Caminhos - São Paulo São

São Paulo São Caminhos

 

Morar a 20 minutos a pé ou de bicicleta do trabalho e de um parque, para as horas de lazer. Este é um sonho de muitas pessoas que vivem nas principais capitais do país, de acordo com uma pesquisa sobre mobilidade urbana que será apresentada nesta quarta-feira (26) em São Paulo.

Das mil pessoas que responderam ao questionário, 82% disseram preferir viver em uma cidade compacta, onde o uso do carro seria praticamente desnecessário. As entrevistas foram realizadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Salvador.

Entre as cidades avaliadas, o Rio de Janeiro, hoje, é o local que mais se aproxima de uma cidade compacta, revelam os dados do trabalho.

Segundo a pesquisa, 24% dos cariocas disseram usar o carro para a maioria dos seus deslocamentos cotidianos, contra 40% dos paulistanos, por exemplo.

Outro dado que chama atenção, segundo José Mello, Superintendente de Pesquisa e Inovação da Liberty Seguros, empresa que está repetindo pelo segundo ano a enquete, é que 52% dos entrevistados abririam mão de até 20% do salário por mais flexibilidade. Ou seja, se eles pudessem trocar o atual emprego por um até 20 minutos a pé da casa deles.

O comércio de rua, indicam os resultados, também está em alta na preferência popular. Na cidade ideal, 55% das pessoas optariam por fazer compras em lojas e mercearias dentro do bairro. "Para as pessoas, os shoppings e grandes centros comerciais estão mais atrelados ao lazer", diz Mello.

Apesar da pesquisa mostrar também que 81% dos entrevistados preferem se divertir em locais públicos e ao ar livre. Em vez dos pagos e fechados, como os shoppings.

Enquanto os moradores de Salvador são os mais propensos a compartilhar bens, os que vivem em São Paulo são os menos dispostos a fazer o exercício do compartilhamento, segundo a pesquisa.

"Na capital da Bahia as pessoas trabalham muito remotamente, de uma forma autônoma. Talvez isso explique esses números", diz Mello. De acordo com o executivo, em São Paulo, a questão da segurança, por exemplo, pode explicar mais ações individualistas por parte dos habitantes da cidade.

Fonte: Eduardo Geraque na Folha de S.Paulo.


No pique de um final de semana animado na região central da cidade, com diversos eventos em espaços públicos, o Kakaos fez três perguntas para Raquel Rolnik, uma das mais respeitadas urbanistas do país.

Tivemos um final de semana diferente, com diversos eventos em espaços públicos como a abertura do Mirante 9 de Julho e grande circulação na Av. Paulista, que foi fechada para carros. Qual o impacto disso na cidade?

RR: Tenho dito que SP está vivendo uma epidemia de amor pelo espaço público. A população está pedindo por isso. Podemos comparar essa iniciativa ao que aconteceu em Nova York com a Times Square, por exemplo. Toda mudança gera alguma resistência, houve polêmica, mas hoje o fato dela ficar fechada com mesas e cadeiras de praia já foi absolutamente absorvido pela população. Por lá, o processo de implementação de ciclovias, por exemplo, passou por muitos percalços. Elas foram feitas, desfeitas, refeitas e isso é normal. O que acontece quando você vai pra rua é que as pessoas passam a pensar a cidade na qual querem viver, suas possibilidades.

O que você acha que impulsionou essa vontade do paulistano de aproveitar os espaços públicos?

RR: São Paulo está caminhando em uma direção diametralmente oposta ao rumo que a cidade tomava há duas décadas. Há pouco tempo ela crescia favorecendo a construção de shoppings, as pessoas queriam viver em condomínios, o sistema viário era pensado para o transito de carros. Hoje há uma predominância de jovens na nossa população e essa bolha jovem tem muita disposição. Há uma transformação da cultura urbana puxada por essa juventude atenta ao que ocorre no resto do mundo. Coletivos culturais, movimentos cicloativistas etc… Além disso há um fenômenos climático interessante. São Paulo não é mais a terra da garoa, nunca foi tão quente e isso da mais vontade de ficar ao ar livre. E por último temos agora uma prefeitura que captou esse desejo e procurou dar uma respostas. Agora basta ver sua capacidade de permanência e manutenção desses equipamentos.

Para quem mora na periferia o lugar de lazer sempre foi a rua por simples falta de opção. Falta de espaços para lazer e também dentro de casa. Você acha que essa imagem atrapalha o cara que mora em condomínio, só anda de carro blindado e só pratica lazer no seu clube a entrar nesse movimento? 

RR: Com certeza. O Brasil tem a base de uma sociedade escravocrata. A resistência por aqui tem relação com o recorte de classe. A rua pressupõe uma heterogeneidade que não existe nesses espaços fechados. É uma mentalidade muito diferente da de países europeus, por exemplo, que entendem a riqueza desse intercâmbio. Aqui, esse cara que vive isolado não quer mesmo se misturar com gente de outra classe, ele quer viver na bolha, ele é aquele tipo que não gosta de ver pobre num vôo da Gol, por exemplo, e a rua não é assim, a rua é pra todos. E isso ainda vai demorar muito para mudar.

Katia Lessa no Kakaos



A proliferação de automóveis que se deu no início do século XX e a criação de infraestruturas voltadas para seu uso são fatos que modificaram a paisagem das cidades e a vida de seus habitantes.

Embora antes do surgimento do automóvel o lugar das trocas sociais era a rua, esta continua hoje em dia sendo o palco das relações comunitárias, porém, condicionada pelo trânsito de veículos.

Em relação a isso, é interessante conhecer o que a PPS (Project for Public Spaces) propõe em sua pesquisa "Ruas como lugares: Usando as ruas para reconstruir comunidades", que explicamos com mais detalhes na sequência.

Nesse estudo, a organização parte da ideia de que para restaurar a vida comunitária nas ruas, é essencial liberá-las da dominação dos veículos automotores e intervir através de um enfoque integral. Nesse sentido, a PPS argumenta que as ruas devem adotar elementos que caracterizem a comunidades, suas necessidades e aspirações.

Para isso, foram elaborados quatro pontos que direcionam as ações nas ruas, com o objetivo de que estas se transformem em lugares onde as pessoas queiram passar parte de seu tempo.

1. Espaços e atratores

As calçadas não apenas nos levam até nosso destino, elas também cumprem uma importante função social: são os lugares onde encontramos conhecidos e amigos ou conhecemos novas pessoas.

No entanto, é comum que esses espaços não tenham um projeto adequado e que, por esse mesmo motivo, tornem mais difícil o deslocamento. Para evitar essa situação, o ideal é que as calçadas realmente estejam conectadas entre si e aos lugares mais usados das cidades

Também é importante que as calçadas tenham certos atratores, como obras de arte pública, que expressem o espírito do lugar e ajudem a fomentar a interação entre as pessoas.

Uma outra opção é instalar bancos e outros locais de descanso que estejam visualmente conectados aos espaços atratores. E finalmente, as calçadas devem contar com uma sinalização adequada que oriente todos os cidadãos em seus deslocamentos a pé.

2. Celebrações, espetáculos e encontros

Desde os tempos mais remotos, as festas típicas locais e nacionais acontecem nas ruas ou em parques. Esses espírito de celebração deve ser visto como um modo de atrair de volta os cidadãos aos espaços públicos, reunindo as pessoas em torno de tradições e costumes comuns a elas. Dessa forma, cria-se um sentido de orgulho, identidade e pertencimento importante para a vida comunitária. 

3. Administração e manutenção

Entre as funções básicas que devem acompanhar um espaço público estão a limpeza e a manutenção, já que estas influenciam o modo como o espaço é percebido pelas pessoas, mudando, inclusive, sua percepção de segurança pública.

No entanto, essas funções não são as únicas importantes em um espaço público; o entretenimento através dos eventos públicos é algo importante também, já que ajuda a atrair mais pessoas para o lugar.

4. Participação das comunidades

É muito comum que, ao inaugurar um novo espaço público ou concluir um projeto de reurbanização, exista o receio de que em pouco tempo esse novo espaço esteja descuidado.

No entanto, a PPS acredita que se a comunidade for envolvida em seu cuidado, cria-se um sentimento de propriedade que leva as pessoas a desenvolverem atividades de manutenção. Desse modo, os cidadãos ganham autonomia para controlar o destino desse espaço.

Faça o download da pesquisa da PPS aqui.

Fonte: Plataforma Urbana.


O canteiro central da Avenida Doutor Arnaldo, no Sumaré, zona oeste de São Paulo, vai receber uma ciclovia. Segundo o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, ainda não há data para o início das obras, mas a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já tem os estudos técnicos de implementação das faixas.

De acordo com ele, a via será interligada coma as pistas para ciclistas da Avenida Paulista e da Rua da Consolação ­ as obras começam até o fim deste mês. A intenção da Prefeitura é que a via segregada comece ou na Rua Minas Gerais ou em uma alça de acesso na Praça José Molina, conhecida como Praça dos Arcos.

O secretário explicou que o traçado deve seguir na direção da Avenida Heitor Penteado e terminar na região da Rua Cerro Corá, na Lapa, também na zona oeste da capital.

A pista é considerada essencial para o desenho da malha cicloviária da capital. Quando estiver pronta, ciclistas poderão sair do Jabaquara, na zona sul, e chegar a bairros como Lapa, Sumaré e Perdizes usando apenas as ciclovias. O trajeto segue o mesmo itinerário subterrâneo das Linhas 1­Azul e 2­Verde do Metrô.

Um dos desafios para o setor de planejamento cicloviário da CET é como fazer a pista para bikes na região do túnel da Avenida Doutor Arnaldo que é usado por motoristas que vêm da Avenida Rebouças. “Vamos fazer a transição por cima. O gargalo é a saída do túnel e a equipe está quebrando a cabeça”, afirmou o secretário.

Para Horácio Augusto Figueira, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), a Prefeitura deve descartar que a ciclovia passe pela calçada subterrânea da avenida. “Não é o ideal. Precisa tomar cuidado para não criar uma armadilha. Não dá para dizer que pedestres e ciclistas vão se entender criando um estresse entre eles”, disse o especialista.

Fonte: Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo.


Com o aumento da malha cicloviária, e consequentemente das viagens feitas por meio da bicicleta, surge uma nova demanda: lugares adequados para estacionar as bikes, pois nem sempre os postos de trabalho ou equipamentos públicos são dotados destas estruturas.

A prefeitura de São Paulo deve inaugurar neste domingo, 23 de agosto, junto com a ciclovia da avenida Bernardino de Campos, um novo bicicletário. A avenida estará aberta às pessoas nesse dia (saiba mais). Segundo informações da administração municipal, o equipamento deverá funcionar 24 horas por dia, com 47 vagas. O ciclista que quiser guardar a bicicleta deverá se cadastrar no local, levando documento com foto e CPF.

A estrutura estará localizada na Praça Marechal Cordeiro de Farias, popularmente conhecida como Praça dos Arcos. Fica próxima do final da Paulista e em um ponto de cruzamentos de três ciclovias: a da Paulista, a da rua Itápolis e a via que será instalada na rua da Consolação.

A entrega vem em boa hora, pois a região teve um grande aumento de pessoas que usam a bicicleta como meio de deslocamento com a inauguração da ciclovia da avenida Paulista. Nos primeiros dias de funcionamento da ciclovia foram quase 400% a mais de ciclistas em relação à semana anterior da abertura. Dados da prefeitura de São Paulo apontam que nos primeiros dias foram contados 349 ciclistas de manhã e 614 de tarde. Antes da entrega da via para ciclistas, o número era de 85 bicicletas de manhã e 169 de tarde. Ou seja: aumento de 379% em apenas dois dias após a inauguração.

De acordo ainda com informações da prefeitura, o bicicletário deve contar com uma cozinha comunitária, onde será feita a capacitação de aprendizes, focados na utilização de produtos naturais e orgânicos. Novos bicicletários como este devem ser entregues à população nos próximos meses.

Fonte: PMSP. com Renato Lobo, Vá de Bike.

 


Desde a última quarta-feira, 19 de agosto, data considerada como “Dia Mundial da Bicicleta”, os usuários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) poderão embarcar com bicicletas também durante a semana, após as 20h30. São permitidas quatro bicicletas por viagem, embarcadas no último carro de cada trem.

Como na regra anterior, elétricas não estão contempladas (um dos itens especifica que a bicicleta não pode ter motor) e a bike tem que estar limpa (“sem barro, lama, graxa”). É permitido embarcar até 4 bicicletas por trem, sempre no último vagão. As regras completas de uso estão disponíveis aqui.

Valendo desde 2007, a regra anterior permitia o transporte de bikes nos vagões apenas aos finais de semana, das 14h do sábado até o encerramento da operação no domingo, e nos feriados durante o dia todo – horários que permanecem os mesmos.

Crescimento do uso estimulou mudança
RANKING DAS ESTAÇÕES
LinhaEmbarques
9-Esmeralda 126.340
10-Turquesa 73.355
12-Safira 55.708
8-Diamante 40.381
11-Coral 40.286
7-Rubi 23.423

 

De acordo com a CPTM, a liberação de embarque durante a semana é consequência do aumento da demanda dos usuários. Em 2007 foram embarcadas 15.090 bicicletas nos finais de semana e feriados; em 2014, esse número saltou para 57.828 bikes; no primeiro semestre desse ano, já foram 31.663.

A linha com mais embarques é a 9-Esmeralda, com 126.340 registros – muitos atraídos pela ciclovia Rio Pinheiros, que fica ao lado da linha. Veja no quadro ao lado.

Hoje o sistema conta com 28 bicicletários distribuídos em estações das seis linhas, somando juntos mais de sete mil vagas, com cerca de 20 mil ciclistas cadastrados. Com exceção dos bicicletários de Mauá, administrado pela Ascobike, de Santo André, administrado pela EMTU, e de Pinheiros, administrado pela Via 4, os demais são de responsabilidade da própria CPTM. Todos são gratuitos, exceto a unidade de Mauá, que cobra mensalidade de R$ 20 dos sócios e diária de R$ 2 de eventuais usuários.

Medida beneficia a periferia

“A CPTM tem um alcance nas periferias que o metro não tem”, esclarece Alex Gomes, do grupo Bike Zona Sul. “E a questão da intermodalidade [conjugar o uso da bicicleta com outro meio de transporte] é muito mais frequente na periferia que no centro expandido”, completa.
 

Gomes também aponta que a liberação vai ser útil para moradores da Zona Sul que deixam de ir de bicicleta porque a Ciclovia Rio Pinheiros fecha às 18h30. O trabalhador que não consegue sair do serviço a tempo de pegar a ciclovia aberta muitas vezes deixa esse meio de transporte de lado. 

Roberson Miguel, ciclista da Zona Norte da cidade, aponta o mesmo benefício. “Quem sai da região de interlagos e pedala até a Berrini, por exemplo, agora pode voltar com o transporte público, economizando 20 km de pedaladas. Isso vai permitir que pessoas que ainda não usavam a bicicleta devido à distância possam usá-la de manhã, voltando à noite de trem. É uma economia de uma passagem por dia, que pode fazer diferença no orçamento familiar”, explica.

Fonte: William Cruz / Vá de Bike.

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