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Minha rotina neste projeto começou em agosto do ano passado. O site ainda não estava no ar e eu penava para me adaptar à rotina de trabalhar em casa pela primeira vez em 17 anos (o novo jornalismo, líquido, está em todos os lugares, donde, em lugar nenhum: no hay redação). Além de esquecer de almoçar ou beber água, era especialmente difícil saber a hora de parar de trabalhar. A gente (eu, Adriano Silva e Pedro Burgos, então editor do projeto) passava o dia inteiro conectado, fritando, organizando pautas, links, ideias, pessoas, abordagens para as histórias que queríamos contar.

Um resumo do que fizemos em nosso primeiro ano de vida.Um resumo do que fizemos em nosso primeiro ano de vida.

Um resumo do que fizemos em nosso primeiro ano de vida. Infográfico: Crystian Cruz. 

Também nos encontrávamos e fizemos, a três, algumas das primeiras entrevistas e filmagens (a Natália Garcia, do Cidade para Pessoas, deve se lembrar disso). E, então, rediscutíamos tudo presencialmente, nos cafés e restaurantes que nos serviam de escritório. Ao mesmo em tempo que isso fervilhava, era difícil explicar para as pessoas o quê, afinal, eu andava fazendo da vida. Essa história de trabalhar em casa e não ter nada para mostrar era meio esquisita…

Até que o Draft entrou no ar no dia 29 de agosto, uma sexta-feira. Bonitão, com uma identidade visual acertada e que sozinha transmite o que Draft pretende ser: clean, atual, leve, bonito, agradável. Da segunda-feira seguinte, 1o de setembro de 2014 até hoje, passamos a publicar todos os dias pelo menos duas grandes histórias (que chamamos de features) sobre a Nova Economia, mostrando quem são os makers, os criativos, disruptivos, startupeiros, empreendedores sociais e life hackers que agora povoam não só a timeline do Draft mas também a minha — e a de cada vez mais gente.

Eu vinha de quase três anos trabalhando numa agência de comunicação corporativa, a Ideal, e tinha consciência de que iria experimentar uma função diferente. Alguns amigos perguntavam como era “voltar ao velho jornalismo”. Eu dizia que estava feliz, verdade, mas não respondia — porque a pergunta não procedia. Não havia (não há), um velho jornalismo para onde voltar, nem que eu quisesse. Era bem o contrário: eu estava vivendo uma nova forma de exercer a profissão de contar histórias. Que essas histórias se apresentem em formato digital é um fato e uma obrigação, não há nada de novo nisso.

Numa das nossas reuniões pré-Draft, anotei uma lista intitulada “o que é pauta do Draft”: inovação disruptiva, transformação, mudança de modelo de negócio, iniciativa que se sustente financeiramente, revisitar o hype. Num outro canto da mesma página, instruções formadoras do jeito Draft de contar histórias: “dizer como a pessoa encontrou o modelo entre fazer o projeto e pagar as contas”, “instrumentalizar quem está lendo para fazer o que não achava possível”, “fazer com que o cara de fora enxergue o caminho do maker, deixar a construção daquilo visível”. Era o que tínhamos, o que queríamos, o que faríamos. 

E assim, aos poucos, dia após dia, fomos colocando no ar cada uma das ideias que a nosso ver representavam o Draft. Elas começaram a ganhar vida própria e viajar por caminhos e timelines improváveis, e isso era ótimo. O site ia ganhando leitores (unique visitors, melhor dizendo) conforme nós mesmos e os personagens retratados fazíamos a distribuição amorosa do conteúdo em nossas redes pessoais. “Olha que legal.” Acredito que um post começando assim é e sempre será a melhor campanha de marketing que um produto editorial poderia ter. Tão simples, tão poderoso, tão valioso. 
 

Quando o Draft já tinha uns dois meses de vida, algumas rotinas estavam estabelecidas. Minha home já tinha feito as pazes com o office que a havia invadido. Criei uma rotina própria, mas agora saudável e produtiva, de trabalho. O Pedro tinha deixado o time para ir atrás de seus projetos pessoais — algo que se tornaria uma triste-feliz rotina: gente boa que depois de escrever sobre empreender e hackear a própria vida sai do Draft porque vai fazer isso na prática (como reclamar?). No time fixo, Kaluan Bernardo era agora meu parceiro, responsável pelas pílulas diárias da Seleção Draft e, no início de 2015, também pela seção dedicada a novos negócios, Acelerados.

O time de colaboradores ia aumentando, com repórteres que eu já conhecia, outros que vieram de recomendações do Pedro, do Adriano. Gente muito boa, que pegava rápido o espírito do que queríamos contar no Draft. Renata Reps, Daniela Paiva, Mariana Castro, Isabela Mena, Aline Vieira, Camilla Ginesi, Gisela Blanco, Anna Haddad, Breno Castro Alves, Filipe Callil, Luisa Migueres (que hoje faz Seleção Draft e Acelerados, no lugar do Kaluan), Mel Meira e tantos outros. Tanta gente legal.

Mas mesmo com eles, era (e é até hoje) divertido e desafiador explicar por que determinada história vale como pauta para o Draft e por que outra, parecida, eventualmente não. É uma sintonia fina. Uma linha delicada separa, por exemplo, histórias de empreendedorismo das histórias de empreendedorismo criativo e disruptivo que buscamos contar. As últimas são a cara do Draft, as primeiras, por mais legais que sejam, não são. Mas se determinada história de empreendedorismo não-disruptivo tem um personagem que transformou maravilhosamente sua vida, fez um life hacking inspirador, aí ela é pauta.

Uma parte do meu trabalho é refinar diariamente, com toques precisos do Adriano, o que é e o que não é pauta para o Draft. Isso passa por conversar com os colaboradores e, também, com assessores de imprensa que cada vez mais nos procuram, nem todos exatamente a par das nossas particularidades.

 

Outra parte é propor o casamento mais bacana possível entre colaborador e história a ser contada. Aqui, o frila pode negar pauta, não tem grilo. Quero pessoas felizes dedicando seu tempo para o Draft, contando as histórias que estejam afim de contar. O mercado de jornalismo está derretendo, os cachês (aqui e em qualquer lugar) poderiam ser melhores. Então, vamos ser felizes o máximo que pudermos trabalhando? Quero.

Mas, enfim, cuidar da pauta e cuidar dos frilas é algo que editores fazem nos bastidores de veículos desde o século passado. Uma outra parte, a mais “tecnológica”, do meu trabalho é fazer com que as histórias do Draft tenham o mais longo ciclo de vida e relevância digital possível. Aí há a ciência de dados, que nos indica os melhores horários e formatos para (re)publicar o conteúdo nas redes sociais. Há os macetes de comprar mídia para fazer o conteúdo que já está indo bem voar mais um pouquinho (de nada, Zuckerberg). E há a possibilidade permanente, deliciosamente imprevisível, de que um post se torne viral e alcance, num susto, centenas de milhares de pessoas além da nossa média, fazendo com que toda uma mágica aconteça (Claudia Giudice, Tania Menai que o digam).

 

Pessoas que curtem nosso trabalho a ponto de recomendá-lo em suas redes. Começa por quem escreve no Draft, passar por quem trabalha na comunicação das empresas retratadas e pelos próprios personagens das matérias.

Mas há mais gente aí, e isso é que vai delineando o senso de comunidade que buscamos: empreendedores, criativos, disruptivos, gente que sonha em um dia ser um maker também, gente que simplesmente gosta de acompanhar este universo. Que gosta de ler histórias de negócios que mudaram mercados, histórias de pessoas que mudaram suas vidas (histórias que estarão sempre por aqui, legitimando a comunidade ao redor do Draft). São essas pessoas que compartilham nossos conteúdos e dizem “olha que legal”. Legal demais. A gente morreria sem isso.

Agora que mais de um ano já se passou, as surpresas e conquistas lá do começo vão ficando para trás e isso nos dá a possibilidade de olhar, em perspectiva, para o que produzimos. O designer Crystian Cruz, o Coxa, transformou em infográfico os principais números do nosso primeiro ano de vida. Quase 3 milhões de pessoas diferentes entraram aqui. O número absoluto, por mais que nos encha de orgulho, ainda é pequeno se comparado ao alcance de portais e outros canais da internet. Mas saber que essas pessoas não só entraram, mas pararam, respiraram e permaneceram mais de 5 minutos de suas vidas lendo alguma coisa que os atraiu é muito gratificante.

E mais que isso: em média 40% dessas leituras terminaram com o leitor se engajando com o conteúdo, ou seja, compartilhando e recomendando o Draft para mais alguém. Isso nos faz acreditar que estamos trilhando um caminho interessante, de relevância, de coerência e de participação em algo maior — nascemos com a missão de narrar as histórias da Nova Economia brasileira, como cantava o nosso primeiro post, lá atrás — e que, ainda bem, não para de se transformar e de crescer. Vamos juntos?

 

Phydia de Athayde no Projeto Draft.

 


O casal Pedro Campos, designer, e Stella Curzio, jornalista, possuem um projeto pra lá de interessante que tem como objetivo criar um logotipo por bairro de São Paulo: o Identidade SP. A ideia já era inusitada o bastante, mas o casal não se contentou em “apenas” criar 450 logotipos, como também uma websérie, que explica a história do bairro e dos elementos utilizados no processo criativo.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva!

Qual é a importância de uma representação visual de um bairro?
A simbologia permite que cada região seja diferenciada, facilitando assim o processo de escolha para atração de investimentos e turismo. Para os bairros novos ou pouco conhecidos, e até mesmo aqueles que não possuem patrimônios ou alguma característica aparente, incentiva e promove a importância do desenvolvimento local por meio do design. A marca, para estes casos, pode servir também como umbrella para produtos e serviços locais futuros. É o chamado place branding.

A marca estimula os sentidos e cria relações, por isso, é tão poderosa e fundamental na publicidade. É sempre a primeira necessidade de qualquer negócio. As marcas criadas pelo Identidade SP são, obviamente, diferentes de marcas institucionais, que tendem ao minimalismo. Para as marcas dos bairros, entendemos que o resultado deve ser um pouco mais literal e representativo, que conte, de certa forma, alguma história. Por isso, antes de ir para o papel, pesquisamos o significado do nome, os patrimônios históricos, histórias e a cultura de cada bairro. O design pode mudar completamente a forma como vemos algo.

Um exemplo são os Food Trucks. Esta prática sempre existiu em São Paulo, porém os carros dificilmente se destacavam na cidade se misturavam na paisagem cinza. Hoje vemos carros coloridos com projetos de design maravilhosos o que agrega um valor fundamental no poder de decisão para com os consumidores. Com os bairros funciona da mesma maneira. Resgatamos algumas histórias que permitem, de forma lúdica, o aprendizado de algo que está se perdendo com as gerações mais velhas. Esperamos que esta ideia contribua para que cada bairro desenvolva sua identidade assim como o bairro da Liberdade, que apesar de precisar de uma revitalização urgente , ainda assim tem um enorme movimento turístico. No fim, queremos incentivar as pessoas para transformar São Paulo num local mais agradável de viver.

Qual o impacto esperado com um visitante da cidade ao conhecer a história de um bairro por meio de um logo?
Segundo pesquisas, para algumas pessoas, a positividade e intensidade emocional com determinadas marcas ou produtos possuem similaridades se comparadas ao sentimento desperto por aquelas pessoas não tão próximas, mas que provocam alguma empatia e esta relação é o que buscamos com o Identidade São Paulo. Queremos criar ou fortalecer o elo entre as pessoas e seus bairros, despertando o sentimento de cuidado e zelo, contribuindo para a divulgação da história, preservação de patrimônios e das tradições dos bairros paulistanos.


Como é o processo criativo na busca dos elementos que vão compor o logo?

Começando com a pesquisa da origem e significado do nome de cada bairro, estudo cuidadosamente quais são os principais pontos históricos de cada região, movimentos culturais importantes, fatos relevantes que modificaram de certa forma a característica e cultura de cada bairro. Nesse momento então, começo a rabiscar os elementos que considero mais importantes, crio o contexto e vou trabalhando todos os detalhes até finalizar a criação do logotipo definitivo. Conto com a ajuda de minha esposa e sócia, a jornalista e fotógrafa Stella Curzio, para todo o processo de pesquisa. É ela quem me auxilia a estudar na busca por referências sobre os bairros nas mais diversas fontes como livros antigos, artigos, internet e em dicionários da língua tupi o significado dos nomes e, quando há oportunidade, visita os bairros pessoalmente para conversar com moradores no intuito de descobrir percepções e lendas urbanas que somente moradores de longa data podem oferecer. Depois, conversamos e analisamos quais são os pontos mais relevantes que representam o bairro em questão.

Quanto tempo é gasto mais ou menos com cada marca?
É relativo, pois alguns bairros preservaram muito bem sua história tornando nosso trabalho de pesquisa muito mais fácil mas, algumas vezes, temos que garimpar informações. No processo, descobrimos versões diferentes do significado do nome e até dos fatos históricos sobre a fundação de cada região o que, por vezes, acaba influenciando o nosso planejamento. Tentamos publicar pelo menos um logotipo por semana. Mas como o projeto não gera renda, temos que administrar nosso tempo entre o trabalho e o Identidade São Paulo, o que dificulta manter até mesmo a publicação de um logotipo por semana. O logotipo do Bairro do Ipiranga foi um dos mais demorados. A pesquisa foi bem tranquila, pois, devido sua importância histórica para o país, não tivemos dificuldade alguma, porém, uma vez que decidimos representar o Museu, o trabalho de criação foi o que tomou mais tempo devido aos detalhes da arquitetura Museu.


Qual é o desafio ao pensar no logo de um bairro mais desconhecido por você?
Encontrar informações. Para criar o logotipo, precisamos do maior número de informações possíveis sobre o bairro. Só depois então, começo a pensar no processo criativo. Muitos bairros não tem informações oficiais da data de fundação, referências culturais, muitos moradores desconhecem a real história do local e a associação de moradores do bairro e até mesmo a subprefeitura não tem material complementar. Isso não ocorre em todos os bairros desconhecidos por nós mas, em alguns casos, optamos por utilizar as informações de bairros mais próximos, como ocorreu com o bairro Cursino, que até onde pesquisamos, não existe data oficial de fundação e optamos por usar a data do Ipiranga, seu bairro limítrofe.

Por que fazer uma websérie? De que maneira ela completa o projeto?
A websérie veio para complementar o projeto (ideia incrível da Stella). É um complemento visual mais forte, partindo para o entretenimento, para que os logotipos sejam inseridos na história de cada bairro de forma mais dinâmica. O programa é inteiro elaborado e apresentado por ela, o que deixa ainda mais incrível! Compartilhamos a direção e direção de cada episódio e vamos até os bairros mostrar de onde surgiram as nossas inspirações para as criações dos logotipos e contamos um pouco sobre a história do local, fortalecendo ainda mais o processo de identificação dos bairros e logotipos por meio dos monumentos históricos, pontos turísticos, então basicamente, vamos até as construções representadas em nossos logotipos para que as pessoas associem as ilustrações ao bairro.

Após terminar o Identidade SP dos bairros da cidade, já pensou em fazer algo diferente, como o logo das cidades do Estado de São Paulo?
Sim. O projeto segue. Nossa meta é finalizar São Paulo e na seqüência começarmos Rio de Janeiro, com o “Identidade Rio de Janeiro” e assim seguir com as grandes capitais do Brasil, como Distrito Federal, Belo Horizonte, Salvador, etc.


Fonte: Redação Visite SP.


 

A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (8) um decreto de regulamentação de transporte individual de utilidade pública que cria uma nova categoria, o “Taxi Preto”. Nessa nova modalidade, que contará com cinco mil novos alvarás de circulação, os passageiros contarão com veículos de alto padrão e que só poderão ser chamados por meio de aplicativos de celular ou smartphone. O objetivo da medida é atender a demanda por um serviço de qualidade superior e com uma nova plataforma tecnológica.

Os motoristas de taxi comum (33 mil alvarás) poderão migrar para a modalidade nova se desejarem.“Nós não vamos deixar precarizar, canibalizar. Nós não vamos deixar a clandestinidade tomar conta da cidade de São Paulo. Nós já sabemos onde isso vai dar. Sem a atuação do poder público nós já conhecemos a história, e a história é a precarização do serviço. Tudo começa bem, mas termina mal, quando o Estado não está vigiando a atividade privada”, afirmou o prefeito Fernando Haddad, em coletiva de imprensa.

As empresas interessadas em gerenciar os aplicativos para o serviço de Taxi Preto deverão se credenciar, fornecer dados relativos às corridas e avaliação de qualidade e pagar ISS. A tarifa será flexível, com possibilidade de descontos de acordo com o gestor do aplicativo, mas com um teto de tarifa de 25% acima do Taxi Comum.

Os motoristas interessados devem aguardar o edital, que será publicado em até 60 dias, para se inscrever no sorteio –metade dos alvarás serão reservados para profissionais que já atuam no setor, e haverá regras de inclusão de gênero e veículos adaptados para portadores de deficiência. Os novos alvarás serão outorgados por 35 anos, e o pagamento poderá ser parcelado em condições que, junto com a linha de financiamento do veículo, sejam favoráveis ao ingresso nesse setor, em comparação com a alternativa atual de pagamento de “diária” a um dono de alvará de táxi.

(Veja aqui a apresentação feita pela SPNegócios aos jornalistas)

Outros serviços

A Prefeitura estima que, mesmo com o Taxi Comum e o novo Taxi Preto, ainda existe uma demanda reprimida por transporte individual que pode ser atendida com um novo serviço de utilidade pública, desde que seja regulado pelo Poder Público. Segundo o presidente da SPNegócios, Rodrigo Pirajá, há espaço para 15 mil novos carros para transporte individual na cidade, além dos atuais 33 mil alvarás.

O artigo 12 do Plano Nacional de Mobilidade Urbana (lei 12.587/12) e o artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) preveem que cabe ao poder executivo municipal regular/licenciar os serviços de transporte de pessoas. Por existir espaço e solicitação de uma empresa interessada, a Prefeitura continuará analisando aprimoramentos legais de serviços de utilidade pública de transporte individual de passageiros (não táxi) abrangidos pela Lei de Mobilidade Urbana. A fiscalização de serviços clandestinos continuará.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.

 


O simples discurso não produz marcas reconhecidas pelo público. Ações eficazes e um comportamento proativo têm maior efetividade.   

Os profissionais do marketing podem até ter torcido o nariz ou arregalado os olhos com os resultados do estudo da Avaaz realizado fora do Brasil, o qual apontou que 74% das pessoas não se importam se a maior parte das marcas desaparecer. Elizabeth Laville, fundadora e diretora da Utopies, consultoria francesa especializada em desenvolvimento sustentável, trouxe essa informação em sua apresentação no Marco Zero, espaço central da Conferência Ethos 360° 2015.

Ela mesma amenizou o impacto da situação. “O pessoal do marketing tem o maior trabalho em estruturar a marca e depois fica sabendo que a maioria das pessoas não liga tanto para isso. E então, o que fazer para tornar a marca positiva e que as pessoas passem a se importar mais com ela?”, questionou a uma plateia intrigada.

Bastava atenção ao nome da apresentação de Elizabeth para ter a resposta: “Marcas Positivas: a Sustentabilidade Como Fator de Sucesso”.

A executiva contou que a Utopies tem procurado contribuir com as empresas na construção e fortalecimento de suas marcas, o que ajuda também a fortalecer o impacto positivo sobre as pessoas e o planeta. Por conta disso, a consultoria estabeleceu critérios para direcionar esse processo. Ao todo, foram pensados nove pontos, que são propostos para as empresas.

O primeiro deles é sobre posicionamento e propósito: “Como meu negócio pode gerar lucro e trazer algo bom para as pessoas?”.

Em seguida, a Utopies convida as organizações a pensar a respeito de seu produto e sobre a pertinência dele, ou seja, o desejo de oferecer algo sustentável e, por meio dele, atuar em nome de uma causa relevante.

Ela citou o case da Kia, fabricante de veículos. A empresa fez uma campanha na qual oferecia uma bicicleta na compra do carro, propondo ao consumidor que a usasse para trajetos mais curtos. “Naquele momento, a Kia estava sugerindo que a pessoa refletisse sobre o uso do carro”, explicou Elizabeth.

Outro destaque dos critérios é a proatividade, resumida como “a capacidade de atacar tabus do mercado ou assuntos sobre os quais a maioria não quer falar”.

Novamente ela apresentou um case bem-sucedido, desta vez de uma empresa que desenvolveu aplicativos para celular. Esse aplicativo informa à rede de contatos da pessoa o momento em que ela está dirigindo e, portanto, impossibilitada de enviar mensagens.

A nova ordem está em ressaltar que a sustentabilidade precisa se consolidar na estratégia de gestão, além de ser o norte para toda a empresa. Inclusive para as equipes de marketing que trabalharam no fortalecimento das marcas.

A criadora da Utopies concluiu que é preciso ter firmeza de posicionamento para “abraçar” uma causa. É preciso um alinhamento de valores entre a empresa, o produto, a marca e a causa a ser apoiada.

Por Ludmila do Prado (Envolverde), para o Instituto Ethos.

 


Pensamento binário é para computadores. Seres humanos são capazes de mais sutileza. Não vemos o mundo em preto e branco, mas em infinitas cores, com precisão e perspectiva. Dividir cada debate entre "a favor" e "contra" e sair xingando a oposição é pobre e ineficiente. Na vida real e na virtual; na pessoal e na pública.

É bestificante ver a indignação de gente inteligente e civilizada com a proibição do Uber. Xingam os políticos, a máfia dos taxistas, o Brasil etc. Para equilibrar, andei perguntando para taxistas como vêem o Uber. Só faltam cuspir fogo. É transporte clandestino, tem que ser proibido e por aí vai.

É evidente que o Uber, como existe, é um serviço que só faz sentido no quarto mundo, onde não há regulamentação nem direitos trabalhistas. Por isso vem enfrentando tantas resistências nas grandes cidades do planeta, onde há lei. É igualmente evidente que esse enfrentamento faz parte da estratégia de expansão da empresa. Eles não esperam operar em um vácuo de regras e se adaptarão conforme forçados a isso. Primeiro a gente invade, depois a gente negocia. É assim o capitalismo. Business is War.

Quem tem a maior simpatia pelo Uber por ser uma jovem empresa inovadora está fora de si. O Uber é um gigante extremamente eficiente em captar investimentos. Não tem seu valor estimado em mais de 50 bilhões de dólares à toa. A área financeira do Uber trouxe tantos executivos de Wall Street que o apelido do Uber no setor é "Goldman West", referência ao banco Goldman-Sachs...

E daí, pergunta o amigo? O que importa é que eles prestam um excelente serviço! Bem, não, não é isso que importa. Não isso só. Nem tudo que é bom para o consumidor é bom para o conjunto da sociedade. Por isso criamos o salário mínimo, por exemplo, mesmo sabendo que pagar mais para os operários implicaria em aumento no preço dos produtos. Pagar o preço mais baixo é ótimo quando você compra, e terrível quando você está vendendo sua força de trabalho...

O serviço prestado pelo Uber é uma parte importante do que importa. O Uber hoje tem 5 mil motoristas cadastrados no país, segundo a própria empresa, e pretende chegar a 30 mil no ano que vem. Muita gente usa e aprova. Os motoristas precisam ter seguro para os passageiros, os carros são grandes e novos e tal. Aliás, boa parte dos clientes do Uber curtem mesmo é esse lado de ser tratado a pão-de-ló. E não há nada de errado nisso. Mas o ganha-pão de 35 mil taxistas paulistanos, outros 33 mil no Rio e sei lá quantos no restante do Brasil, também é uma parte importante do que importa.

Há corporativismo entre os taxistas? Sem dúvida. Esse negócio das prefeituras não liberarem alvará é imoral e provavelmente picaretagem? Idem. Tem taxista sovaquento que ouve Djavan no último volume? Claro. Isso é razão para irem todos para a rua? Calma lá.

Escolher um lado e xingar o outro é andar para trás. Liberdade de empreender e inovar não é um valor intocável nem um demônio a ser combatido. Regulamentação não é sinônimo de atraso; regulamentação estúpida é que é.  O Uber e empresas similares podem ser uma parte importante do nosso transporte urbano de cada dia. Cada país vai criar regras para isso, e o Uber vai obedecê-las ou dançar. E com toda sua grana, sempre corre risco de ser destruído por um concorrente. Li esses dias sobre uma start-up israelense que criou um aplicativo que faz o que o Uber faz, só que com caronas...

Em Berlim, por exemplo, o Uber fez um acordo e hoje só usa mão de obra licenciada e cobra a mesma coisa que os taxistas. Em Belo Horizonte, há um projeto de lei em estudo que daria licença para o Uber operar 500 veículos de luxo, mas força a empresa a pagar os impostos na própria cidade. O que é o melhor? Não sei. Vamos botar a cabeça para funcionar, que encontramos uma solução razoável. Não é física quântica.

Dá trabalho criar regras e garantir seu cumprimento, mas é uma das melhores ferramentas que o ser humano criou. Regras claras, cobrança clara, e convivência transparente. Tão simples - e complicado - assim.

 


Startup Weekend Women é uma edição especial do já tradicional evento da TechStars, que tem como público-alvo essencialmente mulheres, sejam elas estudantes, empreendedoras, empresárias, desenvolvedoras ou designers. A intenção é se reunir para compartilhar ideias, formar equipes, construir produtos e propor soluções inovadoras. Esta edição ( de 2 a 4 de outubro) contará com mentoras renomadas nas áreas de marketing, negócios e tecnologia, com a proposta de oferecer as participantes uma experiência única, aprendizado e networking. 

75% do público é formado por mulheres, mas homens também são bem-vindos.

Sobre o Startup Weekend

É uma rede global de líderes e empreendedores de alto impacto em uma missão para inspirar, educar e capacitar indivíduos, equipes e comunidades. Mais de 8.000 startups foram criadas nos eventos realizados em cerca de 100 países. 

O Startup Weekend é um evento de imersão, uma experiência única onde empreendedores e aspirantes a empreendedores podem descobrir se suas ideias de startups são viáveis. Venha compartilhar ideias, formar equipes e lançar startups.

Todos os eventos do Startup Weekend seguem o mesmo modelo básico: qualquer pessoa é bem vinda para expor a sua ideia de startup e receber feedback de outros participantes. São formadas equipes em torno das melhores ideias (determinadas por votação) e a partir daí são 54 horas de criação de modelos de negócios, programação, design e validação de mercado. O fim de semana termina com a apresentação dos projetos a empreendedores de sucesso em uma nova oportunidade para receber feedback.

Termos do Contrato de Participação

É nosso dever fornecer uma rede incrível e uma ótima oportunidade de aprendizagem. Nossa intenção é que você conheça pessoas fantásticas com quem você possa realmente começar uma empresa, construir relacionamentos com os mentores, e aprender com seus colegas. O evento pretende ser um fórum de colaboração para compartilhar, aprender, construir e se divertir.

Para mais informações acesse o site.

Fonte: Techstars Brasil.

 

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