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Em 2020 e adentrando 2021, agências de transporte, empresas e sociedade civil agiram rápido diante da crise de saúde pública e das rupturas sem precedentes causadas pela Covid-19 globalmente. Esses grupos ofereceram soluções que ajudaram a manter em movimento os trabalhadores da linha de frente, mercados, serviços de saúde e outras necessidades essenciais. O que surpreendeu muitos especialistas foi não apenas a velocidade com que essas respostas foram mobilizadas em todo o mundo, mas também o quão eficazes foram e a criatividade visível em cada esforço, desde a realocação do espaço viário até a construção de infraestruturas emergenciais ou temporárias para pedestres e ciclistas.

Autores como Jane Jacobs e William H. Whyte lançaram, na década de 1960, noções que se tornaram bases para a construção do placemaking enquanto conceito. Foto: Catalytic Action.Autores como Jane Jacobs e William H. Whyte lançaram, na década de 1960, noções que se tornaram bases para a construção do placemaking enquanto conceito. Foto: Catalytic Action.

Apesar de muitas vezes serem utilizados como sinônimos, espaço e lugar podem assumir definições diferentes a depender do contexto em que são utilizados. Nesse sentido, o placemaking demonstra que a criação de lugares vai muito além da sua concepção física, envolvendo parâmetros como sociabilidade, usos, atividades, acessos, conexões, conforto e imagem de forma a criar vínculos entre as pessoas e o que então será entendido como lugar.

A pesquisa Acesso aos Espaços Públicos na Pandemia foi realizada em duas fases durante a pandemia, maio e outubro de 2020. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.A pesquisa Acesso aos Espaços Públicos na Pandemia foi realizada em duas fases durante a pandemia, maio e outubro de 2020. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

A resiliência urbana foi posta em cheque com a chegada da pandemia de forma acelerada e drástica nas cidades. A limitação de deslocamentos, contatos e acesso aos espaços públicos foi a estratégia mais eficaz de contenção do vírus. Mas a estrutura da cidade, somada à falta de políticas públicas emergenciais, revelou-se nada resiliente quando grande parcela da população teve que continuar percorrendo longos trajetos em transporte público para trabalhar em serviços essenciais, e também quando a saúde mental e física da população foi afetada pela falta de acesso a locais que possibilitassem a prática de exercício físico em segurança, evidenciando a precariedade de oferta desses espaços na cidade.

Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias. Imagem: Divulgação.Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias. Imagem: Divulgação.

As cidades estão em constante transformação. Se orientadas por premissas parciais ou desatualizadas, as modificações no espaço urbano tendem a imprimir esses equívocos no território. Quando guiadas por uma visão comum que priorize a segurança das pessoas e a mobilidade ativa, essas intervenções têm o potencial de orientar a transformação da cidade em um lugar mais democrático, acolhedor, caminhável e seguro. É para esta cidade que aponta o novo Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias de São Paulo.

A geração Z demanda cada vez mais mobilidade sustentável. Foto: Getty Images / iStockphoto.A geração Z demanda cada vez mais mobilidade sustentável. Foto: Getty Images / iStockphoto.

A micromobilidade vem ganhando cada vez mais espaço nos centros urbanos. E os responsáveis por isso são os jovens da Geração Z, o grupo de pessoas que surgiu após os millennials e que, em alguns anos, deve comandar o mercado global de consumo. São eles os responsáveis por mudar o conceito de mobilidade urbana, trazendo para o centro do funcionamento das cidades a ideia de micro-movimentação, que pode ser feita de bicicleta, de patinete e de carro compartilhado. As opções, agora, vão muito além de simplesmente não ter um carro (que era uma das conquistas para a geração anterior) ou usar aplicativos de locomoção.