‘New York at Its Core‘: mostra permanente conta os quase 400 anos da cidade

O objeto está entre os 400 preparados pelo Museu da Cidade de Nova York em sua primeira exposição permanente, em uma área de mais de 600 metros quadrados, ambiciosamente destinada a evocar a própria essência da metrópole, conhecida como Big Apple (com caroço e tudo) desde que o escritor John J. Fitzgerald popularizou esse apelido no New York Morning Telegraph, há 95 anos.

– “As pessoas esperam uma abrangência total da história da cidade de Nova York. Não só está no nosso nome como esse é o papel do museu“, disse Sarah Henry, curadora-chefe do museu.

A exposição

Instalada no primeiro piso da instituição, a mostra, inaugurada no final de 2016 e permanente, conta a história da Big Apple, fundada em 1624. São cerca de 400 fotos e objetos históricos – estão lá uma maquete da Estátua da Liberdade, o primeiro bilhete de metrô vendido e a lista de convidados da casa Studio 54.

“A exposição serve como um cartão de visita, ajudando o turista a entender o passado e quais os passos futuros da cidade”, diz Jamie Dinan, presidente do conselho do museu.

O museu foi fundado em Gracie Mansion, atual residência oficial do prefeito, há quase um século, em 1923, por Henry Collins Brown, vendedor de publicidade e jornalista nascido na Escócia, quando a cidade se aproximava de seu tricentenário.

Para sua nova casa, o museu celebrou o papel da cidade na fundação dos EUA: o lançamento da pedra fundamental do edifício da Quinta Avenida ocorreu em 1929, no 140º aniversário da posse do presidente George Washington, em Nova York, e suas portas foram abertas em 1932, comemorando também o 174º aniversário de nascimento de Alexander Hamilton.

A exposição de US$ 10 milhões conclui os 10 anos de expansão e renovação que custaram US$ 97 milhões, supervisionadas por Susan Henshaw Jones, que se aposentou no ano passado como diretora do museu. Recentemente, o projeto foi passado para sua sucessora, Whitney W. Donhauser.

– “Uma exposição desta envergadura, com três galerias completas dedicadas ao passado, presente e futuro da cidade de Nova York, não existe em nenhum outro lugar da cidade“, disse Whitney.

‘New York at its core‘ é dividida em seções: “Port City” (Cidade do Porto), de 1609, quando Henry Hudson chegou, até 1898, quando os cinco bairros se uniram para formar a Grande Nova York; “World City” (Cidade do Mundo), de 1898 até 2012; e “Future City Lab” (Laboratório da Cidade do Futuro).

Bairro Bowery à noite, em 1895. Aguarela de William Louis Sonntag, Jr. Imagem: Museum of the City of New York.

Em cada seção, os visitantes recebem um texto sobre os quatro temas escolhidos pelos curadores: dinheiro (o impacto do mercado e os esforços para controlar seus excessos); densidade (os desafios que impõe e as oportunidades que apresenta); diversidade (diferentes respostas a uma população diversificada, desde um conflito aberto passando pela tolerância relativa e chegando a certa indiferença); criatividade (como essa mistura potente de forças fomentou a inovação).

Os visitantes podem explorar imagens digitais e de vídeo, comparar paisagens históricas e contemporâneas e considerar o impacto de indivíduos (a ideia de David Rockefeller de revitalizar Lower Manhattan) e de políticas (como a população cresceu ao longo de novas linhas de metrô).

A mostra foi concebida e executada por uma equipe de historiadores e organizada por Sarah Henry, Hilary Ballon, historiadora de arquitetura na Universidade de Nova York, e Steven H. Jaffe, escritor e historiador, e projetada pelos escritórios de arquitetura e design Studio Joseph, Local Projects e Pentagram.

Balde de fogo em couro do século XVIII.Entre os artefatos emprestados ou retirados da coleção de 750 mil peças do museu (incluindo as populares casas de boneca e carros de bombeiros), estão um bastão de guerra Lenape e um corte transversal de uma tubulação de água feita de madeira, da Manhattan Co. (cuja finalidade era criar um banco), um folheto sinistro da “Welcome to Fear City” (Bem-vindo à cidade do medo) que era distribuído aos turistas pelo sindicato dos policiais, descontente na década de 1970, uma pá de prata cerimonial da Tiffany usada para quebrar o chão para o metrô Interborough Rapid Transit, um kit de projetos de Calvert Vaux (ele e seu sócio, Frederick Law Olmsted, projetaram o Central Park) e uma lista de convidados, escrita à mão, que tinham passe livre na Studio 54 (incluindo Ringo Starr e Liberace).

A última galeria faz os visitantes imaginarem a cidade do futuro, propondo uma série de situações hipotéticas que convida à especulação sobre questões como o impacto de um metrô para Staten Island, a mudança climática e a suspensão do estacionamento em lados alternados não apenas em feriados religiosos, mas em todos eles.

Os visitantes podem desenhar sua própria rua, prédio ou parque e responder a outros nova-iorquinos reclamões, cortesia do vídeo-artista Neil Goldberg.

– “Nossa história não era inevitável, mas inúmeros motivos convergiram para produzir o que Nova York é hoje. O resultado não necessariamente seria esse“, disse Sarah Henry.

E acrescentou: – “O futuro não está determinado agora, como também não estava em 1609“.

***
Fonte: The New York Times.

Personalidades que ajudam a contar a história de Nova York e são citadas na mostra

Woody Allen
Além de captar Nova York como poucos – mais de 30 de seus fi lmes se passam na cidade –, Woody Allen toca às segundasfeiras no tradicional Café Carlyle, do hotel Rosewood, no bairro Upper East Side.

Jay-Z
O rapper e sua mulher, Beyoncé, moram em Manhattan, mas ele não deixa suas origens. Além de citar o Brooklyn em músicas, ele vai ao distrito para ver jogos de seu time, o Brooklyn Nets.

Grace Jones
A modelo e cantora jamaicana migrou para os EUA nos anos 60 e se tornou uma das principais artistas a se apresentarem no Studio 54, que atraía os famosos da ilha. 

 

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