A força dos bairros e importância das conexões para uma vida mais saudável - São Paulo São

Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos, em busca de uma vida mais saudável e sustentável. Foto: João A. Fagim.Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos, em busca de uma vida mais saudável e sustentável. Foto: João A. Fagim.

A palavra bairro significa região ou mesmo comunidade. É a menor unidade de urbanização existente em uma cidade. Já a palavra comunidade refere-se ao conjunto ou grupo de pessoas que reside em uma mesma área geográfica, compartilhando um modo de vida e até mesmo uma cultura.

Cada vez mais a sociedade, sob os efeitos da pandemia, está percebendo que a qualidade de vida nos grandes centros urbanos poderá ser melhorada se os bairros realmente formarem comunidades autossuficientes e integradas de forma inteligente ao todo da cidade.

Poder andar pelas calçadas do bairro para levar os filhos à escola, fazer compras de quase toda ordem e trabalhar perto de casa não deveria ser um privilégio, mas sim uma realidade coletiva para toda a população.

Quanto mais os bairros forem integrados à vida de seus moradores menos emissão de poluentes e menos tempo perdido nos congestionamentos teremos. Foto: João A. Fagim.Quanto mais os bairros forem integrados à vida de seus moradores menos emissão de poluentes e menos tempo perdido nos congestionamentos teremos. Foto: João A. Fagim.

Conhecer e interagir amigavelmente com os vizinhos, com os funcionários da farmácia, com os atendentes da padaria e demais moradores e trabalhadores do bairro que se habita certamente traz um sentimento gostoso, de viver em um local mais humano, empático. E vai totalmente contra os cristalizados anonimato e individualismo que vieram junto com o crescimento das grandes cidades. 

Tudo a pé

Quanto mais os bairros forem integrados à vida de seus moradores com serviços básicos de educação e saúde, cultura, espaços verdes, esporte e lazer, menos emissão de poluentes e menos tempo perdido nos congestionamentos teremos. Além do salto positivo da qualidade de vida, há a melhora de muitos índices de sustentabilidade.

Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos. Foto: João A. Fagim.Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos. Foto: João A. Fagim.

A bicicleta e o pedestrianismo se tornaram bandeiras em várias cidades no mundo (Milão, Paris, Londres, Nova York, entre outras), que abriram muitos espaços durante o isolamento para as pessoas caminharem e pedalarem, com novas ciclovias e calçadas mais largas. Com o aumento do home office, os bairros se valorizaram e se fortaleceram, com as pessoas descobrindo, a pé, a variedade de serviços e possibilidades a poucos metros de suas casas.

Bairros com boas infra estruturas desenvolvem o senso de comunidade e devem ser o modelo de planejadores urbanos, em busca de uma vida mais saudável e sustentável. 

Em São Paulo, temos algumas regiões que funcionam como células vivas e vibrantes, com autonomia para acolher pessoas em suas diferentes necessidades. A zona oeste da cidade – que reúne bairros como Vila Madalena, Perdizes, Sumaré e Sumarezinho – é um bom exemplo.

Pluralidade gastronômica

Entre a Vila Madalena e o Sumarezinho, a Horta das Corujas criou um espaço de convívio social e educação ambiental. Foto: João A. Fagim.Entre a Vila Madalena e o Sumarezinho, a Horta das Corujas criou um espaço de convívio social e educação ambiental. Foto: João A. Fagim.

Quem passeia pela Vila Madalena, encontra não apenas a diversidade cosmopolita com restaurantes de todos os estilos e sotaques, além de bares, centros e museus, mas também um lugar bastante arborizado, repleto de praças e áreas verdes, que convidam as pessoas a caminhar e se encontrar para conversar e se divertir.

Entre a Vila Madalena e o Sumarezinho, a Horta das Corujas criou um espaço de convívio social e educação ambiental. Trata-se de uma horta comunitária experimental, na qual os voluntários cultivam hortaliças e ensinam outros moradores a plantarem também. Aberta ao público para visitas, a horta nasceu de um projeto do grupo Hortelões Urbanos, que hoje conta com 82 mil integrantes no Facebook e tem como objetivo estimular a criação de hortas comunitárias na cidade, ajudando as pessoas a cultivar alimentos em casa.

Uma fazendinha em São Paulo

Criado em 2 de junho de 1929, o Parque da Água Branca foi tombado em 1966 pelo Condephaat. Foto: João A. Fagim.Criado em 2 de junho de 1929, o Parque da Água Branca foi tombado em 1966 pelo Condephaat. Foto: João A. Fagim.

Já o Parque da Água Branca, próximo a Barra Funda e Perdizes, é um oásis rural na região oeste de São Paulo. Quem o visita tem a sensação de andar em uma fazenda, tal é a profusão de galinhas, patos e pavões soltos por ali nas belas alamedas arborizadas. Um lugar delicioso para caminhadas e preguiçosas pausas para leitura e conversas com amigos. Criado em 2 de junho de 1929, o parque foi tombado em 1966 pelo Condephaat como patrimônio cultural, histórico, arquitetônico, turístico, tecnológico e paisagístico do estado de São Paulo, e é um passeio que vale a pena na região. Conta com banheiros adaptados, bebedouros acessíveis com sinalização de piso tátil e academia adaptada voltada aos deficientes físicos.

A região oeste é muito bem servida de metrô e também conta com ciclovias, como as das avenidas Sumaré e Faria Lima e da rua Artur de Azevedo. Com isso é possível pedalar ou usar o transporte coletivo, inclusive o ônibus, para acessar lugares atrativos na região, caso dos parques, praças e jardins, como a Praça Homero Silva, em Perdizes, conhecida desde 2013 como Praça da Nascente. O nome explica a riqueza guardada naquele espaço, que concentra oito nascentes do Rio Água Preta, que segue seu curso pelas galerias da cidade até chegar ao Rio Tietê.

O passeio na região é especialmente interessante para quem gosta de grafites e para os amantes de fotografia. Foto: João A. Fagim.O passeio na região é especialmente interessante para quem gosta de grafites e para os amantes de fotografia. Foto: João A. Fagim.

Já o Beco do Batman, nas vielas da Vila Madalena, é celebrizado por ser um dos mais democráticos espaços artísticos da capital paulista. Conta a lenda que o beco ganhou fama devido ao desenho do herói dos quadrinhos estampado numa parede. Nos anos 80, o Batman grafitado servia como ponto de referência e ganhou fama ao ser reinterpretado por outros artistas. O passeio na região é especialmente interessante para quem gosta de grafites e para os amantes de fotografia.

Em comunhão com tudo isso, o São Paulo São está lançando uma nova iniciativa, o São Conexões. Idealizada em parceria com o Pro Coletivo, o Catalyzr e o Visite São Paulo, a plataforma foca na vida criativa, sustentável e afetiva dos bairros da cidade de São Paulo.

Leia também: 

Tegra Incorporadora é parceira da iniciativa.

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Por Chantal Brissac da Redação.



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