'Visionários da Quebrada', um olhar de abundância dentro das periferias - São Paulo São

Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Selecionado para mostras relevantes deste final de ano na cidade, como a “Mostra Sesc de Cinema” e “Cine Direitos Humanos”, o documentário “Visionários da Quebrada” vem mexendo com as pessoas. É um filme que nos emociona, mas não como normalmente os bons filmes fazem, mas por tocar, de maneira sensível e verdadeira, nosso inconsciente adormecido, nosso eu coletivo, social e político, através das relações afetivas de amor e compartilhamento de saberes vindos de onde menos esperamos – as periferias de São Paulo.

Vindos de várias quebradas de São Paulo, dez protagonistas compostos por mulheres e homens nos guiam ao encontro de outros olhares sobre pessoas, filosofias, práticas e relações produzidas nas margens da cidade. As histórias ali contadas criam novos imaginários e narrativas sobre os saberes e viveres desses territórios, relacionados a moda, educação, gastronomia, dança, comunicação, entre outros temas. 

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Desde o princípio, seu coletivo realizador – liderado pela diretora Ana Carolina Martins e a produtora Maria Clara Magalhães, fortes mulheres negras vindas também das periferias – democratizou o acesso aos conteúdos do filme ao disponibilizar, gratuitamente, o agendamento de sessões coletivas através da plataforma taturanamobi.com.br

O documentário evidencia, em claro e bom som, o quanto estamos submersos nas subjetividades cruéis que vêm sendo implantadas pelo modelo ocidental de mundo, no mais profundo de nosso ser, na colonização que se impõe, desde o descobrimento do Brasil, cravada e perpetuada em nossos pensamentos e mesmo em nossas mais simples atitudes do dia a dia.  Um lugar do qual procuramos escapar o tempo inteiro, através de ações que acreditamos piamente estarmos levando em prol de um mundo melhor, mas que o documentário, sem dizer isso explicitamente, nos mostra tudo que nos falta para que realmente a gente consiga levar nossas relações e ações a um patamar menos egocêntrico e mais amoroso.

Imagem: reprodução.Imagem: reprodução.

Lançado com financiamento colaborativo em junho de 2018, o filme já teve mais de 100 exibições em mais de 35 cidades do país. Tem sido apresentado em escolas estaduais, centros culturais e organizações não governamentais junto com programas de EduComunicação. Entre eles está a ação do Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerância e Conflitos, da USP, que além de abrir seu espaço para exibições, passou a usar o documentário como material para as disciplinas do Núcleo, como referência de produção partilhada de conhecimento.

Vários conteúdos são gerados desses encontros, levando essa discussão tão relevante para além do que é apresentado no documentário, já rico por si só. Como o mais recente, da exibição seguida de roda de conversa no Teatro da Livraria Cultura, que contou com a participação da diretora e educadora Ana Carolina Martins; da psicóloga e educadora Irene Silva; e do antropólogo, sociólogo e produtor cultural Vinicius Rodrigues sobre o tema: “Cultura Viva – as transformações que vêm das margens”.

Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Ainda neste final de ano, o coletivo leva outra exibição com roda de conversa, em parceria com o Auditório da Livraria Martins Fontes, à Avenida Paulista, sobre o tema “EduComunicação nas escolas: o cinema como ferramenta para a formação de identidade”. Lá estarão os protagonistas Tony Marlon (educador e comunicador) e Rose Modesto (Conselheira dos direitos da criança e do adolescente), além de Alan Carneiro (Doutor em Linguística e professor adjunto na Unifesp). Um convite para a inclusão de novas narrativas em sala de aula, dentro de uma visão mais crítica e plural, discutindo temas como afrobrasilidades, diversidade, novas tecnologias, empreendedorismo e os desafios vivenciados nas periferias de São Paulo.

Assista o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=egsIHz2tM1k

Imagem: Divulgação.Imagem: Divulgação.

Agenda de exibições e mostras em São Paulo (mais informações nos sites dos espaços):

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Sonia Maia é jornalista. Desde 2010, gerencia a carreira de Arnaldo Dias Baptista. É voluntária no coletivo realizador do “Visionários da Quebrada”, como ação ativista para que as vozes das periferias sejam cada vez mais ouvidas. Edição: São Paulo São.



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