Mulheres que dão nome a ruas, avenidas e praças de São Paulo - São Paulo São

Neste Dia Internacional da Mulher, vamos celebrar o espaço da mulher na cidade em prol de importantes causas femiminas e seu protagonismo para um cidade melhor. E como a trajetória da cidade de São Paulo está diretamente ligada ao papel da mulher paulistana, escolhemos alguns exemplos de personagens icônicas que dão nome a ruas, praças, locais e espaços públicos. Sejam elas personalidades, militantes ou ícones intelectuais de nossa sociedade, nascidas aqui ou “apaulistadas”. São mulheres que deixaram de alguma forma suas marcas na cidade ao longo do tempo e que até hoje enchem a cidade de orgulho a cada esquina. Vamos a elas.

Rua Anita Malfati - Casa Verde 

Anita Malfatti - Foto: acervo / reprodução.Anita Malfatti - Foto: acervo / reprodução.

Anita Malfatti (1889-1964) foi uma artista plástica nascida em São Paulo. A mostra expressionista da pintora realizada em São Paulo na Exposição de Pintura Moderna foi um marco para a renovação das artes plásticas no Brasil. A crítica do escritor Monteiro Lobato, sobre a arte expressionista, publicada no jornal O Estado de São Paulo, intitulada "Paranoia ou mistificação?" serviu de estopim para o Movimento Modernista no Brasil.

Avenida Anália Franco - Tatuapé 

Anália Franco. Imagem: reprodução.Anália Franco. Imagem: reprodução.

Escritora, professora e jornalista, Anália Franco Bastos nasceu em Resende em 1º de fevereiro de 1856. Colaborou em jornais literários e na imprensa feminista. Em 1901, criou a Associação Feminina Beneficiente e Instrutiva de São Paulo, preocupando-se com a miséria e a erradicação do analfabetismo. Em 1903, foi pioneira na criação de creches para crianças cujas mães trabalhavam fora. Em 1906, adquiriu uma fazenda na Mooca e ali inaugurou uma colônia para mulheres. Dessa iniciativa surgiram ainda uma orquestra e um grupo dramático musical. Expandiu seu trabalho por toda a cidade, sempre centrado na educação e na solidariedade.

 Rua Maria Antônia - Higienópolis

Dona Veridiana, Dona Maria Angélica e Dona Maria Antônia - Fotos: WikipediaDona Veridiana, Dona Maria Angélica e Dona Maria Antônia - Fotos: Wikipedia

Seu nome é uma referência a Dona Maria Antônia da Silva Ramos, senhora da sociedade paulistana, filha do senador do Império João da Silva Machado, Barão de Antonina, e que possuía no local uma chácara que não possuía casa-sede, e onde não residia. Como a elite de sua época, utilizando aquelas terras para pomar e pasto de seus cavalos, que eram para ali levados por seus escravos, resolveu vender uma área em 1874, ao reverendo Chamberlain por 800 mil réis e que seria futuramente o campus do Mackenzie.

Com o tempo, seus herdeiros, de seu casamento com o tenente-coronel Mariano José da Cunha Ramos, ocuparam por muitos anos os lotes de suas terras, que ficavam na área  das atuais Rua da Consolação, Rua Maria Antônia, Rua Itambé, Rua Dona Veridiana, Rua Major Sertório e Rua Dr. Cesário Motta Júnior.

Ela é considerada uma das três senhoras fundadoras do bairro de Higienópolis, em sua primeira etapa, dos altos de Santa Cecília, juntamente com Dona Veridiana da Silva Prado (Rua Dona Veridiana) e Dona Maria Angélica Souza Queiroz Aguiar de Barros (Avenida Angélica), cuja presença é evocada pelas ruas que levam seus nomes.

 Praça Pérola Byington - Bela Vista

Pérola Byington – Foto: Wikipedia.Pérola Byington – Foto: Wikipedia.

Pérola nasceu em dezembro de 1879, em Santa Bárbara, SP, descendente de imigrantes norte-americanos. Em 1930, com a sanitarista Maria Antonieta de Castro, fundou a Cruzada Pró-Infância, entidade voltada ao combate da mortalidade infantil, cujos índices eram assustadores na época. Lutou pela institucionalização do Dia e da Semana da criança, não por motivos comerciais, mas com o objetivo de chamar a atenção sobre os problemas da infância. Procurou influenciar autoridades para a execução de programas voltados ao cumprimento de direitos adquiridos pelas mulheres. O Hospital Pérola Byington, criado pela Cruzada Pro-Infância tornou-se referência no atendimento à saúde das mulheres e particularmente das que são vítimas de violência.

Esplanada Lina Bo Bardi – Cerqueira César

Lina em 1967, no vão livre do MASP, ao lado do suporte de vidro. Foto: Acervo do Museu.Lina em 1967, no vão livre do MASP, ao lado do suporte de vidro. Foto: Acervo do Museu.

Achillina Bo, mais conhecida como Lina Bo Bardi, foi uma arquiteta modernista ítalo-brasileira. É conhecida por ter projetado o Museu de Arte de São Paulo e foi casada com o crítico de arte Pietro Maria Bardi. Lina Bardi, foi uma importante figura dentro da arquitetura paulista, além de ser uma admirável personagem da vida intelectual brasileira. Em 13 de agosto de 1992, uma lei municipal deu o nome de Esplanada Lina Bo Bardi ao famoso vão do MASP, situado embaixo do Museu de Artes de São Paulo, na Av. Paulista. 

Largo Dona Ana Rosa - Vila Mariana

Ana Rosa de Araújo Marcondes, nascida em 1786, natural de São Paulo, é filha de Manoel Antonio de Araujo e dona Joaquina de Andrade. Foi casada com Ignácio Marcondes. Sua vida foi dedicada exclusivamente às obras de caridade. Esta respeitável senhora paulistana deixou em testamento um legado de 60.000$000 (sessenta contos de réis) para a fundação de uma casa de beneficiência. O Barão de Souza Queiroz, dando aplicação a esse dinheiro, criou o Instituto Dona Ana Rosa, destinado a asilar e manter crianças pobres, proporcionando-lhes também instruções geral e ensino profissional. O Instituto foi inaugurado dia 25 de janeiro de 1875, tendo ocupado vários prédios, dentre os quais o do Convento do Carmo, cedido por D. Pedro II em 1886, quando visitava esta Capital. O instituto foi mantido pela Associação Protetora da Infância Desvalida. Recebeu o honroso título de Cidadã Benemérita que consta em logradouros públicos.

Rua Iáiá - Itaim Bibi

Em meados de 1930 uma lei municipal autorizou a abertura e a nomenclatura de diversas ruas e travessas da então Chácara Itaim, atualmente Itaim Bibi, que era propriedade de Dr. Leopoldo Couto de Magalhães. Dentre tantas, a Rua Iaiá, cuja grafia era Yayá, foi batizada com esse nome em homenagem a um amiga íntima da família Magalhães, cujo nome exato não se sabe, mas cujo o apelido era esse.

Rua Bartira - Perdizes

Quadro de Antônio Parreiras mostra João Ramalho e Bartira (à esquerda). Imagem: Acervo Câmara Municipal de São Paulo.Quadro de Antônio Parreiras mostra João Ramalho e Bartira (à esquerda). Imagem: Acervo Câmara Municipal de São Paulo.

Mbicy (conhecida também por Bartira, Burtira ou Isabel Dias) foi uma índia, filha do cacique Tibiriçá com a índia Potira. Após coabitar por quarenta anos, casou (celebração pelo padre Manuel da Nóbrega) com o português João Ramalho, nascido em Portugal e falecido aos 87 anos em São Paulo, em 1580.

Essa ligação do velho português com a filha do chefe Tibiriçá, simboliza bem a amizade com os aborígenes do planalto. Foi devido a ela que João Ramalho pode auxiliar Martim Afonso no seu primeiro contato com a terras brasileiras.

Rua Maria Carolina - Pinheiros

Maria Carolina, filha do Capitão Joaquim Ferreira da Rosa, foi proprietária de muitos terrenos na região de Pinheiros. Era uma mulher de negócios muito respeitada por seu pulso firme e por ser filha de militar.

Rua Patrícia Galvão - Guaianases
Patrícia Galvão (Pagu). Foto: Acervo Centro de Estudos Pagu.Patrícia Galvão (Pagu). Foto: Acervo Centro de Estudos Pagu.

Patrícia Rehder Galvão, mais conhecida como Pagu, nasceu na cidade de São Paulo em 1910. Escritora, jornalista, tradutora e desenhista foi uma das grandes mulheres do movimento modernista brasileiro, mesmo não participando ativamente da Semana de 22. Militante do Partido Comunista, Pagu fazia parte também do movimento antropofágico da época, ao lado do marido Oswald de Andrade. Lutou pelos direitos trabalhistas e escreveu diversos ensaios e livros, alguns sob o pseudônimo de Mara Lobo.  Morou na Liberdade, no Brás, na Aclimação e na Bela Vista.

Avenida Hebe Camargo - Morumbi

Hebe Camargo e seu filho Marcelo. Foto: acervo pessoal.Hebe Camargo e seu filho Marcelo. Foto: acervo pessoal.

Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani uma apresentadora de televisão, cantora e atriz brasileira. Hebe dispensa biografia, seja você paulistano ou não. Basta ser brasileiro para saber quem foi esse exemplo de mulher.

Rua Célia Helena - José Bonifácio

Célia Helena em cena de Arena Conta Tiradentes - 1967. Foto: Derly Marques.Célia Helena em cena de Arena Conta Tiradentes - 1967. Foto: Derly Marques.

Célia Camargo Silva, mais conhecida como Célia Helena, foi uma atriz, diretora de teatro e pedagoga brasileira. Popular por seu trabalho como atriz em televisão e cinema, foi no teatro paulistano que consolidou sua carreira, contracenando com atores como Paulo Autran e Cacilda Becker.

Rua Cacilda Becker - Itaim Bibi.

Cacilda Becker em 1961. Foto: Acervo TBC / reprodução.Cacilda Becker em 1961. Foto: Acervo TBC / reprodução.

Cacilda Becker é considerada uma das maiores atrizes de palco do Brasil. Em 30 anos de carreira, Cacilda encenou 68 peças, fez dois filmes e uma telenovela além de outras participações em teleteatros na televisão. Foi a principal atriz do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e lecionou interpretação na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD).

Cacilda fundou também sua própria companhia e assumiu a Presidência da Comissão Estadual de Teatro de São Paulo em 1968. Durante sua gestão, fez grandes conquistas e participou ativamente na luta contra a ditadura militar.  Inaugurado em 1988 na Zona Oeste da cidade,  um dos mais importantes teatros da cidade leva seu nome, o Teatro Cacilda Becker.

***
Da Redação.



APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio





 
 
APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio