10 mitos comuns sobre ciclovias - e por que eles estão errados - São Paulo São

Foto: nyc.streetsblog.orgFoto: nyc.streetsblog.org

Ao passar de carro ao lado de uma ciclovia, é difícil não ouvir um comentário como “ela está sempre vazia”, “isso tira espaço dos carros” ou “as lojas perdem clientes”. Mas será que essas afirmações têm algum fundo de razão? Veja alguns mitos muito populares sobre as ciclovias – e qual é a verdade sobre elas.

Piora o trânsito

Foto: The Seattle Times.Foto: The Seattle Times.Esse talvez seja o mito mais comum, uma vez que parece lógico que ao tirar uma faixa dos veículos eles ficarão mais congestionados. Mas aqui entra em cena a ideia da demanda induzida: quanto mais espaço, mais carros --e o inverso também é verdadeiro. E também pode acontecer que, na presença de ciclovias, mais pessoas troquem o carro pela bicicleta. Em algumas cidades, o tráfego de carros aumentou porque há mais carros de serviços de transporte (aplicativos e entregas) rodando. Por fim, é sempre bom lembrar que o que causa congestionamento são os carros. 

Elas estão sempre vazias 

Tem sempre alguém para postar nas redes sociais uma foto de ciclovia vazia e dizer que ninguém usa esse espaço. Mas o vazio em alguns trechos só sinaliza que o tráfego de bicicletas está fluindo --e que as bicicletas provavelmente reaparecerão no próximo sinal vermelho.  

Só a classe média pedala 

Em todo o mundo, dados mostram que as pessoas mais pobres também usam a ciclovia, pois a bicicleta é um meio gratuito de transporte. E podem usar mais se elas se tornarem mais seguras e mais conectadas, especialmente para atender quem tem que fazer vários trajetos em uma viagem (por exemplo, de casa à escola dos filhos e depois ao trabalho).  

São prejudiciais ao comércio 

Foto: Velorution Café.Foto: Velorution Café.

Outra reclamação é que a ciclovia tira espaço de estacionamento de carros e prejudica o comércio de rua. Isso não é verdade: primeiro porque o crescimento do comércio eletrônico reduz as visitas às lojas. Alguns estudos mostram, por exemplo, que os consumidores ciclistas compram mais em longo prazo. E, em Nova Iorque, um outro estudo revelou que negócio em ruas com rotas de bicicleta cresceram mais rapidamente que os que ficavam em ruas sem elas.  

Pedestres ficam em perigo 

As evidências, na verdade, apontam o contrário: os carros e outros veículos motorizados é que causam a maior parte dos acidentes com pedestres. Na cidade de São Paulo, por exemplo, morreram mais motociclistas (366) do que pedestres (349) em 2018 - e a maioria das mortes ocorreu de madrugada e na noite de sábado ou domingo, períodos em que quase não há bicicletas circulando.

Como eu carrego equipamentos de trabalho / uma geladeira em uma bicicleta? 

Foto: Getty Images.Foto: Getty Images.

As bicicletas de carga ou reboques, especialmente com assistência elétrica, podem transportar cargas pesadas - até mesmo aquela hipotética geladeira. Alguns comerciantes, até mesmo supermercados, já usam bicicletas de carga, especialmente nas grandes cidades, onde as distâncias são mais curtas e o estacionamento é escasso.

Os ciclistas não param de infringir as leis

Esta é uma ideia sem sentido mas tão desconcertante que ainda precisa ser desmascarada constantemente. As pessoas infringem as leis na estrada, em todas as formas de transporte rodoviário, e o fazem com mais frequência, em média, estando em veículos motorizados. Ciclistas atravessando farol vermelho, por mais irritantes e intimidadores que possam ser - e não estamos tolerando isso - não é a mesma coisa que usar celular ao volante e provocar acidentes. 

Ciclovias são caras...

Foto: Peach Photo Art.Foto: Peach Photo Art.

A construção e a manutenção de quilômetros de ciclovia não são mais caras do que as de uma rodovia, por exemplo. Em Manchester, no Reino Unido, a revitalização da cidade previu o gasto de 1,5 bilhão de libras na construção de 2.900 km de ciclovias --e de 1,4 bilhão para melhorar um único trevo rodoviário. 

...e desnecessárias

Nas grandes cidades, andar de bicicleta é uma maneira de atacar problemas como congestionamentos, poluição do ar e sonora e segurança no trânsito. Sem essa alternativa, qual é a saída?

Nós não somos a Holanda
Foto: Bicycle Dutch.Foto: Bicycle Dutch.

A resposta levemente banal é que, em um certo momento, a Holanda não era a Holanda. No início dos anos 70, os holandeses tinham algumas das menores taxas de acidentes com ciclistas do mundo, já que as estradas usadas há décadas por eles, estavam cheias de mais e mais carros. Isso levou a um movimento de protesto em massa, o que resultou em mais de 40 anos de construção de infraestrutura segura. Em última análise, estamos falando sobre vontade política.

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No Mobilize a partir do The Guardian (Inglês). Edição: São Paulo São.



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