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São Paulo São Conexões

 

Uma das civilizações mais brilhantes da história mundial, a dos antigos gregos lançou muitas das bases para toda a civilização ocidental. Imagem: Tours of Grecee.Uma das civilizações mais brilhantes da história mundial, a dos antigos gregos lançou muitas das bases para toda a civilização ocidental. Imagem: Tours of Grecee.

Desde o princípio da história nos organizamos em grupos, inicialmente em clãs, depois em vilas, cidades, comunidades, o ser humano é um ser social, e diversos filósofos e teses de psicanalistas embasam essa teoria. Aristóteles definiu, na Grécia Antiga, que o ser humano está propenso a  uma vida sociável (politika), sendo portanto um sujeito social que, por natureza, precisa pertencer a uma coletividade ou comunidade.

A obra do filósofo grego destaca dois pontos importantes para nossa discussão: pertencimento e comunidade. O senso de pertencimento vem através das relações emocionais que temos com grupos e lugares, e é construído como uma via de mão dupla, através das trocas que estabelecemos com os lugares e grupos, e como estes nos impactam e nos reconstroem.

Sobre a ideia de comunidade podemos avançar em diversos aspectos, mas o que nos interessa neste momento é discutir um pouco mais sobre a comunidade formada em nosso locus, as pessoas que estão ao nosso redor no território, ou seja: nossos vizinhos. 

"Mais que amigos, vizinhos" retrata os habitantes de um edifício parisiense durante o confinamento provocado pela pandemia. Imagem: Divulgação."Mais que amigos, vizinhos" retrata os habitantes de um edifício parisiense durante o confinamento provocado pela pandemia. Imagem: Divulgação.A pandemia alterou profundamente as relações sociais dos seres humanos, quer seja trancando as pessoas em seus lares, quer seja abrindo contatos infinitos através das redes sociais. 

À parte das críticas, o filme lançado no streaming Netflix intitulado: "Mais que amigos, vizinhos" (ou no original 8 Rue de l'Humanité) retrata com certa veia cômica as relações de vizinhança (ou falta delas) em um pequeno prédio de Paris durante o lockdown de 2020. Partindo de uma cena do filme em que todos se vêem presos em suas casas e são obrigados a se conhecer, levo a reflexão para este ponto: como nos relacionamos com nossos vizinhos no século XXI?

Diversos trabalhos vêm demonstrando que a sociedade contemporânea está sofrendo de um certo isolamento social, talvez causado pela forte presença das redes sociais na vida cotidiana. Mas, se buscarmos estudos de vinte ou trinta anos atrás, eles já demonstram que as relações de amizade nas cidades estavam diminuindo, sendo este um efeito da política urbana voltada para os deslocamentos preferecialmente, através de automóveis.

Em seu livro “Cidades para um Pequeno Planeta”, publicado em 1997, Richard Rogers já alerta para o impacto que a mobilidade e velocidade tem no estabelecimento de relações sociais com os vizinhos. 

Imagem: reprodução.Imagem: reprodução.Rogers mostra dados de uma pesquisa feita em São Francisco, Califórnia, onde fica comprovado que o tráfego urbano destrói o sentido de comunidade, ou seja, o trânsito intenso de carros contribui para a alienação social do morador urbano. O trabalho demonstra que nas ruas com trânsito leve as pessoas têm em média 3 amigos e 6,3 conhecidos na vizinhança, enquanto nas ruas com trânsito pesado são 0,9 amigos por pessoas e 3,1 conhecidos.Isto faz sentido, pois em vias com muito fluxo de veículos as pessoas não se sentem seguras para estar no espaço público e, desta forma, serem sensibilizadas pela presença do outro ou até mesmo estabelecer relações de identidade com o lugar. 

Também nesta linha, o urbanista Jan Gehl defende que o adensamento das cidades não deve ser feito com grandes arranha-céus. Em seus diversos livros, ele demonstra através de esquemas gráficos que quanto mais alto o apartamento menor é a relação do morador com a rua, ocasionando assim um isolamento social com o espaço público. Pessoas que vivem em grandes torres, na maioria das vezes, não conhecem seus vizinhos e não conseguem saber o que está acontecendo na rua, desta forma não atuam com os olhos da rua, não estabelecem relações de vizinhança, e até mesmo não percebem a chuva (essa frase foi do meu sobrinho de 6 anos, que ao se mudar do 14º andar para uma casa, relatou que estava com medo da chuva porque nunca tinha visto que ela caia e corria pelo chão).

Nørrebro, bairro da capital dinamarquesa considerado completo em atrativos e boa vizinhança. Foto: Oliver Foerstner / Shutterstock. Nørrebro, bairro da capital dinamarquesa considerado completo em atrativos e boa vizinhança. Foto: Oliver Foerstner / Shutterstock. No Brasil da desigualdade social, outro fenômeno urbano desponta isolando as pessoas do convívio social: os condomínios fechados com toda a infraestrutura. Buscando sensação de segurança e comodidade, as pessoas se isolam e diminuem as chances de desenvolver senso de pertencimento à cidade e ao bairro, já que o condomínio, por ser segregador, não favorece o intercâmbio social e cultural de um bairro tradicional. 

Países como Holanda, Alemanha, Dinamarca, vem apostando no fortalecimento das relações de vizinhança através de duas estratégias principais: a redução de velocidade nas ruas locais, com a criação de mais espaços de convívio e lazer nas ruas, estimulando o desenvolvimento do senso de comunidade; e a estruturação de espaços públicos como parques e praças de fácil acesso com pequena caminhada, criando ambientes na escala de bairro onde os vizinhos podem se conhecer e se reconhecer na comunidade em que habitam. Ilustração para um guia de projeto urbano que privilegia boa vizinhança para cidade neozelandesa. Imagem:  Tauranga City Council.Ilustração para um guia de projeto urbano que privilegia boa vizinhança para cidade neozelandesa. Imagem: Tauranga City Council.São estratégias de desenho e planejamento que buscam devolver aquilo que já tínhamos, mas que perdemos na ânsia pelo desenvolvimento: a possibilidade de brincar na rua, de juntar os vizinhos, de jogar bola, de pedir uma xícara de açúcar ou arroz. Enfim, de sermos humanos em cidades pensadas para seres sociais como de fato somos e não pensadas para o carro, a velocidade e a ansiedade. 

Se queremos nos curar das doenças da pós-modernidade talvez devamos olhar mais para a importância dos nossos vizinhos na rotina cotidiana. A solidão é fatal, e o convívio em comunidade pode ser um importante remédio para isso.

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Ana Paula Wickert é arquiteta e urbanista, mestre em Arquitetura e MBA em Marketing pela FGV. É palestrante, consultora e criadora do portal ArqAtualiza.

Uma cidade que está liderando essa estratégia urbana é Paris, sob a liderança de sua prefeita, Anne Hidalgo. Ilustração: Celine Orsingher.Uma cidade que está liderando essa estratégia urbana é Paris, sob a liderança de sua prefeita, Anne Hidalgo. Ilustração: Celine Orsingher.

Pense na cidade onde você mora. Quanto tempo você leva para chegar ao supermercado a pé? A sua escola ou trabalho é perto o suficiente para ir caminhando? Que tal um parque público, um consultório médico, uma creche ou qualquer outro lugar que você visita diariamente? Enquanto algumas cidades já entenderam a importância de se viver perto de todas essas necessidades, outras estão reformulando suas estratégias de planejamento urbano e projetando seus bairros para serem mais amigáveis aos pedestres, com o conceito de “cidades de 15 minutos”.

Imagem: Paris en Commun.Imagem: Paris en Commun.

Parcialmente inspirado no trabalho de Jane Jacobs, que via os bairros como conectores sociais, a ideia por trás das cidades de 15 minutos foi desenvolvida por Carlos Moreno, um professor da Sorbonne que visava melhorar a qualidade de vida urbana. Com a “hiper proximidade” de equipamentos, empregos, serviços governamentais, parques públicos, comércio e uma variedade de opções de entretenimento, acessados apenas de bicicleta ou a pé, o conceito repensa como as cidades podem ser melhor projetadas de forma a atender às necessidades básicas dos habitantes. Dentro deste pequeno raio, a partir de suas casas, comunidades mais fortes serão criadas, permitindo que os moradores se sintam mais incluídos nos comércios e serviços de sua região.

Imagem: Bike Republic.Imagem: Bike Republic.

Embora a cidade de 15 minutos possa parecer uma utopia distante, muitos gestores públicos ao redor do mundo já estão começando a dar uma nova identidade aos seus núcleos urbanos, a partir de um melhor planejamento da cidade, com a descentralização de serviços, bens, e novas leis de zoneamento, que retiram os carros das ruas e abrem espaço para os pedestres e ciclistas. Uma cidade que está liderando essa estratégia urbana é Paris, sob a liderança de sua prefeita, Anne Hidalgo. Tal objetivo foi um dos pilares de sua campanha política à bem-sucedida reeleição. Seu intuito é incentivar o desenvolvimento de comunidades autossuficientes em cada distrito de Paris. Batizada de "cidade de 15 minutos" (“ville de quart d'heure”), o objetivo é transformar a capital, em bairros mais eficientes, para reduzir a poluição e criar áreas social e economicamente diversas. Ao revelar esse plano, Hidalgo insistiu que esse esforço de revitalização também incorporaria outras estratégias - incluindo uma força policial desarmada de 5.000 pessoas, um compromisso maciço de plantar mais árvores e multas pesadas por comportamento não civis, como jogar lixo em locais inadequados. Mais notavelmente, ela afirmou que deseja continuar a promover a circulação de pedestres na capital, estabelecendo uma ciclovia em todas as ruas, nos próximos três anos - ao mesmo tempo, em que retirará 60.000 vagas de estacionamento para veículos.

Ao lado de Paris, Melbourne também criou sua própria versão, com bairros de 20 minutos, isto é, locais onde tudo está dentro de um trajeto de 20 minutos. Copenhague, talvez um exemplo mais conhecido, centralizou seu senso de urbanismo em torno da dependência de bicicletas com uma camada de proximidade de lugares desejáveis. Atualmente, até as cidades americanas estão explorando mais de perto esse método, especialmente com as lições aprendidas e a autorreflexão da pandemia de COVID-19. Em um momento em que as pessoas costumam passar de 1 a 2 horas por dia apenas se deslocando para o trabalho através de meios de transporte privativos, há um foco maior em devolver as ruas às pessoas, encontrando maneiras de reduzir a forte dependência de carros e recriar um senso de vizinhança, que diminuiu com o aumento da expansão urbana. A empresa Here Technologies criou um mapa interativo que mostra quais cidades já estão inclinando a atender esta escala, e ficarem mais alinhadas com os objetivos da cidade de 15 minutos. Embora alguns bairros já possam ser percorridos a pé, provavelmente muitos mais se moverão nessa direção conforme os urbanistas e gestores começarem a aplicar essa estratégia para desenvolver seus próprios conceitos de cidade do futuro.

A Cidade de 15 Minutos faz parte do Plano Melbourne de longo prazo para o crescimento futuro da cidade. Foto: Pexels Photo.A Cidade de 15 Minutos faz parte do Plano Melbourne de longo prazo para o crescimento futuro da cidade. Foto: Pexels Photo.

Na próxima vez que você viajar 30 minutos de carro para o shopping, considere o tempo que você economizaria e a qualidade de vida aprimorada que você teria, se o local estivesse a apenas 15 minutos de bicicleta de distância. A cidade de 15 minutos não é apenas uma tendência urbana, mas uma estratégia de projeto altamente viável, que em breve poderá chegar a uma cidade perto de você.

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Escrito por Kaley Overstreet | Traduzido por Rafaella Bisineli. Este artigo é parte do Tópico do ArchDaily: O Futuro das Cidades.

 

Vista aérea da Praça Buenos Aires, área verde e arborizada no centro do bairro de Higienópolis. Imagem: Ricardo Martirani.Vista aérea da Praça Buenos Aires, área verde e arborizada no centro do bairro de Higienópolis. Imagem: Ricardo Martirani.

Depois de Perdizes, o São Paulo São dá sequência neste mês de novembro, dentro de seu projeto São Conexões, à série inédita de filmes / depoimentos, voltada para valorizar e despertar a boa convivência nos bairros da cidade. O bairro abordado agora é Higienópolis.

Esta região é uma das mais interessantes e acolhedoras de São Paulo, pois reúne qualidades inerentes ao conceito “Cidade de 15 Minutos”, sistema pensado e realizado pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno. Segundo Moreno, ter acesso – a uma distância de 15 minutos a pé – a necessidades básicas como saúde, educação, trabalho, cultura, lazer e entretenimento é o que torna um lugar ideal para as pessoas viverem.

O clássico Edifício Bretagne construído por Artacho Jurado na Avenida Higienópolis na década de 1950. Imagem: Ricardo Martirani.O clássico Edifício Bretagne construído por Artacho Jurado na Avenida Higienópolis na década de 1950. Imagem: Ricardo Martirani.

Esses parâmetros são importantes porque trazem qualidade de vida, cidadania e bem-estar. Atributos que fazem parte do dia a dia de Higienópolis, bairro localizado em um dos pontos mais altos da cidade e batizado com um nome que deixa antever a sua história. Higienópolis significa “Cidade da Higiene”, pois nos idos de 1890 a região foi uma das pioneiras a implantar saneamento básico completo.

Fundado pelos empresários alemães Martinho Bouchard e Victor Nothmann como um loteamento de alto padrão, o bairro foi lançado em 1895 com o nome de Boulevard Bouchard. A alcunha Higienópolis veio depois, quando o bairro cresceu, amealhando mais chácaras locais, e simbolizando a busca da elite por um lugar higiênico, com esgoto e fornecimento de água, além de menos propenso a enchentes e doenças, por sua altitude e localização.

Hoje, em vez dos bondes que passavam silenciosos no início do século 20, se vêem carros, ônibus, ciclistas e muitos pedestres nas famosas Avenidas Angélica e Higienópolis, principais vias do bairro. 

Higienópolis foi o primeiro bairro de São Paulo a ganhar iluminação a gás, arborização, linhas de bondes, redes de água e esgoto. Foto: LIFE Magazine.Higienópolis foi o primeiro bairro de São Paulo a ganhar iluminação a gás, arborização, linhas de bondes, redes de água e esgoto. Foto: LIFE Magazine.Um dos entrevistados nesta histórica série, o estrategista político Ziggy Quinette, morador do bairro, lembra da trajetória mais recente de Higienópolis, em especial do Movimento Modernista e dos artistas e intelectuais que viviam ali. “Você tinha a Tarsila do Amaral morando na Piauí com a Angélica, tinha a Anita Malfatti morando na rua Ceará e o Paulo Prado na mansão onde todos se encontravam para discutir a modernidade. É justo dizer que a Semana de 22 não teria acontecido e sido tão importante para a história do Brasil se não fosse esse bairro “, diz Ziggy.

 Ziggy Quinette, morador do bairro, lembra da trajetória mais recente de Higienópolis, em especial do Movimento Modernista. Imagem: Ricardo Martirani. Ziggy Quinette, morador do bairro, lembra da trajetória mais recente de Higienópolis, em especial do Movimento Modernista. Imagem: Ricardo Martirani.

E ele tem toda razão. Trecho de um texto de Oswald de Andrade publicado em 1954 na revista Anhembi dá conta de como o bairro acolhia a intelligentsia da época: “Paulo Prado abriu-nos sua casa em Higienópolis. Recebia magnificamente. Os seus almoços aos domingos eram faustosos. Além de se comer e beber dentro duma grande tradição civilizada, ali se debatiam os problemas candentes da transformação das letras e das artes. Pode-se dizer que, depois da pobreza de minha garçonnière na Praça da República, foi a casa de Paulo Prado o centro ativo onde se elaborou o Modernismo”. 

Outro morador do bairro, o jornalista Ricardo Gaioso foi entrevistado na série e fala sobre a arquitetura de Higienópolis, com projetos de modernistas como Rino Levi e Artacho Jurado, autores de edifícios que viraram rotas de passeios turísticos para estrangeiros e brasileiros, especialmente estudantes de arquitetura e artes. Gaioso define o bairro como auto suficiente, pois não é preciso sair dali para nada. E tudo se faz a pé ou de bicicleta.

O jornalista Ricardo Gaioso define o bairro como auto suficiente, pois não é preciso sair dali para nada. Imagem: Ricardo Martirani.O jornalista Ricardo Gaioso define o bairro como auto suficiente, pois não é preciso sair dali para nada. Imagem: Ricardo Martirani.

“Um sebo novo, um lugar de segunda mão para mobiliário antigo, um café antigo, o estacionamento no estádio do Pacaembu, onde as pessoas correm e patinam, um pão especial e artesanal na esquina; Higienópolis tem o poder de manter a tradição intacta, ao mesmo tempo em que se abre para as mudanças de comportamento”, diz Ricardo, na conversa no seu gostoso apartamento.

A estilista Dorothy Campolongo conversa com os porteiros dos prédios vizinhos, com o dono da farmácia, encontra pessoas e amigos na rua. Imagem: Ricardo Martirani.A estilista Dorothy Campolongo conversa com os porteiros dos prédios vizinhos, com o dono da farmácia, encontra pessoas e amigos na rua. Imagem: Ricardo Martirani.

A estilista Dorothy Campolongo revela que morar no bairro sempre foi seu sonho, desde os tempos de estudante da Faap. “Adoro morar aqui! Gosto de passear nas praças, de caminhar, sentar-me ao ar livre nos restaurantes, ver os prédios maravilhosos art déco, art nouveau”, diz Dorothy, que ama também sair caminhando e cumprimentando as pessoas da comunidade. Ela conversa com os porteiros dos prédios vizinhos, com o dono da farmácia, encontra pessoas e amigos na rua. “Tem esse lado simpático que eu adoro...”

"Higienópolis é um bairro que te permite ter uma vida tranquila, tipo cidade de interior ”, conta Bibi Fragelli. Imagem: Ricardo Martirani."Higienópolis é um bairro que te permite ter uma vida tranquila, tipo cidade de interior ”, conta Bibi Fragelli. Imagem: Ricardo Martirani.

Uma moradora também apaixonada é a estilista Bibi Fragelli. “Acho incrível a localização, por ser ao lado do Pacaembu, pertinho da Paulista, em meia hora a gente chega ao IMS, ao Masp, cinemas, todo tipo de casas de comida... Higienópolis é um bairro que te permite ter uma vida tranquila, tipo cidade de interior sem carro, eu ando muito de bicicleta e a pé”, conta Bibi. Nessas andanças, ela já fez muitas conexões que se tornaram amizades. É o caso de uma moça dona de uma casinha com um jardim lindo e super bem cuidado. “Era o meu caminho, e eu sempre parava para admirar as flores da casa; um dia ela estava lá e eu elogiei o jardim, para mim o mais lindo do bairro, então ela me convidou para entrar e tomar um café e a partir daí a gente sempre conversa e troca mudas (que ela me dá) e retalhos e tecidos, que eu separo para ela. Ficou uma relação muito legal”.

"Mãe", escutura de Caetano Fraccaroli, esculpida em um bloco único de mármore na Praça Buenos Aires. Imagem: Ricardo Martirani."Mãe", escutura de Caetano Fraccaroli, esculpida em um bloco único de mármore na Praça Buenos Aires. Imagem: Ricardo Martirani.

Higienópolis é um lugar de histórias, de impressões, de encontros, de conexões. Uma região repleta de memória, cultura, natureza (como o Parque Buenos Aires) e muitas boas surpresas, como contam os nossos entrevistados nessa série deliciosa.   

A série São Conexões é um oferecimento da Tegra Incorporadora.

 

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Chantal Brissac da Redação.

Quem de fato conhece o bairro que mora, sabe quais são as casinhas mais antigas da região, o prédio mais charmoso do entorno? E o café mais saboroso? Quem conhece as calçadas, as lojinhas, os jardins e as praças da vizinhança? Todos esses lugares deveriam estar, em tese, a 15 minutos dos moradores de um bairro e deveriam ser acessados a pé ou de bicicleta, permitindo um “diálogo” entre pessoas, comércio e equipamentos.

Essa ideia, que ganhou força no ano passado, por conta da pandemia de coronavírus, é um conceito desenvolvido pelo urbanista Carlos Moreno, professor da Universidade de Sorbonne, na França, e assessor especial da Prefeita de Paris, Anne Hidalgo. Os deslocamentos no dia-a-dia, sugere Moreno, devem ser mínimos. No entanto, para que isso se viabilize numa cidade como São Paulo, muita coisa precisa ser repensada, pois a vida nos grandes centros faz tempo tem se organizado de outra forma: os carros se impõem, soberanos, e os moradores não têm tempo nem disposição para flanar.

Foi pensando nessa retomada da cidade em nome da boa convivência, que o Portal São Paulo, em parceria com a Tegra Incorporadora e a Construtora Paulo Mauro, realizou nos últimos sábados (16 e 23 de outubro), o “São Paulo São Conexões convida Perdizes”- um espaço ao ar livre, para o desfrute e troca de experiências no bairro, com atrações culturais e gastronômicas.

Foto: Márcia Minillo.Foto: Márcia Minillo.

O diferencial do evento, que ocorreu na Rua Bartira 856, zona oeste da cidade, ao lado do estande do empreendimento imobiliário “Ode Perdizes”, foi o de proporcionar o encontro entre “ocupantes” do bairro - tanto os novos, chegando à região, como os antigos.

“Para participar, convidamos pessoas que têm pequenos negócios aqui nas imediações”, diz o designer Maurício Machado, idealizador do projeto. Com o “São Conexões”, Machado quer estimular e difundir justamente o conceito de cidade de 15 minutos e de proximidade entre as pessoas. “Queremos incentivar os vínculos saudáveis e produtivos em São Paulo, fomentando a troca de conhecimento, as conexões criativas entre empresas e cidadãos com causas e negócios em seus bairros”, completa. E foi justamente assim que o evento transcorreu.

Foto: Márcia Minillo.Foto: Márcia Minillo.

Mônica Vendramini levou sua marca “Receitas de Família” para apresentar aos vizinhos. Ela é fotógrafa, mas a pandemia do coronavírus a fez colocar em prática seu lado “quituteira”. Com pouco trabalho na sua área de formação, resolveu arregaçar as mangas e se dedicar à culinária, uma paixão que a acompanha desde criança. Com determinação, montou um perfil no instagram (@receitas_vendramini) e passou a oferecer suas quiches, tortas doces e salgadas e empadas.

No dia do evento, teve a chance de dialogar com outros comerciantes da região, que, como ela, mostraram seu trabalho ali na Rua Bartira. Vivendo nas imediações há alguns anos, a proposta agradou Mônica, que retribuiu ao convite para expor seus pratos com generosidade e disposição para conhecer seus vizinhos. “Essa é uma chance de apresentar meu trabalho e de interagir com outras pessoas que também têm algo a oferecer em Perdizes”, observou.

No entorno do evento, diversos empreendimentos imobiliários despontam, e podem ser, além de consumidores de seus produtos, bons vizinhos também. Mas, para tanto, é preciso que se conheçam, que haja essa troca proporcionada pelo “São Conexões”.

Foto: Márcia Minillo.Foto: Márcia Minillo.Marcaram presença também na Rua Bartira os bolinhos e porções do Caiubier, famoso por sua comida de boteco, as delícias do Azulejo com receitas típicas brasileiras, Seu Gabin com pratos da gastronomia que vem do Norte, a chef Roberta Spínola com suculentos sanduíches de pernil preparados com saboroso molho de tomate e pão portugues de uma padaria da região e os drinques do bar itinerante A Chacrinha do publicitário Adriano de Carvalho.

Para aquecer o ambiente, a DJ Adriana Ararake, outra moradora do entorno, investiu no melhor do pop e do jazz. “É muito importante ter espaços como esses, em que as pessoas que circulam pela região se encontrem e possam desfrutar de momentos de lazer”, disse. 

A DJ Adriana Arakake. Foto: Divulgação.A DJ Adriana Arakake. Foto: Divulgação.A participação dos coletivos urbanos Calçada SP (www.instagram.com/calcadasp) e o Conversas na Calçada, de inspiração norte-americana (Side Talk Walk) deu ainda mais forma à proposta das conexões em Perdizes. 

Tendo à frente a publicitária Wans Spiess, o Calçada SP quer mudar a relação das pessoas com a cidade. Para tanto, promove caminhadas coletivas desde 2014. A pé, é possível olhar as calçadas, as construções, as praças, diz Wan. Quem anda a pé acaba desenvolvendo um olhar apreciativo para a cidade. “Caminhar desperta empatia, alteridade, é um estímulo ao cuidado e à valorização dos espaços urbanos”, acredita.

Foto: Márcia Minillo.Foto: Márcia Minillo.A mesma relação com a cidade tem o grupo do Conversas na Calçada, trazido para o Brasil em 2019 pela psicóloga Patrícia Maria Martins. Criado em São Francisco, Califórnia, pela psicóloga americana Traci Ruble, a proposta é incentivar o diálogo e a interação entre as pessoas que convivem numa mesma cidade, bairro. “Queremos construir cidades mais humanas, menos agressivas, que os vizinhos se conheçam, sejam solidários”, diz. O projeto consiste em colocar cadeiras nas calçadas e estimular o convívio, a troca, a conversa - um hábito ainda comum em lugares menores, mas que se perdeu ao longo do tempo nas metrópoles.

Foto: Márcia Minillo.Foto: Márcia Minillo.

A busca por uma cidade mais calma, mais sustentável, com menos desperdício de energia em todos os sentidos também pede mais opções de deslocamento para além do automóvel. O transporte público - ônibus e metrô - precisa ser ampliado e oferecer mais conforto e segurança aos passageiros, mas os moradores de São Paulo precisam entender que há outras formas de andar pela cidade.

James Scavone, sócio-fundador e diretor criativo da Davinci, aposta nesse outro modelo de mobilidade urbana. Há mais de 15 anos deixou de andar de carro por São Paulo. Vai de bicicleta e, mais recentemente, de patinete elétrico, sempre que possível. Os modelos fabricados pela Davinci (homenagem a Leonardo da Vinci, que além de artista, também era urbanista e se preocupava com a questão da mobilidade, segundo a marca), são dobráveis e, o menor, pesa 12 quilos. “Isso permite a intermodalidade, que é fundamental em São Paulo”, pondera. “A pessoa anda de patinete até determinado ponto, depois pode pegar o metrô, por exemplo, e continuar no patinete ao descer, até chegar ao seu destino”.

Foto: Márcia Minillo.Foto: Márcia Minillo.Segundo ele, que também esteve presente no evento, São Paulo tem hoje quase 700 km de ciclovia, e é fundamental ocupá-los. “As ruas precisam ter seu limite de velocidade reduzido, os carros são muito privilegiados por aqui ainda, temos de rever isso, e esse é um momento de virada”, acredita Scavone. Os patinetes elétricos são também um transporte ativo, permitindo que o usuário se exercite em alguns momentos, pois é preciso dar impulso com o pé em algumas situações.

Além disso, não produzem barulho nem fumaça. Quando pensou no conceito de cidade de 15 minutos, Carlos Moreno estava justamente visualizando uma vida urbana com mais qualidade. Além da questão da economia de tempo nos deslocamentos. Além da questão da economia de tempo nos deslocamentos, a proposta visa fortalecer vínculos mais fortes entre moradores e pessoas que oferecem serviços nas proximidades.

Machado afirma que essa é uma maneira de fazer com que os habitantes de uma determinada região de fato se sintam incluídos e pertencentes àquele espaço. A cidade de 15 minutos também buscou inspiração nas pesquisas desenvolvidas pela escritora e ativista canadense Jane Jacobs, autora de “Morte e vida das grandes cidades”. Para ela, os bairros são conectores sociais, são como microcidades dentro das cidades.

Para confirmar, ele lembra que estudo global "O Futuro das Cidades e o Futuro da Mobilidade" apresentado no ‘Portugal Mobi Summit’ realizado em Lisboa na semana passada, mostrou que as cidades estão agora mais diversificadas e os seus habitantes cada vez mais fixados nos seus próprios bairros, não deixando, porém, de procurar flexibilidade nos meios de transportes para se deslocarem. Em cidades como Nova York, Joanesburgo, São Paulo ou Londres, os espaços públicos se converteram em locais de convívio com praças, comércio de rua ou áreas dedicadas a pedestres.

Flávia Schmidt, gerente geral de marketing da Tegra Incorporadora, contou que a empresa tem essa preocupação com o entorno de seus empreendimentos e busca contribuir com a melhoria dos bairros em que está presente. O programa "Gentilezas Urbanas" tem como proposta, segundo ela, proporcionar essa interação das pessoas com a cidade. A Tegra, diz, é responsável por mais de 30 espaços públicos em SP. "A ideia é oferecer algo não só para os nossos clientes, mas para todos aqueles que residem no entorno", explicou. Assim, entre os espaços públicos assumidos pela Tegra, estão calçadas, canteiros, muros e praças que são revitalizados e mantidos pela companhia. "Queremos contribuir para transformar São Paulo em um local ainda melhor para viver, nos conectando com a cidade e com todas as pessoas que circulam por ela”.

Adriana Perez, moradora de Perdizes em cena da série 'Bairros São Conexões'. Imagem: Ricardo Martirani.Adriana Perez, moradora de Perdizes em cena da série 'Bairros São Conexões'. Imagem: Ricardo Martirani.Quem quiser saber mais e se envolver com esse conceito, vale acessar os depoimentos que estão nos filmes da campanha  “Bairros São Conexões - Perdizes”, com depoimentos de moradores contando suas impressões sobre a região em que vivem. 

O São Conexões é um oferecimento Tegra Incorporadora.

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Por Maria Lígia Pagenotto da Redação.

O estudo ouviu mais de 9.500 habitantes de 13 cidades e mostrou que andar a pé foi a modalidade que se tornou mais popular no período. Foto:  Robert Miller / The Washington Post.O estudo ouviu mais de 9.500 habitantes de 13 cidades e mostrou que andar a pé foi a modalidade que se tornou mais popular no período. Foto: Robert Miller / The Washington Post.

O uso de transportes sustentáveis, como bicicletas, patinetes e caminhadas, foi reforçado no mundo desde o ano passado, em consequência da pandemia de covid-19. No Dia Mundial sem Carro, celebrado nesta quarta-feira (22), estudo mostra que andar a pé foi a modalidade que se tornou mais popular no período, com 78 pontos de satisfação em uma escala de zero a 100.

De acordo com o estudo Mobility Futures 2021: The Next Normal, da empresa de consultoria Kantar Insights, o maior aumento foi observado na Europa, onde houve incremento de 4,8% entre 2019 e 2020. O uso de bicicletas e patinetes também mostrou alta de 3% no mundo.

O uso de veículos coletivos teve queda. Transportes públicos, como ônibus e metrôs, tiveram redução global de 5,6% porque, apesar de contribuírem para o controle de poluentes, não são boas opções em um contexto de pandemia, já que aumentam o risco de contágio, informou a Kantar. Isso foi observado especialmente em São Paulo, onde as pessoas disseram não se sentir confortáveis usando transportes públicos, com medo da contaminação. Do mesmo modo, as iniciativas de compartilhamento de carros caíram 2,2%.

Para que a utilização de transportes coletivos aumente, é preciso que a pandemia “esteja, no mínimo, sob controle”, disse Luciana Pepe, gerente de Atendimento Sênior da Kantar Insights. “As pessoas desejam uma viagem que seja confiável, rápida, segura, que seja acessível dentro da cidade onde elas moram. Então, qualquer medida que apoie algum desses fatores vai ajudar a melhorar essa preferência pelos meios de transporte, sejam públicos ou mais alternativos, como a bicicleta e andar a pé”. É preciso, contudo, que os governos e iniciativa privada garantam segurança para os pedestres nas ruas e para os ciclistas, nas ciclovias, além de avanço tecnológico na questão da mobilidade, para ganhar maior confiança da população. Eles têm que caminhar juntos nessa mesma direção”, afirmou Luciana.

Desafio

Foto: .Transport for London.Foto: .Transport for London.

O estudo mostra ainda que os automóveis continuam sendo o maior desafio em relação à mobilidade. “As longas distâncias e uma cultura que tem o veículo como principal meio de transporte, aliadas às medidas de distanciamento social e ao risco de contágio, fizeram com que o uso de automóveis crescesse 3,8%”. Aqui, o crescimento se refere ao uso do carro como motorista ou como passageiro.

O estudo ouviu mais de 9.500 habitantes de 13 cidades: Berlim e Munique (Alemanha), Bruxelas (Bélgica), Chicago e Nova York (Estados Unidos), Copenhague (Dinamarca), Londres (Inglaterra), Madri (Espanha), Milão (Itália), Mumbai (Índia), Paris (França), Pequim (China) e São Paulo (Brasil).

No caso de São Paulo, Luciana Pepe destacou que foi observada grande abertura das pessoas para usar diferentes meios de transporte para ir e vir do trabalho e nos deslocamentos por lazer. “A gente está falando de táxi, motocicleta, compartilhamento de carro. Tudo o que pode melhorar o deslocamento diário das pessoas acaba sendo bem-vindo”. Percebeu-se ainda muita semelhança de São Paulo com cidades de rápido desenvolvimento, como México e Mumbai, cuja infraestrutura não acompanha o desenvolvimento das populações, acarretando problemas de poluição do ar, congestionamento nas ruas e estradas, e transportes públicos no limite, com atrasos e falta de capilaridade.

Recuperação

Foto: Getty Images.Foto: Getty Images.Dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) revelam que apesar da pandemia, o ano de 2020 trouxe bons resultados para o mercado de bicicletas, com média de 50% de aumento nas vendas em comparação ao ano anterior. Segundo disse à Agência Brasil o diretor executivo da Aliança Bike, Daniel Guth, a forma de lidar com a pandemia acabou por favorecer o uso da bicicleta. “Como as pessoas precisavam manter a atividade física e queriam evitar as aglomerações, a bicicleta acabou se tornando um dos elementos importantes para viabilizar nossa vida. Por isso, ela ganhou tanto destaque no mundo inteiro”.

No primeiro semestre de 2021, não foi diferente. O Brasil teve expansão média de 34,17% nas vendas das bikes em relação ao mesmo período do ano passado. E a tendência continua para o resto do ano. “A procura continua muito alta”. Guth observou, porém, que desde o segundo semestre de 2020 para cá, ainda são muitos os problemas de fornecimento de insumos para a montagem de bicicletas no Brasil. O mercado ainda não normalizou a entrega de muitos componentes para fazer face à demanda. “Tem muita gente em lista de espera pela bicicleta de modelo específico. Em alguns casos, é preciso esperar semanas e até meses”, disse o diretor.

A perspectiva até o final de 2021 é ter ainda uma procura elevada, bem mais alta do que no momento pré-pandemia, “mas talvez não tão alta como o consolidado do ano passado inteiro”. O diretor da Aliança Bike destacou que no primeiro semestre de 2020, o setor sofreu impacto do fechamento das lojas nos meses de março e abril, além do consumo represado das famílias e do fechamento das fábricas na Ásia. Mesmo assim, o mercado começou a se recuperar a partir de maio, registrando pico nas vendas em julho, que mostrou crescimento de 118% sobre o mesmo mês de 2019. “Julho foi o pico”, comentou Guth. Em julho, os estoques acabaram e a partir de agosto, o mercado começou a ter problemas de entrega de produtos para os clientes.

Importação e emprego

Foto: Diário de Notícias.Foto: Diário de Notícias.

Em 2021, a situação está bem melhor para o comércio varejista do setor. No primeiro semestre deste ano, foram US$ 199,5 milhões de recursos envolvidos no comércio exterior, somando exportação e importação, número 122% superior ao do mesmo período do ano passado. É o maior volume desde o início da série histórica em 2010. Daniel Guth revelou que componentes principais de uma bicicleta, como freio, câmbio e quadro, tiveram aumentos entre 150% e 200% na importação. “Este é um ano de recuperação do que nós perdemos no segundo semestre do ano passado. Muita gente está acelerando a montagem e a importação para atender a quem está em fila de espera. São praticamente vendas que já ocorreram”.

O incremento observado nas vendas do setor se refletiu também no mercado de trabalho. Em 2020, foram criados no comércio varejista do país 1.119 novos empregos formais. Em 2021, até julho, as novas vagas com carteira assinada somaram 1.259 no Brasil. Ele informou que no estado de São Paulo, considerando um ano e meio de pandemia, os empregos com carteira assinada no comércio varejista de bicicletas subiram 18%, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O estado que registrou o maior incremento em termos de novos empregos, no período, foi o Paraná (32%), seguido de Mato Grosso do Sul e do Tocantins (30% cada). O setor, no Brasil, contabiliza mais de 14 mil empregos formais diretos, totalizando quase 9 mil lojas especializadas.

Origem

O Dia Mundial sem Carro é celebrado em 22 de setembro. A data foi criada na França em 1997, e passou a ser adotada em vários países do continente no ano 2000. O objetivo é estimular a reflexão a respeito do uso excessivo de automóveis e fazer as pessoas experimentarem meios de deslocamento alternativos, menos poluentes e mais sustentáveis.

No Brasil, o movimento chegou em 2001, envolvendo 11 cidades: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas (RS); Piracicaba (SP); Vitória (ES); Belém (PA); Cuiabá (MT), Goiânia (GO); Belo Horizonte (MG); Joinville (SC) e São Luís (MA). Na capital paulista, as atividades começaram em 2003.

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Por Alana Gandra da Agência Brasil.

 

O conselho municipal apresentou um conjunto de prioridades de planejamento urbano para que os madrilenos possam avançar. Foto: Sergio Perez / Reuters.O conselho municipal apresentou um conjunto de prioridades de planejamento urbano para que os madrilenos possam avançar. Foto: Sergio Perez / Reuters.

Em 30 de junho, legisladores em Madrid anunciaram suas intenções de aprovar atualizações nas regras de planejamento da cidade que irão “adaptar a cidade ao século 21”, segundo o governo. O vice-prefeito Begoña Villacís chamou os planos de "a atualização mais ambiciosa dos últimos 24 anos".

A capital da Espanha tem desfrutado de relativa estabilidade econômica nos últimos anos, embora ainda enfrente muitos dos mesmos desafios de áreas densamente povoadas: aumento dos aluguéis, ruas congestionadas, acesso insuficiente a áreas verdes. E, claro, Madrid não escapou ilesa da pandemia. Depois de enfrentar alguns dos piores surtos de Covid-19 do país e várias rodadas de confinamento, as autoridades locais estão agora focadas em reabrir a economia com segurança. A taxa de desemprego da cidade aumentou em 2020, mas tem caído constantemente este ano. O conselho municipal apresentou um conjunto de prioridades de planejamento urbano para que os madrilenos possam seguir adiante. 

Tornando a habitação mais confortável

Foto: Getty Images.Foto: Getty Images.

Em seu discurso, Villacís reconhece como a pandemia aumentou a importância de ter casas confortáveis ​​e habitáveis, e se comprometeu com novas regulamentações que redefiniriam os padrões de conforto para residências e colocariam ênfase em espaços ao ar livre, como varandas e pátios. Um estudo recente descobriu que Madrid tem o maior número de apartamentos internos disponíveis em seu mercado imobiliário em comparação com o resto da Espanha, o que significa que muitos apartamentos não têm acesso fácil a espaços ao ar livre. Madrid ainda não definiu as atualizações em seus códigos de habitação, mas podem surgir medidas recentes aprovadas pelo governo basco exigindo que as novas casas construídas na região incluam uma varanda.


O prefeito José Luis Martínez-Almeida também anunciou durante a reunião que a cidade investirá € 180 milhões ($ 214 milhões) em um projeto para construir cerca de 1.200 unidades de habitação pública nos próximos meses para residentes de baixa renda e outros grupos mais vulneráveis ​​como famílias monoparentais e idosos. Isto se soma a vários outros projetos de revitalização e novas construções que já estão em andamento. “Somos a maior construtora de moradias públicas da Espanha”, disse o prefeito sobre a prefeitura.

Incentivar uso de mais residências compartilhadas

Villacís reconhece como a pandemia aumentou a importância de ter casas confortáveis ​​e habitáveis. Foto: Getty Images.Villacís reconhece como a pandemia aumentou a importância de ter casas confortáveis ​​e habitáveis. Foto: Getty Images.

Os espaços de co-living em estilo dormitório, onde unidades individuais compartilham cozinhas e áreas comuns, ganharam popularidade nos últimos anos. Villacís diz que regulamentará esses tipos de moradias de uma forma que os incentive a proliferar. Em junho, a prefeitura de Madrid aprovou um novo projeto de co-living no bairro de Barajas, próximo ao aeroporto. O edifício incluirá mais de 70 unidades a preços acessíveis, bem como 25 apartamentos destinados a serem “espaços intergeracionais” que incentivam a convivência para pessoas em todas as fases da vida.
 
Limitar os aluguéis de temporada como Airbnb, VRBO, HomeAway e Wimdu
 
Villacís também propôs um novo regulamento para aluguel turístico, que tem sido uma fonte de disputa por seu impacto no mercado geral de aluguel na cidade. Madrid tem o maior número de apartamentos para aluguel por temporada de curta duração na Espanha, superando Barcelona, ​​que também teve seus problemas com o mercado do Airbnb. Embora o mercado tenha diminuído um pouco por causa da pandemia, há quase 1,5 milhão de quartos para turistas disponíveis em toda a cidade. Em 2019, o governo municipal emitiu uma norma dizendo que apartamentos sem entrada privativa não podiam ser oferecidos para locação por temporada, tornando mais difícil para um único proprietário de um prédio alugar uma unidade. A mudança foi parte dos esforços contínuos da cidade para conter o mercado de aluguel de curto prazo. Qualquer nova atualização no código da cidade provavelmente tornará mais rigorosas essas regras sobre quais apartamentos podem ser alugados.
 
Tornar as ruas mais habitáveis ​​para as pessoas, não para os carros

Madrid tem priorizado cada vez mais os pedestres em vez dos veículos em suas ruas nos últimos anos. Foto: Pierrot Heritier.Madrid tem priorizado cada vez mais os pedestres em vez dos veículos em suas ruas nos últimos anos. Foto: Pierrot Heritier.

As grandes ruas de Madrid também podem ser revitalizadas com as novas propostas. Villacís disse que quer iniciar projetos que vão “trazer vida” de volta às ruas, incluindo novos espaços para lojas e assim promover o comércio local e atividades de lazer. Bairros de Madri como Las Tablas, Sanchinarro e El Cañaveral estão todos centralizados em torno de largas avenidas que acomodam pedestres com áreas verdes e também carros nas ruas. Como Barcelona e outras cidades da Europa, Madrid tem priorizado cada vez mais os pedestres em vez dos veículos em suas ruas nos últimos anos. Em 2018, o governo bloqueou o acesso de todos os veículos não residentes no centro da cidade.


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Por Camille Squires na Quartz (Inglês).