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Com mais de 90% de aprovação dos usuários, os projetos do Centro Aberto transformaram os Largos Paissandu e São Francisco em espaços de convivência ao ar livre. Com uma programação cultural convidativa e locais apropriados para sentar, a presença de pessoas nesses locais aumentou, assim também como a sensação de bem estar e a percepção de segurança. 

O centro de São Paulo é um setor privilegiado da cidade. A ampla oferta de empregos, a pujante dinâmica do comércio popular e especializado, o amplo serviço de transporte público, a presença dos órgãos de governo, a memória do patrimônio histórico, a ampla oferta de equipamentos culturais e de espaços públicos o singularizam.

O centro é o espaço de representação de toda a sociedade, o que o faz ser um lugar de celebração e de conflitos. Sendo assim, pensar e agir sobre a transformação da área central de São Paulo exige enfrentar o campo de projeto como um campo de negociação de conflitos, em que a coexistência pacífica seja não apenas possível, mas, sobretudo, desejável, promovendo a celebração.

A região central da cidade sofreu ao longo da segunda metade do século XX um processo de desvalorização simbólica e degradação de suas condições ambientais, paralelo à expansão da mancha urbana e o surgimento de novas regiões com funções de centralidade. O Centro passou a ser um lugar de passagem e não um espaço de estar, que convide à convivência e ao desfrute de seus potenciais e qualidades históricas. Tal configuração espacial não apenas produz uma sensação de insegurança aos usuários, como também não atende suas demandas e necessidades cotidianas. A requalificação da área central é um desafio e uma necessidade, imbuída de um inegável sentido democrático.

Renovação das formas de uso
O projeto Centro Aberto – que tem sede justamente no Centro de São Paulo – não busca construir novos espaços, mas, sobretudo transformar as estruturas preexistentes, permitindo atividades de celebração. Os projetos buscam a ativação do espaço público por meio da renovação de suas formas de uso. Promover a diversificação das atividades – envolvendo um número maior de grupos de usuários, em faixas de tempo também ampliadas – constitui-se em um instrumento fundamental para a construção do domínio público sobre os espaços. Esse processo é capaz de promover, além da melhoria na percepção de segurança, o reforço no sentido de pertencimento e identificação da população com o Centro.

O Centro Aberto tem papel de articular as políticas públicas municipais voltadas para os espaços públicos. Neles, convergem ações de diversos órgãos municipais, como o WiFi Livre SP e a renovação da iluminação pública, o incentivo à presença de artistas de rua e comida de rua, assim como a rede de bicicletas compartilhadas e a instalação de paraciclos. Os primeiros projetos do Centro Aberto foram implantados em caráter de experimentação, como projetos piloto.

Projetos piloto são uma forma de testar novas soluções em escala 1:1 antes de fazer alterações permanentes. Ao mesmo tempo em que permitem o diálogo público e o envolvimento da comunidade, convidam usuários e potenciais usuários para o engajamento no processo de mudança da cidade com relação as suas necessidades e demandas.

Essa forma de atuação se mostrou uma ferramenta política forte na tomada de decisão, uma vez que mostra diretamente como a vida da cidade será afetada pelas mudanças. Nesse contexto, o recolhimento de dados sublinhando os efeitos das mudanças é, evidentemente, indispensável.

Projetos implantados

 

 

 

Fonte: Gestão Urbana (SMDU). 

 

O CoCidade está na sua segunda edição e nasceu de diversas iniciativas colaborativas que buscam alternativas sociais para mostrar ao mundo o resultado de projetos construídos de forma coletiva e compartilhada. 

O CoCidade será realizado no Centro Cultural da Juventude (CCJ) e terá como foco o financiamento coletivo de projetos artísticos. Será oferecido um pacote de quatro oficinas voltadas para coletivos artísticos e artistas que buscam formas alternativas de viabilizar sua arte.

As inscrições para os interessados em participar dos workshops estarão abertas entre os dias 1 e 22 de julho.

Ainda no mês de julho, serão feitas as entrevistas com os candidatos para que se possam moldar as oficinas para a realidade dos selecionados.

As vagas são limitadas. O escolhido participará dos quatro módulos que serão realizados entre agosto e setembro:

Dias 18 e 20/8: Financiamento Coletivo
Dias 25 e 27/8: Design- Criação e produção de materiais para a campanha de financiamento coletivo
Dias 1 e 3/9 | Vídeo – Criação e edição de  vídeo para a campanha de financiamento coletivo
Dias 8 e 10/9 | Articulação e mobilização de redes
Dias 18, 20, 25, 27/08 e 1, 3, 8 e 10/9, terças e quintas, das 19h às 22h. Espaço Sarau.


De 16 a 30 anos. É preciso fazer inscrição de 1 a 22/7 online em http://www.inscricoes.ccj.art.br/ ou na recepção do CCJ. Além disso é residir na zona norte. Haverá seleção.

Saiba mais: http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/evento/cocidade/

 


Um dos cinco maiores eventos do gênero em todo o mundo, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo chega a sua 26ª edição com a exibição gratuita de mais de 400 filmes dos mais variados países, em diversas salas de cinema da cidade de São Paulo: MIS, Espaço Itaú de Cinema – Augusta, CineSesc, Cinemateca, Centro Cultural São Paulo, Cine Olido e Cinusp.

A mostra, acontece do dia 19 a 30 de agosto, tem como tema a mobilidade urbana, que será retratada em diferentes programas e atividades, como um passeio ciclístico até o elevado Costa e Silva, o Minhocão, com projeção de curtas na fachada de um dos prédios da região; filmes brasileiros que abordam o trânsito e os deslocamentos urbanos; e uma seleção do Festival Internacional de Clermont-Ferrand, na França, com produções que têm a bicicleta como foco.

Do festival inglês de animação e curtas-metragens “Encounters” será apresentada uma seleção especial de curtas. O evento exibirá episódios da série “A Copa passou por aqui”, idealizada por Jorge Furtado, da Casa de Cinema, e dirigida por nomes como Ardiley Queirós e Lázaro Ramos, e também uma mostra de fotofilmes, com lançamento de livro de Marcello Tassara, realizador do primeiro fotofilme da ECA/USP. Entre os títulos selecionados para este ano, destaque para o vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2015, o libanês “Waves’98″, de Ely Dagher.

O cartaz


O cartaz oficial do 26º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo é assinado pela artista Deborah Santiago.

"O tema do Festival deste ano é mobilidade por conta das movimentações políticas e culturais que têm acontecido em São Paulo e em todo o Brasil. Para não ter que escolher uma entre tantas pautas, preferi olhar para o palco destas movimentações: a rua. 

Fiz estudos com stencils, testes com mapas e assim encontrei o caráter rizomático que muito me interessa; em um olhar para a malha viária da cidade encontro veias dando movimento a um organismo, a vida que pulsa na "Selva de Pedra". 

Gosto deste caráter biológico em meu trabalho, mas gosto também das diversas interpretações que já escutei por aí..." diz a autora.

O Festival, fundado por Zita Carvalhosa é organizado pela Associação Cultural Kinoforum.

Confira a programação no site oficial: http://www.kinoforum.org.br/curtas/2015/

 

Eu fico impressionada com a quantidade de programas comunitários que São Paulo tem para oferecer aos seus cidadãos. É impressionante que projetos em grande escala sejam capazes de tomar forma e se tornar tão bem sucedidos em uma cidade como São Paulo.

Em comparação com outras cidades do mundo, eu acho que a consciência cultural e a vontade de compartilhar e trocar é muito elevada em São Paulo. Além disso, acredito que o "buzz" em torno de novas idéias é particularmente agudo para uma cidade que está sobrecarregada por uma burocracia pesada. Algumas entidades e futuros projetos vêm à mente quando penso na ênfase da comunidade brasileira. Dentro os quais se destacam: a extensão dos centros SESC, a Virada Cultural, que acontece anualmente em São Paulo, as ciclofaixas expandidas nos fins de semana, e o futuro projeto do Minhocão.

Minha experiência com cada um desses projetos tem sido muito positiva e reforçou a ideia de que os brasileiros valorizam suas unidades comunitárias. Não são pessoas introvertidas e excludentes, mas sim abertas à partilha e ao intercâmbio de ideias com outras pessoas dentro de suas comunidades. Elas saúdam atividades sociais e estão sempre interessadas em aprender sobre culturas e ideias.

Sesc: Eu admito: eu conheço apenas alguns Sescs. Porém, li muito sobre o conceito e recentemente visite um em particular: o Sesc Poméia. O Sesc é uma instituição brasileira que atua na educação, saúde, lazer e no setor cultural. Sua renda vem de alguns contribuintes, mas o seu principal objetivo é promover serviços e atividades culturais a esses trabalhadores e à comunidade em geral. Os centros são baseados em uma ideia surgida em meados de 1940, que permitia que os membros da comunidade tivessem acesso a aulas, visitas médicas, comidas nos refeitórios, a exposições e palestras. O Sesc é uma incrível fonte de recursos para seus membros e para a comunidade em geral. Este ano, eu assisti a uma palestra da Marina Abramovic, que estava fazendo uma residência no Sesc Pompéia. Ela também foi inspirada pela ideia de intercâmbio cultural e escolheu o Sesc como o local para a sua residência de sete semanas, onde ela ensinou, orientou e falou aos estudantes e fãs.

Virada Cultural: Apenas uma vez por ano, este encontro de 48 horas de eventos culturais reúne pessoas de todas as esferas criativas, sem nenhum custo. Durante dois dias, através da dança, música, arte e literatura, a cidade ganha vida com entusiasmo e apreço. Durante o fim de semana, se você estiver interessado em assistir a uma obra de teatro nàs 4h da manhã - é possível. A ideia de usar o centro da cidade como pano de fundo para abrigar eventos criativos de boas-vindas é verdadeiramente inspirador. Há presentações de dança debaixo de uma passagem movimentada subterrânea às 5h de manha, concertos em praças públicas ao redor do relógio, e o Teatro Municipal fica aberta toda noite deixando a cidade viva. Além disso, o fato do evento ocorrer no centro, um bairro relativamente perigoso, é um sinal de que a cidade está disposta a reviver alguns aspectos da cidade que foram esquecidos.

Minhocão: Atualmente, funciona para pedestres apenas aps domingos, e o espírito do projeto de transformar o local em um parque como o High Line de Nova York já é palpável. Aos domingos, a via fica fechada deixando o espaço aberto para os corredores, ciclistas, patinadores e caminhões de alimentos. Nos próximos anos, o objetivo do Minhoão é tornar-se um belo parque elevado exclusivo para pedestres. O grupo de desenvolvimento urbano Movimento90 está se planejando para converter os lados dos edifícios próximos à via em jardins verticais, em um projeto incrível e ambicioso que, se concluído, tornar-se-à maior concentração de jardins verticais em todo o mundo. O suporte para o Minhocão existe e, lentamente, o projeto irá tomar forma criará um outro centro comunitario para a cidade.

Ciclofaixas: Muitas cidades têm investido em ciclovias como forma de incentivar o movimento e a diversão dos cidadãos. São Paulo também tem feito isso desde 2009 através da criação de ciclovias estendidas e, em alguns casos vias inteiras exclusivas para bicicletas aos finais de semana. Mais de 60 quilômetros de ciclovias estão disponíveis para uso, com períodos de uso determinados e voluntários para auxiliar na preservação do local. A quantidade de pessoas que utilizam este serviço é incrível e isso mostra o poder de projetos sociais que funcionam bem na cidade.

Estes são todos os sinais de cidadãos engajados que estão dispostos a fazer o melhor para sua própria cidade. Com poucos recursos, estes projetos podem e vem mudando a percepção de uma cidade.

Clara Carulla nasceu em Barcelona, mas morou em Londres até ir para a universidade nos Estados Unidos. Atualmente mora no Brasil e trabalha em marketing digital. Ela co-escreve um blog chamado "Tale of Two Cities" em que documenta estilo de vida no Rio e em São Paulo. Via Brasil Post.

Já abordamos em várias oportunidades o conceito de placemaking e sua importância no desenvolvimento de um sentido de comunidade. Seu emprego tem, geralmente, o objetivo de construir espaços públicos onde as pessoas se sintam à vontade para passar grande parte de seu tempo.

As medidas que aplicam esse conceito para gerar mudanças e avanços nesse sentido vão desde dedicar mais ruas ao fluxo exclusivo de pedestres e construir mais parques até reestruturar os departamentos municipais encarregados de administrar os espaços públicos, assegurando instâncias de participação urbana.

Contudo, uma variável do conceito de placemaking que está tomando cada vez mais força tem a ver com a relevância da arte na cidade e sua relação com a resiliência urbana - o que dá origem ao placemaking criativo.

O que é placemaking criativo?

Entre os casos de placemaking criativo desenvolvidos através do Fundo Nacional das Artes, vale destacar dois.

O primeiro foi realizado em Flint (EUA), uma cidade que estava criando seu primeiro projeto de planejamento em 50 anos. Para que os artistas se envolvessem nos esforços, o município dedicou espaços em alguns bairros para que os artistas pudessem desenvolver atividades ligadas ao teatro, à dança e à música, e lhes assegurou cotas nas reuniões de planejamento, garantindo que essas reuniões não fossem tão rotineiras e contassem com mais pessoas participando.

O segundo, chamado de FLOW: Can You See the River?, foi desenvolvido em Indianapolis e consistiu no financiamento de uma série de intervenções urbanas que buscavam demonstrar, através de mapas interativos, como certas atividades cotidianas afetam o White River.

Fonte: Plataforma Urbana.

 


Argumento utilizado para combater a utilização da via para o lazer ou protestos é derrubado pelos próprios hospitais do entorno.

É comum a alegação de que a existência de hospitais na região da avenida Paulista justificaria a proibição de manifestações na via ou sua abertura à população como área de lazer, como ocorreu no domingo 28 de junho. CartaCapital foi ouvir os interessados, e nenhum hospital se opôs à abertura da via para o lazer ou para manifestações, e todos disseram ter acessos alternativos para seus pronto-socorros.

A discussão ganhou corpo recentemente, após a experiência da Prefeitura de São Paulo de abrir a avenida Paulista exclusivamente para carros e pedestres no dia 28 passado, quando São Paulo ganhou mais 2,7 km de ciclovias entre a a praça Oswaldo Cruz e a avenida Angélica, atravessando toda a extensão da avenida Paulista. 

A partir do sucesso da experiência naquela ocasião, a gestão Fernando Haddad (PT) estuda agora abrir a avenida todos os domingos para o lazer --deixando-a fechada para veículos automotores.

Segundo levantamento da Prefeitura, em um raio de 500 metros por toda a extensão da avenida existem quinze hospitais, sendo que três deles não têm pronto-socorro, ou seja, não recebem ambulâncias.

CartaCapital entrou em contato com todos os 15 hospitais. Três não atenderam à reportagem (Hospital 9 de Julho, Instituto do Coração e Oswaldo Cruz). Dentre todos os demais, nenhum se opôs à medida.

O HCor, IGESP, Emílio Ribas e o Pro Matre Paulista informaram que as mudanças na avenida não têm promovido dificuldades de acesso de suas ambulâncias.

O Hospital e Maternidade SacreCoeur, o São José e o TotalCor afirmaram que as rotas alternativas de acesso ao local funcionam satisfatoriamente nestes dias.

O Hospital Sírio-Libanês também não vê problema algum no eventual fechamento da Paulista. Segundo a entidade, a CET indica outras rotas funcionais sempre que há grandes eventos na avenida.

O Santa Catarina, localizado na avenida, informou dispor de acessos alternativos e que a entrada de seu pronto-socorro fica numa rua transversal, a Teixeira da Silva. Propõe apenas que a abertura da avenida Paulista para o público aconteça entre a praça do Ciclista e esta rua.

Também foram ouvidos os hospitais Beneficência Portuguesa de São Paulo e a maternidade Santa Joana. Ambos afirmaram utilizar sem problemas os acessos alternativos para pacientes e funcionários em dias em que há muito tráfego ou manifestações na região.

Segundo a Prefeitura, o fechamento da via para carros (e a consequente abertura da Paulista para pedestres e bicicletas) no domingo 28 foi um teste. Na ocasião foi observado baixo impacto no trânsito, com a utilização satisfatória das paralelas alameda Santos, Cincinato Braga e São Carlos Antonio do Pinhal.

O poder público municipal agora irá encaminhar o pedido ao Ministério Público, e não há ainda uma previsão para a que a abertura da Paulista para o lazer aos domingos se torne fixa. Cai por terra, entretanto, o mito de que o "fechamento" da via por manifestações ou para o uso exclusivo para pedestres e ciclistas aos domingos sejam um problema para os hospitais da região.

Por Ingrid Matuoka em Carta Capital.

 

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