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Singapura, Estocolmo (foto) e Londres criaram mecanismos de cobrança pelo impacto causado por quem insiste em circular em modos individuais motorizados nas áreas mais centrais. Foto: Ulf Bodin / Flickr.Singapura, Estocolmo (foto) e Londres criaram mecanismos de cobrança pelo impacto causado por quem insiste em circular em modos individuais motorizados nas áreas mais centrais. Foto: Ulf Bodin / Flickr.

Em plena era da informação, na qual cresce rapidamente o uso em tempo real de dados para a tomada de decisões, cada vez menos toleramos a ineficiência. No momento em que urge retomar o desenvolvimento no Brasil, salta aos olhos qualquer irracionalidade nos serviços ofertados, especialmente naqueles de natureza pública. No caso do transporte urbano, é inaceitável que o Brasil tenha sistemas de tão baixa qualidade, seja por falta de infraestrutura, gestão, tecnologia, informação ou regulação adequada. Estudos mostram que os congestionamentos e o consequente tempo perdido no trânsito representam, em média, perdas anuais superiores a R$250 bilhões, ou 4% do PIB nacional. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, estima-se que o espraiamento urbano onere o PIB das cidades em até 8%.

 

O prefeita de Paris sonha com 'a cidade de 15 minutos'. Imagem: Paris en Commun.O prefeita de Paris sonha com 'a cidade de 15 minutos'. Imagem: Paris en Commun.

O cientista franco-colombiano Carlos Moreno lançou um conceito que está dando a volta ao mundo. Baseado em um sistema de reorganização urbana, ele imaginou a “cidade dos 15 minutos”, um projeto no qual os moradores terão acesso a tudo o que precisam a apenas 15 minutos de distância a pé. A ideia seduziu muitos políticos, entre eles a atual prefeita de Paris, que tenta se reeleger usando o modelo de Moreno como argumento de campanha.

Estudo da Kantar sobre mobilidade urbana estima que transporte público, caminhada e bicicleta devem ‘roubar’ adeptos dos veículos até 2030. Foto: Getty Images.Estudo da Kantar sobre mobilidade urbana estima que transporte público, caminhada e bicicleta devem ‘roubar’ adeptos dos veículos até 2030. Foto: Getty Images.

O uso de carros na cidade de São Paulo deve cair 28% nos próximos dez anos, em paralelo com crescimentos nas utilizações do transporte público (alta de 10%), da caminhada (25%) e de bicicletas (47%).

Foto: Uber / Divulgação.Foto: Uber / Divulgação.

Ao completar 10 anos de atividades, em agosto de 2019 o programa Ciclofaixa de Lazer da cidade de São Paulo ganhou um amargo presente: o encerramento da parceria entre a Prefeitura e o Banco Bradesco, que patrocinava a iniciativa. Desde então a ciclofaixa, que acontecia aos domingos e feriados nacionais das 7h às 16h cruzando diversos trechos da cidade, havia deixado de acontecer. Na semana passada, porém, a Uber entregou seu termo de interesse em se tornar patrocinadora da iniciativa, e custear o serviço por um ano.

Nas 31 cidades pesquisadas, cerca de 36,7 milhões de habitantes das cidades mudarão a maneira de viajar nos próximos 10 anos. Imagem: Fuorisalone.Nas 31 cidades pesquisadas, cerca de 36,7 milhões de habitantes das cidades mudarão a maneira de viajar nos próximos 10 anos. Imagem: Fuorisalone.

O ano de 2030 será o ponto de mudança global da mobilidade sustentável nas maiores cidades do mundo. O estudo Mobility Futures, da Kantar, prevê que as viagens de carro particular diminuirão em 10% nas maiores cidades do mundo, na próxima década. A ascensão da economia compartilhada, a multimodalidade e veículos autônomos, juntamente com o envelhecimento da população global, reduzirão a necessidade de posse de carro.

Parada de 'tramway' em Alicante, Espanha. Foto: Subarquitectura.Parada de 'tramway' em Alicante, Espanha. Foto: Subarquitectura.

Espalhadas pelos quatro cantos do planeta, grandes cidades são consideradas um dos principais fortins da desigualdade e da insustentabilidade. As duas maiores cidades dos Estados Unidos, Nova York e Los Angeles, são também as duas cidades mais desiguais do país enquanto que um terço das pessoas mais pobres do Reino Unido vive em Londres. Somando-se a isso, segundo dados publicados pela C40 Cities, dois terços da energia consumida no mundo e 70% das emissões globais de carbono são atribuídos às cidades. Como arquitetos e urbanistas, estes dados nos fazem refletir sobre como políticas públicas e estratégias de planejamento urbano poderiam ser utilizadas para melhor combater esses dois graves problemas. Como resposta, dezenas de cidades ao redor do mundo têm investido em sistemas de mobilidade urbana mais eficientes, abrangentes e sustentáveis. Neste contexto, levantamos a seguinte questão: e se o transporte público fosse gratuito?

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