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O Festival Red Bull Amaphiko chega à terceira edição para reunir, fortalecer e celebrar inovadores sociais. O evento é gratuito e acontece dias 15 e 16 de dezembro, no Centro Cultural Grajaú. Este ano, pela primeira vez, ele sai do Red Bull Station, no centro de São Paulo, e vai para o extremo sul da cidade de São Paulo, com a intenção de reconhecer um território que já inova socialmente há bastante tempo. A programação conta com oficinas, performances, painéis, rodas de conversa, exibição de filme, exposições, shows, intervenções e feira.

Em sua 6ª edição, a Semana Internacional de Música de São Paulo, a SIM São Paulo, continua dedicada a palestras e debates sobre os rumos do mercado musical. Tendo novamente como base o Centro Cultural São Paulo, o evento – aberto na 4ª (5) para credenciados e na 5ª (6) para o público em geral – também tem noites em que artistas brasileiros e internacionais mostram seus trabalhos.

A dança contemporânea é o carro-chefe da programação do Itaú Cultural direcionada para a arte e a cultura a partir da acessibilidade. Durante três dias, Espetáculo 'Da própria pele, não há quem fuja' Com a ExperimentandoNus Cia. de Dança. Foto: Liz Santana.	Espetáculo 'Da própria pele, não há quem fuja' Com a ExperimentandoNus Cia. de Dança. Foto: Liz Santana. apresentam-se artistas com deficiência que atuam em diferentes segmentos artísticos, como o ator Giovanni Venturini, os grupos de dança brasileiros Movidos e ExperimentaNus Cia de Dança e o costa-riquenho Nube de Pájaros, o performer Marcos Abranches, o músico Luiz Otávio e o grupo Trem Tan Tan, além da exibição de curta-metragem e debates sobre mediação em espaços culturais para surdos e o erótico e a acessibilidade.

De 7 a 9 de dezembro, o Itaú Cultural realiza a terceira edição do II Entre II Arte e Acesso, programação que dá luz ao talento e profissionalismo de artistas com deficiências que usam o corpo e o lugar de fala para mostrar a sua arte. Com convidados brasileiros e estrangeiros, a programação deste ano conta com umpocket de poesia, um filme, dois debates, dois shows e quatro espetáculos de dança, a arte mais representada nesta edição, que contará com acessibilidade em Libras, audiodescrição e estenotipia (legendas visíveis).

Debate: 'Mediação em espaços culturais para o público surdo. Foto: Ligia Jardim.Debate: 'Mediação em espaços culturais para o público surdo. Foto: Ligia Jardim.

A programação abre na sexta-feira, dia 7, às 14h, no piso térreo do Itaú Cultural, com o pocket show de poesia apresentado pelo ator Giovanni Venturini. Com atuações no cinema, na tevê, no teatro e em campanhas publicitárias, ele apresenta pílulas poéticas que abordam o nanismo a partir de perguntas e reflexões cotidianas sobre sua própria condição e os diferentes olhares que recebe por causa dela.

Às 15h30, acontece a conversa sobre Mediação em Espaços Culturais para o Público Surdo, a primeira das duasNaiane Olah. Foto: Ivson Miranda.Naiane Olah. Foto: Ivson Miranda. mesas de debates. O educador surdo Edinho Santos e a intérprete de Libras Naiane Olah falam sobre essa mediação em espaços expositivos, uma vez que, com o avanço das estratégias de acessibilidade, o público surdo tem cada vez mais visitado as atividades culturais oferecidas na cidade. O encontro será mediado por Alexandre Ohkawa, arquiteto, consultor, tradutor-intérprete de Libras e professor desta língua de sinais, também surdo.

Na sequência, às 17h30, o público é convidado para acompanhar a segunda mesa, cujo tema é O Erótico e a Acessibilidade. Participam dela, Lara Souto Santana, que tem baixa visão e é especialista em tradução inglês/português, linguagens da arte e inclusão e gestão das diferenças, e Ly Neves, palestrante de temas voltados à política de educação, da mulher surda e da literatura, além de autora de um livro de contos eróticos lesbianos e outro com poemas, prosas, versos e rimas sobre essências poéticas diversas. A mediação é da atriz, audiodescritora e professora de teatro Andreza Nóbrega.

'Entreaberto', pocket de dança contemporânea do Grupo Movidos. Foto: Lado A'Entreaberto', pocket de dança contemporânea do Grupo Movidos. Foto: Lado AO primeiro dia da programação fecha às 20h, com a apresentação do espetáculo Nube de Pájaros, com a ¡Ya! Danza, companhia de dança contemporânea da Costa Rica. Formado por um elenco que investe na integração de corpos com e sem deficiência física, o grupo apresenta uma metáfora ao fenômeno migratório dos pássaros da família dos estorninhos em busca de sobrevivência, em paralelo à necessidade de fortalecer a coletividade do bando para sobreviver aos conflitos do mundo, alcançando a própria liberdade.

Entre movimentos e telas

A apresentação Entreaberto, em forma de pocket, que o grupo brasileiro Movidos apresenta às 15h30, retoma a programação do II Entre II Arte e Acesso no sábado (dia 8). A companhia de dança contemporânea, criada em Natal, tem o objetivo de promover nova perspectiva para a dança na investigação da identidade de corpos diversificados. Assim, coloca em cena os bailarinos Daniel Silva e Léo Bruno em um trabalho coreográfico baseado livremente na obra A Metamorfose, de Franz Kafka, rompendo a barreira do inconsciente e abandonando o que limita a ir além do que é considerado como verdade absoluta.

Às 17h30, é exibido ProfanAÇÃO, curta-metragem estreado no 29º Festival Internacional de Curtas de São Paulo, dirigido pela performer Estela Lapponi. A Letícia Kamada. Foto: Divulgação.Letícia Kamada. Foto: Divulgação.produção é uma performance em experimento cinematográfico que reúne cinco artistas – uma surda, duas pessoas com baixa visão, uma cadeirante e outra claudicante – que se deparam com perguntas enviadas pelo público, as quais revelam um imaginário em torno de seus corpos. Após a exibição, acontece um bate-papo, com participação de Estela ao lado do consultor Edgar Jacques e da audiodescritora Letícia Kamada, envolvidos no processo de criação do curta.

Assim como na sexta-feira, a programação do sábado encerra com dança. Às 20h, é apresentado o espetáculo Da própria pele, não há quem fuja, às 20h. Interpretado pelos baianos da ExperimentandoNus Cia. de Dança, ele parte da pesquisa sobre a diversidade no contexto cultural afro-brasileiro, com coreografias que exploram a simbologia de orixás e aspectos das manifestações populares. Assim, o corpo festivo e sagrado é como uma encruzilhada, um lugar de encontros e desencontros, de chegada e partida de identidades, compartilhando heranças e legados ancestrais afro-brasileiros.

Ritmos

Espetáculo 'Da própria pele, não há quem fuja' com a ExperimentandoNus Cia. de Dança. Foto: Liz Santana.Espetáculo 'Da própria pele, não há quem fuja' com a ExperimentandoNus Cia. de Dança. Foto: Liz Santana.O domingo, 9, último dia de II Entre II Arte e Acesso começa com música. Às 15h, o compositor e pianista carioca cego Luiz Otávio apresenta Casa de Amigo, umpocket show com músicas autorais do seu primeiro álbum instrumental. Músico que começou a tocar aos quatro anos e que, como profissional, já acompanhou nomes do samba como Dominguinhos do Estácio, Neguinho da Beija-flor, Paulinho Mocidade e Noca da Portela, ele apresenta um repertório com influências jazzísticas e linguagem brasileira, acompanhado por Jefferson Lescowich no contrabaixo elétrico e Elthon Dias na bateria.

Às 16h30, o performer Marcos Abranches apresenta Corpo sobre Tela, um espetáculo de dança inspirado na vidaLuiz Otávio faz pocket show instrumental 'Casa de Amigo'. Foto: Neon Maia.Luiz Otávio faz pocket show instrumental 'Casa de Amigo'. Foto: Neon Maia. e obra do pintor irlandês Francis Bacon. Em cena, Abranches, artista com deficiência física rara decorrente de uma lesão cerebral, faz do seu corpo e dos movimentos uma espécie de pincel para a criação de imagens abstratas em grande escala. Para tanto, o artista faz uso de gestos singulares da dança, expressando sua dramaticidade, impregnada de cores e sentimentos inquietantes.

Encerra a terceira edição do II Entre II, às 19h o grupo mineiro Trem Tan Tan que faz um show cujo repertório é formado por músicas irreverentes e criativas, associadas ao discurso a favor da liberdade, da sustentabilidade e de uma sociedade sem manicômios. Coordenado pelo músico e poeta Babilak Bah, o grupo traz em suas letras uma poética lúdica sobre pessoas com sofrimento mental, em músicas como Melô do Mandiocão, de Rogéria Pereira, que discorre sobre uma receita de vaca atolada. Carlos Ferreira canta a denúncia dos preconceitos associados aos loucos em Que Louco, que nada, e Gilberto da Rocha cita inúmeros nomes femininos que ele dá às suas vaquinhas imaginárias em Boi Rombudo.

Serviço

Promovido pela organização Proteção Animal Mundial e pela ONU Meio Ambiente, o evento “Oceano Plástico: como escapar desse emaranhado?” acontece na sexta-feira (7) na Unibes Cultural, em São Paulo (SP), para debater a situação atual e as soluções inovadoras para a questão da “pesca fantasma” e do lixo plástico nos oceanos.