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A empresa digital de transporte Uber já enfrentou barricadas em chamas que bloquearam o acesso ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e ameaça de multas que podem chegar a € 200 mil. Em seis anos desde sua criação, no entanto, nenhuma reação ameaça tanto o futuro da empresa quanto as primeiras ações judiciais surgidas no seu berço californiano que questionam o status dos motoristas cadastrados no seu aplicativo. "Parceiros" pelos contratos firmados num clique, os motoristas pagam 20% do que faturam em corridas à empresa e são responsáveis por todos os custos - do combustível ao seguro do passageiro - de um carro que não pode ter mais de cinco anos de uso.  
 
No mês passado, a Justiça californiana aceitou como "trabalhista" a ação coletiva movida por três motoristas contra a empresa. O julgamento põe em risco o modelo de negócios de uma empresa criada por dois engenheiros mal entrados nos 30 anos que se conheceram em San Francisco, que já vale US$ 50 bilhões e virou a estrela do mercado de serviços acionados pelo celular.  
 
Se as ações tiverem curso, a Uber pode vir a ser obrigada a pagar os direitos trabalhistas dos motoristas cadastrados em seus aplicativos. Nessas representações, que já se multiplicam em outras cidades americanas, os motoristas reportam ganhos médios de US$ 15 por hora e em alguns Estados o apurado não passa de US$ 7,5, equivalente ao mais baixo salário mínimo adotado no país, sem os direitos de quem trabalha, por exemplo, num fast-food.  
 
As condições de trabalho geradas pelos negócios incubados no Vale do Silício viraram tema da campanha presidencial. Ao expor seu programa de governo numa universidade em Nova York, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton reconheceu o potencial criativo e inovador desses serviços prestados sob demanda digital, mas, sem nominar o Uber, alvejou-o: "[as empresas] levantam questões difíceis sobre a proteção do trabalho e o que vai ser um bom emprego no futuro".  
 
Na página que mantém na internet, a Uber registra atuação em 344 cidades de 60 países nos seis continentes. Ao celebrar o quinto aniversário da empresa no ano passado, seu fundador, Tavis Kalanick, pincelou o número de motoristas cadastrados no aplicativo. A lista é liderada por Nova York, onde Uber virou verbo, com 26 mil motoristas e é seguida pelos 22 mil em San Francisco, 20 mil em Chengdu, 15 mil em Londres e 10 mil em Paris.  

Bombardeada por uma democrata, a Uber tem como principal estrategista um dos formuladores da campanha eleitoral do presidente Barack Obama. A política da empresa passa por pagar as multas devidas, manter os motoristas na praça e insistir na reabertura de negociações com governos na expectativa de que o tempo e a opinião pública joguem a seu favor.  
 
Numa operação em que, da seleção de motoristas à verificação das condições de segurança do carro, tudo é terceirizado, a empresa custa a operar com um padrão mundial de qualidade infenso às vicissitudes locais. No ano passado, a companhia municipal de transportes de Nova Déli baniu a Uber depois que uma passageira disse ter sido estuprada por um de seus motoristas. Os carros da empresa foram obrigados a instalar botões de pânico para continuar operando na cidade.  
 
Na China, a Uber não tardou a ser copiada. Surgiram vários competidores locais para o serviço. Disputam, na clandestinidade, um mercado que a Dow Jones estima em 700 milhões de potenciais clientes. Depois de sucessivos conflitos entre taxistas e motoristas dos novos serviços, o governo chinês abriu consulta pública para regulamentá-los. Quer levar a Uber e seus concorrentes a adotar regras que contrariam a política da empresa, como a obrigatoriedade de contratos de trabalho para seus motoristas.  
 
Em nenhum canto do mundo, no entanto, a resistência foi tão disseminada quanto na Europa. À exceção do Reino Unido, a empresa é banida de quase todo o continente. Em Londres, depois que 12 mil tradicionais minivans pretas se enfileiraram na Trafalgar square no ano passado, o prefeito Ben Johnson foi obrigado a exigir que os motoristas da Uber se submetessem aos mesmos testes que condicionam o alvará dos taxistas.  
 
Dois meses depois, Berlim proibiu o serviço e levou a Uber a reagir informando o crescimento exponencial no número de acessos ao seu aplicativo. "Não se pode colocar freios ao progresso", disse um executivo da empresa ao "The Guardian". A estratégia de enfrentamento no coração da União Europeia foi distinta da que seria adotada na Espanha em dezembro. Depois da decisão de um tribunal de Madri, a empresa acabaria deixando o país.  
 
Na América do Sul, além do Brasil, a Uber chegou a Colômbia, Peru e Chile. Das quatro praças brasileiras onde o Uber opera há mais de um ano, o Distrito Federal é a única onde o Executivo local ainda não proibiu seu funcionamento. A resistência, que se espraia pelas três maiores capitais do país (São Paulo, Rio e Belo Horizonte), sela a entrada do Brasil na polêmica mundial em torno do serviço de transporte com todos os ingredientes de uma conjuntura em que desemprego, corporativismo e precarização do trabalho sitiam a capacidade de regulação do Estado.  
 
No mês passado, a pretexto de explicar o compartilhamento de carros oficiais depois do corte promovido na frota da Esplanada, a presidente Dilma Rousseff disse que a Uber tira o emprego de muitas pessoas, mas evitou se posicionar contra o serviço que usara como inspiração para o enxugamento de regalias. Foi buscar no avô paterno, Stefan Russev, que fabricava artigos de couro e tinha loja no centro de Gabrovo, na Bulgária, a referência para o que chamou de "destruição criadora": "Meu avô era seleiro, fazia sela de cavalo. Vocês imaginam o que aconteceu com o emprego dele quando apareceram os carros".  
 
A presidente parecia aliviada por não ter que se meter no imbróglio que disse não ser de competência da União. O tema, no entanto, acabará no seu alambrado. O veto imposto nas principais capitais ao serviço jogou-o na clandestinidade, mas não foi suficiente para tirar os carros de circulação. O embate arregimentou seus lobbies no Congresso. A brecha para a intromissão federal é uma lei de mobilidade urbana, de 2012, que prevê a regulamentação do transporte privado individual em contraposição ao táxi, que é uma concessão pública.  
 
A proximidade das eleições municipais esquentou o debate na Câmara dos Deputados. Os sinais parecem invertidos. Os jovens e antenados defensores da Uber se apresentam como porta-vozes dos usuários e enfrentam bancadas raivosas, como a dos radialistas, que, na atual legislatura, têm um representante na presidência da Casa.  No mês passado, durante uma audiência pública, o representante do Cade, que recebeu duas representações sobre a concorrência no setor desde a entrada da Uber, disse estar convencido das evidências econômicas da liberação do serviço. Hostilizado por taxistas que lotaram a comissão, disse ser favorável a uma regulamentação que equalizasse as condições de competição da Uber com o táxi tradicional.  
 
O representante da empresa, um articulado doutor em direito pela USP, tentou sensibilizar sua audiência buscando pontos de convergência com cada um dos inflamados parlamentares a partir de um discurso que podia facilmente ser confundido com o de um ativista social: "Se a Uber tem um inimigo, é o carro particular. Nosso negócio é privilegiar o acesso em detrimento da posse".  
 
Aparteado aos gritos, o advogado não teve oportunidade de explicar como uma pessoa sem posses pode pagar uma corrida que, no Brasil, custa em média 5% acima da tarifa de táxi. Foi secundado, na comissão, pelo presidente de uma associação de taxistas de São Paulo que fez ameaças nada veladas caso prosseguisse a tentativa de regulamentação do tema: "Não temos como conter a categoria, vai ter morte".  
 
O deputado federal Celso Russomano, pré-candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, é a principal estrela da bancada contrária à regulamentação da Uber. Com o polo que fincou na disputa, moveu o prefeito Fernando Haddad para o centro. Com o discurso de que o Estado não abria mão de regulamentar o setor, o prefeito criou uma nova concessão pública, com cinco mil vagas, para os táxis pretos.  
 
Com a proposta, Haddad saiu à frente do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que foi pioneiro na proibição. O projeto areja o mercado com metade das licenças reservadas a motoristas que hoje alugam alvarás e cota para mulheres, mas está longe de propostas como a Kutsuplus, uma parceria da prefeitura de Helsinque e uma empresa chamada Ajelo, que dá carona a passageiros em busca de trajetos semelhantes e os conecta com o transporte público.  
 
O projeto de Haddad, que mantém a Uber proibida, ainda deixa intocada uma lei de 1969, arcabouço das máfias que atuam no maior mercado de táxi do país. O texto, sancionado pelo então prefeito Paulo Maluf e inspiradora de leis de outras capitais, deixa brechas ao aluguel de alvarás e faz que uma grande parte dos motoristas trabalhe pelo menos 14 horas por dia para poder remunerar proprietários que chegam a ter 300 licenças na cidade.  
 
A maioria adotou os aplicativos que se disseminaram nos últimos anos no mercado para poder alcançar o número de corridas que permita remunerar o alvará e pagar a manutenção do carro. Assim como os motoristas da Uber que começam a acionar a empresa na Justiça americana, não podem ser considerados parceiros dos proprietários dos alvarás, mas não usufruem direitos trabalhistas.  
 
O avanço da regulamentação federal vai determinar, em grande parte, o ritmo da Uber no Brasil. Os percalços podem minar a liberdade de quem vê uma revolução a galope no mercado de consumo, mas em nada impedem que a promessa de futuro embutida na precarização de direitos mantenha o Brasil, desde sempre, na vanguarda. 
 
Maria Cristina Fernandes, jornalista do Valor Econômico, escreve quinzenalmente no Jornal.
 
 


Disponível gratuitamente na App Store Apple e na Play Store Android, o app Viva Floresta está mapeando, de maneira colaborativa, as árvores nativas da Mata Atlântica na Grande São Paulo. O GPS e a câmera do smartphone permitem cadastrar uma árvore em poucos cliques _mesmo que você não saiba o nome o nome de sua espécie.

No melhor espírito de crowdsourcing, como acontece na Wikipedia, outro usuário pode complementar posteriormente as informações, como nome popular e nome científico. Para tanto, é necessário que as fotos mostrem claramente a árvore inteira e alguns de seus detalhes, como folhas e, se possível, flores e frutos. Em breve mapas de outras capitais brasileiras serão incluídas.

 

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Com esse mapa, além de registrar necessidade de cuidados como podas e combate a pragas, fica mais fácil para os amantes de árvores nativas coletar sementes e produzir suas próprias mudas.  Só dentro de São Paulo há mais de 600.000 árvores nativas como Ipês, Quaresmeiras e Sibipirunas, entre dezenas de outras espécies.

O aplicativo Viva Floresta utiliza a plataforma Open Tree Map, criada na Califórnia com o apoio do Departamento Nacional de Agricultura dos EUA. Essa plataforma já é usada em 18 cidades nos Estados Unidos, Inglaterra e México.

O mapa também pode ser acessado através de computadores pessoais, na interface web disponível no: http://www.vivafloresta.org/saopaulo.

Ricardo Anderáos no Viva Floresta.

 


O aplicativo Waze sofreu uma boa repaginada. O app comprado pelo Google em 2013 teve toda sua interface alterada na versão 4.0. No entanto, o que deve mais deixar os usuários felizes é que ele promete ajudar os motoristas a pegarem rotas onde não vigora rodízio de veículos (o que pode ser um prato cheio para quem vive em São Paulo, por exemplo) e consumir menos bateria

Essa é uma das grandes reclamações de quem usa o aplicativo, junto com o fato de fazer o aparelho esquentar. Mesmo com as melhorias, a empresa continua avisando que “o uso contínuo do GPS rodando no segundo plano pode reduzir drasticamente a vida útil de sua bateria”. Se, de fato, for menos que o normal, já é alguma coisa.

No que diz respeito ao recurso do rodízio, o Waze é econômico na explicação: “Onde aplicado, pegue rotas de acordo com a policia de rodízio de veículos da sua cidade e evite multas”.

Sobre as mudanças na interface, o Waze terá um novo painel HEC (horário estimado de chegada). Com ele, o usuário do app poderá ver alertas, verificar rotas alternativas e compartilhar o tempo estimado com seus amigos.

Os alertas no aplicativo ganharam novas cores, e toda a experiência agora conta com animações (ao ajudar um usuário, são depositadas moedinhas em seu saldo, da mesma forma que acontece com o Swarm).

 

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Além de mostrar caminhos alternativos, o Waze ficará um pouco mais intrometido. Um novo sistema de notificações dirá o horário que você deve sair para chegar a tempo em um compromisso, baseado nas condições de transito.

Desde a semana passada, o Waze tem soltado teasers sobre a versão 4.0 do aplicativo — inclusive com um vídeo mostrando algumas das novas funcionalidades. Por enquanto, só está disponível para iPhone. A versão para Android deve sair em breve.

Guilherme Tagiaroli no Gizmodo.

 

 
Casas conectadas em breve serão realidade na vida de muitas pessoas, mas antes que todos os objetos de uma residência comecem a conversar por meio da internet, a mobilidade, hoje, já torna possível executar algumas tarefas de forma inteligente. Essa é a proposta da Casa Google, que a gigante de internet apresentou no último dia 14 para a imprensa em São Paulo.
 
A empresa montou na suíte presidencial de um hotel na capital paulista uma casa baseada em tecnologias como o novo sistema operacional Android, o Marshmellow, o Chromecast e o sistema de reconhecimento de voz da companhia. A experiência começa logo na sala, com a televisão equipada com Android e na mão do morador, um smartphone com o Marshmellow. O novo sistema operacional móvel, segundo Gabriela Manzini, gerente de comunicação do Google Brasil, foi desenhado para otimizar o uso da bateria, colocando-a, por exemplo, em estado de economia. 
 
Google apresenta casa dos sonhos com mobilidade como carro-chefe
Foto: Google Brasil / Divulgação.
 
Na cozinha, o YouTube domina. Segundo a empresa, a plataforma deixou de ser um simples repositório de vídeo e tornou-se um local de entretenimento e um dos temas mais buscados por lá são receitas. Houve aumento de 30% na procura por receitas no YouTube e ao somar tudo o que tem na rede são mais de 2,6 mil anos de vídeos de culinária disponíveis. No quarto, o assistente de voz do Google ganha notoriedade.
 
Nos últimos meses, o Google já sinalizava que estava aprimorando seu assistente de voz para que ele se tornasse, de fato, um assistente pessoal do usuário. Em demonstração, uma funcionária do Google pediu ao recurso: “Me lembre do aniversário da minha mãe no sábado” e o assistente abriu a aplicação de lembretes para anotar o pedido. Em seguida, ela solicitou que ele mostrasse a melhor rota para ir de bicicleta para o trabalho e, prontamente, o assistente identificou o comando, sinalizando a melhor forma de se chegar. 
 
Já na sala de TV, o Chromecast, dispositivo do Google conectado à TV e controlado via smartphone, permite acesso a diversos serviços, como YouTube e filmes. É possível, por exemplo, por meio do Google Play comprar livros e filmes, em moeda local, ou baixá-los no celular para ler ou assistir quando quiser. O Google Play também foi citado como plataforma para uso no banheiro. Sim, para os que gostam de cantar no chuveiro, o aplicativo é a solução recomendada pelo Google. Gabriela destacou no app a possibilidade de escutar playlists criadas por pessoas e não por algoritmos. No app também é possível fazer o upload de 50 mil músicas dos CDs preferidos dos usuários, que ficarão armazenados na nuvem.  
 
O aplicativo Fotos pode ser usado nos momentos de lazer, na piscina ou demais áreas de descanso. O app armazena fotos de maneira inteligente de forma automática. Assim, por exemplo, é possível localizar registros temáticos apenas ao inserir no campo de busca o termo-chave. Ao colocar cachorro, aparecem todas as fotos de cachorros armazenadas no app, que também está disponível para iOS. 
 
Déborah Oliveira no IT Forum 360.
 
 


Minha rotina neste projeto começou em agosto do ano passado. O site ainda não estava no ar e eu penava para me adaptar à rotina de trabalhar em casa pela primeira vez em 17 anos (o novo jornalismo, líquido, está em todos os lugares, donde, em lugar nenhum: no hay redação). Além de esquecer de almoçar ou beber água, era especialmente difícil saber a hora de parar de trabalhar. A gente (eu, Adriano Silva e Pedro Burgos, então editor do projeto) passava o dia inteiro conectado, fritando, organizando pautas, links, ideias, pessoas, abordagens para as histórias que queríamos contar.

Um resumo do que fizemos em nosso primeiro ano de vida.Um resumo do que fizemos em nosso primeiro ano de vida.

Um resumo do que fizemos em nosso primeiro ano de vida. Infográfico: Crystian Cruz. 

Também nos encontrávamos e fizemos, a três, algumas das primeiras entrevistas e filmagens (a Natália Garcia, do Cidade para Pessoas, deve se lembrar disso). E, então, rediscutíamos tudo presencialmente, nos cafés e restaurantes que nos serviam de escritório. Ao mesmo em tempo que isso fervilhava, era difícil explicar para as pessoas o quê, afinal, eu andava fazendo da vida. Essa história de trabalhar em casa e não ter nada para mostrar era meio esquisita…

Até que o Draft entrou no ar no dia 29 de agosto, uma sexta-feira. Bonitão, com uma identidade visual acertada e que sozinha transmite o que Draft pretende ser: clean, atual, leve, bonito, agradável. Da segunda-feira seguinte, 1o de setembro de 2014 até hoje, passamos a publicar todos os dias pelo menos duas grandes histórias (que chamamos de features) sobre a Nova Economia, mostrando quem são os makers, os criativos, disruptivos, startupeiros, empreendedores sociais e life hackers que agora povoam não só a timeline do Draft mas também a minha — e a de cada vez mais gente.

Eu vinha de quase três anos trabalhando numa agência de comunicação corporativa, a Ideal, e tinha consciência de que iria experimentar uma função diferente. Alguns amigos perguntavam como era “voltar ao velho jornalismo”. Eu dizia que estava feliz, verdade, mas não respondia — porque a pergunta não procedia. Não havia (não há), um velho jornalismo para onde voltar, nem que eu quisesse. Era bem o contrário: eu estava vivendo uma nova forma de exercer a profissão de contar histórias. Que essas histórias se apresentem em formato digital é um fato e uma obrigação, não há nada de novo nisso.

Numa das nossas reuniões pré-Draft, anotei uma lista intitulada “o que é pauta do Draft”: inovação disruptiva, transformação, mudança de modelo de negócio, iniciativa que se sustente financeiramente, revisitar o hype. Num outro canto da mesma página, instruções formadoras do jeito Draft de contar histórias: “dizer como a pessoa encontrou o modelo entre fazer o projeto e pagar as contas”, “instrumentalizar quem está lendo para fazer o que não achava possível”, “fazer com que o cara de fora enxergue o caminho do maker, deixar a construção daquilo visível”. Era o que tínhamos, o que queríamos, o que faríamos. 

E assim, aos poucos, dia após dia, fomos colocando no ar cada uma das ideias que a nosso ver representavam o Draft. Elas começaram a ganhar vida própria e viajar por caminhos e timelines improváveis, e isso era ótimo. O site ia ganhando leitores (unique visitors, melhor dizendo) conforme nós mesmos e os personagens retratados fazíamos a distribuição amorosa do conteúdo em nossas redes pessoais. “Olha que legal.” Acredito que um post começando assim é e sempre será a melhor campanha de marketing que um produto editorial poderia ter. Tão simples, tão poderoso, tão valioso. 
 

Quando o Draft já tinha uns dois meses de vida, algumas rotinas estavam estabelecidas. Minha home já tinha feito as pazes com o office que a havia invadido. Criei uma rotina própria, mas agora saudável e produtiva, de trabalho. O Pedro tinha deixado o time para ir atrás de seus projetos pessoais — algo que se tornaria uma triste-feliz rotina: gente boa que depois de escrever sobre empreender e hackear a própria vida sai do Draft porque vai fazer isso na prática (como reclamar?). No time fixo, Kaluan Bernardo era agora meu parceiro, responsável pelas pílulas diárias da Seleção Draft e, no início de 2015, também pela seção dedicada a novos negócios, Acelerados.

O time de colaboradores ia aumentando, com repórteres que eu já conhecia, outros que vieram de recomendações do Pedro, do Adriano. Gente muito boa, que pegava rápido o espírito do que queríamos contar no Draft. Renata Reps, Daniela Paiva, Mariana Castro, Isabela Mena, Aline Vieira, Camilla Ginesi, Gisela Blanco, Anna Haddad, Breno Castro Alves, Filipe Callil, Luisa Migueres (que hoje faz Seleção Draft e Acelerados, no lugar do Kaluan), Mel Meira e tantos outros. Tanta gente legal.

Mas mesmo com eles, era (e é até hoje) divertido e desafiador explicar por que determinada história vale como pauta para o Draft e por que outra, parecida, eventualmente não. É uma sintonia fina. Uma linha delicada separa, por exemplo, histórias de empreendedorismo das histórias de empreendedorismo criativo e disruptivo que buscamos contar. As últimas são a cara do Draft, as primeiras, por mais legais que sejam, não são. Mas se determinada história de empreendedorismo não-disruptivo tem um personagem que transformou maravilhosamente sua vida, fez um life hacking inspirador, aí ela é pauta.

Uma parte do meu trabalho é refinar diariamente, com toques precisos do Adriano, o que é e o que não é pauta para o Draft. Isso passa por conversar com os colaboradores e, também, com assessores de imprensa que cada vez mais nos procuram, nem todos exatamente a par das nossas particularidades.

 

Outra parte é propor o casamento mais bacana possível entre colaborador e história a ser contada. Aqui, o frila pode negar pauta, não tem grilo. Quero pessoas felizes dedicando seu tempo para o Draft, contando as histórias que estejam afim de contar. O mercado de jornalismo está derretendo, os cachês (aqui e em qualquer lugar) poderiam ser melhores. Então, vamos ser felizes o máximo que pudermos trabalhando? Quero.

Mas, enfim, cuidar da pauta e cuidar dos frilas é algo que editores fazem nos bastidores de veículos desde o século passado. Uma outra parte, a mais “tecnológica”, do meu trabalho é fazer com que as histórias do Draft tenham o mais longo ciclo de vida e relevância digital possível. Aí há a ciência de dados, que nos indica os melhores horários e formatos para (re)publicar o conteúdo nas redes sociais. Há os macetes de comprar mídia para fazer o conteúdo que já está indo bem voar mais um pouquinho (de nada, Zuckerberg). E há a possibilidade permanente, deliciosamente imprevisível, de que um post se torne viral e alcance, num susto, centenas de milhares de pessoas além da nossa média, fazendo com que toda uma mágica aconteça (Claudia Giudice, Tania Menai que o digam).

 

Pessoas que curtem nosso trabalho a ponto de recomendá-lo em suas redes. Começa por quem escreve no Draft, passar por quem trabalha na comunicação das empresas retratadas e pelos próprios personagens das matérias.

Mas há mais gente aí, e isso é que vai delineando o senso de comunidade que buscamos: empreendedores, criativos, disruptivos, gente que sonha em um dia ser um maker também, gente que simplesmente gosta de acompanhar este universo. Que gosta de ler histórias de negócios que mudaram mercados, histórias de pessoas que mudaram suas vidas (histórias que estarão sempre por aqui, legitimando a comunidade ao redor do Draft). São essas pessoas que compartilham nossos conteúdos e dizem “olha que legal”. Legal demais. A gente morreria sem isso.

Agora que mais de um ano já se passou, as surpresas e conquistas lá do começo vão ficando para trás e isso nos dá a possibilidade de olhar, em perspectiva, para o que produzimos. O designer Crystian Cruz, o Coxa, transformou em infográfico os principais números do nosso primeiro ano de vida. Quase 3 milhões de pessoas diferentes entraram aqui. O número absoluto, por mais que nos encha de orgulho, ainda é pequeno se comparado ao alcance de portais e outros canais da internet. Mas saber que essas pessoas não só entraram, mas pararam, respiraram e permaneceram mais de 5 minutos de suas vidas lendo alguma coisa que os atraiu é muito gratificante.

E mais que isso: em média 40% dessas leituras terminaram com o leitor se engajando com o conteúdo, ou seja, compartilhando e recomendando o Draft para mais alguém. Isso nos faz acreditar que estamos trilhando um caminho interessante, de relevância, de coerência e de participação em algo maior — nascemos com a missão de narrar as histórias da Nova Economia brasileira, como cantava o nosso primeiro post, lá atrás — e que, ainda bem, não para de se transformar e de crescer. Vamos juntos?

 

Phydia de Athayde no Projeto Draft.

 


O casal Pedro Campos, designer, e Stella Curzio, jornalista, possuem um projeto pra lá de interessante que tem como objetivo criar um logotipo por bairro de São Paulo: o Identidade SP. A ideia já era inusitada o bastante, mas o casal não se contentou em “apenas” criar 450 logotipos, como também uma websérie, que explica a história do bairro e dos elementos utilizados no processo criativo.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva!

Qual é a importância de uma representação visual de um bairro?
A simbologia permite que cada região seja diferenciada, facilitando assim o processo de escolha para atração de investimentos e turismo. Para os bairros novos ou pouco conhecidos, e até mesmo aqueles que não possuem patrimônios ou alguma característica aparente, incentiva e promove a importância do desenvolvimento local por meio do design. A marca, para estes casos, pode servir também como umbrella para produtos e serviços locais futuros. É o chamado place branding.

A marca estimula os sentidos e cria relações, por isso, é tão poderosa e fundamental na publicidade. É sempre a primeira necessidade de qualquer negócio. As marcas criadas pelo Identidade SP são, obviamente, diferentes de marcas institucionais, que tendem ao minimalismo. Para as marcas dos bairros, entendemos que o resultado deve ser um pouco mais literal e representativo, que conte, de certa forma, alguma história. Por isso, antes de ir para o papel, pesquisamos o significado do nome, os patrimônios históricos, histórias e a cultura de cada bairro. O design pode mudar completamente a forma como vemos algo.

Um exemplo são os Food Trucks. Esta prática sempre existiu em São Paulo, porém os carros dificilmente se destacavam na cidade se misturavam na paisagem cinza. Hoje vemos carros coloridos com projetos de design maravilhosos o que agrega um valor fundamental no poder de decisão para com os consumidores. Com os bairros funciona da mesma maneira. Resgatamos algumas histórias que permitem, de forma lúdica, o aprendizado de algo que está se perdendo com as gerações mais velhas. Esperamos que esta ideia contribua para que cada bairro desenvolva sua identidade assim como o bairro da Liberdade, que apesar de precisar de uma revitalização urgente , ainda assim tem um enorme movimento turístico. No fim, queremos incentivar as pessoas para transformar São Paulo num local mais agradável de viver.

Qual o impacto esperado com um visitante da cidade ao conhecer a história de um bairro por meio de um logo?
Segundo pesquisas, para algumas pessoas, a positividade e intensidade emocional com determinadas marcas ou produtos possuem similaridades se comparadas ao sentimento desperto por aquelas pessoas não tão próximas, mas que provocam alguma empatia e esta relação é o que buscamos com o Identidade São Paulo. Queremos criar ou fortalecer o elo entre as pessoas e seus bairros, despertando o sentimento de cuidado e zelo, contribuindo para a divulgação da história, preservação de patrimônios e das tradições dos bairros paulistanos.


Como é o processo criativo na busca dos elementos que vão compor o logo?

Começando com a pesquisa da origem e significado do nome de cada bairro, estudo cuidadosamente quais são os principais pontos históricos de cada região, movimentos culturais importantes, fatos relevantes que modificaram de certa forma a característica e cultura de cada bairro. Nesse momento então, começo a rabiscar os elementos que considero mais importantes, crio o contexto e vou trabalhando todos os detalhes até finalizar a criação do logotipo definitivo. Conto com a ajuda de minha esposa e sócia, a jornalista e fotógrafa Stella Curzio, para todo o processo de pesquisa. É ela quem me auxilia a estudar na busca por referências sobre os bairros nas mais diversas fontes como livros antigos, artigos, internet e em dicionários da língua tupi o significado dos nomes e, quando há oportunidade, visita os bairros pessoalmente para conversar com moradores no intuito de descobrir percepções e lendas urbanas que somente moradores de longa data podem oferecer. Depois, conversamos e analisamos quais são os pontos mais relevantes que representam o bairro em questão.

Quanto tempo é gasto mais ou menos com cada marca?
É relativo, pois alguns bairros preservaram muito bem sua história tornando nosso trabalho de pesquisa muito mais fácil mas, algumas vezes, temos que garimpar informações. No processo, descobrimos versões diferentes do significado do nome e até dos fatos históricos sobre a fundação de cada região o que, por vezes, acaba influenciando o nosso planejamento. Tentamos publicar pelo menos um logotipo por semana. Mas como o projeto não gera renda, temos que administrar nosso tempo entre o trabalho e o Identidade São Paulo, o que dificulta manter até mesmo a publicação de um logotipo por semana. O logotipo do Bairro do Ipiranga foi um dos mais demorados. A pesquisa foi bem tranquila, pois, devido sua importância histórica para o país, não tivemos dificuldade alguma, porém, uma vez que decidimos representar o Museu, o trabalho de criação foi o que tomou mais tempo devido aos detalhes da arquitetura Museu.


Qual é o desafio ao pensar no logo de um bairro mais desconhecido por você?
Encontrar informações. Para criar o logotipo, precisamos do maior número de informações possíveis sobre o bairro. Só depois então, começo a pensar no processo criativo. Muitos bairros não tem informações oficiais da data de fundação, referências culturais, muitos moradores desconhecem a real história do local e a associação de moradores do bairro e até mesmo a subprefeitura não tem material complementar. Isso não ocorre em todos os bairros desconhecidos por nós mas, em alguns casos, optamos por utilizar as informações de bairros mais próximos, como ocorreu com o bairro Cursino, que até onde pesquisamos, não existe data oficial de fundação e optamos por usar a data do Ipiranga, seu bairro limítrofe.

Por que fazer uma websérie? De que maneira ela completa o projeto?
A websérie veio para complementar o projeto (ideia incrível da Stella). É um complemento visual mais forte, partindo para o entretenimento, para que os logotipos sejam inseridos na história de cada bairro de forma mais dinâmica. O programa é inteiro elaborado e apresentado por ela, o que deixa ainda mais incrível! Compartilhamos a direção e direção de cada episódio e vamos até os bairros mostrar de onde surgiram as nossas inspirações para as criações dos logotipos e contamos um pouco sobre a história do local, fortalecendo ainda mais o processo de identificação dos bairros e logotipos por meio dos monumentos históricos, pontos turísticos, então basicamente, vamos até as construções representadas em nossos logotipos para que as pessoas associem as ilustrações ao bairro.

Após terminar o Identidade SP dos bairros da cidade, já pensou em fazer algo diferente, como o logo das cidades do Estado de São Paulo?
Sim. O projeto segue. Nossa meta é finalizar São Paulo e na seqüência começarmos Rio de Janeiro, com o “Identidade Rio de Janeiro” e assim seguir com as grandes capitais do Brasil, como Distrito Federal, Belo Horizonte, Salvador, etc.


Fonte: Redação Visite SP.


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