Em São Paulo, o bairro de Higienópolis une tradição e modernidade - São Paulo São

 

Vista aérea da Praça Buenos Aires, área verde e arborizada no centro do bairro de Higienópolis. Imagem: Ricardo Martirani.Vista aérea da Praça Buenos Aires, área verde e arborizada no centro do bairro de Higienópolis. Imagem: Ricardo Martirani.

Depois de Perdizes, o São Paulo São dá sequência neste mês de novembro, dentro de seu projeto São Conexões, à série inédita de filmes / depoimentos, voltada para valorizar e despertar a boa convivência nos bairros da cidade. O bairro abordado agora é Higienópolis.

Esta região é uma das mais interessantes e acolhedoras de São Paulo, pois reúne qualidades inerentes ao conceito “Cidade de 15 Minutos”, sistema pensado e realizado pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno. Segundo Moreno, ter acesso – a uma distância de 15 minutos a pé – a necessidades básicas como saúde, educação, trabalho, cultura, lazer e entretenimento é o que torna um lugar ideal para as pessoas viverem.

O clássico Edifício Bretagne construído por Artacho Jurado na Avenida Higienópolis na década de 1950. Imagem: Ricardo Martirani.O clássico Edifício Bretagne construído por Artacho Jurado na Avenida Higienópolis na década de 1950. Imagem: Ricardo Martirani.

Esses parâmetros são importantes porque trazem qualidade de vida, cidadania e bem-estar. Atributos que fazem parte do dia a dia de Higienópolis, bairro localizado em um dos pontos mais altos da cidade e batizado com um nome que deixa antever a sua história. Higienópolis significa “Cidade da Higiene”, pois nos idos de 1890 a região foi uma das pioneiras a implantar saneamento básico completo.

Fundado pelos empresários alemães Martinho Bouchard e Victor Nothmann como um loteamento de alto padrão, o bairro foi lançado em 1895 com o nome de Boulevard Bouchard. A alcunha Higienópolis veio depois, quando o bairro cresceu, amealhando mais chácaras locais, e simbolizando a busca da elite por um lugar higiênico, com esgoto e fornecimento de água, além de menos propenso a enchentes e doenças, por sua altitude e localização.

Hoje, em vez dos bondes que passavam silenciosos no início do século 20, se vêem carros, ônibus, ciclistas e muitos pedestres nas famosas Avenidas Angélica e Higienópolis, principais vias do bairro. 

Higienópolis foi o primeiro bairro de São Paulo a ganhar iluminação a gás, arborização, linhas de bondes, redes de água e esgoto. Foto: LIFE Magazine.Higienópolis foi o primeiro bairro de São Paulo a ganhar iluminação a gás, arborização, linhas de bondes, redes de água e esgoto. Foto: LIFE Magazine.Um dos entrevistados nesta histórica série, o estrategista político Ziggy Quinette, morador do bairro, lembra da trajetória mais recente de Higienópolis, em especial do Movimento Modernista e dos artistas e intelectuais que viviam ali. “Você tinha a Tarsila do Amaral morando na Piauí com a Angélica, tinha a Anita Malfatti morando na rua Ceará e o Paulo Prado na mansão onde todos se encontravam para discutir a modernidade. É justo dizer que a Semana de 22 não teria acontecido e sido tão importante para a história do Brasil se não fosse esse bairro “, diz Ziggy.

 Ziggy Quinette, morador do bairro, lembra da trajetória mais recente de Higienópolis, em especial do Movimento Modernista. Imagem: Ricardo Martirani. Ziggy Quinette, morador do bairro, lembra da trajetória mais recente de Higienópolis, em especial do Movimento Modernista. Imagem: Ricardo Martirani.

E ele tem toda razão. Trecho de um texto de Oswald de Andrade publicado em 1954 na revista Anhembi dá conta de como o bairro acolhia a intelligentsia da época: “Paulo Prado abriu-nos sua casa em Higienópolis. Recebia magnificamente. Os seus almoços aos domingos eram faustosos. Além de se comer e beber dentro duma grande tradição civilizada, ali se debatiam os problemas candentes da transformação das letras e das artes. Pode-se dizer que, depois da pobreza de minha garçonnière na Praça da República, foi a casa de Paulo Prado o centro ativo onde se elaborou o Modernismo”. 

Outro morador do bairro, o jornalista Ricardo Gaioso foi entrevistado na série e fala sobre a arquitetura de Higienópolis, com projetos de modernistas como Rino Levi e Artacho Jurado, autores de edifícios que viraram rotas de passeios turísticos para estrangeiros e brasileiros, especialmente estudantes de arquitetura e artes. Gaioso define o bairro como auto suficiente, pois não é preciso sair dali para nada. E tudo se faz a pé ou de bicicleta.

O jornalista Ricardo Gaioso define o bairro como auto suficiente, pois não é preciso sair dali para nada. Imagem: Ricardo Martirani.O jornalista Ricardo Gaioso define o bairro como auto suficiente, pois não é preciso sair dali para nada. Imagem: Ricardo Martirani.

“Um sebo novo, um lugar de segunda mão para mobiliário antigo, um café antigo, o estacionamento no estádio do Pacaembu, onde as pessoas correm e patinam, um pão especial e artesanal na esquina; Higienópolis tem o poder de manter a tradição intacta, ao mesmo tempo em que se abre para as mudanças de comportamento”, diz Ricardo, na conversa no seu gostoso apartamento.

A estilista Dorothy Campolongo conversa com os porteiros dos prédios vizinhos, com o dono da farmácia, encontra pessoas e amigos na rua. Imagem: Ricardo Martirani.A estilista Dorothy Campolongo conversa com os porteiros dos prédios vizinhos, com o dono da farmácia, encontra pessoas e amigos na rua. Imagem: Ricardo Martirani.

A estilista Dorothy Campolongo revela que morar no bairro sempre foi seu sonho, desde os tempos de estudante da Faap. “Adoro morar aqui! Gosto de passear nas praças, de caminhar, sentar-me ao ar livre nos restaurantes, ver os prédios maravilhosos art déco, art nouveau”, diz Dorothy, que ama também sair caminhando e cumprimentando as pessoas da comunidade. Ela conversa com os porteiros dos prédios vizinhos, com o dono da farmácia, encontra pessoas e amigos na rua. “Tem esse lado simpático que eu adoro...”

"Higienópolis é um bairro que te permite ter uma vida tranquila, tipo cidade de interior ”, conta Bibi Fragelli. Imagem: Ricardo Martirani."Higienópolis é um bairro que te permite ter uma vida tranquila, tipo cidade de interior ”, conta Bibi Fragelli. Imagem: Ricardo Martirani.

Uma moradora também apaixonada é a estilista Bibi Fragelli. “Acho incrível a localização, por ser ao lado do Pacaembu, pertinho da Paulista, em meia hora a gente chega ao IMS, ao Masp, cinemas, todo tipo de casas de comida... Higienópolis é um bairro que te permite ter uma vida tranquila, tipo cidade de interior sem carro, eu ando muito de bicicleta e a pé”, conta Bibi. Nessas andanças, ela já fez muitas conexões que se tornaram amizades. É o caso de uma moça dona de uma casinha com um jardim lindo e super bem cuidado. “Era o meu caminho, e eu sempre parava para admirar as flores da casa; um dia ela estava lá e eu elogiei o jardim, para mim o mais lindo do bairro, então ela me convidou para entrar e tomar um café e a partir daí a gente sempre conversa e troca mudas (que ela me dá) e retalhos e tecidos, que eu separo para ela. Ficou uma relação muito legal”.

"Mãe", escutura de Caetano Fraccaroli, esculpida em um bloco único de mármore na Praça Buenos Aires. Imagem: Ricardo Martirani."Mãe", escutura de Caetano Fraccaroli, esculpida em um bloco único de mármore na Praça Buenos Aires. Imagem: Ricardo Martirani.

Higienópolis é um lugar de histórias, de impressões, de encontros, de conexões. Uma região repleta de memória, cultura, natureza (como o Parque Buenos Aires) e muitas boas surpresas, como contam os nossos entrevistados nessa série deliciosa.   

A série São Conexões é um oferecimento da Tegra Incorporadora.

 

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Chantal Brissac da Redação.

 



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