Horta urbana comunitária e agroecológica do Centro Cultural SP comemora 5 anos - São Paulo São

Bem ao lado de uma das avenidas mais movimentadas da capital paulista, em meio a paisagem acinzentada dos edifícios, fica uma pequena ilha verde no topo do Centro Cultural São Paulo. É a Horta Comunitária CCSP, que completa cinco anos no último domingo, dia 29 de abril.

A horta é uma iniciativa de um coletivo de cultivadores de hortas que se uniu a grupos de diversas regiões da capital, que acabou virando a  União de Hortas Comunitárias de São Paulo.

"Hortas comunitárias são aquelas que não usam insumos químicos, como agrotóxicos, venenos e adubos químicos. O cultivo segue os princípios agroecológicos e da permacultura, respeitando os ciclos da natureza", disse Claudia Visoni, da União de Hortas.

Outra característica importante das hortas comunitárias é que a gestão é feita de forma coletiva, colaborativa e inclusiva. É pelo consenso entre os cultivadores  que se define o uso do espaço, o tipo do cultivo e a manutenção. 

Nas hortas comunitárias também são realizadas atividades de educação ambiental. "São palestras gratuitas e abertas. A colheita é compartilhada livremente entre os voluntários e a comunidade", completou Claudia.

A gestão da horta é feita de forma solidária e são feitas atividades de educação ambiental. Foto: Hortelões Urbanos.A gestão da horta é feita de forma solidária e são feitas atividades de educação ambiental. Foto: Hortelões Urbanos.

Segundo Guilherme Borducchi, voluntário na horta do CCSP, a convivência é enriquecedora. "A colheita não é de grande escala, ainda, e talvez não seja a intenção, mas é uma colheita de relações muito poderosas. Naquele espaço, a gente conhece muita gente, começa a ocupar outros espaços de atividades políticas dentro da cidade. A horta é uma janela para você se engajar na dinâmica de construção da paisagem urbana". 

É pelo consenso entre os cultivadores  que se define o uso do espaço, o tipo do cultivo e a manutenção. Foto: CCSP / Divulgação.É pelo consenso entre os cultivadores que se define o uso do espaço, o tipo do cultivo e a manutenção. Foto: CCSP / Divulgação.

A horta no CCSP surgiu, primeiramente, de uma iniciativa da administração do Centro Cultural, mas que não foi muito adiante. "O telhado era um gramado, onde já tinha existido uma horta, mas ela acabou não prosperando. A gente chegou lá e era um terrão batido vermelho que tinha só um pé de manjericão cheio de pulgão", disse.

A escolha do tipo de cultivo na horta segue o posicionamento do grupo sobre a relação da sociedade com a alimentação. Foto: CCSP / Divulgação.A escolha do tipo de cultivo na horta segue o posicionamento do grupo sobre a relação da sociedade com a alimentação. Foto: CCSP / Divulgação.

O coletivo negociou com a direção do CCSP para poder tomar conta da horta. Os mutirões de trabalho na horta acontecem nos últimos domingos do mês. "A gente aplica um processo de manejo agroecológico. É uma horta muito biodiversa, com resgate de espécies nativas e com o uso de sementes criolas, que são sementes que não foram processadas e que não foram geneticamente modificadas. Temos um olhar também para as  plantas alimentícias não convencionais [pancs], que tem uma grande resistência e demandam poucos cuidados". 

Os mutirões de trabalho na horta acontecem nos últimos domingos do mês. Imagens: CCSP / Divulgação.Os mutirões de trabalho na horta acontecem nos últimos domingos do mês. Imagens: CCSP / Divulgação.

A escolha do tipo de cultivo na horta segue o posicionamento do grupo sobre a relação da sociedade com a alimentação. " Para a indústria alimentar, a biodiversidade não interessa. No mundo, [a indústria alimentar impõe] poucas variedades de plantas: soja, milho, trigo, feijão. É uma oferta muito reduzida. Na horta, a gente tenta mostrar que existe uma diversidade, que é mais barato, mais saudável e melhor para o planeta".

O mutirão no domingo vai das 10h30 às 17h30. O Centro Cultural São Paulo fica na rua Vergueiro, 1.000, no bairro do Paraíso. Em 2015, a Horta CCSP foi tema do documentário "Horgânica".

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Por Juca Guimarães no Brasil de Fato.