'Cidade Azul' redescobre rios de SP - São Paulo São

 
Poucos sabem que o subsolo da metrópole São Paulo esconde mais de 300 rios, que foram enterrados e cobertos por concreto e asfalto. Para ajudar a população a “redescobri-los”, voluntários criaram o Projeto Cidade Azul
 

Por meio da iniciativa está sendo produzida uma série de audioguias, que auxiliam na localização dos cursos d'água ao longo dos bairros e acessados por meio de dispositivos móveis. Para iniciar as “expedições”, basta colocar os fones para ouvir as orientações e seguir o trajeto sinalizado por pinturas no chão. Caroline Ferrés, designer e uma das idealizadoras do Cidade Azul, explica o funcionamento do projeto: 

“Escolhemos alguns materiais simples, principalmente o audioguia que conta um pouco a história do rio e das pessoas que moram em volta, porque o rio está dentro da cidade e tem toda uma história de como ele foi enterrado e como que é a geografia do local. Então temos esse audioguia em que você pode fazer uma espécie de expedição para descobrir onde ele está (como se fosse uma caça ao tesouro) e tem essas pinturas que seriam esses pontos desse mapa da caça ao tesouro. Então quando você o azul de um bueiro pintado, um poste... é um descobrimento mesmo. Uma expedição de descobrimento do percurso que ele (o rio) está fazendo, porque ele está lá e só a gente não está vendo. A primeira coisa é que precisamos aprender a ver onde ele está. São pequenas dicas que você vai tomando consciência de que ele está ali”. 

A partir do “descobrimento” destes rios, a intenção é que a população se conscientize da importância da preservação da água: “A gente quer na verdade desenterrar os rios pelo menos na consciência das pessoas inicialmente para que todos nós saibamos que vivemos sobre a água. Então quando falamos que 'a gente não tem água' não é uma verdade. A gente tem água. Estamos pisando sobre a água, dormindo sobre a água, andando sobre a água, mas não temos essa consciência porque ela está enterrada. O governo está sempre tentando limpar os rios, até que que quando eu conheci o José e o Luiz do Rios e Ruas eles falaram assim: 'mas você não limpa um rio porque o rio é fluído. Ele sempre está sozinho. Se pararmos de sujar, ele ele vai se limpar, sempre vai ter água correndo'.

Então o que adianta falarmos de limpar rios? Vamos parar de sujar. Mas como vamos fazer isso? Quem é que suja o Rio Pinheiros ou o Rio Tiête? São esses rios que estão chegando neles. E por que eles estão chegando sujo? Porque estão escondidos, porque viraram esgoto e está tudo misturado. Então começamos a pensar que era preciso trabalhar a nascente. Você não trabalha a doença, trabalha a saúde. Essa é a lógica do Cidade Azul”. 

Segundo a idealizadora, o nome do projeto é uma referência a este pouco conhecido lado azul da cinzenta cidade de São Paulo: “Parece que quando falamos de natureza pensamos que não é na cidade. A natureza é lá longe e a cidade é só concreto. Isso não é verdade e nos influencia. Começamos a nos desconectar daquilo que é um pouco a nossa raiz. Água faz parte da nossa constituição. Isso desse ponto de vista mais sutil, mas tem também muito a questão do clima, o quanto o rio e a vegetação em volta melhoram o clima de uma cidade, o quanto a presença da água melhora a vida das pessoas, o bem-estar, a saúde... quando você pensa num rio que não está enterrado, consquentemente vai pensar num parque. Então está 'linkado' com vários aspectos de até saúde mental”. 

O projeto-piloto do audioguia do projeto Cidade Azul foi realizado no Rio Verde e já está disponível no site: www.cidadeazul.org

Ao longo do projeto, outros rios devem ser contemplados pela iniciativa. 

Fonte: Vacy Alvaro na Web Rádio Água.

 



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