1ª edição do prêmio 'Taste and Fly' para os melhores bares do ano - São Paulo São


Depois de muitos bares visitados nos últimos 12 meses, eis a shortlist das melhores novidades para beber e petiscar que surgiram em São Paulo em 2015. Endereços recém-inaugurados ficaram de fora da seleção. Confira quem fez sucesso ao longo deste ano e mereceu figurar na 1ª edição do prêmio “Taste and Fly”. Todos os vencedores receberão um certificado.
 
Divulgada com estardalhaço nas mídias sociais, a casa inaugurada em outubro, no centro de SP, virou ponto de peregrinação gastronômica, com filas homéricas na porta. O motivo do frenesi é o cardápio focado em carne suína do chef Jefferson Rueda, nascido em São José do Rio Pardo (SP) e apaixonado por embutidos. Ao lado da mulher, Janaína Rueda (do Bar da Dona Onça), a dupla se vira nos trinta para receber a multidão. Entre as receitas que fazem a clientela se esbaldar estão o sensacional sushi de papada de porco (29 reais; foto) e o porco a san zé (42 reais por pessoa), assado inteiro e lentamente por pelo menos 8 horas. Vem com tutu de feijão, tartar de banana e couve cortada bem fininha. Para beber, vá na deliciosa cerveja session IPA Horny Pig.
 
# BTNK
Instalado num antigo vagão de trem na Mooca, é uma das surpresas desta temporada. O endereço foi criado dentro do conceito de ‘pop-up bar’ — para existir por um período específico —, mas devido a grande procura teve sua temporada estendida até maio de 2016. O BTNK (lê-se Beatnik) funciona apenas nas noites de sábado. Além do vagão, com apenas oito mesas, o público pode curtir uma área coberta com bares, lounge retrô e som de DJ. Uma parceira com a lanchonete Z Deli garante a qualidade da cozinha. São duas sugestões de hambúrguer, como o joint (26 reais), incrementado com cheddar, cebola-roxa, tomate-caqui e maionese.
 
# Izakaya Matsu
Fachada discreta com porta de correr. Ambiente simples e apertado (são 16 lugares no balcão e uma só mesa). E uma cozinha aberta atrás do balcão. Assim é o autêntico izakaya (boteco japonês) Matsu, que chegou em fevereiro à Avenida Pedroso de Morais, em Pinheiros. O endereço tem pedigree: é dos mesmos donos do célebre Izakaya Issa, na Liberdade. Para abrir o apetite, mire o otoshi (20 reais; foto), composto de três entradinhas frias como acelga apimentada (kimchi), raiz de bardana e raiz de lótus, todas deliciosas. Outra escolha certeira é gyukatsu curry (42 reais), carne bovina à milanesa servida com arroz e molho curry de ardor moderado. Para bebericar, a casa oferece cervejas (Original, Serramalte etc) e saquês japoneses, servidos em charmosos copinhos de vidro.
 
# Pitico
Criado pelos menos donos do Pita Kebab Bar, caiu nas graças dos hipsters e descolados. É, sem dúvida, um dos bares mais pitorescos inaugurados em SP em 2015. Seu ambiente, todo ao ar livre, lembra uma praça urbana e tem um quê de Williamsburg, bairro hypado do Brooklyn nova-iorquino. As acomodações, curiosamente, são em cadeiras de praia, posicionadas ao redor de mesas feitas de pallets (peças usadas para armazenar e transportar mercadorias nas fábricas). Kebabs como o de cafta e o de faláfel são preparados dentro de um contêiner. Na hora de bebericar, ataque as cervejas long neck (Heineken e Stella Artois) e drinques como o Aperol Spritz. Ah, não espere sentado pelo garçom. A informalidade é a mesma no atendimento: pague no balcão e retire seu pedido.
 
# Frank
O cinco-estrelas Maksoud Plaza, fundado em 1979, despertou do ostracismo em 2015 com duas inaugurações bacanas: o club PanAm, no topo do prédio, e o bar Frank, inaugurado em abril no lobby do hotel. O burburinho imediato em torno da casa deu-se por uma contratação de peso: o hypado bartender Spencer Jr. (ex-Isola; foto), que fez do Frank, de bate-pronto, um dos mais venerados bares de coquetéis de São Paulo. Na carta com 33 receitas estão tentações como o la mula, com tequila, licor de laranja Grand Marnier, limão-galego, cumaru e ginger ale (31 reais); e o shrub #6 (33 reais), que leva bourbon, redução de vinagre de jerez com framboesa fresca, suco de limão-galego e bitters aromático Jerry Thomas Own Decanter.
 
# ICI Brasserie (Bela Cintra)
Nascido em 2013 no shopping JK Iguatemi, o bar-restaurante inspirado nas brasseries francesas ganhou em abril sua primeira unidade de rua, na Bela Cintra, nos Jardins. Há sempre um chope convidado engatado na chopeira, que serve ainda receitas exclusivas. Entre elas, a ICI 00 (pronuncia-se zéro zéro, em francês), que passa pelo processo de dry hopping, e a ICI Celebris, do estilo saison e com ervas de provence na receita. Entre as tentações do cardápio estão o steak tartare com fritas (37 reais o pequeno); o peito de vitelo (56 reais) com minilegumes acompanhado de spätzle (um tipo de macarrão) e o croque madame no brioche (41 reais, com fritas).
 
# Sóshots
Inaugurada em junho, a nova casa da turma dos bares Vaca Veia e La Maison est Tombée estabeleceu-se como um dos pródigos pontos de paquera do Itaim — sobretudo de 5a-feira a sábado. Diferentemente das casas-irmãs, a pegada aqui é de uma taberna europeia. A atmosfera convida mais a beber em pé (no balcão ou nas mesas altas) do que passar a noite sentadinho. Entre os shots que fazem a cabeça da galera está o ogro fashioned (bourbon, vermute tinto, amaro Lucano e bitters de laranja; 12 reais). Um ótimo drinque que não consta do cardápio é o gim tônica saffron (36 reais), que leva gim francês Saffron (com açafrão na fórmula), bittters de laranja, canela em pau, anis estrelado e twist de laranja. A boa cozinha, aberta até altas horas, solta sugestões como a linguiça de cordeiro com coalhada seca (39 reais).
 
# Frigobar
Toca-se a campainha de uma porta sem identificação na Rua Bela Cintra, nos Jardins. Segundo depois, uma voz imperativa pergunta: “nome e senha?”. Ao confirmar a reserva, a porta se abre e surge um porteiro anão trajado à moda antiga. É assim que começa a aventura no mais falado speakeaasy de 2015, o Frigobar, criado pelos mesmos donos do vizinho bar NOH. O Frigobar funciona somente às 3as e 4as-feiras e recebe no máximo 25 clientes por noite. Para entrar, é necessário comprar um ingresso antecipado (150 reais), que dá direito a três coquetéis à escolha, água à vontade, sobremesa e café. Ainda que falte melhorar a oferta de gins, há bons drinques no cardápio fixado nas páginas de um livro antigo. Prove o old fashioned (foto) e o 12 mile limit, que leva rum 8 anos, bourbon, brandy, romã e suco de limão-siciliano e é servido com uma esfera de gelo maciça.
 
# Sala Especial
Dos mesmos donos da sempre concorrida Casa 92, o bar com clima de esquenta para balada surpreende pela lúdica decoração, cheia de detalhes bacanas. Logo na entrada, por exemplo, há uma árvore cenográfica e, no piso superior, paredes recobertas de vegetação artificial e peças que imitam cabeças de animais empalhadas. Para deixar o clima festivo, um DJ cuida da trilha sonora. Os coquetéis destacam-se na oferta etílica. Vale prestar atenção no negroni (que leva um toque de Aperol; 35 reais); no old fashioned (numa releitura com calda de rapadura e Fernet; mesmo preço) e no pomelo fizz (35 reais), com vodca com infusão de laranja-baía mais grapefruit, purê de abacaxi e soda num copo alto com gelo. Fique ligado: a casa cobra 60 reais de consumação mínima na maioria das noites.
 
# Taberna da Esquina
Irmão mais novo da Tasca da Esquina, também do chef português Vítor Sobral, o bar-restaurante do Itaim tem como ponto forte a cozinha. Não perca as receitas que saltam na grelha, entre elas os disquinhos de alheira com quiabo grelhado e picles de cenoura (29,50 reais); o camarão ao creme de limão e manjericão (47 reais a porção; foto) e a macia lula na coentrada ao molho cítrico (37 reais a porção). Para acompanhar, há setenta rótulos de vinhos portugueses. Dica: o agradável tinto da Bairrada FP Baga, da enóloga portuguesa Filipa Pato. A garrafa sai por 109 reais.

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Fabio Wright , jornalista paulistano, foi crítico de bares da revista Veja São Paulo durante dez anos — período em que escreveu e foi jurado das monumentais edições anuais 'Comer e Beber'. Antes, trabalhou como colunista do jornal O Estado de S. Paulo (de 1994 a 2001) e colaborou para os extintos Jornal da Tarde e Época São Paulo. No Taste and Fly.
 


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