Negócios - São Paulo São

São Paulo São Negócios


A cidade de São Paulo deverá entrar no circuito das film commissions no segundo semestre de 2016. Pelo menos, esta é a previsão de Tammy Weiss, responsável pela coordenação da São Paulo Film Commission. O projeto está sendo viabilizado pela Spcine, que foi lançada oficialmente em 28 de janeiro de 2015. A nova agência deverá facilitar a filmagem de produções cinematográficas e televisivas, atrair novos projetos e promover a imagem da metrópole em mercados e festivais internacionais, como o European Film Market, que ocorre dentro do Festival de Berlim.

A criação da film commission é uma reivindicação antiga do setor e a promessa é de desburocratizar a pré-produção e a rodagem. Tata Amaral, diretora de filmes como “Antônia” (2006), “Hoje” (2011), e da série “Psi” (2015) da HBO, é uma das realizadoras independentes que mais filma em São Paulo e sente os entraves a cada novo projeto. A implantação de um escritório único será fundamental para dinamizar os trabalhos, na sua opinião.

“Uma film commission atuante não exporia os produtores a ficarem dias tentando obter informações de uma instituição que nunca ouviu falar de audiovisual. Ela deve ser o verdadeiro comunicador entre as instituições e os produtores”. Tata reforça que será importante para construir, junto aos órgãos municipais, regras claras quanto ao uso dos espaços públicos e autorizações.

A proposta, de acordo com Tammy, é justamente promover o uso das locações e oferecer apoio em diferentes esferas: política, técnica, legal, infraestrutura e logística. Para isso, será criado um site e um aplicativo nos quais os produtores informarão todas as necessidades da produção. Assim, a obtenção das licenças deverá ficar mais ágil. Os dispositivos vão oferecer um banco de locações com os principais logradouros, como Parque Ibirapuera, Avenida Paulista, Theatro Municipal e Vale do Anhangabaú. Listas de profissionais e serviços como alimentação, hotelaria e aluguel de equipamentos também serão divulgados e haverá uma cartilha única para produtores e órgãos públicos.

Outro obstáculo na metrópole é o trânsito. Bloquear uma rua discreta no Centro ou parte de uma avenida extensa como a Sumaré, hoje, é quase inviável, porém as conversas com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já começaram em julho de 2015. Segundo Tammy, a CET será “a grande aliada” e a proposta é “contar com uma pessoa específica dentro da companhia para atender às demandas”.

Rafaella Costa, produtora que trabalha com Tata Amaral, também aguarda a centralização dos pedidos. “Se for possível unificarmos tudo, economizaremos tempo e dinheiro. Já pedi ‘pelo amor de Deus’ para que ajudassem a viabilizar projetos que vendiam a cidade como cenário e não tivemos respaldo algum. Morríamos com a burocracia”.

Inspiração em Nova York e Rio de Janeiro 

Uma das inspirações foi a film commission de Nova York, cujas características urbanas se assemelham com as da capital paulista. Em Nova York, também não era fácil rodar um longa-metragem nos anos 1960. As demandas dos produtores chegaram aos ouvidos do então candidato a prefeito John V. Lindsay, que prometeu facilitar os processos de filmagem durante a sua campanha, em 1965, segundo informações da agência. Anos depois, foi criado o escritório Made in NY – Mayor’s Office of Film, Theatre & Broadcasting. Os resultados, de acordo com os dados oficiais, foram imediatos. Só na cidade de Nova York, o número de produções cresceu 100% naquele primeiro ano das operações e houve um adicional na ordem de US$ 20 milhões. Com isso, não só a Broadway ficou reconhecível nas telas, mas também os museus, os monumentos e os parques, estimulando o turismo e a cultura local. Hoje, Nova York é uma das cidades mais filmadas do mundo, cuja produção movimenta US$ 7 bilhões a cada ano, empregando 130 mil profissionais.

O escritório de São Paulo também buscou referências no Rio de Janeiro e em Santos. Além de servir de cenário e dar apoio para a produção de boa parte dos filmes nacionais, o portfólio da Rio Film Commission inclui superproduções como “A Saga Crepúsculo: Amanhecer” (EUA/2012) e “Velozes e Furiosos 5: Operação Rio” (EUA/2011).

No litoral paulista, a film commission de Santos também acumula uma série de produções. Criado em 2007, o escritório ajuda na busca de locações, agiliza as negociações de serviços, disponibiliza um banco de profissionais e escritório para as equipes. Lá, foram rodados filmes como “Querô” (2007), “Plastic City” (2010) e “Lula, o Filho do Brasil” (2010).

Para São Paulo, a Spcine ainda não arrisca uma estimativa quantitativa, mas está se preparando para um grande salto. “Todos serão beneficiados: o setor do audiovisual, o setor público, o comércio, o turismo, a população, e principalmente a cidade. Será mais viável filmar aqui”, diz Tammy.

Diana Almeida, produtora de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (2014), aguarda com boas expectativas. “São Paulo é de uma riqueza cinematográfica muito especial. Além disso, é onde fica a sede da minha produtora e onde moram os técnicos com quem gostamos de trabalhar. Faz sentido filmar aqui”.

***

Por Belisa Figueiró na Revista de Cinema.

 

 
Foi acompanhando feiras esporádicas para garimpar produções ilustradas —até então por lazer— que o casal de publicitários Fernanda Terra, 36 e Nat de Abreu, 39, teve a ideia de montar um espaço fixo para reunir esses artistas, independentes ou não. Assim nasceu a Ilustrarquia, que abriu as portas na última segunda (14), na avenida Paulista.
 

Não há restrição em relação ao material, contanto que os objetos integrem o universo da ilustração: seja no papel, em madeira, camisetas, adesivos ou tatuagens. As técnicas também são variadas: serigrafia, grafite e estêncil, por exemplo.

"Muita gente produz e estoca em casa porque não tem onde expor ainda", diz Nat. "Outros não conseguem espaço nas feiras", completa Fernanda. Prova disso é que depois de um anúncio em uma rede social sobre a abertura da loja, choveram produções nos braços do casal —que passaram por uma curadoria. "Tudo o que temos aqui os ilustradores trouxeram até nós". Nas prateleiras estão livros que custam de R$ 3,50 (revista "NFL Comics") a R$ 40 ("Vida de Prástico", de Ricardo Coimbra). Coleções da série "Peanuts", que chegam em breve, farão parte do acervo dedicado às crianças.

O espaço também irá sediar cursos sobre produção independente e métodos de impressão e ilustração, além de vender materiais como molesquines, lápis e canetas.

Serviço
Ilustrarquia
Edifício Barão de Christina - 1º andar - av. Paulista, 1.471, Bela Vista. 
Seg. a sex.: 11h às 19h30. Sáb.: 11h às 14h. 

***
Fonte: Guia da Folha.


A NASA, USAID, Nike e o Departamento de Estado dos EUA estão trabalhando juntos numa aceleradora internacional com foco em inovações sustentáveis ​​e bem social. Em 2010, o quarteto fez parceria com a LAUNCH, uma espécie de incubadora de startups que tem se dedicado a solucionar o impacto ambiental, econômico e social dos métodos de fabricação atual até o ano de 2020. Isso significa numa reformulação dos produtos que usamos todos os dias, e introdução de novos compostos para tomar o lugar dos materiais mais caros e menos ecologicamente sensíveis ao meio ambiente.

Foram escolhidos pelo programa dez empresas inovadoras que participaram de um fórum de três dias na NASA para trocar ideias e colaborar com um conselho de especialistas com o intuito de tornar a sustentabilidade uma norma nas indústrias, incluindo a moda. Conheça as 10 inovações discutidas, e o potencial de mudança que cada uma representa.

1. QMilk : Milhões de litros de leite azedam anualmente e não servem para consumo humano, para solucionar esse desperdício uma empresa alemã criou um tecido maravilhoso que compete com o algodão. A QMilk começou a fabricação de protótipos de uma nova fibra antimicrobiana, resistente a chamas e feita inteiramente de leite. A fibra super macia é 100% biodegradável, criada apenas com recursos renováveis através da caseína do leite azedo, produz desperdício zero e pode ser usado para fazer roupas e tecidos de decoração.

10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-1

Foto: reprodução do site.

2. Geckskin : Adesivos inspirados nas patas de lagartos, mas sem o resíduo. A startup americana projetou o produto para se prender e soltar sobre as superfícies repetidamente, sem perder as suas propriedades adesivas. Pense nisso como um poderoso velcro, mas que nunca perde sua força. As aplicações potenciais incluem o setor de eletrodomésticos, militar e moda. A Geckskin ainda está em seus primeiros estágios, e vai legar ainda um tempo antes de colocar seu produto no mercado.

10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-210 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-2
Foto: reprodução do site.

3. Barktex : Couro feito de casca de madeira? É isso mesmo, transformando a casca de árvore num material que lembra couro, o processo envolve a remoção da casca exterior das árvores, absorvendo essas tiras em água e, em seguida, através de um processo composto, transforma as tiras em um material que funciona como couro para as mais diversas aplicações. O projeto foi concebido para ser de baixa energia, ecologicamente seguro e fornecer emprego a centenas de agricultores em Uganda na África. O objetivo é levar esse modelo para outras partes da África e do mundo em desenvolvimento. O vídeo abaixo mostra o couro de árvore, muito legal.
 

Foto: The Atlantic / reprodução.

4. Blue Flower : Uma iniciativa têxtil que visa apoiar e capacitar as mulheres em situação de risco e reduzir o impacto ambiental da fabricação. O fundador da empresa, a designer de moda Eileen Fisher, quer criar cadeias de valor sustentáveis ​​em todo o mundo. A iniciativa destina-se a ajudar as comunidades pobres a desenvolver de bio-fibras de baixo impacto provenientes de roupas de segunda mão, substituindo a viscose, um têxtil artificial tratado com produtos químicos tóxicos.

10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-310 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-3

Foto: reprodução do site.
 
5. Seda artificial de abelhas: Seda bio-sintética produzida através da fermentação dos casulos onde as abelhas estocam o mel. O processo foi criado pela agência de ciência nacional da Austrália, CSIRO, e utiliza bactérias geneticamente modificadas para reproduzir as “teias”, altamente flexíveis que podem ser usadas ​​para tecelagem e tricô, ou enrolados em esponjas, filmes transparentes ou nanofibras.
 
10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-410 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-4

Foto: reprodução do site.

6. Ambercycle : Essa startup utiliza micróbios modificados para degradar as garrafas de plástico, como as de refrigerante, tornando a reciclagem do plástico rentável e sustentável. O sistema  reduz o custo da reciclagem e utiliza processos orgânicos sem pegada de carbono. Isso também permite que os produtores possam fazer a reutilização dos plásticos e removê-los dos aterros. A Ambercycle foi uma das selecionadas para a competição Global Change Award da H&M.
 
10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-610 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-6

Imagem: reprodução do site.

7.  Benigna by Design : Essa startup recolhe e analisa os dados para entender o impacto dos tecidos, e a intenção é mostrar para as empresas como o desgaste têxtil leva à poluição da fibra, e oferecer soluções para o controle de emissões. A Benigna criou um sistema de análise que cientificamente seleciona o material de melhor custo-benefício com o menor impacto ecológico. O Dr. Mark Anthony Browne, que surgiu com a ideia durante o seu pós-doutorando na Universidade da Califórnia , diz que seu programa “vai criar tecidos mais eficazes e de baixo custo que poluem menos e tem menos fibras tóxicas … em todo o seu ciclo de vida.”
 

Imagem: UNIFEBE / Reprodução.

8. Ecovative : Imagine uma embalagem totalmente biodegradável e isolante feita de cogumelos? O produto é projetado para servir como um substituto para o poliestireno, um polímero sintético utilizado para produzir produtos prejudiciais ao meio ambiente, tais como copos de isopor e material de embalagem. As embalagens da Ecovative “podem ser compostadas a baixas temperaturas em pilhas de compostagem doméstica, e elas vão se desfazer naturalmente“, explica o diretor de design, Sam Harrington. Outros usos para o material são sandálias, pranchas de surf e isolamento.
 
Materials myco flex df42b15c34c29186d9cc473933fa505b55be91bcc020fd82cfdb02ab8b5cd825Materials myco flex df42b15c34c29186d9cc473933fa505b55be91bcc020fd82cfdb02ab8b5cd825
Imagem: reprodução do site.


9. BioCouture : Cria materiais sustentáveis através de micróbios, transformando-os em alta costura. O conceito foi criado pelo designer de moda Suzanne Lee, que prevê que a celulose microbiana é um catalisador que pode revolucionar a moda. A celulose microbiana pode ser cultivada em um balde e utilizada para criar couros biodegradáveis para roupas e acessórios. E, de acordo com sua filosofia “faça você mesmo”, Lee também planeja usar o BioCouture para compartilhar receitas e ferramentas educacionais.
 
10 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-710 inovações sustentáveis que estão prestes a mudar a indústria da moda stylo urbano-7

Imagem: reprodução do site.
 

10. CRAiLAR:  Essa empresa quer tornar o linho competitivo em custos e conforto, com o algodão. Além de sua ampla disponibilidade em todo o mundo, o linho também usa muito menos água, pesticidas e terra para plantio do que o algodão, resultando em emissões de CO2 mais baixas. O processo da CRAiLAR utiliza menos de 97% da água do ciclo de vida necessária para produzir um quilograma de algodão. O produto final é uma fibra suave e natural que é praticamente indistinguível do algodão, sem o preço elevado.

Imagem: Naturally Advanced Blog.

Você acha que essas inovações podem realmente mudar o mundo? Ou as expectativas delas são um pouco elevadas? 

***
Da redação Estilo Urbano.

 


A Universidade Presbiteriana Mackenzie inaugurou há poucos dias o primeiro laboratório da América Latina especializado em grafeno. Fino, resistente e derivado do carbono, o material deu o Nobel de Física de 2010 a seus criadores e pode, nos próximos anos, revolucionar a indústria, a engenharia e o setor de tecnologia.

Construído com uma parceria entre o Mackenzie, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Centro de Pesquisa Avançadas em Grafeno da América Latina (também chamado de MackGraphe) custou cerca de R$ 100 milhões. O laboratório ocupa um edifício com área superior a 4 mil metros quadrados, distribuídos em nove andares, no campus da instituição em Higienópolis, região central de São Paulo.

Ainda pouco conhecido, o grafeno é um material que deve estar presente em boa parte dos eletrônicos no futuro. Gerado a partir do grafite, uma boa forma de entender o grafeno é imaginá-lo como uma folha de átomos de carbono, densamente compactados em um formato bidimensional.

Além de fino e resistente, o material ainda reúne uma série de importantes propriedades para a indústria de inovação: é transparente, leve, conduz eletricidade e calor e ainda é flexível. Não é para menos que tantas aplicações com o material estejam em fase de desenvolvimento para diversas áreas como defesa, eletroeletrônicos, semicondutores e produtos como plástico ou látex.

Suas aplicações vão de raquetes de tênis, já disponíveis no mercado, a preservativos – financiados pela Fundação Bill e Melinda Gates, do cofundador da Microsoft e sua esposa. Além disso, há estudos recentes demonstrando sua aplicação na filtragem e retirada de materiais radioativos de águas contaminadas.

Origem. Segundo o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Benedito Guimarães Neto, o projeto teve início em 2012 quando uma equipe da instituição visitou a Universidade Nacional de Cingapura para desenvolver pesquisas na área de fotônica, que estuda geração, transmissão e detecção da luz.

“Após a visita, a gente viu que poderia aproveitar as potencialidades da tecnologia para pensar algo bem maior. Foi aí que surgiu a ideia do centro de pesquisas em grafeno”, diz. Desde 2010, a Universidade Cingapura tem um centro específico para estudo das aplicações e propriedades do grafeno.

A meta da universidade é dominar o conhecimento científico sobre o grafeno nos próximos cinco anos. Depois disso, começará a desenvolver inovações com o material. Para isso, a instituição pretende buscar parcerias com o setor industrial para propor soluções com o grafeno para a melhoria de processos e produtos.

“A universidade tem o conhecimento, mas são as empresas quem devem produzir novidades”, diz o coordenador do MackGraphe, Thoroh de Souza. O foco da universidade é buscar empresas nacionais que já tenham condições de infraestrutura e investimento, em setores como o agronegócio.

O Brasil tem uma das maiores reservas de grafite do mundo, mas ainda não desenvolveu a cadeia completa de produção do grafeno. “Produção industrial em grande volume e com qualidade não existe no mundo”, diz o brasileiro Antonio Hélio de Castro, diretor do centro de materiais bidimensionais da Universidade de Cingapura. Para ele, um dos desafios para o desenvolvimento neste área é dominar processos de produção de grafeno de alta qualidade.

“Hoje existe uma corrida para controlar e ter a propriedade intelectual em pesquisas com grafeno”, diz Castro. Por sua versatilidade, a perspectiva é de que o material terá peso equivalente ao do silício hoje. “O Brasil não pode deixar de participar desta corrida, porque perde a oportunidade de dividir a riqueza que esse material vai gerar.”

Leia também: Dobrável e forte, o grafeno é o material do futuro.

***
Thiago Sawada no LINK do Estadão.

 

 
A cineasta Vera Egito faz a estreia mundial de seu primeiro longa, Amores Urbanos, viaja pelo mundo para promover o filme e fala, à coluna, da luta por mais mulheres numa área dominada pelos ‘brothers’. Depois de ter sido apresentada em Cannes como “jovem talento promissor” – em 2009, com dois curtas-metragens –, Vera Egito começa agora a correr o mundo para divulgar seu primeiro longa, Amores Urbanos. A estreia mundial aconteceu, ontem, no Miami International Film Festival e o filme desembarca em telas brasileiras a partir de maio.
 

'Amores Urbanos' tem o cantor Thiago Pethit, Maria Laura Nogueira e Renata Gaspar no elenco. Foto: divulgação. 
 
Com orçamento enxuto, o longa conta a história de três amigos que moram no mesmo prédio, vivendo conflitos da classe média paulistana. “Foi um processo bem intenso, porque tinha muitas referências pessoais. E a equipe foi toda de amigos. Estávamos em casa falando da nossa própria vida”, relatou a diretora em entrevista à repórter Marilia Neustein. Além da escolha pela participação de amigos, como Thiago Petit e Ana Cañas, a cineasta se deu conta, ao longo do processo, de que toda sua equipe criativa era formada de mulheres.
 
Nesta véspera do Dia Internacional da Mulher, a militante da causa faz uma comparação oportuna: “Aconteceu o mesmo que se dá com os diretores: eles chamam os brothers deles. Eu fiz o mesmo. Só que no meu caso são “manas”, as minhas parceiras e amigas. Que também são grandes profissionais”, diz.
 
A questão de gênero no audiovisual, aliás, é uma grande preocupação da cineasta, que participa de movimentos a favor de maior representatividade das mulheres no mercado. “Quando uma mulher lidera ou escreve um projeto, há personagens femininas fortes e questões que não são só sobre homens”, afirma. “É por isso que batemos o pé sobre a liderança do projeto. Porque é a liderança que vai trazer essa multiplicidade”. A seguir, os principais trechos de entrevista.
 
Por que contar essa história, uma história de amizade, e como surgiu a ideia do filme?
Acho que a resposta vem da contemporaneidade. Creio que os filmes, assim como os livros, têm o mérito de ser um retrato do tempo. Talvez o Amores Urbanos seja o retrato dessa geração urbana. Até arrisco dizer que é o retrato de um estilo de vida das grandes cidades brasileiras. O filme fala sobre libertação na forma de se relacionar. Os personagens brigam muito mas estão sempre juntos. Acho que isso é o reflexo também de uma certa latinidade. As vidas urbanas se conectam mundo afora, mas eu vejo essa turma que é retratada no filme em muitas cidades latinoamericanas. Agora, por que contar essa história? Acho que tem algo de autoficção. O filme não é autobiográfico, mas algumas falas foram literalmente extraídas da minha vida e da vida dos meus amigos.
 
Muito se fala da falta de filmes brasileiros que retratem a classe média.Amores Urbanos mostra a complexidade desse universo? Acho que sim. O filme foi pré-selecionado para alguns festivais que disseram que o longa não representava o Brasil, porque não é isso que eles esperam do universo latino-americano. Eu entendi. Penso que temos que retratar o Brasil inteiro em todos os seus aspectos: a vida rural brasileira, a periferia, e todos os grupos que não têm voz. O que me dói ainda é que o filme retratado na periferia não seja feito por um autor periférico, por exemplo. Eu ainda acho que é um discurso muito paternal, porque quem faz cinema, quem vai ao cinema, quem escreve sobre cinema, é a turma que está no Amores Urbanos. É essa turma.
 
Acha que a produção deveria ser mais democratizada?
Existem mil movimentos, o cinema na periferia, o cinema negro, as mulheres negras autoras. Eu acho que vai ser legal quando os filmes brasileiros retratarem um Brasil e forem feitos e produzidos, idealizados por esse Brasil múltiplo, e não um cenário onde 84% dos longas é escrito e dirigido por homens héteros brancos.
 
Como diretora, você teve alguma transformação durante o filme? Alguma reflexão?
O processo que seguimos foi, desde o começo do roteiro, muito intenso porque tinha muitas referências pessoais. E a equipe era toda composta de amigos. Estávamos em casa falando da nossa própria vida. O mais desafiador, na verdade, foi filmar em 17 dias com um orçamento muito enxuto.
 
São Paulo tem um papel importante no filme, não é?
Tem. Mesmo sem ter nenhum plano geral, revelamos a cidade. São Paulo está na forma como as pessoas falam. Nessa lógica louca na qual se você não tem um bom emprego, está fracassado. Se namora “uma gata” tem que mostrar para os outros. Acho que têm muitas coisas negativas na lógica de São Paulo. De outro lado, a cidade dá essa possibilidade de ser anônimo. Você pode viver em uma cidade ultraconservadora ou em uma das cidades mais libertárias. Tudo isso na mesma SP. Amores Urbanos está nessa variedade de pessoas…
 
A equipe de criação do filme é quase toda composta por mulheres. Foi uma opção sua?
Não fiz questão. E isso é que foi bonito. Só me dei conta quando a equipe já estava formada. Aconteceu o mesmo que acontece com os homens.diretores: eles chamam os brothers deles. Eu fiz o mesmo, só que no meu caso são “manas”, não são brothers. Chamei as minhas parceiras, minhas amigas. Que também são grandes profissionais. Quando olhei em volta era diretora de fotografia, técnica de som, montadora, diretora de arte, figurinista. Era só “a mulherada”. No meu set de criação tinha um único homem – o diretor de produção – e isso gerava muita piada (risos). É claro que eu tenho amigos homens. Mas existe também uma associação, essa afinidade de gênero – que no movimento feminista chamamos de sororidade. Todos os amigos diretores que conheço escolhem sempre uma equipe só de homens e nunca foram questionados por isso.
 
Você participa de um grupo em prol das mulheres no audiovisual.
Sim. A SPCine convocou uma reunião das mulheres do audiovisual de SP e disso surgiu um grupo no Facebook. Hoje são mais de duas mil mulheres no Brasil. Somos uma rede de contatos, estamos levantando pesquisa sobre a situação da mulher no audiovisual, um banco de dados com todos os nossos nomes e funções, etc. Mas é um grupo apolítico, bem heterogêneo.
 
Nesse contexto, como você vê a representatividade da mulher nesse mercado?
Questiono o porquê de 84% dos filmes brasileiros serem liderados, escritos e dirigidos por homens brancos. Existem muitas mulheres, diretoras consagradas, produtoras consagradas que não entram nessas estatísticas. Acho muitíssimo grave que não haja filmes lançados por mulheres negras no Brasil, por exemplo. Não está certo. Isso não é um problema só das mulheres negras, isso é um problema de todos nós. E eu ouvi de um amigo: “Não sei por que você está tão preocupada, você é mulher e dirige filmes”. Eu respondi: “Talvez porque o mundo não gira em torno do meu umbiguinho”.
 
Estamos vivendo essa primavera do feminismo. O que acha disso?
É engraçado porque fui criada por uma mãe feminista, eu vivi isso. Ela sempre me falou da Frida Khalo, Rosa Luxemburgo, Olga Benário, Simone de Beauvoir. As mulheres fortes sempre povoaram a minha construção como pessoa. E acho maravilhoso que essa reflexão esteja voltando. Sempre digo aos ativistas do movimento LGBT e do movimento negro que, às vezes, há uma impressão de que o mundo está muito reacionário. Entretanto, o reacionário só existe porque é uma reação à nossa atitude de estarmos botando as asinhas de fora.
 
Outra questão importante levantada pelas mulheres no cinema não é apenas o número de lideranças no audiovisual, mas também a forma como as personagens mulheres são retratadas nos filmes.
 
Existe até um teste que indaga, nos filmes dirigidos por homens, quantas personagens mulheres existem e dessas quantas têm fala, e quantas falas não são sobre homens. O resultado é realmente impressionante. Quando uma mulher lidera ou escreve um projeto audiovisual, existem personagens femininas fortes e existem questões na vida delas que não são só sobre homens. E é natural escrever sobre elas. Por isso eu sempre repito que o autor periférico precisa ter voz. A autora negra precisa ter voz. Porque automaticamente o retrato aparece na tela. É por isso que batemos o pé sobre a liderança do projeto. Porque é a liderança que vai trazer essa multiplicidade.
 
A atriz Viola Davis falou sobre isso no seu discurso do Emmy. Sobre a oportunidade da mulher negra no audiovisual americano.
Achei muito interessante, no discurso dela, quando ela disse que você não pode ganhar um prêmio por um papel que não existe. Essa é a grande questão. Você não pode atuar em um filme que não existe, ou dirigir um roteiro que não existe. É importante ter mais mulheres escrevendo, mais mulheres negras escrevendo.
 
Você é mãe de uma menina. Pensa nisso ao criar sua filha também?
Muito. Penso nisso tudo. Eu acho que é como eu fui criada, na verdade – que é não colocar o gênero como um empecilho.

***
Direto da Fonte, por Sonia Racy em O Estado de S.Paulo.
 

 
A cidade de São Paulo ganhou um novo alento para os sabores brasileiros. Estão sendo abertos neste mês de março quatro novos boxes do Mercado Municipal de Pinheiros, focados em ingredientes de diferentes biomas do Brasil, que ficarão sob a curadoria do Instituto ATÁ em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Auá, a Central do Cerrado e o grupo Quintana. O Mocotó Café, aberto em janeiro, também faz parte do projeto.


O prefeito Fernando Haddad, durante a abertura dos novos boxes do Mercado de Pinheiros, que passa por processo de revitalização.
Foto: Claudio Tavares / ISA.

 As seis organizações formam um coletivo, que desenvolve diversos projetos com comunidades locais e tradicionais aliados à valorização dos ingredientes nativos. A ideia é facilitar o caminho para que os produtos estejam disponíveis no Mercado de forma qualificada, com preço justo e respeitando as peculiaridades de cada região.
 

O óleo de Pequi do Xingú é um dos ingredientes à venda no Mercado de Pinheiros. Foto: Cláudio Tavares / ISA.


Fortalecer a cadeia do alimento

O projeto do Instituto ATÁ no Mercado de Pinheiros atua em várias frentes. Um de seus principais objetivos é trazer luz à rica biodiversidade do Brasil, que se traduz em um leque sem-fim de ingredientes, repletos de aromas e sabores desconhecidos de grande parte de nossa população.

Outro objetivo é fortalecer a ponta da cadeia, contribuindo para que esse grupo de pequenos produtores, artesãos e comunidades se estruturem e sejam remunerados de maneira justa, tornando seus negócios sustentáveis economicamente, e facilitando sua entrada no competitivo mercado paulistano. O papel de todas as organizações envolvidas é de construir pontes entre o consumidor e o pequeno produtor, buscando encurtar o caminho do campo à mesa.

Como não haverá intermediários em todo o processo, os boxes se consolidarão também como um grande showroom, possibilitando outros negócios para as comunidades, os artesãos e os pequenos produtores. A expectativa é que os boxes sejam um estímulo para o comércio de varejo e um incubador de negócios para esses produtos. Seja com chefs e restaurantes que ali terão acesso a produtos vindos de locais distantes, seja para outros pontos de venda, com empórios e restaurantes. O projeto pretende ser o ponto de partida para uma rede que se estenderá por toda a cidade.

O chef Alex Atala, do Instituto ATÁ, acredita que criar uma demanda para esses produtos, apresentando-os ao público consumidor, e tornar viável o uso dos ingredientes brasileiros não apenas em suas regiões de origem é também uma poderosa ferramenta de preservação do meio ambiente.

Artesanato usado na culinária dos povos indígenas do Xingú. Foto: Cláudio Tavares / ISA.

Termo de Cooperação

O projeto dos boxes focados nos biomas do Brasil faz parte de um novo momento do Mercado Municipal de Pinheiros, que passa por um processo de revitalização com reformas estruturais, melhorias e um calendário de atividades educativas e culturais para o ano.

Ali, no tradicional espaço, localizado no Largo da Batata, firmou-se um termo de cooperação entre o Instituto ATÁ e a Prefeitura de São Paulo para um projeto inovador. A entidade, composta por lideranças de diferentes setores, como o chef Alex Atala (Grupo D.O.M.), Beto Ricardo (Instituto Socioambiental) e Roberto Smeraldi (Oscip Amigos da Terra – Amazônia Brasileira), com o prefeito Fernando Haddad e o secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, Artur Henrique, formalizaram o acordo que permite à entidade ocupar e administrar cinco boxes do Mercado e também desenvolver ações que promovam o fortalecimento da cadeia produtiva do alimento.

A iniciativa, da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo (SDTE), por meio da Coordenadoria de Segurança Alimentar e Nutricional (Cosan), faz parte do programa Fortalecimento da Diversidade Gastronômica na Cidade de São Paulo, pela valorização de ingredientes da cozinha brasileira.

“O Mercado Municipal de São Paulo, o Mercadão, reflete perfeitamente a diversidade cultural paulistana, mas ainda falta um espaço que represente nossos sabores nativos. A ideia é que o Mercado Municipal de Pinheiros ocupe essa lacuna e se torne uma embaixada do ingrediente brasileiro”, explica o chef Alex Atala.

Trazer produtos que representem os diferentes biomas e priorizar ações que valorizem o pequeno produtor e fortaleçam a cadeia do alimento serão prioridades no projeto do Instituto ATÁ para a parceria. “Queremos que o Mercado de Pinheiros se torne uma extensão da rota turística que vai ao Mercadão e que o público venha de metrô e de bicicleta”, afirma Alex Atala.

Conheça alguns produtos que serão comercializados nos novos boxes do Mercado de Pinheiros

Bioma Amazônia / Mata Atlântica (Instituto ATÁ).
- Tucupi
- Molho de tucupi preto
- Maniva precozida
- Mini-arroz do Vale do Paraíba
- Farinha piracuí
- Farinha de milho biju
- Cachaça de jambu
- Cumaru
- Açúcar aromatizado com cumaru
- Aviú
- Queijo marajoara
- Doce de cupuaçu
- Farinha d’água
- Feijão manteiguinha
- Geleia de jambu
- Geleia de priprioca
- Polpa de bacuri
- Polpa de murici
- Polpa de taperebá

Bioma Amazônia / Mata Atlântica (Instituto Socioambiental).
- Pimenta baniwa
- Mel dos Índios do Xingu
- Castanha do Pará
- Farinha de mesocarpo de babaçu
- Farinha de mandioca (Mata Atlântica)
- Banana chips (Mata Atlântica)
- Taiada (Mata Atlântica)
- Rapadura (Mata Atlântica)
- Óleo de Pequi
- Pimenta do Xingu. Ainda não disponível
- Azeite de castanha. Ainda não disponível
- Óleo de babaçu. Ainda não disponível
- Cerâmica Baniwa
- Cerâmica Yudja
- Cerâmica Wauja

Bioma Mata Atlântica (Instituto Auá).
- Cachaça curtida com cambuci, com pelo menos 400 anos de tradição no alto da Serra do Mar de São Paulo
- Xarope de cambuci, com tradição centenária na região, sendo excelente expectorante
- Licores de grumixama, araçá, cambuçá, pitanga e outras nativas, produzidos em Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo
- Paleta de uvaia artesanal da marca Empório Mata Atlântica
- Geleias de Cambuci, Uvaia, Juçara e outras nativas, de diversos produtores da Serra do Mar Paulista
- Antepastos, molhos e chutney à base de Cambuci
- Granola com juçara, produto exclusivo de São Luiz de Paraitinga
- Mudas de cambuci, grumixama e araçá
- Cambuci congelado da Rota do Cambuci

Bioma Cerrado/Caatinga (Central do Cerrado).
- Óleos vegetais (babaçu, pequi, macaúba)
- Farinhas (jatobá, babaçu e buriti)
- Castanhas como a de baru e pequi
- Geleias, licores, doces e polpas de frutas nativas do Cerrado e da Caatinga
- Artesanatos de Capim Dourado
- Tecelagens com pigmentos naturais e outros produtos associados ao modo de vida dos agroextrativistas
- Produtos das Mulheres Quebradeiras de Coco de Babaçu, que possuem uma relação muito forte com as matas de cocais ou babaçuais de onde tiram inúmeros produtos para seu sustento e possuem uma luta muito forte em defesa do direito a suas terras e territórios e contra a grilagem de terras.

Bioma Pampas (Marcos Livi/Quintana).
- Mel branco de Cambará do Sul
- Pimentas de Turuçu
- Charque de gado de Santana do Livramento
- Charque de cordeiro feito pelo chef Márcio Avilla, de Pelotas
- Artesanato em nó de pinho, lascas de araucária, lã de ovelha
- Carne de ovelhas crioulas do Projeto Monã
- Sucos de frutas nativas, como butiá
- Arroz cachinho, de Sentinela do Sul, uma semente quase crioula, esquecida por 100 anos e agora novamente sendo resgatada e gerando uma nova fonte de renda para uma associação de 23 produtores. Disponível apenas em maio.

Bioma Caatinga (Mocotó).
- Manteiga de garrafa
- Pimentas
- Farinhas
- Cachaça
- Rapadura
- Tapioca
- e pratos típicos nordestinos

Serviço

Mercado Municipal de Pinheiros.
Rua Pedro Cristi, 89.
Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 8h às 18h.
Fecha aos domingos.

***

Informações: Giuliana Bastos assessora de imprensa do Instituto ATÁ, Assessoria de Comunicação do Mercado Municipal de Pinheiros e da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo.

 

APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio