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São Paulo São Negócios


A marca de cerveja Heineken lançou nesta semana a campanha Green Tuesday, que pretende dar desconto na cerveja ao consumidor que apresentar latas ou garrafas vazias. A ação já está valendo em 50 lojas do supermercado Pão de Açúcar em São Paulo.

Todas terças-feiras até o dia 2 de fevereiro, os clientes maiores de 18 anos que apresentarem 12 embalagens vazias (latas e/ou long necks) de qualquer marca de cerveja receberão um voucher de 30% de desconto na compra de outras 12 unidades iguais (latas ou long neck) da marca. O voucher deverá ser entregue no caixa do supermercado.

“Queremos incentivar os consumidores a transformar a coleta e separação de materiais recicláveis em uma ação cotidiana", explica Renata Zveibel, diretora de comunicação externa e sustentabilidade da marca. "A abordagem da campanha reforça o comportamento positivo do consumidor, que se beneficia ao fazer a coleta e reciclagem de vidros e latas, ao mesmo tempo em que o conscientiza da importância de se envolver com este tema."

Para saber o endereço de todas as lojas participantes e o regulamento da campanha, acesse o site da Heineken.

Consumo moderado

Esta não é a primeira vez que a Heineken lança campanha de conscientização. A última ação da marca foi sobre consumo moderado de álcool.

O comercial "Moderate Drinkers Wanted" apresenta os Heroes of the Night ("Heróis da Noite") como homens e mulheres que bebem moderadamente e ficam sóbrios até o fim da noite.

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Luiza Belloni no HuffPost Brasil.
 


Abriu nesta quinta, 14, na Bela Vista, o Nano, espaço que funciona mais ou menos como um food park. São cinco estações vendendo comida e bebida. Quatro são fixas: Imbiss (pretzels, hot-dog e currywurst, de R$ 20 a R$ 25), café do Isso É Café (o mesmo do Mirante 9 de Julho), Bistrô do Nano (três opções de PF no almoço, hoje é dia de cassoulet, além de massas no jantar; em média R$ 25) e cervejaria Mea Culpa, com quatro torneiras de chope (um pint sai por R$ 12 ou R$ 14), além de poucos drinques e bebidas não alcoólicas.
 

Ambiente. As mesas coletivas vieram da Alemanha. Foto: Gabriela Biló / Estadão.


Uma das estações é sempre ocupada por um convidado. O primeiro é Bruno Alves, que manteve até janeiro de 2015 o Kød Burger na Vila Madalena e agora testa o pop-up Kød Churras. Da grelha saem cortes (contrafilé, ancho, costela) com tempero à escolha (o criolle leva 12 especiarias), servidos com batata ao murro, farofa e vinagrete com chimichurri, por exemplo (R$ 20 a R$ 30).

A ideia do Nano nasceu quando Marcelo Carneiro da Cunha e Diego Godoy testavam o conceito do Imbiss, de que são sócios, em feiras gastronômicas em 2014.

Bife ancho com crosta criolle acompanhado de batatas ao murro e vinagrete de chimichurri do itinerante Kød Churras. Foto: Gabriela Biló / Estadão.

Eles decidiram tentar criar uma versão melhorada do food park: pegar o que havia ali de bom e eliminar os defeitos. Tem diversidade de comidas, sem concorrência entre os vendedores. Tem mesas comunitárias, mas protegidas do sol e da chuva. E tem comanda única para comer e beber, sem aquela história de sacar o cartão a todo momento. Ali, o cliente só paga na saída.

Para abrir o Nano, eles se uniram à cervejaria paulista Mea Culpa. O lugar ocupa um galpão com capacidade para cerca de 60 pessoas, com mesas coletivas e balcão contínuo.

O chope artesanal da cervejaria paulista Mea Culpa. Foto: Gabriela Biló / Estadão.


Serviço

Nano
Rua Santa Madalena, 27, Bela Vista.
Horário de funcionamento: 12h/24h (domingo e segunda das 12h/18h).

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Ana Paula Boni no Caderno Paladar de O Estado de S.Paulo.

 

 
Formado em Marketing, Marcos Poiato, 53, já tinha sido bancário por 17 anos em Sorocaba (SP) e trabalhado outros nove anos como executivo de vendas na indústria farmacêutica quando sentiu uma espécie de comichão. Terceiro homem na hierarquia de uma multinacional indiana do setor no Brasil, uma de suas funções era coordenar a instalação das novas fábricas no país. Após 26 anos como empregado, ele se perguntava por que, afinal, não criar um negócio só seu?
 
Vontade ele já tinha, faltava um plano. Como na empresa Marcos atuava à frente de campanhas de combate ao cigarro, foi com a lei antifumo, adotada em 2007 no estado de São Paulo, que veio o insight: os bares e restaurantes ficariam “limpos”, mas para onde iriam os fumantes? E – mais que isso — para onde iriam os cigarros? “A lei foi ótima, mas o foco dela é na saúde. Ninguém pensou no meio ambiente”, diz. Ele se refere, especificamente, às bitucas ou “resíduos de cigarro”, como gosta de dizer. Ali nascia o embrião da Poiato Recicla, inaugurada oficialmente em 2010 e que hoje se apresenta como a primeira estação de coleta e reciclagem do Brasil.
 
A ideia inicial de Marcos era criar um mecanismo para a coleta de bitucas. O passo seguinte foi consultar 12 secretários municipais de meio ambiente para saber por que as prefeituras não tinham um sistema específico para a gestão desses resíduos. A resposta foi surpreendente: a coleta até existia, mas os fumantes a ignoravam.
 
“A maioria das lixeiras das grandes cidades têm uma chapa de metal para apagar a bituca. Ninguém sabe disso”, diz ele. E prossegue: “Não é regra, mas estudos de comportamento mostram que o fumante quer se ver livre logo da bituca. Porque fede, porque precisa pegar um ônibus. E muita gente tem medo de jogar o resto do cigarro no lixo por achar que a lixeira pode pegar fogo. Então, a bituca acaba mesmo indo para o chão”.
 
Prototipando um negócio inexistente. Passo a passo
 
Amparado em pesquisas do setor, ele afirma que 23,8% da população brasileira é fumante. “Cada pessoa fuma em média 17 cigarros por dia. E 98% disso é simplesmente jogado no chão”, afirma. Um problema e tanto. Marcos consultou especialistas e gastou 27 mil reais para criar o molde de uma lixeira específica para bitucas, que ele chama de “caixa coletora de resíduos do cigarro”. A caixa é de metal, pintada de verde, tem três furos para depósito das bitucas e espaço para divulgação de campanhas antifumo e a favor do meio ambiente. A produção e instalação de cada caixa custa 212 reais para a Poiato.
 
O primeiro cliente da empresa foi a Prefeitura de Votorantim, onde a Poiato se instalou. Lá, foram colocadas 82 caixas coletoras. Mas as lixeiras resolviam apenas parte do problema: o que fazer com as bitucas recolhidas? Marcos estava inserido no passo a passo de um negócio então inexistente no mercado. Um dos preços de se inovar, e quem empreende sabe disso, é que a cada etapa conquistada, um novo desafio surge. Ele, então, criou também um sistema de coleta desses resíduos, que passaram a ser armazenados na sede da empresa. Até este momento, a Poiato não se ocupava de nenhum processo além da coleta e armazenamento do material. 
 
O que sobra da fervura e filtragem das bitucas é prensado e vira a massa de celulose, pronta para se transformar em papel. O que sobra da fervura e filtragem das bitucas é prensado e vira a massa de celulose, pronta para se transformar em papel.
 
Na reciclagem das bitucas, o que sobra da fervura e filtragem é prensado e vira a massa de celulose, pronta para se transformar em papel. 
 
Naturalmente, surgiu um terceiro problema: o que fazer com aquilo? Bitucas de cigarro são classificadas como lixo tóxico classe 1 (a mesma categoria dos resíduos hospitalares), pois carregam mais de 8 mil substâncias tóxicas somente no filtro. O descarte comum não era uma possibilidade, e o passo seguinte foi correr atrás de bons exemplos na gestão de bitucas ao redor do mundo. Marcos descobriu que, no Canadá, elas são processadas para virarem pallets de plástico (aquela estrutura geralmente quadrada usada embaixo de caixas de papelão em depósitos e centros de logística). Na China, as bitucas se transformam em anticorrosivos. No Chile, em tecido para a alta costura. Nenhuma dessas iniciativas experimentais, porém, era calcada em análises científicas, como Marcos queria para a Poiato: “Queríamos ser uma empresa modelo, com certificação ambiental e processos com aval científico. Não podíamos dar brechas para algo dar errado lá na frente.” 
Depois de muito buscar, o empreendedor encontrou o que procurava na Universidade de Brasília. Ali, um estudo conduzido pelos professores Thérèse Hoffman, decana da universidade e professora do Departamento de Artes Visuais, e Paulo Suarez, do Instituto de Química e diretor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico de Brasília, tinha descoberto uma maneira de transformar as bitucas de cigarro em celulose. 

Funciona da seguinte forma: as bitucas passam por uma espécie de triagem, para retirada de outros dejetos que possam ter sido trazidos na coleta. Em seguida, são fervidas em uma solução com água e produtos químicos para “anular” as substâncias tóxicas. O material depois é filtrado, e amostras do líquido produzido são analisadas para controle ambiental do processo. O que sobra é prensado e vira a massa de celulose, pronta para se transformar em papel. A partir daí, o processo segue o rito já conhecido da reciclagem de papel, com a hidratação da massa de celulose, formato e coloração. O papel produzido, por enquanto, tem sido usado em convites e capas para cadernos ou blocos de anotação. 
Etapa da reciclagem na qual a bituca já virou massa de celulose e segue um processo semelhante ao da produção de papel artesanal.

O ano era 2012, a Poiato já tinha dois anos de operação, e o pedido de patente para a tecnologia dos professores da UnB estava em análise desde 2003. Seria concedida somente em 2014. Marcos, então, fez um acordo para usar do método, pagando royalties para a universidade. “É uma tecnologia 100% nacional, que a Poiato Recicla tem exclusividade para uso no País”, conta. 
Ele construiu uma usina para a reciclagem desses resíduos na sede da Poiato. A unidade está pronta e aguarda licença da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para começar a funcionar. Até o momento, o papel produzido pela Poiato vem da UnB e é apresentado em demonstrações e palestras que faz a respeito do setor. Marcos, espera iniciar o processamento em Votorantim o quanto antes. Enquanto isso, as bitucas coletadas ficam armazenadas na empresa.

Novos rumos para o negócio
 
Primeiro a coleta, depois o armazenamento e, por fim, a reciclagem: crescendo de acordo com as demandas do mercado, a Poiato Recicla já atende três prefeituras paulistas (Votorantim, Boituva e Campinas) e mais de 140 empresas, a maioria na região de Sorocaba. Ao todo, tem 2 mil caixas coletoras instaladas. “Olhando o mapa do Brasil, não fazemos nem um risquinho ainda. Temos muito espaço para crescer”, diz o empresário.  

Marcos é o diretor comercial da empresa, e seu filho Felipe, 32, o diretor administrativo. Além dos dois, mais seis funcionários cuidam do que Marcos chama de “serviços essenciais”: montagem das lixeiras, instalação, coleta das bitucas (que é feita semanalmente em cada um dos clientes cadastrados) e, agora, a reciclagem. A Poiato conta, também, com outros 60 trabalhadores terceirizados em setores como marketing, gráfica e estamparia.  

O investimento inicial na Poiato Recicla foi de 300 mil reais, feito com recursos próprios, sem empréstimos nem ajuda externa. O faturamento anual Marcos não revela, nem valor dos serviços realizados para as 14o empresas clientes, mas só o contrato com a Prefeitura de Campinas, válido por um ano, renderá 200 mil reais à empresa.  O próximo passo da Poiato é definir a destinação do papel. Com a usina própria, a celulose gerada pelo processamento das bitucas vai voltar para as prefeituras atendidas, que poderão destinar o material para ONGs que atuam com educação ambiental. Clientes da iniciativa privada também podem escolher entidades para receber a celulose que vêm de suas bitucas. 

Em Brasília, parte da celulose já é transformada em capas para blocos de anotação e convites. A qualidade do papel ainda não é a mesma com a qual estamos acostumados mas, para Marcos, ele tem todo um “charme” justamente por ter ser fruto do reaproveitamento das bitucas.

Marcos também pretende, um dia, produzir o seu próprio papel, com mais qualidade, para colocar à venda. “Para fazermos um papel melhor, precisamos desenvolver a tecnologia. Precisamos de investimentos e, para isso, temos que ter um grande volume de bitucas processadas, o que ainda não temos.” Desde o início de sua operação, a Poiato já recolheu mais de 7 milhões de bitucas. Para fazer uma folha tamanho A4, são necessárias 25. Marcos é paciente:“A inovação demora para entrar na cadeia produtiva. Tem que ter resistência.”

 

O papel produzido, por enquanto, tem sido usado em convites e capas para cadernos ou blocos de anotação. O papel produzido, por enquanto, tem sido usado em convites e capas para cadernos ou blocos de anotação.
O papel produzido, por enquanto, tem sido usado em convites e capas para cadernos ou blocos de anotação.

Com a empresa encaminhada, Marcos Poiato mantém a expressão tranquila. Sério, mas fala com entusiasmo da Poiato e demonstra interesse em defender sua ideia até as últimas consequências. O “r” puxado em cada fonema não o deixa esconder suas origens. “Meu maior hobby é tomar uma cerveja com meus filhos”, afirma, depois de pensar um pouco para responder – talvez sua maior diversão seja mesmo o trabalho.

Marcos é casado há 33 anos com a professora Raquel, e além de Felipe, tem outro filho, Gabriel, de 29 anos. Ele diz que os maiores erros que cometeu estão relacionados ao excesso de confiança inerentes a altos executivos. “Quando você se torna uma referência no que faz, fica muito confiante. Às vezes, isso faz com que deixe de estudar, de apreciar novas práticas, de entender o que é novo”, afirma, falando de si próprio com segurança e humildade. 

À frente da Poiato, uma empresa do ramo ambiental, Marcos confessa que nunca se preocupou com a sustentabilidade — até que ela aparecesse como uma oportunidade de negócio. “Eu não tinha isso não, para ser honesto. Aproveitei um nicho que estava descoberto. E, quando tive mais contato com a área de sustentabilidade, vi o quanto ela é importante”, diz Marcos. Que, a propósito, não fuma.


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Luís Manzoli / Projeto Draft.

 

 

De onde vêm os alimentos que você come? Normalmente, eles percorrem centenas de quilômetros, recebem uma grande quantidade de agrotóxicos e podem até se perder no caminho. E se os alimentos que você consome todos os dias fossem cultivados na sua vizinhança, sem agrotóxicos?

Urban Farmers é uma empresa que se compromete a oferecer produtos orgânicos em larga escala nas grandes cidades, através da produção de fazendas urbanas no topo dos prédios. Nesse modelo, ervas, verduras, legumes e peixes são cultivados através da aquaponia (com a água), sem agrotóxicos ou desperdícios.  Isso possibilita a redução do processo e da logística de produção, para que o alimento tenha qualidade e validade maior e preço menor.

 

Urban Farmers: estufa em cobertura na Suíça. Imagem: divulgação.

A iniciativa suíça deve chegar em breve a São Paulo, depois do sucesso em seu país de origem. O objetivo do projeto é produzir alimentos no ambiente urbano sem nenhum tipo de agrotóxico e evitando desperdícios. A vinda da Urban Farmers ao Brasil aconteceu graças aos brasileiros Daniel Pacheco, Talita Marinho e Alexa Gaspar, que foram até a Suíça conhecer a ação e decidiram tentar trazê-la a um dos ambientes mais urbanizados da América Latina: São Paulo.

O grupo está acertando os últimos detalhes desse intercâmbio com o fundador e presidente da empresa, Roman Gaus, e busca terraços e coberturas de edifícios que comportem as instalações do projeto, e cujos proprietários tenham interesse em colaborar.

Para que as hortas urbanas sejam instaladas é preciso pelo menos mil metros quadrados de área para a construção da estufa para o cultivo de vegetais diversos como legumes, frutas e ervas. No mesmo espaço, peixes são cultivados em tanques e a água com os resíduos dos animais é levada, por meio de tubos, até a plantação para adubá-la.

Completando o ciclo, as plantas filtram essa água, que volta para o tanque dos peixes. O resultado disso tudo são alimentos fresquinhos vendidos posteriormente para supermercados, restaurantes e consumidores diretos, que podem fazer encomendas e recebê-las em casa.

O projeto tem previsão de ser implementado em São Paulo em 2016.

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Fontes: Hypeness e Impact Hub. 


Figurinista de teatro cria um banco para troca de restos de tecido. A Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, viu um novo modelo de banco abrir as portas em janeiro deste ano. Só que a moeda de troca ali não é o dinheiro. O capital, no caso, é um bem maleável, cotado por quilo e cheio de cores e texturas diversas.

É na base do troca-troca que funciona o Banco de Tecidos, projeto que recoloca no mercado e recicla peças que antes estavam esquecidas no fundo das gavetas ou restos sem uso nas prateleiras ou estoques de alguma confecção.

Inscreva-se para o Prêmio Empreendedor Social e para o Prêmio Empreendedor Social de Futuro 2015. Na gerência desse banco diferenciado está a figurinista e cenógrafa Lu Bueno, 45, que tem em seu currículo companhias teatrais como Parlapatões, Circo Mínimo, La Mínima, entre outras.

Ao longo de 25 anos de profissão em que trabalhou com diretores como Gerald Thomas e Antunes Filho, a nova "banqueira" via centenas de pilhas de tecido se amontoarem em sua casa diariamente. A situação piorou em 2013, quando Lu precisou se mudar para uma residência menor. Só então se deu conta que já havia acumulado quase uma tonelada de tecidos.

Depois da surpresa, a figurinista buscou uma forma de destinar o material corretamente. Caso descartado no lixo, um tecido de malha, por exemplo, pode levar até um ano para se decompor. No caso do couro, esse tempo sobe para 50 anos.

Lu apelou então para uma brincadeira entre seis amigos, que também trabalham com artes cênicas, para evitar que o material precioso virasse lixo. Cada um trazia seus restos de tecidos e faziam trocas entre si, de acordo com as necessidades profissionais daquele momento.

Passado um ano da experiência, a idealizadora do escambo informal notou que não se tratava apenas de um troca-troca entre amigos.

"Percebi que estava entrando em um empreendimento social. Recolocando no mercado tecidos que estavam parados. Eu retiro o material, libero espaço e gero dividendos sem praticamente nenhum gasto ambiental", diz.

Lu foi buscar informações no Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Matriculou-se em cursos sobre economia criativa, de nomes sugestivos como "Aprendendo a Empreender". Foi assim que acabou participando de uma oficina intitulada Transforme sua Ideia em um Modelo de Negócio.

Nascia assim o negócio propriamente dito. No Banco de Tecidos, o modelo de troca funciona como um "sistema correntista". O cliente se cadastra, leva seus quilos de tecidos e o projeto cobra 20% de taxas. Ou seja, de cada 10 quilos apresentados no balcão, dois são retidos pelo banco. Os oito restantes podem ser trocado por qualquer outra peça. Estão disponíveis tecidos mais e menos nobres, de seda pura a malha.

"Isso proporciona um giro de tecido até mesmo de peças artísticas originais que estão fora de linha há anos", exemplifica a criadora do banco. "Tecido bom não estraga."

A clientela do banco é variada. Lu tem percebido que suas peças exclusivas tem despertado interesse de pessoas ligadas à moda e até mesmo noivas que buscam uma decoração original para o casamento, por exemplo. A maioria dos tecidos do banco não é mais encontrada no Brás ou Bom Retiro -regiões tradicionais de venda do produto em São Paulo.

Pelo cunho social da iniciativa, a dona do banco diz não descartar nenhum tipo de tecido. A avaliação do material é feita na hora. Os que estiverem em pior estado são destinados a aterros. Aqueles que necessitem de limpeza, são encaminhados para lavagem. 

Quando a sobra não é aproveitada no banco por ser muito pequena, a figurista a destina para a oficina de costura do Projeto Arrastão, que dá acolhimento e suporte a famílias carentes no Campo Limpo, zona sul da cidade. 

O espaço também é aberto para o "comércio tradicional" e vende o quilo de qualquer tecido por R$ 35. "A ideia é que as pessoas usem esse banco de forma contínua e criem relações com outras que gostam de tecido", diz a idealizadora. 

Expandindo o negócio.

O negócio que começou para economizar espaço e energia acaba de virar também um selo de moda sustentável: a Tecidos de Reuso Para Uso. Lu se juntou a estilista Gabriela Mazepa para a criação de peças como blusas, vestidos e camisas, produzidos com tecidos reaproveitados. O projeto também começa a ampliar sua atuação, fechando parceiras com confecções de moda para doação de tecido. Interessados em doar ou trocar tecidos. Em caso de grandes doações, é possível solicitar a retirada.

Se você ficou curioso pra conhecer o Banco de Tecido fica na Rua Campo Grande, 504  – Vila Leopoldina  – São Paulo Capital. O telefone de lá é (11) 4371-3283. Funciona de 2ª a 6ª das 9h30 às 18h.


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Fonte: Empreendedor Social na Folha de S.Paulo. 

 


Depois de muitos bares visitados nos últimos 12 meses, eis a shortlist das melhores novidades para beber e petiscar que surgiram em São Paulo em 2015. Endereços recém-inaugurados ficaram de fora da seleção. Confira quem fez sucesso ao longo deste ano e mereceu figurar na 1ª edição do prêmio “Taste and Fly”. Todos os vencedores receberão um certificado.
 
Divulgada com estardalhaço nas mídias sociais, a casa inaugurada em outubro, no centro de SP, virou ponto de peregrinação gastronômica, com filas homéricas na porta. O motivo do frenesi é o cardápio focado em carne suína do chef Jefferson Rueda, nascido em São José do Rio Pardo (SP) e apaixonado por embutidos. Ao lado da mulher, Janaína Rueda (do Bar da Dona Onça), a dupla se vira nos trinta para receber a multidão. Entre as receitas que fazem a clientela se esbaldar estão o sensacional sushi de papada de porco (29 reais; foto) e o porco a san zé (42 reais por pessoa), assado inteiro e lentamente por pelo menos 8 horas. Vem com tutu de feijão, tartar de banana e couve cortada bem fininha. Para beber, vá na deliciosa cerveja session IPA Horny Pig.
 
# BTNK
Instalado num antigo vagão de trem na Mooca, é uma das surpresas desta temporada. O endereço foi criado dentro do conceito de ‘pop-up bar’ — para existir por um período específico —, mas devido a grande procura teve sua temporada estendida até maio de 2016. O BTNK (lê-se Beatnik) funciona apenas nas noites de sábado. Além do vagão, com apenas oito mesas, o público pode curtir uma área coberta com bares, lounge retrô e som de DJ. Uma parceira com a lanchonete Z Deli garante a qualidade da cozinha. São duas sugestões de hambúrguer, como o joint (26 reais), incrementado com cheddar, cebola-roxa, tomate-caqui e maionese.
 
# Izakaya Matsu
Fachada discreta com porta de correr. Ambiente simples e apertado (são 16 lugares no balcão e uma só mesa). E uma cozinha aberta atrás do balcão. Assim é o autêntico izakaya (boteco japonês) Matsu, que chegou em fevereiro à Avenida Pedroso de Morais, em Pinheiros. O endereço tem pedigree: é dos mesmos donos do célebre Izakaya Issa, na Liberdade. Para abrir o apetite, mire o otoshi (20 reais; foto), composto de três entradinhas frias como acelga apimentada (kimchi), raiz de bardana e raiz de lótus, todas deliciosas. Outra escolha certeira é gyukatsu curry (42 reais), carne bovina à milanesa servida com arroz e molho curry de ardor moderado. Para bebericar, a casa oferece cervejas (Original, Serramalte etc) e saquês japoneses, servidos em charmosos copinhos de vidro.
 
# Pitico
Criado pelos menos donos do Pita Kebab Bar, caiu nas graças dos hipsters e descolados. É, sem dúvida, um dos bares mais pitorescos inaugurados em SP em 2015. Seu ambiente, todo ao ar livre, lembra uma praça urbana e tem um quê de Williamsburg, bairro hypado do Brooklyn nova-iorquino. As acomodações, curiosamente, são em cadeiras de praia, posicionadas ao redor de mesas feitas de pallets (peças usadas para armazenar e transportar mercadorias nas fábricas). Kebabs como o de cafta e o de faláfel são preparados dentro de um contêiner. Na hora de bebericar, ataque as cervejas long neck (Heineken e Stella Artois) e drinques como o Aperol Spritz. Ah, não espere sentado pelo garçom. A informalidade é a mesma no atendimento: pague no balcão e retire seu pedido.
 
# Frank
O cinco-estrelas Maksoud Plaza, fundado em 1979, despertou do ostracismo em 2015 com duas inaugurações bacanas: o club PanAm, no topo do prédio, e o bar Frank, inaugurado em abril no lobby do hotel. O burburinho imediato em torno da casa deu-se por uma contratação de peso: o hypado bartender Spencer Jr. (ex-Isola; foto), que fez do Frank, de bate-pronto, um dos mais venerados bares de coquetéis de São Paulo. Na carta com 33 receitas estão tentações como o la mula, com tequila, licor de laranja Grand Marnier, limão-galego, cumaru e ginger ale (31 reais); e o shrub #6 (33 reais), que leva bourbon, redução de vinagre de jerez com framboesa fresca, suco de limão-galego e bitters aromático Jerry Thomas Own Decanter.
 
# ICI Brasserie (Bela Cintra)
Nascido em 2013 no shopping JK Iguatemi, o bar-restaurante inspirado nas brasseries francesas ganhou em abril sua primeira unidade de rua, na Bela Cintra, nos Jardins. Há sempre um chope convidado engatado na chopeira, que serve ainda receitas exclusivas. Entre elas, a ICI 00 (pronuncia-se zéro zéro, em francês), que passa pelo processo de dry hopping, e a ICI Celebris, do estilo saison e com ervas de provence na receita. Entre as tentações do cardápio estão o steak tartare com fritas (37 reais o pequeno); o peito de vitelo (56 reais) com minilegumes acompanhado de spätzle (um tipo de macarrão) e o croque madame no brioche (41 reais, com fritas).
 
# Sóshots
Inaugurada em junho, a nova casa da turma dos bares Vaca Veia e La Maison est Tombée estabeleceu-se como um dos pródigos pontos de paquera do Itaim — sobretudo de 5a-feira a sábado. Diferentemente das casas-irmãs, a pegada aqui é de uma taberna europeia. A atmosfera convida mais a beber em pé (no balcão ou nas mesas altas) do que passar a noite sentadinho. Entre os shots que fazem a cabeça da galera está o ogro fashioned (bourbon, vermute tinto, amaro Lucano e bitters de laranja; 12 reais). Um ótimo drinque que não consta do cardápio é o gim tônica saffron (36 reais), que leva gim francês Saffron (com açafrão na fórmula), bittters de laranja, canela em pau, anis estrelado e twist de laranja. A boa cozinha, aberta até altas horas, solta sugestões como a linguiça de cordeiro com coalhada seca (39 reais).
 
# Frigobar
Toca-se a campainha de uma porta sem identificação na Rua Bela Cintra, nos Jardins. Segundo depois, uma voz imperativa pergunta: “nome e senha?”. Ao confirmar a reserva, a porta se abre e surge um porteiro anão trajado à moda antiga. É assim que começa a aventura no mais falado speakeaasy de 2015, o Frigobar, criado pelos mesmos donos do vizinho bar NOH. O Frigobar funciona somente às 3as e 4as-feiras e recebe no máximo 25 clientes por noite. Para entrar, é necessário comprar um ingresso antecipado (150 reais), que dá direito a três coquetéis à escolha, água à vontade, sobremesa e café. Ainda que falte melhorar a oferta de gins, há bons drinques no cardápio fixado nas páginas de um livro antigo. Prove o old fashioned (foto) e o 12 mile limit, que leva rum 8 anos, bourbon, brandy, romã e suco de limão-siciliano e é servido com uma esfera de gelo maciça.
 
# Sala Especial
Dos mesmos donos da sempre concorrida Casa 92, o bar com clima de esquenta para balada surpreende pela lúdica decoração, cheia de detalhes bacanas. Logo na entrada, por exemplo, há uma árvore cenográfica e, no piso superior, paredes recobertas de vegetação artificial e peças que imitam cabeças de animais empalhadas. Para deixar o clima festivo, um DJ cuida da trilha sonora. Os coquetéis destacam-se na oferta etílica. Vale prestar atenção no negroni (que leva um toque de Aperol; 35 reais); no old fashioned (numa releitura com calda de rapadura e Fernet; mesmo preço) e no pomelo fizz (35 reais), com vodca com infusão de laranja-baía mais grapefruit, purê de abacaxi e soda num copo alto com gelo. Fique ligado: a casa cobra 60 reais de consumação mínima na maioria das noites.
 
# Taberna da Esquina
Irmão mais novo da Tasca da Esquina, também do chef português Vítor Sobral, o bar-restaurante do Itaim tem como ponto forte a cozinha. Não perca as receitas que saltam na grelha, entre elas os disquinhos de alheira com quiabo grelhado e picles de cenoura (29,50 reais); o camarão ao creme de limão e manjericão (47 reais a porção; foto) e a macia lula na coentrada ao molho cítrico (37 reais a porção). Para acompanhar, há setenta rótulos de vinhos portugueses. Dica: o agradável tinto da Bairrada FP Baga, da enóloga portuguesa Filipa Pato. A garrafa sai por 109 reais.

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Fabio Wright , jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista Veja São Paulo durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das monumentais edições anuais 'Comer e Beber'. Antes, trabalhou como colunista do jornal O Estado de S. Paulo (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos Jornal da Tarde e Época São Paulo. No Taste and Fly.
 
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