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As pessoas se uniram para se fortalecer, e isso apareceu também no mundo dos negócios. Foto: Getty Images. As pessoas se uniram para se fortalecer, e isso apareceu também no mundo dos negócios. Foto: Getty Images.

Nada mais será como antes. A pandemia mudou a vida das pessoas, no mundo todo, durante o ano de 2020. Evidenciou desigualdades, problemas e conflitos. Mostrou que o que realmente importa é muito simples, e cabe em uma palavra muito pronunciada durante toda essa crise: saúde. Em todos os sentidos. Física, mental, emocional, financeira. Provou que as pessoas são solidárias, pois foram muitas as que arregaçaram as mangas e, com suas máscaras cobrindo os rostos, ajudaram comunidades e grupos fragilizados nesse ano. Os paradigmas caíram por terra e várias lições foram aprendidas.

Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos, em busca de uma vida mais saudável e sustentável. Foto: João A. Fagim.Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos, em busca de uma vida mais saudável e sustentável. Foto: João A. Fagim.

A palavra bairro significa região ou mesmo comunidade. É a menor unidade de urbanização existente em uma cidade. Já a palavra comunidade refere-se ao conjunto ou grupo de pessoas que reside em uma mesma área geográfica, compartilhando um modo de vida e até mesmo uma cultura.

Cada vez mais a sociedade, sob os efeitos da pandemia, está percebendo que a qualidade de vida nos grandes centros urbanos poderá ser melhorada se os bairros realmente formarem comunidades autossuficientes e integradas de forma inteligente ao todo da cidade.

Poder andar pelas calçadas do bairro para levar os filhos à escola, fazer compras de quase toda ordem e trabalhar perto de casa não deveria ser um privilégio, mas sim uma realidade coletiva para toda a população.

Quanto mais os bairros forem integrados à vida de seus moradores menos emissão de poluentes e menos tempo perdido nos congestionamentos teremos. Foto: João A. Fagim.Quanto mais os bairros forem integrados à vida de seus moradores menos emissão de poluentes e menos tempo perdido nos congestionamentos teremos. Foto: João A. Fagim.

Conhecer e interagir amigavelmente com os vizinhos, com os funcionários da farmácia, com os atendentes da padaria e demais moradores e trabalhadores do bairro que se habita certamente traz um sentimento gostoso, de viver em um local mais humano, empático. E vai totalmente contra os cristalizados anonimato e individualismo que vieram junto com o crescimento das grandes cidades. 

Tudo a pé

Quanto mais os bairros forem integrados à vida de seus moradores com serviços básicos de educação e saúde, cultura, espaços verdes, esporte e lazer, menos emissão de poluentes e menos tempo perdido nos congestionamentos teremos. Além do salto positivo da qualidade de vida, há a melhora de muitos índices de sustentabilidade.

Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos. Foto: João A. Fagim.Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos. Foto: João A. Fagim.

A bicicleta e o pedestrianismo se tornaram bandeiras em várias cidades no mundo (Milão, Paris, Londres, Nova York, entre outras), que abriram muitos espaços durante o isolamento para as pessoas caminharem e pedalarem, com novas ciclovias e calçadas mais largas. Com o aumento do home office, os bairros se valorizaram e se fortaleceram, com as pessoas descobrindo, a pé, a variedade de serviços e possibilidades a poucos metros de suas casas.

Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos, em busca de uma vida mais saudável e sustentável. 

Em São Paulo, temos algumas regiões que funcionam como células vivas e vibrantes, com autonomia para acolher pessoas em suas diferentes necessidades. A zona oeste da cidade – que reúne bairros como Vila Madalena, Perdizes, Sumaré e Sumarezinho – é um bom exemplo.

Pluralidade gastronômica

Entre a Vila Madalena e o Sumarezinho, a Horta das Corujas criou um espaço de convívio social e educação ambiental. Foto: João A. Fagim.Entre a Vila Madalena e o Sumarezinho, a Horta das Corujas criou um espaço de convívio social e educação ambiental. Foto: João A. Fagim.

Quem passeia pela Vila Madalena, encontra não apenas a diversidade cosmopolita com restaurantes de todos os estilos e sotaques, além de bares, centros e museus, mas também um lugar bastante arborizado, repleto de praças e áreas verdes, que convidam as pessoas a caminhar e se encontrar para conversar e se divertir.

Metrópoles caminháveis melhoram a qualidade de vida da população e contribuem também para o crescimento econômico e social. Foto: City Manager Magazine.Metrópoles caminháveis melhoram a qualidade de vida da população e contribuem também para o crescimento econômico e social. Foto: City Manager Magazine.

Em todo o mundo, governantes e gestores estão percebendo que estimular o pedestrianismo, a bicicleta e o transporte coletivo e reduzir o número de carros irá criar sociedades mais justas, saudáveis e sustentáveis, além de atrair negócios e investimentos para as cidades.

O São Paulo São lança uma nova iniciativa, o São Conexões, em parceria com o Pro Coletivo, o Catalyzr e o Visite São Paulo com foco na vida criativa, sustentável e afetiva dos bairros da cidade de São Paulo. Foto: Divulgação. O São Paulo São lança uma nova iniciativa, o São Conexões, em parceria com o Pro Coletivo, o Catalyzr e o Visite São Paulo com foco na vida criativa, sustentável e afetiva dos bairros da cidade de São Paulo. Foto: Divulgação. 

A pandemia provocou grandes mudanças nas pessoas e nas metrópoles, que provavelmente nunca mais serão as mesmas. O exílio deste ano de 2020 nos trouxe a oportunidade de questionar, repensar e refletir sobre modelos de vida que já não funcionam. As desigualdades e os problemas escancarados nessa crise sem precedentes nos apontam para uma verdade: precisamos mudar, e já.

Quem adaptou a rotina para o home office durante a pandemia do novo coronavírusadaptou também seu deslocamento pela cidade. O cafezinho após o almoço, agora, precisa ser comprado num estabelecimento vizinho (ou feito em casa, já não faz mais sentido comprar os mantimentos da semana naquele grande supermercado de rede que ficava no caminho do trabalho, nem ir ao shopping afastado do centro).