentos orgânicos”, conta um dos seis sócios, Fábio Mendes. “Detectando essa demanda reprimida e passamos a vender esses tipos de alimentos. Mas não era essa a ideia inicial”. O grande quadro negro com a descrição dos custos parece ser o selo de transparência desses lugares, já que todos têm um.

No Instituto Chão os alimentos são vendidos pelo custo do produtor – um feito e tanto para os que buscam comprar alimentos sem agrotóxicos e não querem gastar uma fortuna por isso. Chegando no caixa, o cliente deixa, além do valor da conta, o quanto quiser de contribuição. "Partimos um pouco do princípio da economia solidária. Não lucramos aqui", diz Fábio.

Em pouco tempo, a notícia se espalhou e o local passou a ser super procurado. E na lógica do Chão, quanto mais gente compra, mais baixos os preços ficam. “O café, quando abrimos, custava 1,50. Hoje já custa 1,30”, conta Fabio. O mesmo vale para a cenoura, a alface, a laranja e a maçã. Fábio afirma que apenas 3% das terras brasileiras são destinadas a plantações de alimentos orgânicos. A procura é grande, e a oferta é pequena. Por isso, os preços são altos. “Imagina se fosse o contrário?”, diz. “Muita gente vem aqui achando que a gente quer promover a alimentação saudável. Na verdade, a gente quer mesmo é promover a reforma agrária”.

O Instituto é aberto às novas ideias. Quinzenalmente, alguns assentamentos de trabalhadores sem terra realizam uma feira com seus produtos ali. Mensalmente, há uma reunião em que todos que deixam seu e-mail na ficha cadastral são convidados. “Buscamos a forma mais disforme possível”, diz Fábio.

Para Alexandre Teixeira, jornalista e autor dos livros Felicidade S.A e De dentro pra fora – Como uma geração de ativistas está injetando propósito nos negócios e reinventando o capitalismo (Ambos da editora Arquipélago), essas novas formas de economia surgem, basicamente, de dois questionamentos. “Por um lado, as pessoas acham que o modelo de economia tradicional está errado”, diz, “e, por outro, há um questionamento do próprio trabalho”.

A busca por um propósito no trabalho é, na maioria dos casos, a maior responsável pelo surgimento de novas iniciativas. “Todo mundo estava nesse momento de insatisfação com o trabalho", diz Maurício Alcântara, do Preto Café. "Por isso, abrimos o Preto também com a ideia de termos tempo livre para podermos nos dedicarmos a outras atividades também”. O Instituo Chão, como outro exemplo, nasceu em um hospital psiquiátrico. Lá, parte dos hoje sócios do Chão trabalhava, e surgiu a ideia de transformar o local em uma associação sem fins lucrativos. "Fizemos o estatuto, mas acabou não dando certo", diz Fábio Mendes. "Quatro anos depois, abrimos o Chão".

Buscar um propósito, porém, não significa, necessariamente, não ganhar dinheiro. “O desafio dos negócios do nosso tempo não é trocar lucro por propósito, mas é conciliar lucro com propósito”, diz Alexandre Teixeira.

A novíssima economia

Um dos pioneiros nesse desvio dos caminhos da tradicional economia é o Uber. Alvo de críticas e apelos em várias cidades do mundo, a empresa presta serviço de táxi sem que o motorista seja, necessariamente, um taxista - e tenha que pagar pelas licenças que a categoria exige. Basta ter um carro. E a ideia já está semeada, ainda que a empresa não consiga êxito. “Se o Uber fechar, a ideia de compartilhar o carro não vai acabar”, diz Alexandre Teixeira.

Outro que está entre os primeiros e entre os maiores exemplos é o Airbnb, serviço em que você pode colocar a sua casa, ou um quarto ou sofá, para alugar pelo tempo que quiser. “Hoje existem 80.000 quartos disponíveis no Airbnb do Rio de Janeiro. É a mesma capacidade hoteleira”, diz Teixeira. Segundo ele, a novíssima economia passa pela diversidade das atividades lucrativas: “A nova maneira de ganhar dinheiro será um mix de atividades rentáveis”, diz. “Você pode alugar um quarto na sua casa, pode aproveitar o trajeto que faz de carro até o trabalho para lucrar com uma carona e fazer alguns trabalhos como freelancer”.

E se para desenvolver esse trabalho você precisar de uma caixa de som ou uma lente de máquina fotográfica ou de um cabo específico, pode entrar no Tem Açúcar. A plataforma, que tem mais de 25.000 curtidas no Facebook, cruza dados com as pessoas que estão próximas a você e lança o que cada um precisa emprestado ou pode emprestar. É possível conseguir as coisas mais inusitadas, como panela de pressão, chapéu de rodeio ou cobertor. “De certa maneira, estamos retomando o espírito hippie, mas de uma maneira que não é caricata, e usando a tecnologia de uma forma libertária”, diz Teixeira.

Marina Rossi no El País.

Em busca de mais liberdade na vida pessoal e na profissional, uma nova geração de autônomos e de empreendedores escolhe viajar pelo mundo e morar temporariamente em outros países enquanto trabalha remotamente por meio da internet.

O casal de publicitários Débora Corrano e Felipe Pacheco, ambos com 25 anos, deixou o emprego em uma agência para trabalhar como autônomos e buscar mais qualidade de vida, mas acabaram presos a uma rotina de longas horas no trânsito ao se deslocar entre um cliente e outro. A solução foi trabalhar de casa e realizar reuniões por ferramentas de teleconferência como o Skype. “Tudo começou a ser feito na esfera digital e percebemos que não faria diferença trabalhar da nossa casa em Santana (na zona norte da capital) ou de Berlim”, diz Pacheco, que decidiu levar a ideia ao pé da letra.

Junto com a namorada, Pacheco guardou dinheiro por um ano e no começo de 2014 mudou-se com mala, cuia e dois cachorros para Berlim, aderindo ao movimento conhecido como Nômades Digitais, formado por empreendedores e profissionais autônomos que uniram a vontade de viajar o mundo com um trabalho que pode ser executado remotamente por meio da internet. “É uma questão de liberdade. Você percebe que faz sentido ser nômade no momento em que enxerga que gasta 4 horas do seu dia em deslocamentos para trabalhar em algo que talvez você não goste tanto”, diz Débora, da casa onde atualmente vive com Pacheco e os dois cachorros em Córdoba, na Espanha.

Depois de nove meses em Berlim, o casal passou uma temporada em Barcelona e migrou para Córdoba antes de seguir até o próximo destino: Lisboa. Os nômades vivem assim: passam uma temporada de algumas semanas ou meses em um país até migrarem para o próximo destino que oferecer uma boa conexão Wi-Fi.
 

 
Débora e o namorado alugam carro nos países por onde passam para viajar com os dois cachorros.Débora e o namorado alugam carro nos países por onde passam para viajar com os dois cachorros.
 

Ainda não há estatísticas sobre o nomadismo digital do mundo. Um dos principais marcos do movimento é o livro Trabalhe 4 horas por semana, de Tim Ferris, publicado em 2007 e que se debruça sobre as técnicas de como trabalhar online e por menos horas.

Há também centenas de ferramentas e blogs que abordam o dia a dia da vida de nômade e dão dicas para quem deseja se unir ao movimento. Débora mantém com Pacheco o blogPequenos Monstros, que mostra a rotina de quem carrega a vida em uma mala e o emprego no laptop.

O nômade holandês Pieter Levels criou a Nomad List, que indica os melhores lugares para os nômades viverem; o site “Remote | OK”, que lista trabalhos que podem ser realizados à distância; e o canal #nomads, na ferramenta de bate-papo Slack. “A primeira coisa a fazer é descobrir como ganhar dinheiro trabalhando online”, diz Débora, que faz questão de frisar que a vida de um nômade digital não é tão fácil quanto parece. “Existe um movimento hoje que diz: ‘Largue tudo agora e vá viajar’, e nós sempre dizemos: ‘Não, não largue seu emprego agora’, faça um planejamento antes senão você ficará perdido”, diz ela.

É o que defende também a publicitária Fernanda Nêute, de 34 anos, criadora do blog Fêliz com a Vida, que tornou-se nômade digital há 3 anos e meio por influência do namorado, o norte-americano Mark Manson.

“De 40 reuniões que eu fiz quando virei nômade, uma resultou em um cliente. Demorei quatro meses para conseguir um trabalho e ralei muito, mesmo sendo uma profissional com boa reputação e contatos no Brasil”, diz ela, que teve como primeiro destino a Tailândia e hoje está em Nova York.

O principal desafio está em convencer as empresas nacionais de que dá para confiar em alguém que está trabalhando do outro lado do mundo. Ao mesmo tempo, a rotina de nômade exige organização. “As pessoas pensam que eu fico fazendo reunião por Skype da praia. Se você quer ter uma carreira melhor, não tem essa de trabalhar 4 horas por dia e ficar na praia”, diz.

Para os nômades digitais o principal valor não está em ter uma vida fácil ou com menos trabalho, mas um novo estilo de vida. “A tecnologia proporciona às pessoas a possibilidade de serem livres”, diz Fernanda.

Estratégia

Marcus Lucas, de 31 anos, toca cinco negócios no mundo digital em meio a outros projetos individuais. A maioria é baseada na venda de livros e treinamentos sobre empreendedorismo, que garantiram recursos para ele viajar por oito países desde que se tornou nômade, em 2011. “Muitas pessoas simplesmente guardam um montante para a viagem. Sugiro criar múltiplas fontes de renda no Brasil para obter rendimentos mensais consistentes antes de viajar”, diz.

Ele recomenda ter um fundo de emergência de R$ 20 mil e uma renda mensal entre R$ 2 mil a R$ 3 mil para se manter como nômade digital, valor que também faz parte da média recomendada por outros adeptos do estilo de vida. “Em Chiang Mai (Tailândia) pagava R$ 500 de aluguel em um condomínio com piscina”, diz.

O baixo custo de vida e a facilidade de visto são os fatores que tornam a Ásia um dos destinos favoritos dos nômades digitais. “Muitas pessoas acreditam que ser nômade é não parar em nenhum lugar, o que pode ser um tanto quanto equivocado”, diz Lucas. “A grande maioria dos nômades fica no mínimo de um a dois meses em um país para ter maior imersão na cultura e firmar laços de amizade com os locais”, diz ele, que planeja ficar por mais um ano na Tailândia, onde mora atualmente, para aprender o idioma local e muay thai.

Há também quem depois de um tempo planeje estabelecer-se em um local. Fernanda quer voltar ao Brasil. “Toda vez que volto a São Paulo o meu telefone começa a tocar (com propostas de trabalho). A melhor parte de ser nômade é ter flexibilidade para estar onde é importante”, diz. “Pretendo empreender e o lugar onde preciso estar agora é São Paulo.”

Já o casal Débora e Pacheco decidiu manter um apartamento alugado em Berlim para criar uma base na Europa entre uma viagem e outra. Eles apostam que as experiências de vida farão a diferença no currículo se voltarem ao Brasil. “Temos medo de fazer tudo errado, mas quem não tem?”, questiona Pacheco.

Como vivem os nômades digitais?

Moradia
Os nômades vivem em apartamentos alugados por temporada (como no Airbnb) ou em albergues. Viajam com visto de turismo e a maioria vai para países da Ásia, onde o custo de vida é baixo e o trânsito entre os países é mais fácil – na Europa, por exemplo, a permanência máxima para um turista sem cidadania europeia é de três meses.

Dinheiro
Como não param em um só país, os nômades costumam manter uma conta no Brasil e pagar as despesas com cartão de crédito internacional. Cartões pré-pagos são a alternativa para saques em dinheiro e muitos recebem pagamentos de clientes via PayPal.

Telefone
Skype e WhatsApp são os meios de comunicação favoritos para evitar o alto custo com roaming.

Seguro-saúde
Existem planos específicos para nômades, como o World Nomads, que oferece cobertura global e seguro específico para quem pratica esportes radicais.

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Lígia Aguilhar no LINK do Estadão.

 


O Google toca um projeto chamado Earth Solidário que oferece recursos para organizações sem fins lucrativos. A iniciativa mais recente deles é medir a poluição do ar usando os carros do Street View.

Segundo o TechCrunch, isso vem sendo feito há um ano e meio: alguns veículos receberam sensores da startup Aclima para mensurar a qualidade do ar em áreas urbanas.

O objetivo é oferecer esses dados a cidadãos e governos locais para que eles possam combater a poluição. Por exemplo, se um cruzamento sempre ficar cheio de fumaça, seria possível colocar árvores no local, ou alterar o funcionamento dos semáforos.

Davida Herzl, fundadora da Aclima, diz ao TechCrunch: “nós sabemos que as árvores absorvem a poluição, especificamente o NO2. Se pudermos saber onde estão os pontos de poluição, saberemos onde colocar espaços verdes”.

Inicialmente, três carros do Street View recolheram 150 milhões de pontos de dados sobre qualidade do ar durante um mês na cidade americana de Denver, Colorado. Eles mediram a presença de ozônio, dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono, carbono preto, entre outros. A NPR explica:

Os sensores, ou “mini-laboratórios móveis”, como Herzl os chama, ficam na parte de trás dos carros do Google Street View, e as amostras de ar chegam a esses sensores através de um buraco em uma das janelas do carro, passando por uma série de tubos “que se parecem com canudos grandes”. Os carros também têm pequenos anemômetros do lado de fora, que podem acompanhar a temperatura e o fluxo do vento, entre outras medições meteorológicas. “É como se tivéssemos dado um nariz para os carros”, diz Herzl.

Agora, o Google vai comprar mais sensores externos da Aclima para equipar carros do Street View que cruzarão San Francisco e outras cidades dos EUA ainda este ano.

A Aclima projeta e constrói seus próprios sensores, envia os dados coletados para a nuvem em tempo real e os analisa, produzindo análises e visualizações.

Mapa AclimaMapa Aclima

A empresa Aclima existe há anos, mas sua existência só foi revelada em junho. Ela vem estudando a qualidade do ar interno em 21 edifícios do Google ao redor do mundo, o que pode aumentar a produtividade.

Por exemplo, ao monitorar salas de conferências ao longo do dia, o Google pode determinar se os níveis de CO2 subiram a ponto de prejudicar o desempenho dos funcionários – isso pode fazer você se sentir sufocado em uma reunião.

Por:  no GIZMODO com TechCrunchNPR via Engadget

 


Um aplicativo colaborativo que reúne 12, 5 mil recomendações em 22 países. Só no Brasil são 847 lugares.

Mais de dois mil chefs, produtores artesanais e jornalistas se uniram para rechear o app Slow Food Planet (http://planet.slowfood.com/) com as dicas mais bacanudas e comprometidas com o princípio do movimento.

“Os alimentos precisam sem bons, limpos e justos” e você não pode ter pressa, claro. Ele pode ser baixado no Apple Store ou Google Store e é free para um território. Caso você queira expandir suas fronteiras custa mais US$1,99 por região.

A arrecadação vai para o movimento. O mais interessante do sistema é que foi dividido em três áreas de busca. “Tempo para comer” prioriza os lugares que valorizam a origem e a autenticidade.

Um exemplo? O restaurante do Bira, no Rio, “onde é possível almoçar peixe fresco, embaixo de árvores e com vista para a restinga de Marambaia.” Captou a essência?

“Tempo para mim” traz seleções para combinar com seu estado de espírito. E “tempo para comprar” reúne lojas de produtos típicos e ou dicas de onde encontrar ingredientes direto da fonte. Ah, e o conteúdo não é estático. Novas sugestões vão sendo incorporadas à medida que os “olheiros” vão descobrindo as surpresas pelo caminho.

Blue Chip de Angela Klinke no Valor Econômico.


A imagem abaixo, mostra o Teatro Municipal e a praça da República no começo da década  de 1910. Até aí, nada demais: a internet está cheia de fotos desses dois locais tiradas nessa mesma época. 

O que torna estas duas fotos interessantes, no entanto, é que nelas aparecem os primeiros táxis da cidade, parados à espera de passageiros. É a frota da Companhia Auto-Taxímetros Paulista, empresa fundada em 1910 para explorar o serviço em São Paulo.

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A imagem é de um livro com mais de 1000 páginas pulicado em 1913, organizado por um certo Reginald Lloyd e intitulado “Impressões do Brazil no Século Vinte: Sua Historia, Seo Povo, Commercio, Industrias e Recursos”. A referência aos táxis aparece ali pela página 700, e eles são apresentados como uma grande inovação:

"A história da fundação e desenvolvimento da companhia desperta real interesse, pois que representa a introdução de uma ideia nova e o seu completo êxito. Atualmente, tem a companhia 62 automóveis-taxímetros (…) e o número dos veículos cresce de dia para dia, com as contínuas aquisições que faz a empresa. (…) Para mostrar a grande aceitação que encontram os carros da companhia, basta dizer que estão em serviço contínuo, por assim dizer, noite e dia. O estabelecimento tem uma escola de choferes, e estes, para entrar no serviço da companhia, têm de passar por um exame rigoroso, com provas minuciosas e práticas. As oficinas da companhia são montadas com os mais modernos maquinismos e utensílios para construção de automóveis e seu reparo. Em suas diversas seções, emprega a empresa 150 homens. O enorme desenvolvimento que tiveram os serviços da companhia em 1911 tornou necessário o aumento do edifício em que se achava instalada. Tanto a garagem como as oficinas têm aspecto de limpeza e ordem perfeitas; os choferes da empresa são de uma cortesia que muito a recomenda. A garagem e oficinas da companhia ficam à Rua Conselheiro Nébias, 55 e 70, havendo, além disso, uma agência à Rua de São Bento, 21.”

Outra referência a esses táxis aparece em “São Paulo de Meus Amores”, livro do jornalista Afonso Schmidt publicado em 1954:

“Naquele tempo, os automóveis começavam a aparecer. Eram, geralmente, de marcas francesas e italianas: Berliet, De Dion Button, Fiat, Benz… Ainda se pareciam com carruagens. Os primeiros táxis eram umas caixas negras, com lanternas vermelhas ao lado, e os primeiros choferes de praça, pensando talvez que se tratasse de embarcações, lhes davam nomes femininos: a ‘Elisa’, a ‘Laura’, a ‘Rosalina’… Tais nomes eram mandados gravar em chapas metálicas e afixados atrás da carroceria”.

Mas nem tudo foi tranquilo, na introdução dos táxis em São Paulo. Em 25 de agosto de 1911, uma notícia d’O Estado de São Paulo relata que os cocheiros que viviam de transportar passageiros da estação da Luz não estavam recebendo nada bem os primeiros táxis que tentavam fazer ponto na porta da estação:

“Os cocheiros dos carros de praça que estacionam na estação da Luz não acolheram bem a concorrência que lhes vai fazer a nova companhia de Auto-transporte (…). No primeiro dia em que ali foram distribuídos vários automóveis, criou-se logo uma corrente de antipatias à nova empresa, e os cocheiros viram na conduta daquela empresa uma concorrência desleal e perniciosa”.

Segundo o Estadão, os protestos dos cocheiros foram bastante violentos, com tumulto e “grande correria”. Cem anos depois, eu fico morrendo de dó de terem amassado a Elisa, a Laura e a Rosalina.

E também fico pensando em como as polêmicas se repetem. Agora são os táxis que assumem o papel de vítimas, acusando o aplicativo Uber, inovação da vez, da mesma “concorrência desleal e perniciosa”.

Obs. A imagem, assim como o trecho do livro “Impressões do Brazil no Século Vinte”, foram reproduzidos de novomilenio.inf.br

Martin Jayo no blog - quando a cidade era mais gentil.

 


A cidade de São Paulo é a melhor opção para quem quer criar uma startup de tecnologia na América Latina. A conclusão é do estudo Global Startup Ecosystem Ranking 2015, realizado pela Compass, uma desenvolvedora de software para empresas de tecnologia que realiza estudos do setor desde 2012.

No ranking global, São Paulo aparece na 12º lugar, subindo uma posição na comparação com o ranking anterior, publicado em 2012. A cidade é a única no Brasil e na América Latina a aparecer no estudo, que mapeia os 20 melhores ecossistemas de startups do mundo.

Na liderança do ranking aparecem o Vale do Silício, Nova York, Los Angeles, Boston e Tel Aviv. O estudo deixou de fora os ecossistemas da China, Taiwan, Japão e Coreia do Sul por causa da barreira da linguagem.

As cidades foram avaliadas nos quesitos performance, disponibilidade de capital, alcance de mercado, talento e capacidade de exportar startups internacionalmente.

O estudo aponta como pontos fortes de São Paulo a disponibilidade de capital, performance das startups e alcance de mercado.

 

Achados

O estudo também apresentou algumas conclusões sobre os ecossistemas estudados. Nova York, Austin, Bangalore, Cingapura e Nova York apresentaram o melhor desenvolvimento no período de 2012 e 2014, enquanto Toronto, Sidney, Vancouver e Seattle apresentaram as maiores quedas. Santiago, Melbourne e Waterloo saíram do ranking, o que mostra uma queda no desenvolvimento dos ecossistemas locais.

Segundo o Global Startup Ecosystem Ranking 2015, os ecossistemas de startups estão cada vez mais internacionais, já que  37% dos investimentos recebidos pelas startups nos 20 ecossistemas mapeados incluem ao menos um investidor de outro país. Já o número de startups que abriram um segundo escritório em outro país ou até mesmo mudaram sua sede de uma região para outra cresceu 8,4 vezes.

O número de saídas bem sucedidas de uma empresa (quando os investidores conseguem vender a sua participação e lucrar) cresceu 78% anualmente entre 2012 e 2014 — 40% por meio de IPOs e 60% por meio de aquisições. Esse movimento foi puxado principalmente por Berlim, Bangalore, Amsterdam, Londres e Tel Aviv. São Paulo não se destacou nesse quesito.

A falta de capital de risco disponível no mercado deixou de ser um problema para as startups. Esse tipo de investimento cresceu 95% entre 2013 e 2014 nos ecossistemas listados, mas as cidades que se destacaram foram novamente as europeias e americanas. Em Berlim, por exemplo, os investimentos cresceram 12 vezes de um ano para o outro.

Todas as startups apresentaram grande desequilíbrio o quesito igualdade de gêneros, embora o número de fundadoras do sexo feminino tenha crescido 80% – as mulheres são 18% das fundadoras de startups, número que era de 10% no estudo anterior.

O Global Startup Ecosystem Ranking 2015 foi baseado em entrevistas com mais de 200 empreendedores e especialistas de 25 países e em uma pesquisa com 11 mil startups, investidores e envolvidos com o setor ao redor do mundo ao longo dos últimos cinco meses.

Fonte: Start no caderno Link do Estadão. 

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