Morreu José Mojica Marins, o 'Zé do Caixão', um transmídia ‘avant la lettre’ - São Paulo São

Nascido em 13 de março de 1936, uma sexta-feira, na capital de São Paulo, Mojica aprendeu a fazer cinema de forma autodidata. Foto: Genaro Joner.Nascido em 13 de março de 1936, uma sexta-feira, na capital de São Paulo, Mojica aprendeu a fazer cinema de forma autodidata. Foto: Genaro Joner.

Morreu nesta quarta-feira (19), em São Paulo, vítima de uma broncopneumonia, o ator e cineasta José Mojica Marins aos 83 anos.

Mojica foi um cineasta, ator, roteirista de cinema e televisão brasileiro mais conhecido como Zé do Caixão, sua personagem mais famosa. É considerado o "pai" do terror nacional, tendo sua obra grande importância para o gênero, influenciando várias gerações.
 
Ele fez ou foi associado ao cinema, tv, livros, rádio, quadrinhos, teatro, literatura de cordel, bandas de rock, apareceu em comerciais de cosmético (??), xampus (claro que foi um desastre de vendas), de cachaça e na internet foi um fenômeno e soube utilizá-la muito bem. Mojica, pouca gente sabe, produziu até pornochanchada.

Zé do Caixão apareceu em mais de uma dezena de filmes. Foto: Acervo da Família.Zé do Caixão apareceu em mais de uma dezena de filmes. Foto: Acervo da Família.

Curiosamente ele nasceu numa sexta-feira 13 na Vila Mariana, em São Paulo. Depois a família (pais espanhóis e o pai era toureiro) foi morar na Vila Anastácio, região onde existiam muitos imigrantes em São Paulo, próxima da Lapa. Aliás, foi por alí que o punk paulista surgiu.
 
O pai, que passou a gerenciar um cinema na Vila Anastácio, zona oeste de São Paulo, lhe deu uma câmera de aniversário e o jovem José fez uma série de curtas com os garotos do bairro. Precoce, aos 12 anos Mojica produziu o seu primeiro filme, 'Juízo Final" que foi rodado em super 8.
 
Títulos como "A Meia Noite Levarei sua Alma" produzido durante a ditadura que a censura classificou como impróprio para menores de 18 anos e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”, cult do horror mundial, foram sucessos absolutos. Cinemas lotados! Mas ele não viu a cor do dinheiro. Os seus biógrafos contam que ele era ruim nos negócios e sempre era ludibriado.

Zé se apresentou até com o grupo Sepultura, é cultuado em muitos países, muito mais do que aqui no Brasil. O "Coffin Joe" como é conhecido nos EUA recebeu uma homenagem no festival de Sundance em 2001, além de ter sido celebrado em outros festivais internacionais.
 

Zé do Caixão e Mojica se confundem, o personagem e homem andavam juntos. Zé era o típico brasileiro, aquele que sonha, que faz, que apesar de não ter tido boa formação, é criativo, cai, se levanta, cai de novo e logo se levanta para cair novamente.

Matheus Nachtergaele como Zé do Caixão em série dirigida por Vítor Mafra. Foto: Divulgação.Matheus Nachtergaele como Zé do Caixão em série dirigida por Vítor Mafra. Foto: Divulgação.

A última vez que assisti uma performance do Mojica foi no cemitério da Consolação, numa edição da Virada Cultural, onde à meia-noite ele leu alguns de seus contos, tirou fotos com o público e se divertiu bastante. O cemitério ficou lotado e as pessoas vibraram! Quero lembrar que Matheus Nachtergaele fez Zé do Caixão em série do canal Space de forma muito divertida!
 
Zé morreu aos 83 e eu achei que fosse mais velho pois ele me assombrava desde quando eu era criança.
 

Vai em paz Zé!

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O autor Ari Meneghini é historiador e especialista em mídias digitais. Artigo escrito com exclusividade para o São Paulo São.

 



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