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Impressoras 3D, cortadoras a laser e computadores equipados com software para modelagem estão entre as tecnologias de última geração que, desde o início da semana passada, estão disponíveis para a comunidade da favela de Heliópolis, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Esses equipamentos compõem o décimo laboratório público de fabricação digital, mais conhecido como Fab Lab, inaugurado pela Prefeitura de São Paulo.

O espaço, que fica dentro do Centro Educacional Unificado (CEU) de Heliópolis, faz parte do programa Fab Lab Livre SP, iniciado pela gestão Fernando Haddad (PT-SP) em fevereiro do ano passado. As primeiras unidades começaram a funcionar em novembro de 2015 e, de lá para cá, dez laboratórios foram inaugurados – outros dois devem ser abertos até a metade de abril. No total, a Prefeitura investiu R$ 3 milhões na compra de equipamentos e vai investir R$ 2,5 milhões ao longo dos próximos dois anos para a manutenção dos espaços e compra de insumos.

Nos Fab Labs, qualquer pessoa pode fabricar objetos em pequena escala – uma possibilidade até então restrita às indústrias e centros de pesquisa. As pessoas usam um software de modelagem 3D para projetar os objetos que, em seguida, podem ser impressos ou cortados em máquinas controladas por computador. “Quando surgem novas tecnologias e só uma parte da população tem acesso, cria-se um intervalo de oportunidade entre as pessoas”, diz o coordenador de conectividade e convergência digital da Secretaria de Serviços, João Cassino.

Foto: Nilton Fukuda / Estadão.

Bits e Átomos. 

Embora sejam pouco conhecidos no Brasil, os Fab Labs nasceram há cerca de 15 anos, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), um dos principais centros de inovação do mundo. O primeiro local com esse conceito foi abrigado pelo Centro para Bits e Átomos, liderado pelo professor Neil Gershenfeld. Sua ideia era reunir máquinas controladas por computador capazes de produzir “quase tudo”.

Desde então, centenas de Fab Labs se espalharam pelo mundo e impulsionaram a “cultura maker”, um movimento que reúne pessoas com conhecimento em eletrônica, programação, design, marcenaria e modelagem que fabricam seus próprios produtos. Atualmente, esses grupos produzem fogões que funcionam por energia solar em países da África, laboratórios de biotecnologia para escolas e até drones. Tudo com custo baixíssimo.

Para Eduardo Lopes, cocriador do Garagem – o primeiro Fab Lab privado do Brasil –, esse tipo de iniciativa é benéfica para os empreendedores. “No modelo tradicional, se a pessoa tem ideia de um produto, ela tenta patenteá-la, o que tem um custo muito alto. Depois, ela tem que convencer a indústria a fabricar”, diz. Os Fab Labs permitem que as pessoas testem suas ideias, já que produzir um protótipo é fácil e rápido e depende de um investimento significativamente menor.

No Brasil, o conceito ganhou força nos últimos cinco anos. O primeiro laboratório foi criado em dezembro de 2011 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), para ensinar os alunos de arquitetura e design como funciona a fabricação digital. “O Fab Lab teve impactos positivos no ensino, porque a elaboração de modelos físicos faz parte da didática de nossos cursos”, diz o professor do departamento de projeto da FAU, Paulo Eduardo Fonseca.

Abertos

A rede pública de Fab Labs contempla todas as regiões da cidade de São Paulo e, segundo especialistas consultados pelo Estado, sua estrutura é bastante similar a de outros espaços em operação no Brasil. “Nosso foco é usar tecnologias que possam dialogar com a universidade e com o conhecimento popular para a população solucionar seus problemas”, diz Irma Passoni, presidente do Instituto de Tecnologia Social (ITS), entidade sem fins lucrativos contratada pela Prefeitura para operar os Fab Labs.

A unidade da Galeria Olido, no centro de São Paulo, se tornou uma das mais movimentados após os primeiros meses de operação. Mas no começo não era bem assim. “Antes não havia muitas pessoas interessadas em desenvolver um projeto próprio”, diz o líder de laboratório, Ricardo Elias Delgado.

Foto: Nilton Fukuda / Estadão.

Isso começou a mudar depois que as pessoas começaram a participar dos cursos, ministrados quase que diariamente. Um dia após a divulgação dos cursos de abril – que incluem marcenaria, modelagem e impressão 3D, programação e eletrônica – quase todas as vagas já estavam preenchidas.

“Os cursos apresentam toda a capacidade que o laboratório pode oferecer”, diz o chefe da rede Fab Lab SP, Luiz Otávio Alencar. De acordo com o ITS, até o momento, cerca de 1,2 mil pessoas já participaram das atividades dos Fab Labs da Prefeitura e produziram cerca de 60 produtos diferentes.

Faça você mesmo

Bruna Bastos e Luis Jeremias trabalhavam como arquitetos, mas foram demitidos no ano passado por conta da crise. Eles decidiram abrir uma marcenaria e se inscreveram em cursos no Fab Lab da Galeria Olido.

“Na faculdade, tivemos aula de marcenaria, mas nós queríamos ter a vivência de montagem antes de montar um negócio”, conta Bruna. No primeiro dia do curso, eles projetaram uma cadeira com um compartimento para guardar ferramentas – o assento também serve como tampa para o baú.

Mas o Fab Lab vai além da elaboração de móveis: com capacitação adequada, seus frequentadores podem aprender a construir bicicletas, próteses e outros produtos. Como esses equipamentos requerem um nível mais avançado de conhecimento, porém, deve levar algum tempo até que projetos como esse saiam dos Fab Labs públicos. “A gente ainda está no nível de levar alguns conhecimentos básicos que, somados, podem criar projetos mais robustos”, diz o líder de laboratório, Lucas Schlosinski.

Essa é uma das principais diferenças dos Fab Labs brasileiros em relação a outros mais consolidados no exterior. Ainda não é possível afirmar que tipo de projeto pode surgir dentro desses espaços recém-inaugurados. Para aproveitar todo seu potencial, eles dependem de uma comunidade engajada. Até agora, apenas pequenas esculturas, máscaras e outros pequenos objetos foram criados durante os cursos. Para Fonseca, da USP, embora esses projetos façam parte do aprendizado, a rede de Fab Labs públicos não deve se restringir a isso. Caso contrário, os Fab Labs correm o risco de se tornarem pequenas fábricas de bibelôs.

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Thiago Sawada no link do Estadão.

 


Bandejas, potes e copos comestíveis, feitos com fécula de mandioca, são a aposta da empresa OKA Bioembalagens para faturar e reduzir o volume de lixo despejado no meio ambiente.

A empresa foi criada em 2013, em Botucatu (238 km a noroeste de São Paulo), mas os donos dizem que somente no fim de 2015 é que ela conseguiu todas licenças necessárias e o registro de patente, tanto do processo como dos produtos.

Para iniciar o negócio, eles investiram R$ 400 mil de capital próprio e R$ 400 mil que captaram com investidores. Segundo uma dos três sócios, a designer de produtos Erika Cezarini Cardoso, 46, ainda não é possível falar em faturamento e lucro, porque ainda estavam realizando "projetos piloto".

A OKA também produz outros tipos de embalagem com mandioca e outras fibras naturais (cana, bambu e arroz) e que podem ser transformadas em compostagem ou em ração para animais.

 

A OKA produz potes comestíveis feitos com fécula de mandioca; a companhia, criada em 2013, também faz peças com outras fibras naturais
(cana, bambu e arroz) 
que podem ser transformada em compostagem ou em ração para animais. Foto: divulgação.

 

Produção em escala

Desde o fim do ano passado, a empresa vem participando de feiras da área de alimentação orgânica e de meio ambiente para expor os produtos.

Segundo Cardoso, a Oka Bioembalagens já produziu peças comestíveis para um restaurante de comida orgânica. "Vamos começar a produzir peças para uma empresa paulista de alimentos orgânicos in natura, como vegetais e ovos. Será a nossa primeira produção em grande escala."

Para a empresária, a produção em escala é fundamental para baratear o preço final do produto. Hoje, a peça mais barata é a bandeja (comestível ou não), que mede 11,5 cm x 16,5 cm. Ela sai por R$ 0,50. A mais cara é um pote triangular: R$ 2.

"Se a produção for grande, é possível reduzir o custo dos produtos. Não consigo dar uma estimativa porque são muitas variáveis. Depende do molde, da peça, da produção, mas certamente o preço é menor."

Bandejas comestíveis, produzidas com fécula de mandioca pela OKA Bioembalagens; a empresa também faz copos, potes e outras peças comestíveis.
Foto: divulgação.

 

Forte tendência

De acordo com Néia França, consultora do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), a criação de produtos com foco na sustentabilidade e, principalmente, na redução de lixo atende a uma tendência de mercado.

"O mundo está se afogando em lixo, e as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o meio ambiente. Comprar uma embalagem comestível ou que pode ter um outro destino que não seja um lixão, é muito positivo"

Mas investimento em inovação e design pode encarecer o negócio. "É preciso dominar os processos produtivos e trabalhar com bastante escala para oferecer um preço atraente."

O registro de patente pode dificultar. "Antes de pensar em atuar com qualquer inovação é preciso pesquisar se ela já não está sendo desenvolvida."

Onde encontrar: OKA Bioembalagens.
 
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Márcia Rodrigues / Colaboração para o UOL, em São Paulo.

 
Quando for inaugurado, no início de 2017, o futuro prédio da Totvs, na Zona Norte de São Paulo, vai parecer mais um entre os inúmeros espigões envidraçados da cidade. Mas a construção trará, camuflada na fachada, uma nova tecnologia desenvolvida no país. Aproximadamente 2 mil metros quadrados do vidro que reveste o edifício serão “pintados” com uma espécie de tinta chamada OPV (abreviação de organic photovoltaic). Ela converte a luz do sol em energia elétrica. A carga gerada será suficiente para manter ligados pelo menos 2,5 mil computadores.
 

O material foi produzido pela Sunew, uma startup de Belo Horizonte (MG), que começou a funcionar em novembro. A nova sede da Totvs, sexta maior desenvolvedora de sistemas de gestão do mundo, será a primeira aplicação comercial do produto no país. Em breve, ele deverá ser usado em tetos de veículos e outras superfícies (veja exemplos ao lado).

Os novos vidros custaram 40% a mais do que os tradicionais, despesa que deve ser compensada em sete anos pela economia de energia. “Nosso plano é usar o OPV em outros empreendimentos”, diz Rafael Cosentino, filho de Laércio Cosentino (o fundador da Totvs) e CEO da Inovalli, a construtora da família, que toca a obra e será a dona do prédio.

R$ 100 milhões é o quanto custaram as pesquisas da tecnologia do OPV no Brasil. “Agora, o processo de produção é simples e barato, por isso o produto é promissor”, diz Marcos Maciel, CEO da Sunew.

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Pedro Carvalho na Época Negócios.

 

 
A mudança do Salão do Automóvel de São Paulo do Anhembi, na Zona Norte da cidade, para o São Paulo Expo, na Zona Sul, foi confirmada nesta quarta-feira (30) pela organização do evento.

O evento acontecerá entre os dias 10 e 20 de novembro, sendo que o primeiro fim de semana coincide com a realização do GP Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, e também é um feriado prolongado, o de 15 de Novembro, que cai em uma terça.

De acordo com a organização, a feira vai movimentar cerca de R$ 280 milhões na cidade e gerará mais de 30 mil empregos, diretos e indiretos.

Foi confirmado também que o pavilhão terá ar-condicionado --a falta do equipamento era umas das principais reclamações feitas por visitantes no Anhembi. O local ainda está em obras e a inauguração é prevista para o fim deste mês.

"Precisávamos de ousadia no salão. Não bastava oferecer os veículos que o consumidor sonha, mas também o mesmo conforto, preocupação com nosso cliente", disse Luiz Moan, presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Marcas e test drive
As vendas dos ingressos antecipados começam nesta sexta-feira (1º) pelo site www.salaodoautomovel.com.br. Haverá desconto de 10% para os fãs da página do salão no Facebook.

Os preços dos ingressos
1º dia (10/11): R$ 40.
Dias da semana e último domingo: R$ 70.
Finais de semana, feriado e ponte: R$ 95.

Paulo Octávio, vice-presidente da Reed, anuncia que o próximo Salão do Automóvel será no São Paulo Expo (Foto: Luciana de Oliveira / G1)Paulo Octávio, vice-presidente da Reed, anuncia que o próximo Salão do Automóvel será no São Paulo Expo (Foto: Luciana de Oliveira / G1)

Paulo Octávio, vice-presidente da Reed, anuncia que o próximo Salão do Automóvel será no São Paulo Expo. Foto: Luciana de Oliveira / G1.

Sem chinesas
A Reed afirmou que as marcas confirmadas para o evento são: Volkswagen, Chevrolet, Ford, Troller, Fiat, Chrysler, Dodge, Jeep, Kia,Honda, Mercedes-Benz, Audi, Renault, Nissan, Mitsubishi, Toyota, Lexus, Land Rover,Jaguar, Hyundai, Suzuki, Peugeot, Citroën, Porsche, Subaru, BMW e Mini. A lista atual não inclui nenhuma marca chinesa.

O salão continuará oferecendo tests drive de carros para visitantes, agora em um espaço maior. A expectativa da organização é que esse programa seja ampliado para 15 marcas. Jaguar, Land Rover, Peugeot, Citroën e Volkswagen já confirmaram que disponibilizarão modelos para testes, segundo a Reed.

Saída do Anhembi
A saída do Anhembi havia sido informada pela Anfavea ao G1 em dezembro passado. Nesta quarta, foi a primeira vez que a Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento, falou sobre o novo local.

"Algumas melhorias foram feitas (no Anhembi) ao longo dos anos, mas o impacto de mudanças que estão sendo feitas no SP Expo requerem um recurso (financeiro) grande, acho que esse recurso não estava disponível na administração do Anhembi", afirmou Juan Pablo de Vera, presidente da Reed.

"Ninguém (da administração) gostou de saber que o evento está saindo de lá, mas se empenharão para um retorno. Deixamos as portas abertas, nunca deixaremos de considerar (o Anhembi)", completou.

"Vemos o plano de revitalização do Anhembi, anunciado no ano passado, com bons olhos, mas foi uma questão de datas, não vimos a (definição de) data para as realizações", completou Paulo Octávio Almeida, vice-presidente da empresa responsável pela feira.

Em maio de 2015, a Prefeitura de de SP, abriu um chamamento público para tentar viabilizar uma parceria para modernização do complexo do Anhembi, na Zona Norte. Na ocasião, o prefeito Fernando Haddad afirmou que o Anhembi não podia ficar para trás em relação a concorrentes como os centros de exposições Center Norte, o Transamérica Expo Center e o São Paulo Expo. "Nós temos concorrentes (...). Se nós não modernizarmos o Anhembi, ele vai ficar obsoleto", disse Haddad na época.

O que diz a prefeitura
Procurada pelo G1, a SPTuris, administradora do Anhembi, não comentou a saída do Salão de SP, disse que "uma série de ações estão sendo realizadas para modernização" do local, entre elas reforma e acessibilidade de banheiros e troca da iluminação e que, mesmo com as reformas, "o calendário do Anhembi segue cheio".

E que, paralelamente às melhorias em andamento, está conduzindo dois chamamentos públicos que irão agregar grande valor ao espaço. O primeiro, para construção e operação de uma nova arena coberta multiuso, "acabou de passar pela fase de consulta pública e seguirá para licitação ainda no 1º semestre". O segundo chamamento, para modernização e ampliação de grande parte de todo o complexo de eventos do Anhembi, incluindo o Pavilhão de Exposições, está em fase de análise pela comissão responsável.
 
Projeção do São Paulo Expo após a reforma (Foto: Divulgação)Projeção do São Paulo Expo após a reforma (Foto: Divulgação)

Projeção do São Paulo Expo após a reforma. Imagem: Divulgação.
 
Maior e mais equipado
Mesmo com desconfortos, o Anhembi, com seus 77,7 mil m², ainda é o maior centro de exposições da cidade. Pelo menos até a inauguração da modernização e ampliação do São Paulo Expo, marcada para o próximo dia 26. Segundo a Reed, o complexo começará a receber eventos a partir de maio.

A concessão do pavilhão, que é o antigo Centro de Exposições Imigrantes, foi obtida pela GL Eventos em acordo feito com o governo do estado de São Paulo. A empresa divulgou que investirá R$ 300 milhões na reforma do local. A concessão é por 30 anos.

O pavilhão do São Paulo Expo terá 110 mil m² de área total, sendo 90 mil m² de área interna. Também estão sendo erguidos um edifício garagem com capacidade de 4.500 veículos e um centro de convenções de 10 mil m². Além dessas vagas cobertas, o complexo tem capacidade para mais 1.500 descobertas, um total de 6 mil vagas.

Para melhorar o acesso, estão sendo construídas alças de acesso na Rodovia do Imigrantes.

 

Projeção do São Paulo Expo após a reforma (Foto: Divulgação)Projeção do São Paulo Expo após a reforma (Foto: Divulgação)

Projeção do São Paulo Expo após a reforma. Imagem: Divulgação.

Salão Duas Rodas
Ao G1, Paulo Octávio, da Reed, disse que ainda não há definição sobre se o Salão Duas Rodas, o maior do setor de motos e também organizado pela empresa, vai sair do Anhembi. "Ainda estamos no início do planejamento. Devemos ter novidades no segundo semestre", afirmou.

Assim como o Salão do Automóvel, o Duas Rodas é bienal; os eventos se revezam e a próxima edição da feira de motos será em 2017.

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Luciana de Oliveira. Do G1, em São Paulo.

 


O SXSW, principal evento de comunicação digital e tendências, completou 30 anos. Está mais forte do que nunca. Pela primeira vez teve a participação de um presidente dos EUA em exercício: Barack Obama.
 
O SXSW mostrou um mundo que é muito distante de nós, brasileiros, mas que já é muito real nos EUA e principalmente em Austin, Texas, onde acontece o evento.
 
A evolução com o ano passado é brutal. O que era tendência virou realidade. Cases de sucessos de assuntos como Realidade Virtual (VR), Big Data e internet das coisas foram apresentados no evento por diversas marcas e experimentados in loco.
 
Listo abaixo os 5 tópicos mais marcantes do que vi este ano:  
 
1. Inteligência artificial

Também citado como cognitive ou machine learning, o tema inteligência artificial (ou AI, Artificial Intelligence) tomou conta de grande parte do festival.
 
Por que isso é importante?
 
Primeiro, isso mudará o emprego como conhecemos. Mais de dois terços dos empregos serão extintos, criando por outro lado muitos novos empregos (que provavelmente ainda não existem). Toda atividade e trabalho que demanda produtividade será feito por máquinas.
 
Segundo, inteligência artificial fará das máquinas “seres” mais pensantes. De forma prática, o Google já deu um grande passo nessa área ao fazer uma rede de máquinas conseguir descobrir que um gato se chama ‘Gato’. Ninguém ensinou a máquina isso, ainda assim ela descobriu sozinha! Por que isso é tão importante? Uma das primeiras coisas que o ser humano aprende a fazer é nomear as coisas à sua volta.
 
Então, podemos dizer que demos o primeiro grande passo neste assunto.
 
Max Levchin, co-fundador do PayPal, também colocou a inteligência artificial como um super-assistente de humanos – e não ao contrário. Por exemplo: imagine um paciente consultar o médico se está com alguma doença. Antes do médico dar sua posição, o seu caso será analisado pela máquina, comparado a diversos outros casos e ao seu próprio histórico para poder prover ao médico uma ficha de qual seria o provável diagnóstico. Ainda assim, a tomada de decisão final continuará sendo do próprio médico, mas com muito mais informação. Kevin Kelly, fundador da revista Wired, fez inclusive uma previsão que as próximas 10 000 start-ups serão sobre “pegar x (qualquer coisa) e adicionar inteligência artificial”.  
 
2. Virtualidade everywhere
 
O mundo virtual também tomou conta do evento. Os óculos de realidade virtual (VR – Virtual Reality) já podem ser comprados nos varejistas dos EUA e basta colocar esses óculos para imergir num novo mundo. Diferente de assistir TV, quando você coloca esses óculos é como se tivesse de fato sido transportado para um novo mundo. 
 
Realidade virtual (VR)Realidade virtual (VR)

A IBM proporcionou uma experiência de Realidade virtual (VR) na qual as pessoas passeiam por cidades de bicicleta, sem sair do lugar. 
 
Um exemplo, oferecido pela IBM, era colocar o óculos para andar de bicicleta na cidade ou no campo. A resistência nas pedaladas (que ficava maior, nas subidas) e o som durante a expedição, além de obviamente o campo de visão 360 graus, te transportam de fato para uma sensação de andar de bicicleta num espaço aberto.
 
O mundo também tem se tornado mais virtual graças à internet das coisas (IoT – Internet of Things), ou seja, qualquer objeto conectado à internet. Jared Ficklin, um dos palestrantes, disse: “O objetivo antes era ter um computador por residência, mas hoje a ideia é ter 1 000 computadores por casa”.
 
Por isso, a internet das coisas ganhou destaque e também foram apresentados vários exemplos. Para citar dois: uma empresa chamada Sengled levantou a bandeira da convergência e de objetos conectados numa casa inteligente. Eles criaram uma lâmpada de luz que usa a mesma fonte de energia para oferecer um alto-falante acoplado à lâmpada. Ou seja, ao mesmo tempo que é uma lâmpada, é também um som portátil para conectar com o Spotify e tocar música em qualquer cômodo da sua casa. 
 
A Under Armour mostrou um aplicativo para celular que te ajuda a controlar sua saúde com o uso de uma pulseira e mostra dicas e comparativos com atletas no mundo inteiro.A Under Armour mostrou um aplicativo para celular que te ajuda a controlar sua saúde com o uso de uma pulseira e mostra dicas e comparativos com atletas no mundo inteiro.

A Under Armour mostrou um app que ajuda a controlar a saúde com o uso de uma pulseira e mostra comparativos com atletas no mundo inteiro. 
 
Outro exemplo foi apresentado por Kevin Plank, fundador da Under Armour. Ele mostrou uma pulseira que armazena dados de atletas no mundo todo com objetivos arrojados, como por exemplo ajudar a prever e evitar doenças cardíacas. 
Robôs também estavam em todo evento passeando entre os humanos. 
Você já pode ter o seu robô caseiro com inteligência para aprender com seus hábitos e ajudar nas suas tarefas diárias. 
 
3. Privacidade de dados digitais sob julgamento
 
Outro assunto de destaque no SXSW foi privacidade de dados no mundo digital. Um assunto quente é o processo em andamento da contenda Apple vs. FBI sobre compartilhar ou não acesso às informações guardadas nas plataformas da Apple.
 
Barack Obama em sua entrevista, para mim a melhor do SXSW, comentou sobre o assunto. Apesar de não se pronunciar diretamente sobre o processo, comentou sobre o governo ter acesso a dados pessoais nas plataformas digitais. 
 
Barack Obama, na melhor palestra do SXSW, convocou as pessoas a criarem plataformas e ideias que ajudem a resolver os problemas do mundo.Barack Obama, na melhor palestra do SXSW, convocou as pessoas a criarem plataformas e ideias que ajudem a resolver os problemas do mundo.

Barack Obama, na melhor entrevista do SXSW, convocou as pessoas a criarem plataformas e ideias que ajudem a resolver os problemas do mundo. 
 
Ele descreveu que concorda com a privacidade dos dados desde que tenha alguma concessão de acesso ao governo com o objetivo de prezar pela segurança de todos.
 
Como exemplo, Obama citou um motorista que ao trafegar na rodovia pode ser parado (e assim ter sua privacidade invadida) para saber se ele está bêbado representando assim um risco para outros na mesma rodovia.
 
Por outro lado, Bruce Sterling comentou sobre o mesmo tema. Sobre ser uma grande disputa de quem será o grande vigilante sobre dados digitais globais, já que Google, Apple, Facebook, entre outras plataformas, apesar de empresas americanas, têm usuários do mundo inteiro.
 
Enfim. Esse assunto vai longe. Então vamos pro próximo destaque do evento. 
 
4. Próxima parada: Marte

Assunto de muitos filmes de ficção científica, aparentemente estamos bem próximo de levar o homem a Marte. Este ano foi apresentado pela Nasa o plano de viajar para Marte com humanos. 
Anotem as datas: em 2018 a primeira viagem para Marte com um astronauta a bordo e em 2027 com ocupação humana. 
Enfim, quando for, não esqueça o casaco!   
5. O ecossistema do empreendedor
 
Por fim, esse é o grande destaque todo ano. O SXSW é de fato um festival que celebra e premia o empreendedorismo. Todo ecossistema é construído para isso. Tem sessões (SXSW Accelerator) onde o único objetivo é dar palco para startups contarem suas histórias e receberem perguntas (e boas críticas) de profissionais de grande sucesso.
 
Uma startup apresenta seu negócio na sessão de Aceleradoras, no SXSW.Uma startup apresenta seu negócio na sessão de Aceleradoras, no SXSW.

Uma startup apresenta seu negócio na sessão de Aceleradoras, no SXSW. 
 
Sessões com mentores também estão disponíveis. Além das palestras das grandes estrelas do festival que sempre dominam o palco: os empreendedores. Fundadores de empresas como Under Armour, PayPal e SoulCycle, entre outras, apaixonados pelo que construíram. Deu para ver claramente nos olhos deles a alegria de terem alcançado a maior realização profissional: empreender.
 
Este ano foram mais e novas histórias de superação onde o ponto em comum entre todas é saber que os fracassos são parte normal do processo.
 
Uma das empreendedoras inclusive disse que seu pai a perguntava todo dia: “Onde você fracassou hoje? Se não fracassou, não está empreendendo.”
 
Enfim, SXSW 16 foi uma longa viagem ao presente numa galáxia não muito distante!
 
Um presente real, mas contraditório.
 
Os discursos de Bruce Sterling e Casey Gerald colocaram de forma clara um sentimento que tive no evento (e tenho diariamente).
 
Avançamos muito na tecnologia. Tanto que estamos próximos de ocupar Marte!
 
Ainda assim é difícil de entender:
 
1) Como temos tanta tecnologia para conectar todos objetos do mundo, mas não conseguimos ajudar os imigrantes refugiados, que nenhum país quer escancarar a porta para os receber?
 
2) Como temos tecnologia para viajar até Marte, mas ainda não resolvemos o problema de fome no mundo?
 
3) Como temos tecnologia para ter acesso a muito mais informação, mas ainda não aceitamos as diferenças entre as pessoas e parecemos ter cada vez mais extremismos?
 
A viagem acabou e ficam as questões. Parece que quanto mais alto voamos com a tecnologia, mais aparecem as nossas falhas humanas. O mais interessante que levo do evento, é que o nosso grande desafio atualmente é social e não tecnológico! Desafio que cada vez terá mais foco em soluções. Num futuro e numa outra galáxia não tão distantes!  

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André Artacho, 31, formado em ciências da computação, é VP de operações da Havas Worldwide. Foi presidente do comitê de Social Media do IAB Brasil e manager do Google Brasil.  *Artigo publicado originalmente no Projeto DRAFT.
 
 

 
A Prefeitura de São Paulo lançou na última quinta-feira (17), na Praça das Artes, região central, a segunda edição do Edital Redes e Ruas. A iniciativa tem o objetivo de fortalecer o direito à cidade, a inclusão digital, a cidadania e a ocupação do espaço público pela cultura. Neste ano, serão selecionados 47 projetos nas áreas de Cultura Digital, Inclusão e Cidadania, que contarão com o investimento de R$ 2,45 milhões. O evento também foi marcado pelo lançamento do livro sobre a primeira edição da iniciativa.

“O Redes e Ruas se encaixa na preocupação que temos, o da ocupação das praças e democratização dos espaços públicos. Queremos ver as praças ocupadas com música, teatro e outras formas culturais. E isso está dando certo. Só com o fato de colocarmos o WiFi Livre SP em alguns pontos, vimos, por meio de pesquisas da Universidade Federal do ABC, que os cidadãos passaram a ocupá-los com mais frequência”, afirmou o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro.

O novo edital foi elaborado a partir da avaliação das experiências da primeira edição, que reuniu 59 iniciativas coletivas e individuais para o fomento da cultural digital em toda a cidade.

Nesta segunda edição, as inscrições serão feitas exclusivamente pela internet no período de 23 de março a 24 de abril. O edital completo poderá ser visualizado na página do Edital Redes e Ruas no Facebook.
 

Lançamento do Edital 'Redes e Ruas' na Praça das Artes. Foto: Sylvia Masini / Secom.

Os projetos serão divididos em quatro categorias:

- Robótica Livre: Destinado a pessoas físicas, terá até 15 projetos com abrangência na criação e aprimoramento de robôs e drones. Serão destinados R$ 50 mil.

- Midialivrismo: Abrange, entre outros pontos, a criação coletiva de conteúdos analógicos e digitais para sites, produção de jornalismo comunitário, webrádio e desenvolvimento de games entre comunidades. Serão até 12 projetos no valor de R$ 50 mil, destinados a pessoas físicas e jurídicas;

- Intervenção Digital: Compartilhamento e difusão de arte e cultura digital em espaços públicos. Serão até 15 projetos destinados a pessoas físicas e jurídicas no valor de R$ 50 mil;

- Formação em Rede: Focado em pontos de cultura, tem como objetivo criação de imagens e desenvolvimento de vídeos, uso da internet como ferramenta de aprendizagem, entre outros. Serão escolhidos até 5 projetos no valor de R$ 70 mil. Destinados a pessoas físicas e jurídicas.

A ação é uma parceria entre as secretarias municipais de Cultura, de Direitos Humanos e Cidadania e de Serviços. De acordo com o secretário de Cultura, Nabil Bonduki, a união das três pastas mostra que é possível trabalhar de forma integrada para atingir os anseios dos cidadãos.

“O programa trabalha com diferentes formas de apropriação dos espaços urbanos, em que as diversas formas de artes dialogam entre si e com outros pares. Os exemplos reunidos no livro mostram o enorme potencial da cultura como elemento vital do processo de transformação da cidade”, afirmou.

Ao destacar a importância do projeto para a cidade, o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy, ressaltou o direito à cidade, cujo maior desafio é a construção de cidades igualitárias. Para ele, as produções culturais, como as desenvolvidas pelos contemplados do edital, simbolizam os valores dos direitos humanos na vida cotidiana dos cidadãos.

Livro “Redes e Ruas – Inclusão, Cidadania e Cultura Digital” - Organizado pela Sampa.Org e Coletivo Digital, o livro “Redes e Ruas – Inclusão, Cidadania e Cultura Digital” registra a primeira edição do programa, com depoimentos das experiências de cada grupo, relevando as transformações no cotidiano das pessoas envolvidas pelas atividades.

Serviço: 2º Edital Redes e Ruas
Inscrições: 23 de março a 24 de abril
Íntegra disponível na página do Edital Redes e Ruas no Facebook

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Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação / Prefeitura de São Paulo.

 
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